domingo, outubro 30, 2016

Reflexões - 02.01.2015

O cigarro bota pra baixo, desfaz, aperta, desconcerta tudo que estava leve, aberto, amplo, em paz...
Não aquieta - angustia.
Finge que relaxa, mas resseca, oprime, seda.
A fumaça obstrui e sufoca.
E já não sei se ou o quê alivia.

para lembrar e aprender

"saber amar é saber deixar alguém te amar..."

a prática leva à espontaneidade

sábado, outubro 29, 2016

"viva o tempo"

"força de água..."


Eu não quero ser igual a vocês

[Eu não quero ser igual a vocês]

O peito arde e queima

Eu
não quero
ser igual
a vocês

Dispenso a aceitação 
   em seu grupo que se acha tão bom
   que é incapaz de se conectar com o outro
   seu grupo pasteurizado
                    carinhas, frases,
                    reações iguais:
Não quero ser igual a vocês.

Você, que vê um pobre, um preto,
        uma travesti, uma pessoa na rua
        e se acha
                       especial
                       maioral
                       sensacional

Você
        para quem só quem sofre
        chora
        sente
     é a sua patota

Você
        que só é sensível 
        à sua própria derrota
Você que tem desculpas para todas as suas falhas
        e só as suas

Você que quer
                comer luxo
e atirar migalhas

Você
        que é tão medíocre
        que precisa estigmatizar os outros
        pra conseguir estar por cima

Você
        que é cego por escolha
        zumbi a perseguir a máquina que te mói
        ansioso por ser aceito, fazer parte,
             ser visto, ser reconhecido
        capaz de negar a dor dos outros pra isso.

Você, que só pensa na dor
          se ela for a sua.
         [egoísta]
         [covarde]
         que só vê como gente
                         quem reconhece no espelho

Eu não quero ser igual a você.

Quero quem sofre,
          chora, dói,
            que é nativo, preta, 
            quem é coloride, quem incomoda, 
            espalhafatoso, periférico,
            estranho, esquisito, louco, vadia, 
            questionador, diferente, sozinho, oprimido,
                                   faminto, profundo, cheio de ódio,
                                                                               real.

sábado, outubro 22, 2016

Cold silence
has a tendency
to atrophy any
sense of compassion

t.

sexta-feira, outubro 21, 2016

definições

Sou uma pessoa que exercita a arte de olhar, sentir e contar histórias
[...]
Boba em tempo integral

de fazer amor e apaixonar-se

Quero compartilhar meus aprendizados, percepções e reflexões.

Dizer que hoje, enquanto fazia meus exercícios, de manhã, percebi que meditações/ exercícios corporais são como fazer amor consigo mesmo - e se você fizer prestando atenção, sempre há uma infinidade de detalhes a descobrir, e coisas novas a perceber e aprender. E que isso me fez pensar também que não devemos fazer amor de forma superficial ou leviana, como algo banal ou já garantido, porque perdemos uma miríade de detalhes de plenitude.

Dizer que perceber tais coisas me fez bem, e isto, junto com outras coisas, ajudaram a me abrir para pensar que uma das chaves é apaixonar-se por si própria. E que pensar nisso me ajuda a sentir isso. E sentir isso traz um bem estar que consigo sentir no peito, no corpo físico, mas também emocionalmente. E é bom...

Quero conversar sobre os detalhes que se movem no corpo, quando o movo.

Quero compartilhar...

quinta-feira, outubro 20, 2016

Pra pensar

"O grande problema é que muita gente acha que encontrou a verdade."

quarta-feira, outubro 19, 2016

Não nasci para palcos - 22.10.2015

Não, não nasci para palcos.

Chamar, assim
toda a atenção para mim,
e, então,
despir as máscaras,
dissecar o coração
à vista de todos.
- Não.

Não nasci para palcos.

Sou dos bastidores.
Salas escuras,
    à meia luz.
    Enfumaçadas.

Aí, sim,
posso abrir o peito
dar os pormenores da alma.
Descrever nojo, dor, gozo.
                   Autobiográficos,
                   sinestésicos,
                   palpáveis.

Vividamente.

Falar mais do que desejam
ouvir.

Abrir-me toda.

Ou então:
           no tête-a-tête,
           você e eu.

Você:
         meu melhor amigo,
         um atendente de bar,
         um completo desconhecido.

Posso abraçar você.
Rir.
Chorar.
Lágrimas sinceras.
No contato,
    na distância
          que alcançam as mãos:

ali estarei eu.
Expondo as vísceras
   a quem ousar aproximar-se.
                            ser tocado.

Não o holofote,
         eu, ali, prato principal de banquete.

Palco, não: comunhão.

em todo o tempo, somos ainda nascentes...

História de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, em todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens.

Agora, quando desembrulho minhas lembranças eu aprendo meus muitos idiomas. Nem assim me entendo. Porque enquanto me descubro, eu mesmo me anoiteço, fosse haver coisas só visíveis em plena cegueira.
m.c.

continuar andando

Soledad,
Aqui están mis credenciales,
Vengo llamando a tu puerta
Desde hace un tiempo,
Creo que pasaremos juntos temporales,
Propongo que tú y yo nos vayamos conociendo.

Aquí estoy,
Te traigo mis cicatrices,
Palabras sobre papel pentagramado,
No te fijes mucho en lo que dicen,
Me encontrarás
En cada cosa que he callado.

j.d.

terça-feira, outubro 18, 2016

O tempo passa...

 

Cada dia e momento em que me dou conta de que não há contatos dói...

Ninguém tem o direito de me machucar.
Ninguém

segunda-feira, outubro 17, 2016

será...?

Akai Ito:
“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância, o fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir.”

fechar-se

dói...

acho que por várias razões.

inclusive porque remete às razões que fazem querer me fechar...

mas, nesse momento, parece-me ser o caminho mais saudável. também por várias razões.

inclusive por conta das razões que fazem eu querer me fechar.

domingo, outubro 16, 2016

motivação pra partir


de páginas úmidas

Hoje é dia 16 de outubro de 2016, domingo, eu tenho 31 anos e não quero mais perder ou estragar um grande amor.
Quero crescer e aprender e, caso aconteça esta sorte comigo novamente, quero reconhecê-la, abrir-me, cuidar...
Não quero sentir a dor de que um amor parou ou deixou de acontecer porque não estava aberta ou pronta o suficiente para vivê-lo...
Não quero que as pessoas partam... Não as que amo e que são importantes. Não enquanto nos amarmos e houver amor.
Quero aprender a cuidar e respeitar o amor. E a mim mesma. Mereço. Merecemos...
Enquanto isso, quero aprender, crescer, me tornar uma pessoa melhor...

sexta-feira, outubro 14, 2016

Se algo incomoda

Ou inquieta

Respira.
observa.

Dentro.
Fora.

Vê o que aflora.

prosseguir...

dói e dá vontade de chorar...

quinta-feira, outubro 13, 2016

Processo e jornada

...respirar, respirar, dançar, desenhar, respirar, ter paciência, respirar fundo, meditar, prosseguir...

quarta-feira, outubro 12, 2016

Fernão


Zona de conforto

"When the pendulum is in the stable state, at the midoint of its path, it will remain there without moving until some outside force is applied to it. The stable position requires no energy for its maintenance."
m.f.

"Quem é que vive de poesia?"

Eu mesma me censuro.

Quem é esse nobre animal
                                chamado poeta?

Quem faz um programa da discovery,
                 um globo repórter que seja,
           a falar destas criaturas míticas
                 que teimam
                        em olhar pro mundo
           e ver versos
           onde outros veem
                            linhas, fórmulas
                            física, cifras,
                            entulho?

Quem vive de letras,
                     sem ser legislador
                                  ou juiz?

Poema pra mim:
            sonho, devaneio,
                                        utopia.

O que come o poeta?
Quanto ganha?
De exemplos que vejo,
      todo poeta faz corre
              - poesia é bico.

Mas vai lá questionar o poeta.
Ele retruca.
Provoca:

   E quem é que escapa da poesia?
       quem é que vive sem ela?

terça-feira, outubro 11, 2016

aceitar que...

identificar um problema não significa que seremos capazes de encontrar a solução para ele.
mesmo que seja um passo importante nessa direção...

segunda-feira, outubro 10, 2016

Hoje cortei um pedaço.
Dói.
Vai doer.
Mas, aos poucos, renasço...
---------------

E a percepção que surge é  - de fato, dói muito mais se me abro, ou me conecto. Se me fecho... É como se me fechasse também para a dor...

É triste que seja assim...

domingo, outubro 09, 2016

Alguns silêncios dizem mais que qualquer grito...
Sinto saudades.
Do amigo.
Da pessoa.
Da abertura.
De estar bem...

Quais os caminhos para resolver esse tipo de situação...?

É sozinho que se aprende?
...

[...]

E pensar que sinto estas coisas sozinha me dá vontade de chorar. E, ao mesmo tempo, me faz pensar que por isso mesmo é preciso prosseguir...

expansão. espaço. mundo interior...


buscando entender

Será que acertamos mais quando não temos medo de errar?

sexta-feira, outubro 07, 2016

lembrar

... eu sou meu próprio lar ...

quinta-feira, outubro 06, 2016

Aprender

Qual a diferença entre vontade e saudade?

quarta-feira, outubro 05, 2016

You're chasing the deer


"Hercules, the greatest and strongest of all heroes, was tasked with 12 extraordinary labors. The third of these, the quest to capture the Ceryneian Hind, saw him chasing a deer faster than a flying arrow for a year...
"A whole year!! He chased a deer for an entire year!!
"Think about it! 365 days of that dude's life, gone. Consigned to oblivion.
"Sleeping outside, shitting in bushes, eating bark and berries. 
"Homey had to spend at least one of his birthdays pawing through magic deer pellets, trying to catch this damned thing...
"... only to have some punk-ass storyteller come in after the fact and say 'Yeah, yeah, yeah, he chased it for a year or whatever, but then he caught it, and here's what happened then.'
"BULLSHIT!
"That sentence makes it seem like chasing the deer and catching the deer are of equal significance, but they're not! Not while you're actually doing the damn work!
"Catching is always the easy part. It happens in an instant, and it's done, immediately a memory.
"But chasing the thing? The part that poets and storytellers wanna gloss over?
"That's the part people are never prepared for.
"You're chasing the deer. Settle in, because you're gonna be here for a while."
l.b., b.l.m.

aprendizados

"Just because someone is supporting you doesn't make you a burden."
a.g, b.l.m.

Pra não esquecer. Pra motivar...

http://strongfemaleprotagonist.com/issue-5/page-166/

aprendizados

"[...] After a while, you just start to enjoy it. You start enjoying..."
"...Anything that you're good at. I know. Probably why it's so important to be careful what you get good at."
m. & m.g., b.l.m.

terça-feira, outubro 04, 2016

...

"[...] Pra conversar é necessário gostar. Caso contrário, a coisa viraria um monólogo: uma fala sem resposta."
r.a.

Prosseguir...

Na dúvida, a melhor ação é observar e esperar?

Suspiro...

domingo, outubro 02, 2016

sexta-feira, setembro 30, 2016

Enough
is enough
is enough...

For all that matters...

I deserve better.

quinta-feira, setembro 29, 2016

Aprender e integrar

Mesmo que eu seja forte, mereço e tenho direito a cuidado, carinho, apoio...

Mesmo que seja forte, posso querer cuidado, carinho, apoio...

Posso buscar e querer companhia sem abrir mão de minha independência.

Não preciso ser ou estar frágil para merecer cuidado. Ou para precisar de outra pessoa.

Vou me fortalecer. E continuar aprendendo...

segunda-feira, setembro 26, 2016

pensares

[...] Se a nossa amizade depende de coisas como o espaço e o tempo, então, quando finalmente ultrapassarmos o espaço e o tempo, teremos destruído a nossa fraternidade! Mas, ultrapassado o espaço, tudo o que nos resta é Aqui. Ultrapassado o tempo, tudo o que nos resta é Agora. E entre Aqui e Agora você não crê que poderemos ver-nos uma ou duas vezes?
f.c.g., r.c.

sexta-feira, setembro 23, 2016

I am the one who walks in the rain

I am the one who walks in the rain
Without fearing its tears
I am one in a thousand
a million
seven billion

I shall stand
and fall
and rise once again
for I am alive
and life is stronger
and so am I

I am the one who walks
without fear of feeling
without fear of falling
I shall rub my hands clean
breathe through cry and pain
and stand once more
for I am alive
and I will walk
and run
and smile
and love
and shine
once again.

I am the one
who walks in the rain
welcoming its blessing waters
without fearing them
for I am alive.
And life is stronger
and so am I.

aprender

"Dá certo sempre, quando se sabe o que se está fazendo."
c., r.b.

terça-feira, setembro 20, 2016

domingo, setembro 18, 2016

Os silêncios apertam o peito

E ficam brigando para pesar no peito.

E quero dizer isso. Dizer quanto aperta o silêncio.

Mas... quem sou eu?

alguém sem lugar...

e, dentro, a sensação é de que minhas lágrimas não importam...

Fluir. Ou: amar sem ponto final

Um gostar que nasce fácil,
    sem nos darmos conta
    um amor que flui,
    que se fecha os olhos e sente
    que deixa o peito enorme
    traz paz
    que nutre.

Um amor que nasceu porque
   estava tudo ali para nascer
   - sem esforço, sem mirabolâncias,
         sem ser "porque era preciso".
         Sem ser pra preencher buracos.

Que nasce porque conversar é bom,
    porque o olhar faz sorrir,
    porque tudo é encaixe e encontro

Um gostar que acontece independente
    de a gente querer,
       de dizer sim ou não,
           de ser simples ou complicado

Um gostar que quando você olha faz parte de você
    e se misturou como cachos de cabelo
       raios de sol na pele,
           pernas com pernas,
               abraço-encaixe

Um gostar que vem fácil, que acontece e...
    engrandece a vida
    faz o peito aquecer.

Verdades que prosseguem

Abraços curam.

sexta-feira, setembro 16, 2016

16.09.16

O sol aquece de dentro
No peito há ansiedade, apertos
Mas brilha também
                   uma lua amarela
E sorrisos serenos, salpicados de mar

Algos dóem no peito
Mas, por vezes, algo serena
E é um misto de vento forte
                          e brisa azul
       uma paciência
   de deixar o tempo passar

Ontem, a água levou a conchinha pequena
             a grande ficou
O que cresce dentro é, antes de escolha,
                                    encaixe e mistério
                          inefável
O tempo também leva
           o que não quer ficar

E também a intensidade pode ser serena
quando se consegue esperar...
                         

quinta-feira, setembro 15, 2016

Translúcida

A lua estava bonita, hoje...

...

...

And I miss you.

Why do you think that I'm stronger than others?

Se o que você sente por mim é tão forte e você não quer que eu sofra, se você me quer próxima... Se abre pra cuidar disso... Você é importante. E faz falta. E eu também não estou bem. Também preciso de cuidado. E é um cuidado que não é outra pessoa quem pode oferecer... Porque você é você. E eu te amo. E você me ama. E a gente não quer ficar longe um do outro...

[...]

É tão estranho e ruim ficar, longe, distante, mudo...

sábado, setembro 10, 2016

Aprender

Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."
c.m.

...

Como se algo estivesse fora do lugar...

terça-feira, setembro 06, 2016

De percepções e aprendizados

Às vezes, confundimos o gostar de uma grande amizade com o gostar de amor... E ainda que haja uns quantos pontos em comum, tenho sentido e aprendido que há pontos por vezes difíceis de explicar - uma conexão, uma cumplicidade, talvez? Que fazem com que uma coisa não seja a outra. Ainda que ambas sejam importantes.

Oxalá...

O que tiver de ser, fique. O que não for, que vá...

segunda-feira, setembro 05, 2016

O medo não tem sido um bom companheiro. Acho.

quinta-feira, setembro 01, 2016

desejos que flutuam no tempo...

Um bom livro de histórias, para não faltar fantasia.
Um caderno sem pautas, para dar liberdade de existência aos pensamentos.
Lápis de cor, pincel, tintas aquareláveis, pois a vida é fluida, e cheia de cor.
Sons curiosos de lugares distantes, para nos lembrar de viajar.
E um aroma púrpura, denso, que nos faça flutuar e sair do tempo.

De alguma tarde azul que se misturou no tempo...

Lei 1

Não magoar o outro.

Lei 0

Inominável. Só pode ser quebrada mediante concedimento claro das duas partes.

Lei 1

Não é permitido aproximar-se a menos de um palmo, medido de lábio a lábio.
Parágrafo único: em se infringindo a lei 1, a próxima distância intransponível é de duas ofegações.

Lei 2

É expressamente proibido ficar em posições que suscitem, no outro, pensamentos impuros.

Lei 3

Não se pode fitar a boca do outro por mais do que três trejeitos de boca (vide lei 4) do observador.

quarta-feira, agosto 31, 2016

dance



terça-feira, agosto 30, 2016

amanhã

Menina , amanhã de manhã
quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.

Na hora ninguém escapa
de baixo da cama ninguém se esconde
e a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens vai
desabar sobre os homens.

Menina, ela mete medo
menina, ela fecha a roda
menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado.
Menina, olhe pra frente
menina, todo cuidado
não queira dormir no ponto
segure o jogo
atenção (de manhã)

Menina a felicidade
é cheia de graça
é cheia de lata
é cheia de praça
é cheia de traça.

Menina, a felicidade
é cheia de pano,
é cheia de pena
é cheia de sino
é cheia de sono.

Menina, a felicidade
é cheia de ano
é cheia de Eno
é cheia de hino
é cheia de ONU.

Menina, a felicidade
é cheia de an
é cheia de en
é cheia de in
é cheia de on.
Menina, a felicidade
é cheia de a
é cheia de e
é cheia de i
é cheia de o.
t.z.

segunda-feira, agosto 29, 2016

...algumas coisas levam tempo...
às vezes, muito tempo...

quinta-feira, agosto 25, 2016

Esquecimento?

Esquecimento é da ordem do impossível e, certamente, do não desejado.

É preciso que a dor amaine.
É impossível minimizar o Amor.

É preciso permitir ao tempo mover os ciclos da vida.
z.f.

Bam!

Art!

terça-feira, agosto 23, 2016

águas na boca - toda inquieta

Quero sentir teu abraço. Sentir tua respiração aquecendo minha pele. Roçando meu pescoço. Quero sentir a ansiedade causada por tua mão deslizando por minha barriga, apertando minha cintura. Quero fechar os olhos e deixar nossos corpos, nossos desejos, navegarem um no outro, enquanto peito e respiração aceleram, e o mundo parece se composto apenas das sensações e anseios de nossos corpos se encontrando.

Quero sentir crescer a vontade de teus lábios, de tua língua, de tua boca. A fome de roçar, sentir o hálito, tocar de leve as línguas... e mergulhar em teu gosto, e estar em abraço, entrelaçados, entregues um ao outro.

Quero aperar tuas mãos, sentir tuas costas, me enroscar em teu corpo, em teus cachos. Quero estar em nós, enlace, pulsando, suando, olhar em teus olhos, sentir teus gostos, morder. Mergulhar em nossos encaixes, sair do tempo, suspirar você, prolongar o abraço...
Not all that was broken is lost...

sábado, agosto 20, 2016

caminhar.... - 2


caminhar.... - 1

Time, what is time...

quinta-feira, agosto 18, 2016

Seguir, prosseguir, ter paciência...

Continue a nadar, continue a nadar...

Respirar fundo e continuar, por vezes, é o caminho mais curto para fazer o que precisa ser feito...

quinta-feira, agosto 04, 2016

Botar pra fora

O "amor de tua vida" de repente parece, somente, uma necessidade de agarrar-se a algo. Então dois meses (menos!) são suficientes para você ressignificar e desistir do amor de sua vida? "a escolhida"? em menos de dois meses você está pronto para começar não a ficar com outra pessoa, mas a namorar? comprometer-se a se abrir, escrever outra história, construir algo juntos?

Isso me mostra uma pessoa que não aguenta ficar sozinha. Que, muito mais do que amar a pessoa que sou, ama estar apegada a alguém.

Se tudo que eu disse, e tudo o que dizes que sentes, não balança, não faz repensar, não te faz querer passar um tempo sozinho e reavaliar tuas escolhas, não te faz querer conversar mais comigo...

Se tudo isso só te faz calar, e depois você segue se aproximando de outra pessoa, e a vida segue, sem você pensar... ou se você não é capaz de pensar sozinho, de aceitar e acolher tua confusão...

Então não apenas não há espaço em tua vida para mim, como já não quero fazer parte dela. Não é assim que busco encarar a vida. Não foi assim que busquei agir com você.

Não era isso que você significava pra mim.

Mas não vou ficar nessa. Não vou me encolher e me recolher e torcer e esperar que uma pessoa assim me queira. Não. Quero e mereço mais.

Não estou aqui para o parco, o pouco, o fácil. Não é assim que tenho escolhido trilhar meus dias. Meus caminhos. E, por mais que ainda te ame... Se teu amor é assim, sinto muito, mas não caibo nele.

Nem quero.

.......

E também este é um grito no vazio.

Chega.

O que é amor para você?

Seus atos têm falado mais. Muito mais... Você sequer demonstra se importar... Como esperar que eu me importe?

Arre. Isto tudo há de passar...

quarta-feira, agosto 03, 2016

de buscas e escolhas. e aceitar...

procurei tantas palavras pra te pedir pra repensar, conversar, ter paciência, esperar um pouco, se abrir...

e as únicas que funcionaram foram justamente as que te pediam para calar...

02.08.2016 (03.08.2016)

Vontade de dizer Eu te amo...

Monólogos matinais

Ficaram coisas não ditas
    Eu te amo
    Trouxe isto para você
    Ouvi um poema que achei que você ia gostar
    Continuo acreditando que podemos encontrar caminhos
    Continuo querendo encontrar

De repente um baque
    fecha a porta
    destrói pontes
    maltrata peitos

Com o acalmar da tempestade,
   não houve a bonança
   sequer um fazer as pazes

Então, era já tudo diferente
   e portas fechadas

O nós que existe
   aqui
   - que por vezes acredito existir ainda aí
   ficou entalado
   gritos desesperados
   pontos não resolvidos
   alegrias não vividas

   tudo preso na garganta
   um silêncio ensurdecedor
   - como explicou Saramago.

Fica este peito que sente
                        medo
                        dor
                        saudades

Fica uma vontade latente
                  de fazer as pazes

E conversar,
         conversar,
               conversar.
                     Digerir.
                           Sarar junto.
                                  Horas a fio.

Resolver o insoluto
      entre duas pessoas
      pode ser tão difícil.
         Tanta coisa se perde,
                 por não conseguirmos falar
                 - e, quando vemos, já não há
                                                 espaço
                                                 para consertar

E, no entanto, cá estamos.
     Vivos.
     Capazes de andar com as próprias pernas.
     Cientes da importância
     - e da falta -
     um do outro.
   Que passa conosco que nos arriscamos
                     a não falar?

Sinto uma ruptura
    um desperdício.
    um hiato.
  Quase desonesto com o que houve
                                      e talvez ainda haja
                                      e talvez ainda possa haver
  Esse atropelar de tudo.
          Este fim que não foi
                 um fim,
                 senão um corte
                 um estar-não estar

Essas não oportunidades
          de cuidarmos
          e resolvermos juntos
          o que era e é nosso

Um desperdício de vida
                          de amor
                          de serenidade
                          de paz

Ficaram coisas não ditas
               gestos não feitos
               o amor não vivido.

O desejo de fazer as pazes...
                De estar em paz
                                    juntos.

E agora ficam as confusões
                     o que não foi dito
                     o que não foi resolvido
                     o que não foi conversado
              a dois
    a ser revisto
         redito
             monólogos
             poemas
             gritos pra dentro
             esse desajuste no peito.

Isso tudo que merecíamos ter entendido e conversado juntos.

E fica a malcicatrizar
           dizendo que ainda não era a hora
                               aqui...

sexta-feira, julho 29, 2016

I want to learn how to love
Not just the feeling
bear all the consequences

And I want to learn how to love,
And give it all back

n.g.

...

https://soundcloud.com/recordrecords/of-monsters-and-men-king-and

quinta-feira, julho 28, 2016

vontade de chorar

...cansando de me abrir e me dedicar para alguém que não acha que eu valho a pena...

Saudades - Adeus?

Nunca mais o sorriso sapeca?
Nunca mais o brilho no olhar?
Nunca mais os beijos suados?
Os almoços no meio-fio?
Nunca mais guardar um chocolate?
Nunca mais os arrepios nas costas?
Escovar os dentes olhando um para o outro?
Nunca os dedos entrelaçados?

Nunca mais o beijo na mão?
Nunca mais um selo muito bom?
Um desafio novo por semana?
Para quem vou escrever com a mão esquerda?
Com que cachinhos irei brincar?
Como ficará a vidazinha, sem exageros?
Nunca mais sair para nadar e pedalar?
Nunca mais estudar algo juntos?
Nunca mais surpresas quase de madrugada?
Não mais treinar juntos?
Os cuidados?
Os cafés na cama?
Os suspiros de corredores?

Nunca mais sonhar em viajar?
Nunca mais o gozo junto, o encaixe absurdo?
Nunca mais os beijos quentes, a boca suculenta?
Todas as conversas?

Nunca mais festival de piadas ruins?

Nunca mais nossa cumplicidade?

Nunca mais nós dois?

E o peito dói. Aperta.

Por tudo que conheço e quero viver
por tudo que não conheço e quero descobrir
por toda a vida que quero tanto compartilhar
por todas as coisas grandes e pequenas
que quero viver com você...

segunda-feira, julho 25, 2016

da lenta partida...

e eu fico escrevendo essas coisas que não interessam a ninguém, pra te dizer que se você mudar de ideia, eu ainda não mudei de ideia.

mas não é assim que as histórias começam e acabam, afinal. então eu preciso parar de ser boba e apagar as luzes. e fechar a porta. e sair.

...

e até essa reflexão sobre isso é um murmúrio que eu queria que você ouvisse...

quinta-feira, julho 21, 2016

Saudade.
Saudades.
...

quarta-feira, julho 20, 2016

Meu jeito romântico

O que tenho entendido é que... o amor não é apenas o que sentimos de especial - o coração acelerado, a ansiedade, o bem estar, desejo, tesão, vontade de conversar, carinho, dormir junto, acordar, sonhar, fazer planos, viajar... O que "define" a pessoa escolhida, o que fortalece o amor, parecem-me ser muitao mais a vontade e a escolha de, juntos, fazer algo dar certo. A decisão consciente, alegre e desejosa de descobrir juntos os desafios dessa vida compartilhada, de aprender juntos como passar por eles e, talvez, para além disso, de aprender como esses momentos podem alimentar e fortalecer o amor...

E, então, acho que entendo que o amor até tem muito de mágico e inexplicável, mas... o amor de nossas vidas é talvez muito mais uma escolha...

terça-feira, julho 19, 2016

Das poesias nas quais ainda acredito

Acredito que o que existe entre nós tem um potencial grande. bom. E merece continuar existindo. Merece ser alimentado, fortalecido, vibrar, crescer, nos fazer crescer junto, ganhar esse mundo...

Acredito que nossas energias e intensidades combinam. E que muita coisa boa e bonita pode nascer de nossa mistura. Acredito que nossas vidas podem se encaixar de muitas formas boas.

Acima de tudo, acredito que nossa história ainda merece ter espaço para amadurecer, para descobrir-se, conhecer-se.

Acredito que ainda temos muito caminho a trilhar juntos. E oxalá surjam muitos bons frutos deles...

...

Você fazia eu me sentir especial, e gostava de ser especial para você. E gostava que você fosse especial para mim...

segunda-feira, julho 18, 2016

caminhos

continuo acreditando.
continuo querendo acreditar...

quarta-feira, julho 06, 2016

02.06.2016

Saudades

Plural de sinto falta de você. Do teu jeito. Do teu olhar. Teu sorriso. Tua boca. Teu corpo.
Compartilhar...

sexta-feira, junho 17, 2016

26 de maio

Trinta e três.
Trinta e dois...
Trinta e um...
Trinta...
Vinte e nove...
Vinte e oito...
Vinte e sete...
Vinte e seis...
vinte e cinco...
vinte e quatro...
vinte e três...
vinte e dois...
vinte e um...
vinte...
dezenove...
dezoito...
dezessete...
dezesseis...
quinze...
catorze...
treze...
doze...
onze...
dez...
nove...
oito...
sete...
seis...
cinco...
quatro...
três...
dois...
um.

- Até que sejam zero
Até que sejam zero
Até que sejam zero...

Vamos contar.
Vamos gritar.
Vamos expôr a cara
                      as feridas
            falar os podres.

Até que sejam zero.
Até que sejam zero...

segunda-feira, junho 06, 2016

Rotina / Cotidiano

Seu despertador toca, você se espreguiça, toma café da manhã.

Uma mulher é estuprada.

Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.

Outra mulher é estuprada.

Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.

Uma adolescente é estuprada.

Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.

Mais uma mulher é estuprada.

Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.

Outra. Mulher. Estuprada.

vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.

gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.

Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.

O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...

Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.

O terror, para outra mulher, continua...

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Em janeiro deste ano, li uma estatística que dizia que, no Brasil, a cada três horas, uma mulher é estuprada. Sente?

quarta-feira, maio 25, 2016

25.05.2016

Quero colocar o amor em uma caixa.
Vou juntar as pontas, dobrar.
Arrumar cada caquinho em seu lugar.

- Não é hora de tentar colar nada.

Mas tampouco poderia jogá-lo fora:
afinal, é amor, ainda!

As peças parecem uma bagunça
    sem conserto
Tudo parece perdido
    para além de qualquer esperança
Mexer, nem pensar:
    as bordas cortam.

E, entretanto, aquela coisinha ali,
    meio perdida e deslocada,
    foi um sorriso.
    Acolá brilha um dia na praia.
    Ainda fumega o sonho do café compartido.
    E o cacto, de espinhos macios, tem raízes próprias.

Como poderia condenar tanta dádiva ao desleixo?

Não posso.
Não quero.

Mas como cuidar do amor
    despedaçado
        dolorido?

Não é lixo.
Nem prisão.

Tampouco esquecimento...

Vou aconchegar meu amor em uma caixa.

Dar-lhe repouso.
Espaço.
Tempo.

quinta-feira, maio 19, 2016

Monólogo

Eu errei o ponto
    perdi o ponto
    recuperei
Eu não sei como fazer
    para consertar
    alguns
    pontos
Sem ter de desfazer tudo...

Eu tenho andado não muito
                                   rápido.
Eu passei por um buraco,
                 mas não caí.

Eu tomei café.
Eu assisti a um filme
                          que me fez gargalhar
Eu ouvi uma música

... que me lembrou você.

Duas.
Três.

Eu não comi os doces.
Olhaeuachoqueelesvãoestragar.

Eu não sou
      você não é
  Eu queria que a gente tivesse
                   que a gente pudesse

Eu não falei
      você não fala

As coisas não ditas vão
     se acumulando
     como água parada
     - vão se embolando feito trem descarrilhado?
Vez em muito me transbordo.

O peito apertadói
             aslágrimasnãocabem

O vazio
  o silêncio
  a falta
     apertam no peito

E eu não caibo. Não me encontro.
Não faço parte de nada...

E fico querendo ir embora.
Ir embora.
Estar longe
    ocupar-me.
Mudar.
- fingir que não fazes parte porque já não são os mesmos lugares, os mesmos espaços?

O peito se enche.
Esvazia.
Lentamente.
Só eu escuto...

terça-feira, março 22, 2016

esperança...

A esperança é uma substância viscosa como o melaço - mesmo quando você vira o pote e quer que ela escorra toda fora, ela se arrasta, passa devagar pelo peito, pela pele, deixa um rastro de esperança pelo corpo todo, até finalmente sair de você.

Quando acaba de escorrer, ainda é preciso limpar o caminho que ela fez quando ia embora - ou toda série de coisas podem se grudar ali..

domingo, novembro 29, 2015

"Desisti de desistir."

terça-feira, novembro 24, 2015

Nome para conto

A long switch

sábado, novembro 21, 2015

criar
estar em movimento
sentir que sou capaz de fazer coisas
de encontrar minha paz interna
auto-organização

domingo, novembro 15, 2015

Jornada de um escritor sombrio

Eu hoje pedalei
por uma cidade morta.
A lua estava brilhando
lindamente no mar
e uma chuva finíssima
começou a cair, deixando
o mundo todo coberto
por um delicado brilho.

Esta noite pedalei
por uma orla fantasmagórica.
E enquanto o oceano reluzia gentilmente
sob o luar
pensei ter ouvido
um chamado distante
meio carregado
meio disfarçado
pelos sons das ondas
e do vento.

Eu hoje pedalei
por ruas desertas.
E embora eu não pudesse ver
quem estava me chamando
das profundezas
do oceano bravo e sombrio
eu _pude_ ver Seus servos

perambulando
maquinando
saltando
fugindo
escondendo-se
de sombra em sombra
cruzando meus caminhos.

Eles chamam
alimentam-se
obedecem
murmuram
suas insanas preces

Então, desaparecem.

Nada
apenas
ar
a lâmpada quebrada de um poste
uma casa noturna
há muito
abandonada.
Débeis sussuros
- é apenas mar...

Era apenas uma cidade molhada e morta
no meio da noite
(morta, morta, _morta_).

E entretanto
suas ruas vazias
cheias de mistérios
sombras enevoadas
poças
lixo
lama
e luzas abandonadas
eram mais belas
convidativas
e reconfortantes
que qualquer cidade azul de verão
zunindo com seus carros novos de último modelo
abarrotada de belos zumbis
desesperadamente morta
e vazia
por dentro.

(tradução do original em inglês:

A dark writer's ride

I have ridden through
a dead city today.
The moon was shining
beautifully on the sea
and the most thin rain
started to fall, leaving
all the world covered by
a delicate glow.

I rode through
a ghost beach coast tonight.
And while the ocean was gently gleaming
by the moonlight
I thought I could hear
a faint calling
half carried
half disguised
by the surf sounds
and the wind.

I rode through
deserted streets today.
And while I could not have seen
who was calling me
from the depths 
of the dark wild cold sea
could see His servants

wandering
plotting
hopping
fleeing
hiding
from shadow to shadow
crossing my paths.

They call
they feed
they obey
they mutter their
insane prayers

Then, they vanish.
Nothing
but
thin air
a broken street light
a long abandoned
night
club.
Faint rustles
it's just the sea...

It was just a dead wet city
in the middle of the night
(dead, dead, dead).

And yet
its empty streets
filled with mystery
misty shadows
puddles
trash
mud
and forgotten lights
were more beautiful
inviting
and comforting
than any blue summer town's
buzzing with brand new cars
crowded with handsome zombies
hopelessly rotten
and hollow
in the inside. )

terça-feira, outubro 06, 2015

on books

"What an astonishing thing a book is. It's a flat object made from a tree with flexible parts on which are imprinted lots of funny dark squiggles. But one glance at it and you're inside the mind of another person, maybe somebody dead for thousands of years. Across the millennia, an author is speaking clearly and silently inside your head, directly to you. Writing is perhaps the greatest of human inventions, binding together people who never knew each other, citizens of distant epochs. Books break the shackles of time. A book is proof that humans are capable of working magic."

c. s.

quinta-feira, agosto 20, 2015

Oxalá...

...Eu possa encontrar as palavras e ações para tocar as pessoas....

terça-feira, agosto 04, 2015

inconvenientes

Salvador são finas paredes escondendo amontoados de expropriados... É como varrer a poeira para baixo do tapete, ou para o lado de fora da casa, e de repente olhar pela janela e perceber que se está completamente cercado pelo problema que se queria evitar.

...

A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.

O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.

O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.

O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.

segunda-feira, julho 13, 2015

03.07.2015

Pobre
carente
pivete
malandro
vagabundo
marginal
bandido
gente?
só indi...

quinta-feira, julho 09, 2015

tempos difíceis

Acho que tantos optam por sentir ódio, raiva, revanchismo porque dóem menos do que amor, empatia, compaixão...

sexta-feira, maio 08, 2015

constatação

Acho que entendi porque gosto de pessoas mal humoradas ou rabugentas: elas tendem a ser mais honestas. Ou, menos falsas. O que já é grande coisa...

terça-feira, maio 05, 2015

Um café bom por dia

Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.

Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.

Miados de gatos.

A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.

Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.

O suor sonha brisa
                      oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.

Bons dias
  café-leite-em-pó
  copo plástico
  luz fluorescente
  ar condicionado
  emails
  pendências
  café frio
  reuniões
 almoço
  café adoçado
  notícias
  conversas
  letras no monitor
  café velho

escorre
acaba
o dia.

Na pia
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...

segunda-feira, março 02, 2015

Realizações concretas

A realidade às vezes não cai, como ficha. Escorre, viscosa. Demora pra fazer sentido. Você sente um choque inicial, um impacto, mas o resultado é um anestesiamento, uma espécie de câmera lenta de realização e assimilação dos fatos.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.