quarta-feira, outubro 19, 2016

Não nasci para palcos - 22.10.2015

Não, não nasci para palcos.

Chamar, assim
toda a atenção para mim,
e, então,
despir as máscaras,
dissecar o coração
à vista de todos.
- Não.

Não nasci para palcos.

Sou dos bastidores.
Salas escuras,
    à meia luz.
    Enfumaçadas.

Aí, sim,
posso abrir o peito
dar os pormenores da alma.
Descrever nojo, dor, gozo.
                   Autobiográficos,
                   sinestésicos,
                   palpáveis.

Vividamente.

Falar mais do que desejam
ouvir.

Abrir-me toda.

Ou então:
           no tête-a-tête,
           você e eu.

Você:
         meu melhor amigo,
         um atendente de bar,
         um completo desconhecido.

Posso abraçar você.
Rir.
Chorar.
Lágrimas sinceras.
No contato,
    na distância
          que alcançam as mãos:

ali estarei eu.
Expondo as vísceras
   a quem ousar aproximar-se.
                            ser tocado.

Não o holofote,
         eu, ali, prato principal de banquete.

Palco, não: comunhão.

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