Não, não nasci para palcos.
Chamar, assim
toda a atenção para mim,
e, então,
despir as máscaras,
dissecar o coração
à vista de todos.
- Não.
Não nasci para palcos.
Sou dos bastidores.
Salas escuras,
à meia luz.
Enfumaçadas.
Aí, sim,
posso abrir o peito
dar os pormenores da alma.
Descrever nojo, dor, gozo.
Autobiográficos,
sinestésicos,
palpáveis.
Vividamente.
Falar mais do que desejam
ouvir.
Abrir-me toda.
Ou então:
no tête-a-tête,
você e eu.
Você:
meu melhor amigo,
um atendente de bar,
um completo desconhecido.
Posso abraçar você.
Rir.
Chorar.
Lágrimas sinceras.
No contato,
na distância
que alcançam as mãos:
ali estarei eu.
Expondo as vísceras
a quem ousar aproximar-se.
ser tocado.
Não o holofote,
eu, ali, prato principal de banquete.
Palco, não: comunhão.
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