A ansiedade encontrou o sufoco. Olhou um pouco, olhos afoitos, foi logo pedindo - faz-me um poema?
Afobado, tirou do bolso uns versos velhos que não tivera tempo de terminar.
"Eco
oco:
eu"
"Versátil
Volúvel
Retrátil"
Não se entenderam bem.
Ela, mil interpretações. Ele, sem tempo para alguém.
Foram-se:
ansioso, sufocada.
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segunda-feira, agosto 12, 2019
terça-feira, dezembro 06, 2016
de reflexões recentes e mais antigas. meus auto-retratos e pés na porta.
Isso de alguém ser espancado por conta da orientação sexual (ou por estar andando na rua, ou o que for) é insano.
Os casos de homofobia machucam porque é muito mesquinho querer dizer de quem o outro pode gostar ou não.
É engraçado porque deveria ser algo pessoal, mas de repente se torna uma bandeira, uma forma de apoiar e de dizer que somos todos iguais.
Então vamos lá: EU SOU BISSEXUAL.
É um ato pequeno contra essa coerção que tod@s sofremos, mas... tenho a sensação de que quanto mais conseguirmos falar disso, mais difícil será nos deixarem com medo por conta disso.
[[e, quatro anos depois]]
Relembrar e reforçar, porque, infelizmente, continua sendo uma luta necessária.
Em tempo: há um bocado de coisas que não sou diretamente. Não sou, até onde me percebo, trans. Não sou negra. Não sou moradora de favela, nem de rua. Não tenho religião - hegemônica ou perseguida.
Tenho uns quantos privilégios. E sofro uns tantos preconceitos. Ambas as coisas, misturadas, mais o privilégio de ter amigas e amigos vários, e mães, avós, primas também várias, me ajudam a aprender com a experiência des outres que não eu ou ""meus iguais"". A dor de muites também me dói.
Então, falei isso tudo para dizer que, embora tenha naquele momento levantado uma bandeira específica, me reconheço em muitas frentes e acolhimentos. Temos muitas lutas. E, sobretudo, acredito que devemos ser capazes de nos comover, mesmo quando não somos diretamente afetados pelo tipo de dor que a outra pessoa sente.
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quinta-feira, setembro 01, 2016
De alguma tarde azul que se misturou no tempo...
Lei 1
Não magoar o outro.
Lei 0
Inominável. Só pode ser quebrada mediante concedimento claro das duas partes.
Lei 1
Não é permitido aproximar-se a menos de um palmo, medido de lábio a lábio.
Parágrafo único: em se infringindo a lei 1, a próxima distância intransponível é de duas ofegações.
Lei 2
É expressamente proibido ficar em posições que suscitem, no outro, pensamentos impuros.
Lei 3
Não se pode fitar a boca do outro por mais do que três trejeitos de boca (vide lei 4) do observador.
Não magoar o outro.
Lei 0
Inominável. Só pode ser quebrada mediante concedimento claro das duas partes.
Lei 1
Não é permitido aproximar-se a menos de um palmo, medido de lábio a lábio.
Parágrafo único: em se infringindo a lei 1, a próxima distância intransponível é de duas ofegações.
Lei 2
É expressamente proibido ficar em posições que suscitem, no outro, pensamentos impuros.
Lei 3
Não se pode fitar a boca do outro por mais do que três trejeitos de boca (vide lei 4) do observador.
quarta-feira, dezembro 24, 2014
Momentum
I find myself wanting you,
against my will
- I can feel, half angry,
half hungry,
my body fully awake
by desire.
I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
I have to write it down.
And it's so strong
I have to touch me, down.
I get up to get paper and pen,
in the dark.
I won't turn on the lights,
I don't want to have to face it.
I do not want to admit it.
I get up
feeling a left breast
experiencing a pulsing sex
I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
that I have to admit
- I'm not attracted, anymore.
I'm being completely dragged.
I have to give up
and write
touch
tell
What the fucking hell
I'm fucking into you
against my fucking will
Against time
place
sense
I'm inconveniently
wanting to fuck you
against my will.
And I can't sleep
out of desire.
But also frustration
but mostly anger
'cuz there's no time
and this is not the place
nor a proper occasion
to be wanting you so hard.
But I can't help myself.
Can't stop it from happening.
Can't avoid thinking of your hands
in the middle of the night
- but also on business hours -
and the body moves,
a very autonomous being
knowing exactly what it wants
- and how -,
very aware of you,
Ignoring my ever weakening protests -
trying to reason with this stupid
desire.
Trying to let it fade by time,
hoping it will leave with you for good,
wondering all I wish I could do.
Mouth watering
breath groaning
heart quicken
goose bumping
body loosening
against my will.
And I finally give up.
But it ain't sexy -
it's furiously excited.
sábado, dezembro 20, 2014
desejos persistentes
Quero meus olhares.
Meu olhar aguçado
e vívido.
Ávido
sorvendo mundo
Meu olhar aguçado
e vívido.
Ávido
sorvendo mundo
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quarta-feira, julho 02, 2014
Reflexões de cadernos de faculdade - 2
"É preciso o grito,
a loucura,
qualquer coisa,
menos este silêncio mortal,
este silêncio de gelo."
m.g.
--------------
"Todo homem é culpado pelo que não fez."
v.
---------------------------------
"O céu é um mar de peixes com asas."
"A felicidade é um rio sem cabimento, numa rua sem marca ou medida..."
j.f.r.
a loucura,
qualquer coisa,
menos este silêncio mortal,
este silêncio de gelo."
m.g.
--------------
"Todo homem é culpado pelo que não fez."
v.
---------------------------------
"O céu é um mar de peixes com asas."
"A felicidade é um rio sem cabimento, numa rua sem marca ou medida..."
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Vida em linha reta
Todos estão por demais preocupados
com sua formação
seu salário
seu status social
É preciso pensar em alcançar
o padrão estético
o padrão de consumo
o padrão de relacionamento
o americano padrão
Ser bem sucedido então
é uma corrida
pelo primeiro
o segundo
o 13º
bilhão
Não há valor em ser solidário
preocupar-se com algo que não sua vida
Mind your own business
e tudo ficará bem.
Garantido seu patamar,
sua cobertura,
seu chalé a beira-mar,
seu carro importado
filhos educados,
mulher siliconada
Pague sua previdência privada
troque os bem duráveis
a cada 2 anos (ou seis meses)
tire férias em locais caros e exóticos
poste as alegres fotos
seja feliz nas redes sociais
E aproveite seu sucesso
em um belo e confortável
caixão feito a mão
esculpido em madeira de lei e veludo.
com sua formação
seu salário
seu status social
É preciso pensar em alcançar
o padrão estético
o padrão de consumo
o padrão de relacionamento
o americano padrão
Ser bem sucedido então
é uma corrida
pelo primeiro
o segundo
o 13º
bilhão
Não há valor em ser solidário
preocupar-se com algo que não sua vida
Mind your own business
e tudo ficará bem.
Garantido seu patamar,
sua cobertura,
seu chalé a beira-mar,
seu carro importado
filhos educados,
mulher siliconada
Pague sua previdência privada
troque os bem duráveis
a cada 2 anos (ou seis meses)
tire férias em locais caros e exóticos
poste as alegres fotos
seja feliz nas redes sociais
E aproveite seu sucesso
em um belo e confortável
caixão feito a mão
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20/05/2009
15/05/2009
Qual meu foco? O que me guia e move?
---------------
20/05/2009
Se não descobrir, sozinha, para onde quero ir, continuarei com esse estranhamento, com essa sensação de estar ficando pra trás. Me inquieto. Me inquieta. Faz-me mal. Mas não consigo, ainda, entender isso direito. Não sou senhora de meu tempo, não consigo fazê-lo render. "Quero" tudo, por não me sentir ligada a nada. Quero ser boa, quero "ir bem" nas coisas, gostaria de ser reconhecida. Por quê? Para quê? Esse esvaziamento de metas, focos, quiçá valores talvez seja o que justamente me impede de fazer algo.
Os olhos pesam, a cabeça aquieta, o pensamento flutua. Estou com sono. Não estou perdida, mas tenho dificuldade em prestar atenção. Ainda não me encontrei. Ainda não estou vívida, vivaz, tenaz. Ainda sinto falta de ideias próprias. Isso me incomoda um pouco. Estou com sono...
Me sinto estranha nessa situação de "não estar 'construindo', consolidando, nada"... O que eu queria? Estou realmente acostumada ao pensamento brotar-me, ao conhecimento cair-me de pára-quedas?
------------
21/08/2009
Preciso urgentemente pensar no que quero. Mas num querer outro, diferente deste querer arrancar os cabelos e rasgar a carne até fazer parar de pensar os miolos e de doer o peito.
Pensar no que quero a um pouco mais de longo prazo - um mês, uma semana, dois meses, um ano.
Nos níveis que der.
Eu quero não ligar......................................................................
nem me importar que não doa que não passe nenhuma sensação. No máximo, que eu fique feliz pelos OUTROS, os outros, que não são eu.
Que não têm nada a ver comigo.
-----------
Hoje: é interessante olhar pra trás e ver essas coisas. Encontrá-las, na verdade, depois de tanto tempo. Acho que realmente um ciclo se fecha. Não me sinto mais assim. Fico feliz com isso. Mas quis guardar, para lembrar de coisas que me angustiam e para onde não quero voltar...
(mais: eu definitivamente não estava bem nesse período...)
Qual meu foco? O que me guia e move?
---------------
20/05/2009
Se não descobrir, sozinha, para onde quero ir, continuarei com esse estranhamento, com essa sensação de estar ficando pra trás. Me inquieto. Me inquieta. Faz-me mal. Mas não consigo, ainda, entender isso direito. Não sou senhora de meu tempo, não consigo fazê-lo render. "Quero" tudo, por não me sentir ligada a nada. Quero ser boa, quero "ir bem" nas coisas, gostaria de ser reconhecida. Por quê? Para quê? Esse esvaziamento de metas, focos, quiçá valores talvez seja o que justamente me impede de fazer algo.
Os olhos pesam, a cabeça aquieta, o pensamento flutua. Estou com sono. Não estou perdida, mas tenho dificuldade em prestar atenção. Ainda não me encontrei. Ainda não estou vívida, vivaz, tenaz. Ainda sinto falta de ideias próprias. Isso me incomoda um pouco. Estou com sono...
Me sinto estranha nessa situação de "não estar 'construindo', consolidando, nada"... O que eu queria? Estou realmente acostumada ao pensamento brotar-me, ao conhecimento cair-me de pára-quedas?
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21/08/2009
Preciso urgentemente pensar no que quero. Mas num querer outro, diferente deste querer arrancar os cabelos e rasgar a carne até fazer parar de pensar os miolos e de doer o peito.
Pensar no que quero a um pouco mais de longo prazo - um mês, uma semana, dois meses, um ano.
Nos níveis que der.
Eu quero não ligar......................................................................
nem me importar que não doa que não passe nenhuma sensação. No máximo, que eu fique feliz pelos OUTROS, os outros, que não são eu.
Que não têm nada a ver comigo.
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Hoje: é interessante olhar pra trás e ver essas coisas. Encontrá-las, na verdade, depois de tanto tempo. Acho que realmente um ciclo se fecha. Não me sinto mais assim. Fico feliz com isso. Mas quis guardar, para lembrar de coisas que me angustiam e para onde não quero voltar...
(mais: eu definitivamente não estava bem nesse período...)
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guerras
"... A morte do povo foi como sempre tem sido: como se não morresse ninguém, nada, como se fossem pedras que caem sobre a terra, ou água sobre água."
p.b.
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domingo, maio 11, 2014
23.12.2006
(Nada específico que ultrapasse a vontade, pura e simples, de escrever. E, no entanto, a pompa de fazê-lo em um papel "melhor", com uma caneta de tinta, torna este texto banal alguma carta que algum grande poeta escreveria à noite, em sua escrivaninha, no quarto escuro.)
Apenas um ponto de luz, amarelada, torna possível a ele ver o que escreve. Está em frente à janela, mas olha basicamente para dentro de si. Vez ou outra fita um ponto qualquer, perto-longe.
É tarde, mas o tempo estará congelado para sempre, enquanto Ele ali estiver. E, entretanto, todos os acontecimentos da vida ocorrerão, enquanto Ele ali estiver. É possível vê-lo impávido e alheio, a escrivavinha e o quarto girando em meio ao vendaval que se forma com a passagem exageradamente rápida dos anos. É possível que o mundo pare.
A folha parou de cair. A vela queima sem derreter; o fogo não tremula. Alguém está eternamente lavando louça em uma cozinha, pois O Poeta escreve em sua escrivaninha.
Não, Ele não é Deus, nem deus.
Ele
é apenas
o Grande Escritor
e escreve.
terça-feira, janeiro 17, 2012
sms
Menina arisca.
Por que te escondes?
E somes de uma hora
para outra?
Não sabes o que dizer?
Não gostas do que te dizemos?
Menina incógnita,
como tocar-te?
Menina utopia,
menina horizonte:
por mais passos que se dê
encontra-se sempre distante.
Não quer recheio
ou lírio
ou poemas?
Não três?
Talvez dois...
Como, com uma?
setembro de 2009
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segunda-feira, janeiro 16, 2012
Sinto, abraço, cheiro, desejo.
Sinto, abraço, cheiro, desejo.
Intensidades
Pintas
Maciezas
Desejo o toque da pele
as pintas
os dedos
o ombro
os cheiros
a boca
as umidezas
conhecer teus detalhes
percorrê-los
remoldar teu corpo ao meu
toque
desejo sentirmo-nos a três
experimentar
conhecer
entender isto
sorrir-te
aspirar-te
ver-te muito
viver comunhão de nós três
desejo-te
desejo-vos
meu corpo se abre
tamanhos quereres...
junho de 2009
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18 de janeiro de 2009
Estou claustrofóbica dentro de mim.
Pensei em fazer coisas e deixei o tempo passar e agora parece que já não dá tempo. Que já não há tempo.
Desejava perscrutar-me.
Pensei em fazer coisas e deixei o tempo passar e agora parece que já não dá tempo. Que já não há tempo.
Desejava perscrutar-me.
De que são feitas minhas máscaras?
De que são feitas minhas máscaras?
Escondo-me sob material diverso de saco, madeira ou estopa.
Componho-me de muitas substâncias.
E ainda que saiba nomeá-las todas
longe estarei de conhecer minha essência.
Quantas camadas endurecem meu sorriso?
Isto que da face me escorre
Dando-me este eterno ar
de melancolia
será cola?
será lágrima?
será gesso?
serei siso...?
O que resistir
ao tempo
dirá
Pora hora
incorporo o poema
visto a máscara
calo.
janeiro de 2009
Sensação de sufocamento
Sensação de sufocamento.
Não dará tempo de fazer as coisas.
Não terei tempo de estudar.
Nem de me cuidar.
Nem de ficar só.
Colocar a casa em ordem.
Divertir-me.
O peito está apertado. É angústia? Não sei.
Sinto-me desenquadrada. Desencaixada.
Inapta?
Sensação de dificuldade para respirar.
O que faz sentido?
O tempo parece comprimir-se.
Comprimir-me.
Ganas de desesperar-me. De abandonar-me.
Preciso de um tempo e espaço em prazos impostos por outrem!
Preciso de...
desatar.
Desandada já estou.
Não dará tempo de fazer as coisas.
Não terei tempo de estudar.
Nem de me cuidar.
Nem de ficar só.
Colocar a casa em ordem.
Divertir-me.
O peito está apertado. É angústia? Não sei.
Sinto-me desenquadrada. Desencaixada.
Inapta?
Sensação de dificuldade para respirar.
O que faz sentido?
O tempo parece comprimir-se.
Comprimir-me.
Ganas de desesperar-me. De abandonar-me.
Preciso de um tempo e espaço em prazos impostos por outrem!
Preciso de...
desatar.
Desandada já estou.
janeiro de 2009
I offer you my hands
I offer you my hands
to
gently touch your body
your
curves
I offer you my mouth to smoothly
drink
from yours,
to
softly kiss your skin, your
neck.
I offer you my tongue, kindly
sucking
your nipples, playing with
your fur, feeling your taste.
I give you my fingers
to
play with your delightful humidity
caressing
your sex
You can have my mouth
to experience
your sweet taste
[And my teeth to gently nibble you]
I offer you my body to warmly
rest
yours
or to spend hours awake with
I give you the desire
dreaming of you
the
body screaming for yours.
I give you my kisses
my
poems
and
every breath that you can get.
agosto de 2008
Ruiva, ruiva, ruiva!
rubra
rosinha
verde
pintada
despojada
forte na voz
nas opiniões
ruiva,
meu desejo é teu
meu desejo é alvo
róseo
rubro
quero tuas lições,
todas.
Aprender
Viver contigo.
agosto de 2008
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