Mesa grande e lisa.
Quartos para abrigar às minhas almas que nasceram em outros corpos.
Uma grande cozinha.
Comunidade.
domingo, dezembro 16, 2012
16.12.2012. domingo bom
Dá pra viver de crepes, vinho, café, cigarro e pimenta fresca moída na hora?
terça-feira, dezembro 11, 2012
Mais do mesmo
Ao final do dia
findo o expediente
quantos dos rostos cansados
apertados nos ônibus
são negros...?
segunda-feira, dezembro 10, 2012
Sua mente e seu corpo fervilhavam. O corpo, um misto de ódio, cansaço e tristeza. A cabeça, ideias. Abriu o laptop, precisava desesperada e urgentemente transformar aquilo tudo em alguma coisa. Tentou passar o que sentia para a tela em branco, entretanto, sentia que o processo todo era frio demais. Enquanto imaginava que seria algo muito mais verossímil e fluido se pegasse papel e caneta e pudesse extravasar os sentimentos no rascar das linhas da caneta, seu olhar penetrava mais e mais profundamente as formas perfeitas impressas na tela brilhante.
Entrava em transe.
Suas costas doíam. Seu corpo todo doía. Mas não queria parar. Queria, precisava de um momento de catarse, de uma transmutação, de algo.
Foi interrompida por sua mãe.
Fim
Entrava em transe.
Suas costas doíam. Seu corpo todo doía. Mas não queria parar. Queria, precisava de um momento de catarse, de uma transmutação, de algo.
Foi interrompida por sua mãe.
Fim
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segunda-feira, novembro 12, 2012
quarta-feira, outubro 17, 2012
Nada de Novo no Front
Os dias se sucedem, e cada hora é ao mesmo tempo incompreensível e natural. Os ataques seguem-se aos contra-ataques, e, lentamente, nos espaços livres das trincheiras, os mortos se empilham. Geralmente, conseguimos trazer de volta alguns feridos; no entanto, alguns ficam estendidos por muito tempo, e nós os ouvimos morrer.
Procuramos um deles em vão durante dois dias. Deve estar deitado de bruços e não consegue mais virar-se. Não há outra explicação para o fato de não o acharmos, pois somente quando se grita com a boca colada ao chão é difícil determinar a direção do grito.
Deve ter levado um mau tiro, um desses ferimentos traiçoeiros, que não são tão graves a ponto de enfraquecer o corpo com rapidez e deixá-lo entorpecido e nem tão leves que permitam suportar as dores com esperança de ficar curado. Kat diz que deve ser um esmagamento da bacia ou um tiro na espinha. Provavelmente, o peito não está ferido, pois, se assim fosse, não teria forças para gritar tanto. E se estivesse ferido em outro lugar qualquer veríamos seus movimentos.
Aos poucos, ele vai enrouquecendo. A voz tem um som tão débil que não se consegue distinguir de onde vem. Na primeira noite, alguns dos nossos homens saíram três vezes para procurá-lo. Mas quando julgaram tê-lo localizado e já começavam a arrastar-se até lá, na próxima vez em que o escutaram, a voz parecia vir de outro lugar.
Procuramos em vão até o amanhecer. Durante o dia, o campo é vasculhado com o auxílio de um binóculo, mas nada se descobre. No segundo dia, a voz fica mais fraca e sente-se que os lábios e a boca ressecaram.
Nosso comandante de companhia prometeu prioridade de licença e mais três dias suplementares a quem o encontrasse. É um prêmio estimulante, mas faríamos o possível, mesmo sem ele, pois é um clamor terrível. À tarde, Kat e Kropp saem uma vez mais da trincheira. Em conseqüência disto o lóbulo da orelha de Albert é arrancado por um tiro. E foi tudo inútil - voltaram sem ele!
Apesar de tudo, compreende-se claramente o que diz. No princípio, gritava somente por ajuda; na segunda noite, deve ter tido febre, pois, em seu delírio, falava com a mulher e os filhos; muitas vezes escutamos o nome Elisa. Hoje, chora, apenas. À noite, a voz diminui, até tornar-se um gemido rouco. Mas ainda continua durante toda a noite. Ouvimos tudo claramente, porque o vento sopra da direção de nossas trincheiras. De manhã, quando julgávamos que tudo já tivesse terminada, ainda chega até nós um estertor.
Os dias são quentes, e os mortos jazem desenterrados. Não podemos ir buscar todos, são saberíamos para onde ir com eles.
Não precisamos, porém, nos preocupar: são enterrados pelas granadas. Alguns têm as barrigas inchadas como balões, assobiam, arrotam e mexem-se. São os gases que se agitam neles.
e.m.r.
(dá vontade de citar o livro inteiro. de sair dando de presente pra todo mundo.)
sexta-feira, outubro 05, 2012
A sua batata estará sendo assada
Ingredientes
4 batatas grandes, do mesmo tamanho (ou não, isso é mais questão de estética e pra não dar briga entre quem for comer xP )
250g de bacon picado
1 cebola grande picada
1 tomate sem pele cortado em cubinhos (bullshit essa história de tirar a pele)
250g de requeijão cremoso
1/2 xícara de cebolinha picada
Sal, pimenta do reino e orégano (a gosto, mas acho que podes usar em outubro, também)
Preparo
Lave bem as batatas, esfregando-as com uma escovinha macia (você só precisa se certificar de que estão limpas, pois elas serão cozidas com casca). Cozinhe-as até ficarem macias. Escorra-as e embrulhe, uma a uma, em papel alumínio. Leve ao forno quente para assar. Frite o bacon, escorra e passe os torresminhos para uma tigela. Retire o excesso de gordura da frigideira e refogue nela a cebola e o tomate. Adicione o bacon (lembre-se de deixar um pouco separado para jogar por cima das batatas, como decoração). Tempere com o sal, a pimenta do reino e o orégano (tenho a intuição de que grãos de mostarda vão bem, também). Misture o requeijão e a cebolinha verde. Retire as batatas do forno. Faça um corte no meio, no sentido do comprimento, e raspe um pouco da polpa (use-a no recheio, misturada com o resto). Recheie as batatas e sirva imediatamente, bem quentinhas (queime bem as mãos no processo).
Rendimento
Poderia dizer que é meio intuitivo, mas isso depende de quão gordas (de espírito ou não) as pessoas são.
Para acompanhar
Coca-cola ou qualquer outra bebida bem digestiva. Sofás, redes, camas, tapetes e qualquer outro lugar em que seja possível capotar depois.
\o/
segunda-feira, outubro 01, 2012
Angústia
Critico.
Minhas palavras são minha arma e escudo.
Minha impaciência, um muro.
Sou agressiva, estourada, ríspida.
Não doce ou leve.
Tampouco prestativa, organizada, inteligente.
Simplesmente não.
-------------------------------------------------------------
Ou talvez seja mau humor extremo.
Tudo errado. Eu errada.
segunda-feira, setembro 17, 2012
Vi ontem um bicho
Se a capacidade de perceber consequências e desdobramentos de suas ações é o que diferencia o homem dos outros animais, alguns de nós há tempos deixamos de ser racionais...
segunda-feira, setembro 10, 2012
quinta-feira, setembro 06, 2012
Prazeres
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
Tateei pelo copo d’água ao lado da cama. Enquanto sorvia da água como se tivesse bebido todo o bar na noite anterior, me dei conta. Sonhei com ela, de novo. Estávamos sozinhas na sala de alguém. De um amigo. De um amor não completamente esquecido. Ela usava uma camiseta preta com dizeres que eu ignorarei pra sempre, mas minhas mãos se lembrarão como se tivesse sido real o toque de meus dedos na curva de sua cintura, enquanto tentava chegar a seus seios.
Nossas coxas e quadris já estavam perturbadoramente encaixados então. Nos aproximávamos e comprimíamos nossos sexos - buscando e sendo guiadas pelo ápice eletrizante daquela transa inesperada. Queria enterrar meu rosto em seus grandes seios brancos. Conhecer e morder seus mamilos. Queria tocá-la, senti-la úmida e quente e aberta, fazê-la curvar-se e contorcer-se.
Em vez disso, o choque do prazer terrivelmente rápido e intenso fez com que nos afastássemos. O orgasmo me fazia sonhar acordada, em transe, em estado alterado de consciência pelo gozo, em estado de euforia e estranhamento por finalmente - após tantos, tantos anos - ter acontecido de estar com ela, poder sentir seu corpo, seu toque, sua pele, seu gosto...
E então acabou.
E então acabou.
Bebi a água como se pudesse recuperar o gosto de sua saliva nos gulosos goles. O gosto ficou amargo. A cama alheia. O travesseiro, frio. O sonho não voltaria. Ela não vai voltar. Não pros meus braços.
No sonho. Na realidade. Por que continuo fazendo isso?
segunda-feira, setembro 03, 2012
pulgas filosóficas
There is a fundamental reason why we look at the sky with wonder and longing—for the same reason that we stand, hour after hour, gazing at the distant swell of the open ocean. There is something like an ancient wisdom, encoded and tucked away in our DNA, that knows its point of origin as surely as a salmonid knows its creek. Intellectually, we may not want to return there, but the genes know, and long for their origins—their home in the salty depths. But if the seas are our immediate source, the penultimate source is certainly the heavens… . The spectacular truth is—and this is something that your DNA has known all along—the very atoms of your body—the iron, calcium, phosphorus, carbon, nitrogen, oxygen, and on and on—were initially forged in long-dead stars. This is why, when you stand outside under a moonless, country sky, you feel some ineffable tugging at your innards. We are star stuff. Keep looking up.
Jerry Waxman, Astronomical Tidbits
...polvo de estrellas...
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Pútridas
As cidades cheiram a lixo e mijo, a vazio e solidão. Excretam tais odores e sentimentos como uma fenda marinha libera gases pré-históricos, como um ser decrépito deixa escapar seus maus humores a cada suspiro: não agem com maldade ou desamor, não o fazem para vingarem-se dos germes que habitam e poluem sua superfície.
Esta é sua natureza, simplesmente. São seres abissais, seus tempos são outros. Sequer notam nossa efêmera existência sobre si. Seu eterno fedor não é mais que o hálito apodrecido de um adormecido ente de tempos imemoriais.
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quinta-feira, agosto 30, 2012
Do abismo do asfalto
As cidades são monstros abissais famintos. Seu principal alimento é o tempo alheio, o tempo mal gasto. Suas vias engarrafadas são os tentáculos que nos mantêm em suas armadilhas. Nutrem-se de nossas frustrações, do tempo que não dedicamos em a ir ao cinema, ou beijar a namorada, ler um livro de poemas, beber um conhaque com os amigos. O tempo sem nossos filhos, sem trabalhar no que acreditamos. É disso que essas criaturas odiosas tiram sua subsistência. É assim que estas criaturas odiosas lidam com seu insaciável apetite.
E todas as noites, como num eterno equilíbrio ou retorno, Morpheus nos realimenta as almas de sonhos e esperanças, para serem devorados, uma vez mais, a cada minuto que se arrasta, travestido de correria, nas entranhas labirtínticas das grandes cidades.
E todas as noites, como num eterno equilíbrio ou retorno, Morpheus nos realimenta as almas de sonhos e esperanças, para serem devorados, uma vez mais, a cada minuto que se arrasta, travestido de correria, nas entranhas labirtínticas das grandes cidades.
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Temporais
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
A tempestade do lado de fora fazia tanta bagunçava que me surpreendi por ter conseguido dormir. Lembrei do barulho de coisas quebrando que ouvira ainda no estágio de quase sonho. Levantei e fui vasculhar a casa.
Havia goteiras no teto de concreto, que haviam sido cobertas com panos, para amenizar a situação. Na sala, a parte superior do quadrante de alumínio da janela havia sido destroçada e distorcida por um raio. Continuando a vasculhar a casa, encontro um amigo em um dos quartos dos fundos, deitado na cama. Quero parar e ficar ali com ele, confortando-o, aquecendo-o. Mas uma mensagem de celular de outro amigo - com quem estou em falta - me deixa ansiosa e dividida.
Enquanto isso, um outro amigo, um grande amor, estava de mãos dadas comigo andando por todos esses lugares - e também me sentia perdida por isso, sem saber assumir o que queria. A casa toda era um grande caos por conta do temporal que acontecia no exterior. Havia amigos e pessoas em vários cômodos, fugidas e abrigadas da chuva. Em um dos quartos, meu irmão me mostrou vários aquários empilhados, solução que ele encontrara para salvar o Beta que tínhamos. Havia muito mais peixes do que jamais tivéramos, misturados em aquários sujos. Alguns estavam mortos. Preocupei-me com aquilo, mas de repente minha atenção já se voltava para outro lugar.
Pela janela, alguém me mostrava todos os carros que tinham estacionado onde antes nada havia. Eram muitos e todos pareciam tão limpos e alinhados que era como olhar para o pátio de uma concessionária. Em nosso quintal.
Em algum espaço que deveria ser o teto, ou o sótão, objetivos e traços inanimados faziam sua própria aventura. Vi riscos na parede formarem-se sozinhos e seguirem um caminho confuso, guiando algo que não consegui identificar direito, de uma mesinha até o topo de uma pequena estante de parede. Estavam em um universo à parte - não estava molhado, nem escuro, nem havia pessoas por lá. Apenas os objetos, em inesperadas ações.
Entrementes, minha atenção continuava dividida entre entes queridos. Não era capaz de evitar todo aquele turbilhão, ainda que quisesse muito um período de calma para poder pensar em tudo aquilo. Precisava entender-me e decidir o que fazer em meio a tudo aquilo, com a bagunça, a mistura, o caos, a água, os distintos amores.
Acordei com a sensação longínqua de perda ou tristeza. 09:50. Acho que sei o que era. O sonho ainda me preenchia. Ainda não sabia o que fazer. Mas o dia prosseguiria.
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Papéis
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
Alguém se mexeu a meu lado. Levei a mão à cabeça, como se o gesto pudesse me fazer recobrar a sobriedade. O quarto cheirava bem. Um aroma doce de incenso. Não estava totalmente escuro, uma luz de vela bruxuleava perto do porta retratos...
Me remexi na cama, a razão voltando de um baque. Aquela cama não era minha. Aquele cheiro doce não fazia parte de nenhum cômodo de minha casa. A pessoa no porta-retratos era familiar. Tentei umedecer os lábios, enquanto fazia a máquina da memória funcionar, mas a boca estava seca demais. Fora atrás de água que havia acordado, afinal. Saí da cama. O quarto tinha uma atmosfera rosada. Nem a camiseta que usava era minha. Corri os olhos pelas paredes. Duas portas. Qual seria a do banheiro? Lembrava vagamente de um banho, antes de... acordar com sede.
Na que estava de frente para a cama, o carpete do quarto continuava por baixo. Abri a outra, então. Fechei a porta atrás de mim, tateei até a pia e bebi água dali mesmo. Sentei no vaso e fiquei revirando a noite anterior na cabeça. Ao menos fora naquele banheiro que havia tomado banho - reconheci o toque do tapete áspero com os pés.
Ouvi passos abafados e a porta do banheiro se abriu. Reconheci a garota do porta retrato. Seu sorriso dizia muitas coisas. Ela se aproximou sem falar, com aquele sorriso que mal me deixava pensar no que eu devia estar achando de tudo aquilo. Sentou de pernas abertas sobre mim, ali, de qualquer jeito, já me beijando.
Alguma parte minha devia estar pensando que tinha algo muito errado ali, porque eu sou gay e travesti desde sempre. Mas a verdade é que correspondi com uma paixão que senti poucas vezes antes na vida, e ela parecia saber muito bem que eu faria isso. Beijei-a como se fosse hétero. Outra hora pensaria se deveria sair do armário.
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segunda-feira, agosto 27, 2012
domingo, agosto 26, 2012
Pesadelo
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
Aos poucos as imagens do sonho foram retornando. Primeiro apenas flashes. Depois, cada vez mais nítidas: pernas entrelaçadas embaixo do chuveiro, uma coxa grossa apertando meus quadris, que se remexiam na busca por mais prazer - meu, dela. Levantei, ainda imersa na tensão do banheiro onírico.
Apertei os olhos com os dedos. Queria que tudo aquilo sumisse. Queria que alguém me pegasse daquele jeito, me desejasse, queria desejar a pessoa de volta, na mesma intensidade. Queria gritar, implorar para que alguém me desse prazer, para que alguém quisesse me dar prazer. Ali, já. Algum aspecto louco e infantil começou a percorrer em minha mente possíveis conhecidas ou conhecidos a quem pudesse recorrer.
Como se chega para alguém e pede - Oi, bom dia, dormiu bem? Olha, não tenho muito como explicar agora, mas... quer transar? Não, tudo bem, eu te pego - onde você está? Não funciona. Não no meu mundo. Entrei debaixo do chuveiro de calcinha, água fria, mesmo. Se morasse sozinha, acenderia um cigarro. Se fosse a Rê Bordosa, daria pro primeiro garçom que encontrasse.
Suspiro de novo. Tremo, pulo para espantar o frio. Respiro fundo e entoo um mantra mental para que o desejo saia de meu corpo, junto com a água que escorre e me arrepia. Fecho os olhos, ensaio uma carícia enquanto tiro a calcinha. Não vai funcionar. Quero mais do que isso.
Lavo o rosto, jogando bastante água e esfregando-o com força. Desligo o chuveiro. Toalha, roupas, café, bichos, dentes, rua, sol. Deixo o tesão na gaveta. Não tenho onde encaixá-lo, de novo, neste dia. Urrarei meu grito desesperado pra dentro. E que um dia eu me exploda em milhões de tesõesinhos.
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sexta-feira, agosto 24, 2012
Continuar correndo
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
De
tarde, já na rua, tive mais uma vez a mesma revelação que tenho tantas e
tantas vezes, reiteradamente - a cidade é uma enorme favela. Queria
parar e tirar uma foto: os morros tomados de casebres amontoados. Ao
longe, à esquerda - em direção ao centro novo da cidade - edifícios
altos e ricos.
Desci
o viaduto ainda observando e refletindo sobre a paisagem. A respiração
estava difícil: sentia-me ansiosa e culpada por estar atrasada para o
trabalho. Queria correr, mas como? A chuva transformara a cidade em uma
sucessão de engarrafamentos. As casinhas coloridas e amontoadas ainda me
perseguiam: como podemos ficar sem ver tão facilmente? Como ficamos sem
ver os barracos, as crianças na rua, os buracos, os alagamentos que se
formam com qualquer chuva mais forte...?
Respirei
fundo e forçadamente mais uma vez - ansiedade, aflição. Os carros todos
se amontoam e atropelam: é preciso continuar correndo. Nos fazem parar
para que precisemos voar tão logo haja tempo ou espaço livre. E se
passamos correndo, não vemos. Passamos correndo pelas subconstruções que
tomam conta do horizonte. Passamos correndo pelos buracos que habitam
indiscriminadamente as ruas. Passamos correndo pelas pessoas tomando
chuva enquanto esperam ônibus atrasados.
Passamos
correndo na hora de entrar nesses mesmos ônibus e não olhamos para o
sujeito que vai passar umas oito horas de seu dia ali, fazendo papel de
máquina. Passamos correndo pela festa com os amigos que de repente é só
um momento de torrar os miolos com música alta e bebida demais - e
interações verdadeiras de menos. Passamos correndo pelas propagandas
políticas coloridas, mentirosas e invasivas - que se tornam mais
presentes na mesma medida em que crescem nossa frustração, indignação e
descrença no governo. Em qualquer governo.
Andamos
desgovernados, em carros desgovernados, crescimentos desgovernados,
corpos desgovernados, vidas desgovernadas. Estamos a mil por hora e vamos
bater num muro que não vemos porque estamos ocupados demais.
Mas precisarei continuar correndo. Estou atrasada, no meio do trânsito no meio da vida no meio da tarde, e o horário de trabalho já começou.
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terça-feira, agosto 07, 2012
Salvapantallas
Tengo tu voz,
tengo tu tos,
oigo tu canto en el mío.
Rumbos paralelos,
dos anzuelos
en un mismo río.
Vamos al mar,
vamos a dar
cuerda a antiguas vitrolas.
Vamos pedaleando
contra el viento,
detrás de las olas.
Tengo una canción
para mostrarte,
talvez cuando vaya…. Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
Años atrás
de pronto la casa
se llenó de canciones.
Músicas y versos
que brotaban
desde tantos rincones.
Vamos al mar,
vamos a dar
guerra con cuatro guitarras.
Vamos pedaleando
contra el tiempo,
soltando amarras.
Brindo por las veces
que perdimos
las mismas batallas.
Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
j.d.
tengo tu tos,
oigo tu canto en el mío.
Rumbos paralelos,
dos anzuelos
en un mismo río.
Vamos al mar,
vamos a dar
cuerda a antiguas vitrolas.
Vamos pedaleando
contra el viento,
detrás de las olas.
Tengo una canción
para mostrarte,
talvez cuando vaya…. Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
Años atrás
de pronto la casa
se llenó de canciones.
Músicas y versos
que brotaban
desde tantos rincones.
Vamos al mar,
vamos a dar
guerra con cuatro guitarras.
Vamos pedaleando
contra el tiempo,
soltando amarras.
Brindo por las veces
que perdimos
las mismas batallas.
Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
j.d.
domingo, julho 29, 2012
Crazy Car
Dearest, dearest here's a song
Beautiful, so bright and young
You got mojo, you got soul
Full of colours, pearls and poetry
Climbing over cemetery walls
Watering the sea
Fire is fire, that is all
Don't go in the crazy car
Beautiful, so bright and young
You got mojo, you got soul
Full of colours, pearls and poetry
Climbing over cemetery walls
Watering the sea
Fire is fire, that is all
Don't go in the crazy car
Stream of gold from your guitar
Good old, good old Lolita
You're a diva, you are strong
Baby, what the hell is wrong?
What is wrong with vanity?
Why not just embrace it?
A pop star is a pop star
Don't go in the crazy car
Good old, good old Lolita
You're a diva, you are strong
Baby, what the hell is wrong?
What is wrong with vanity?
Why not just embrace it?
A pop star is a pop star
Don't go in the crazy car
Please be aware of the crazy car
Please don't go to America
Here's your home, here are your friends
Waiting still, until this ends
Please, please think inside the box
Only for a moment
We have made it circle shaped
For you
Please don't go to America
Here's your home, here are your friends
Waiting still, until this ends
Please, please think inside the box
Only for a moment
We have made it circle shaped
For you
Don't go in the crazy car...
o.a.
segunda-feira, julho 23, 2012
domingo, julho 15, 2012
15.07.2012
acho que vou passar uma semana sem ter qualquer interação social além do estritamente necessário...
sábado, julho 14, 2012
Não falo do tempo ou da saudade
"Não falo do tempo ou da saudade. Tudo muito imprevisível. Melhor falar da chuva, que nunca deixa de cair de cima para baixo."
autor desconhecido
domingo, junho 24, 2012
segunda-feira, maio 21, 2012
sábado, maio 19, 2012
sexta-feira, maio 18, 2012
terça-feira, maio 15, 2012
quarta-feira, maio 09, 2012
Crônica de um cárcere
Eu experimentei seu gosto
correndo minha boca
por seu pescoço e nuca.
Lambi sua pele
mordisquei sua orelha.
Nossos lábios se provaram
até se transformarem em frutos
maduros
inchados
rubros
E eu deixei que mordesse
e sugasse
meus beijos
meus seios.
Deixei que enchesse meu peito
com os mais doces beijos.
Minhas mãos
procuraram as suas
Macias.
Firmes.
Seguras.
Minhas mãos experimentaram
seu corpo.
Exploraram
sua pele, suas curvas.
A raiz de seus cabelos.
E deixei que seus dentes
marcassem minha pele
a cada gemido meu
a cada espasmo seu.
Eu experimentei seu gosto.
E adormeci encantada em seu rosto.
E isto é tudo...
Não me importa
que tenha acordado sozinha nesta cela escura.
Ou que não haja marcas.
Ou que digam que passarão anos.
Que apodrecerei neste submundo.
Ela era tão real
quanto precisava ser.
Eu experimentei seu gosto.
Eu tive seu corpo.
E faria tudo de novo.
E isso é tudo.
correndo minha boca
por seu pescoço e nuca.
Lambi sua pele
mordisquei sua orelha.
Nossos lábios se provaram
até se transformarem em frutos
maduros
inchados
rubros
E eu deixei que mordesse
e sugasse
meus beijos
meus seios.
Deixei que enchesse meu peito
com os mais doces beijos.
Minhas mãos
procuraram as suas
Macias.
Firmes.
Seguras.
Minhas mãos experimentaram
seu corpo.
Exploraram
sua pele, suas curvas.
A raiz de seus cabelos.
E deixei que seus dentes
marcassem minha pele
a cada gemido meu
a cada espasmo seu.
Eu experimentei seu gosto.
E adormeci encantada em seu rosto.
E isto é tudo...
Não me importa
que tenha acordado sozinha nesta cela escura.
Ou que não haja marcas.
Ou que digam que passarão anos.
Que apodrecerei neste submundo.
Ela era tão real
quanto precisava ser.
Eu experimentei seu gosto.
Eu tive seu corpo.
E faria tudo de novo.
E isso é tudo.
segunda-feira, abril 23, 2012
Pseudo vilanela pobre
Se tocar sua pele, e lhe der um beijo
esquecendo receios e medo
você então cederá ao desejo?
Com a imaginação, vejo:
todo o fim do enredo
se tocar sua pele, e lhe der um beijo.
Se for mais segura, e parar de repetir o que almejo
Se do que sinto mantiver segredo
Você então cederá ao desejo?
Se sentir saudade, e num lampejo
finalmente acolher o abraço que sempre concedo...
Se tocar sua pele, e lhe der um beijo
você então cederá ao desejo...
terça-feira, abril 17, 2012
segunda-feira, abril 16, 2012
metalinguagem
Por que tenho me questionado tanto?
São pertinentes os questionamentos que me faço?
São perguntas boas, ou estou gastando tempo e energia internos com tais questões?
Por que tenho me posto tanto em xeque?
por que tantos "por quês"?
As pessoas de quem gostamos têm um potencial muito maior de mexer conosco. Para o bem, para o mal...
O fato de serem especiais e importantes para nós faz com que possam nos machucar muito mais. Ficamos mais suscetíveis a elas. Partem nosso coração muito mais facilmente.
16 de abril
Preciso encontrar um espaço em que não me sinto por demais ansiosa e angustiada ou sufocada.
Um espaço em que consiga olhar o que preciso fazer, respirar e... fazer.
E um espaço onde não desperdice meu tempo, e consiga fazer o que realmente é importante para mim.
Encontrar este lugar interno em que não me sinta insegura demais; incapaz demais; inexperiente demais; inadequada demais.
Onde minhas carências não sejam motivos para eu me diminuir, ou querer me esconder porque não me sinto boa o suficiente para me relacionar com os outros, porque me acho estranha demais, ou chata ou exigente ou esquisita.
Respirar meus anseios e ansiedades.
Respirar...
Um espaço em que consiga olhar o que preciso fazer, respirar e... fazer.
E um espaço onde não desperdice meu tempo, e consiga fazer o que realmente é importante para mim.
Encontrar este lugar interno em que não me sinta insegura demais; incapaz demais; inexperiente demais; inadequada demais.
Onde minhas carências não sejam motivos para eu me diminuir, ou querer me esconder porque não me sinto boa o suficiente para me relacionar com os outros, porque me acho estranha demais, ou chata ou exigente ou esquisita.
Respirar meus anseios e ansiedades.
Respirar...
terça-feira, abril 10, 2012
segunda-feira, abril 09, 2012
segunda-feira, abril 02, 2012
I want to weep (...). I want to be comforted. I'm so tired of being strong. I want to be foolish and frightened for once. Just for a small while, that's all... a day... an hour...
g.r.r.m.
Às vezes, me sinto assim. Não que seja um exemplo de austeridade e estoicismo, mas... ainda assim, tenho a sensação de que normalmente costumo aceitar menos aconchegos do que deveria. Sinto isso aos poucos mudando. Por hora, mais internamente do que em ações, ainda.
terça-feira, março 27, 2012
Caça às bruxas
E se não houvesse culpados? Você não saberia o que fazer. Você cresceu sabendo que o mundo era simples, preto no branco, sem nuances.
Tudo pode ser explicado a partir de seu ponto de vista das coisas, e este nunca está errado.
Se lhe contassem que não havia culpados, ainda assim você os encontraria, um a um.
Você buscaria a garota que atende telefonemas e a culparia pela vida dupla que leva.
Iria atrás das garotas de cabelos molhados, também: irremediavelmente culpadas. Por se machucarem deliberadamente, por chegarem sem serem convidadas, por não terem plena consciência do que fazem.
A garota muda seria culpada por se apaixonar por um cowboy tresloucado - como pôde? E o cowboy, por permitir que isso acontecesse, e ainda dar corda com aquele papo barato de "parceira de aventuras". Ele só queria mais plateia para seus ridículos "feitos heróicos".
A garota na cozinha, com o leite condensado, seria culpada por ser alheia demais, e comer muito doce. Era óbvio que tais coisas não contribuíam para uma boa convivência.
Não escapariam a pintora e sua recém ex-paixão. Àquela, recairia a culpa de ser fria, de fazer apenas o que lhe fazia bem - e de usar as pessoas nisso. A segunda seria culpada por ser ingênua e cair na lábia da primeira, e também por não deixá-la em paz.
O Escritor seria perseguido por ter tentado crer que poderia prescindir do Músico, quando este sumiu. Este último, por sua vez, teria dificuldades em desfazer a decepção por ele causada, por ter abandonado o outro perseguido - logo quando tudo iria ficar tão difícil. Ele deveria saber.
A Fada não poderia escapar nem no outro mundo. Não após roubar a inocência de tantas crianças. E por se deixar abater de forma tão idiota.
E o rapaz do caderninho também não poderia ser menos culpado. Não após ter passado tanto tempo sem fazer nada.
Você perseguiria o casal da música. Especialmente ele, por ter sido machista. A ambos, acusaria de não terem se dedicado mais à própria história.
A escritora não poderia estar livre, após ter abandonado seus personagens por tanto tempo.
A mulher que se mudara para São Paulo: fraca - não assumira as responsabilidades por seus atos. Seu amigo? A acobertara.
A menina do hospital e sua avó: culpadas por todas as suas mentiras e perseguições, sem falar dos devaneios.
A avó espanhola nunca seria perdoada. Não após fugir desesperada enquanto seus pais eram mortos.
E assim aconteceria com muitos outros. Com todos os outros. À noite, em suas celas, eles inventariam outras histórias, contadas às estrelas, às paredes, ao papel higiênico economizado.
E você, também sozinha, em seu quarto, choraria baixinho, assombrada por pesadelos vazios de histórias e cheios de verdades absolutas.
Porque todos somos culpados de tudo.
E não sobraria ningúem incólume à caçada.
E não sobraria ningúem incólume à caçada.
E, no escuro, cada lágrima, engolida ou escancarada, seria testemunha de um arrependimento que lhe tornaria culpada por não ser capaz de admiti-lo jamais.
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segunda-feira, março 26, 2012
05/11/2010
Durmo com um pedaço de céu estrelado sobre minha cabeça.
Negro e estrelado, em verdade, e mais aqui do que isto
Negro e estrelado, em verdade, e mais aqui do que isto
- também fato.
Mas a luz pontual das estrelas cresce na intensidade da escuridão...
durmo.
Sob o céu estrelado, minha cabeça.
domingo, março 25, 2012
Undertow?
What does this mean
- to die?
- to die another time?
Show me this person who hasn't died several times over the course of a single life.
Who hasn't cried his or her heart out, who hasn't lost his or her feet...
How many times do we die?
How many can we survive?
Isn't this what's life all about, after all? Being able to die - and survive?
Can we avoid change?
Can we avoid being hurt?
Can we avoid feeling hurt by those we love?
Can we avoid blaming others for pains?
Can we avoid feeling lonely?
Can we avoid feeling guilty...?
Is it real life, when it doesn't hurt, when it's never painful, when you never cry?
Why are you alive?
Will any of these questions make anything easier...?
Should any of these questions make anything easier?
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sábado, março 24, 2012
terça-feira, março 20, 2012
poemas na madrugada
(de antigos e distantes, ou de novos amigos)
Somos confusos como as florestas.
Tu, e eu (e todo!! nós),
temos enredos na voz,
armaduras e espessuras
que nos encobrem de nós.
Anda.
Percorre-me sem desvios,
inteira, plena, despida,
infância desprevenida
sem roupas nem atavios.
Anda.
Rasga esta verde espessura
com teus gestos afiados.
Insinua-te, procura,
derrama a tua brancura
nos trilhos enviesados.
Progride e canta.
Penetra neste matagal bravio,
desembrulhada e erecta
como a vela dum navio.
Singra, desliza suave
como gota que escorresses,
como luar que batesses,
penugem que esvoaçasses.
Entra e serve-te. Verás,
ou caídos ou suspensos,
frutos de aromas intensos
que em silêncio morderás.
Teus dentes lhes darão sumo,
teus lábios lhes darão gosto
e o veludo que presumo
macio como o teu rosto.
Tuas mãos os farão belos
e alegres como facetas,
verdes, azuis, amarelos,
vermelhos e violetas.
De um arrepio, na espessura,
toda a floresta estremece.
Eu dou-te a minha loucura.
Dá-me o canto que a adormece.
Tu, e eu (e todo!! nós),
temos enredos na voz,
armaduras e espessuras
que nos encobrem de nós.
Anda.
Percorre-me sem desvios,
inteira, plena, despida,
infância desprevenida
sem roupas nem atavios.
Anda.
Rasga esta verde espessura
com teus gestos afiados.
Insinua-te, procura,
derrama a tua brancura
nos trilhos enviesados.
Progride e canta.
Penetra neste matagal bravio,
desembrulhada e erecta
como a vela dum navio.
Singra, desliza suave
como gota que escorresses,
como luar que batesses,
penugem que esvoaçasses.
Entra e serve-te. Verás,
ou caídos ou suspensos,
frutos de aromas intensos
que em silêncio morderás.
Teus dentes lhes darão sumo,
teus lábios lhes darão gosto
e o veludo que presumo
macio como o teu rosto.
Tuas mãos os farão belos
e alegres como facetas,
verdes, azuis, amarelos,
vermelhos e violetas.
De um arrepio, na espessura,
toda a floresta estremece.
Eu dou-te a minha loucura.
Dá-me o canto que a adormece.
a.g
Raw With Love
little dark girl with
kind eyes
when it comes time to
use the knife
I won't flinch and
I won't blame
you,
as I drive along the shore alone
as the palms wave,
the ugly heavy palms,
as the living does not arrive
as the dead do not leave,
I won't blame you,
instead
I will remember the kisses
our lips raw with love
and how you gave me
everything you had
and how I
offered you what was left of
me,
and I will remember your small room
the feel of you
the light in the window
your records
your books
our morning coffee
our noons our nights
our bodies spilled together
sleeping
the tiny flowing currents
immediate and forever
your leg my leg
your arm my arm
your smile and the warmth
of you
who made me laugh
again.
little dark girl with kind eyes
you have no
knife. the knife is
mine and I won't use it
yet.
kind eyes
when it comes time to
use the knife
I won't flinch and
I won't blame
you,
as I drive along the shore alone
as the palms wave,
the ugly heavy palms,
as the living does not arrive
as the dead do not leave,
I won't blame you,
instead
I will remember the kisses
our lips raw with love
and how you gave me
everything you had
and how I
offered you what was left of
me,
and I will remember your small room
the feel of you
the light in the window
your records
your books
our morning coffee
our noons our nights
our bodies spilled together
sleeping
the tiny flowing currents
immediate and forever
your leg my leg
your arm my arm
your smile and the warmth
of you
who made me laugh
again.
little dark girl with kind eyes
you have no
knife. the knife is
mine and I won't use it
yet.
c.b.
quinta-feira, março 15, 2012
Sinto a inquietação interna. As vontades são contraditórias. Não quero me "dedicar" para ir ao encontro de alguém que está com outra pessoa, enquanto estou me movendo para ir encontrá-la. Não quero deixar de fazer o que preciso fazer para ir para esse lugar.
Ao mesmo tempo, quero resolver tudo, quero sair dessa zona de desconforto, quero terminar tudo o mais rápido possível e ir agora, já, sair daqui, não ter de pensar em nada.
Quero sentir raiva. Quero de uma vez por todas não ligar pra nada disso - que sentido faz ligar, afinal? Quero sentir raiva e explodir e encontrar culpas e motivos para falar coisas ásperas, brigar. Quer fazer acusações, jogar contra a parede, falar em culpados. São coisas pensadas, endereçadas? Não, falo das vontades internamente misturadas, aqui presentes neste momento, antes dos filtros mais conscientes (que são os que poderia perceber). São coisas que fazem sentido? Provavelmente não, também.
Mas estão aqui. E agora o que quero é escrever isso e colocar pra fora um pouco dessa agonia, desse emaranhado que era aperto e inquietação e no momento é também uma dor fina, que se concentra em um ponto um levemente à direita, em minha barriga, um tanto acima do umbigo. A dor também desce ligeiramente.
Quero falar da confusão, do saber que não faz qualquer sentido sentir isso, e que tanta coisa já passou que já nem sabemos (ou sei) direito o que sentimos, mas ainda assim esse bando de coisa ruim persiste junto, persiste dentro. Em outra intensidade, é fato. Mas está aqui e incomoda e quer tomar o lugar das outras coisas, quer ser maior que as atividades que ainda quando acordei queria parar e fazer.
Quero falar da confusão de querer que tudo fique bem, de querer conseguir acolher todos os pontos dessa bagunça que fomos construindo ano após ano e que não paramos de construir, mesmo quando paramos, falamos destroçados que já não queríamos mais aquilo tudo.
Da confusão de querer bem e não saber onde colocar o querer. De não saber o que é o bendito e por vezes maldito querer. De querer que o querer bem se exploda. Do medo inconsciente que já não deixa o querer ser puro e livre, e que sempre o trava - antes, durante, depois.
Quero falar do maldito medo dos sons, duas notas? O som da mensagem chegando, que vem no meio da tarde, no meio da madrugada, que vem depois da trepada que não aconteceu.
Quero falar de tesão e carinho. Quero falar de um amor que às vezes vamos tingindo de tanta coisa que fica difícil reconhecê-lo, e olho para ele e me sinto só, só, tristemente e solitariamente só.
Quero falar disso tudo, e quero simplesmente ficar aqui escrevendo. Não sair, não ficar. Largar tudo de qualquer jeito e sair correndo por aí em busca de um fim que não está pronto, e não será dado, e tem de ser malditamente construído dia após dia, gesto após gesto, e por vezes eu não quero fazer parte disso e queria simplesmente que fosse um livro que posso ler à distância, sem ter de viver cada letra, palavra e vírgula, sem ter de ficar querendo entender as entrelinhas, sem encontrar a porra do parágrafo final que se viesse me faria chorar, se fosse agora.
Quero sentir, antes sentir que ficar dormente, que olhar e já não ter qualquer amor, que olhar pra trás e não ser nada. Mas por que sentir tanto? Por que não amar daquele jeito que olha e pensa - que bom que ele está feliz e fazendo o que quer - ? Por que esse amor que me faz querer gritar, e chorar de raiva de mim mesma por mais uma vez sentir tudo isso? Isso não deve ser amor. Deve ser alguma outra porcaria que aprendi a engolir como tal, mas que não tem nem terá a mesma dimensão ou o mesmo valor.
As coisas não irão mudar, não irão mudar enquanto você fica parada escrevendo, enquanto você fica parada vivendo as mesmas coisas, achando que tudo mudou, mas sem mudar algo de essencial que não sabe o que é.
CORRA!!!!!!!!!!! Caia debaixo de um banho de água fria, gelada. De um choque de realidade líquido. De algo que te tire dessa roda da fortuna, dessa cadeia espiralada de repetições.
NÃO. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo... Você já nem acredita mais, mas uma parte sua continua ficando triste quando descobre que tudo continua sendo como antes. Mas só a parte que você queria que fosse diferente. A outra? Essa não é mais como era há muito tempo. E isso deixa uma parte sua triste, também.
Você vai chorar? Vai gritar, quebrar algo? Vai se mexer? Vai deixar todo o seu tempo passar sem fazer absolutamente nada, incapaz de sair desse lugar em que entra quando tudo isso acontece de novo? Diferente, mas ainda assim dolorosamente igual, em alguns aspectos? Você quer fugir disso, quer sair disso, mas precisa mergulhar fundo e olhar para a torrente que vem, a torrente que ameaça lhe afogar, e contra a qual não sabe se quer resistir.
O que fazer, agora? Você sabe que tem um monte de coisa que precisa fazer. Um monte de coisas que quer fazer. Você esquecerá os gritos e esgares, se aprumará na cadeira, pedirá um café e trabalhará, usando a frieza como escudo e lâmina contra o que lhe desconjuntou as vísceras, ainda mais uma vez? Ou vai dar o braço a torcer, e sair feito uma menina para encontrar a pessoa que te deixou assim, como se ela fosse a única capaz te de trazer paz de novo?
Você queria que algo fosse diferente, que alguém falasse com você e você pudesse contar tudo, e então as dimensões das coisas seriam outras, talvez tudo se relativizasse.
Você quer chorar e sentir algum tipo de raiva, mas sente vergonha, mas sente que não deve ou não pode, ou ambos. Você se contrai, por dentro, por fora. Você novamente não quer passar por isso tudo nunca mais.
------------------------------------
E no fim das contas, você espera por uma mudança que nem sabe qual seria. Que nem sabe se iria querer.
Mas você gostaria que as coisas mudassem, pra ser algo diferente, pra variar.
--------------------------------------------
E talvez você sinta ainda mais raiva (e desespero) por causa da maldita, da ínfima parte sua que ainda quer morrer cada vez que isso acontece. E sente medo de tudo desabar por dentro, de novo, também...
Ao mesmo tempo, quero resolver tudo, quero sair dessa zona de desconforto, quero terminar tudo o mais rápido possível e ir agora, já, sair daqui, não ter de pensar em nada.
Quero sentir raiva. Quero de uma vez por todas não ligar pra nada disso - que sentido faz ligar, afinal? Quero sentir raiva e explodir e encontrar culpas e motivos para falar coisas ásperas, brigar. Quer fazer acusações, jogar contra a parede, falar em culpados. São coisas pensadas, endereçadas? Não, falo das vontades internamente misturadas, aqui presentes neste momento, antes dos filtros mais conscientes (que são os que poderia perceber). São coisas que fazem sentido? Provavelmente não, também.
Mas estão aqui. E agora o que quero é escrever isso e colocar pra fora um pouco dessa agonia, desse emaranhado que era aperto e inquietação e no momento é também uma dor fina, que se concentra em um ponto um levemente à direita, em minha barriga, um tanto acima do umbigo. A dor também desce ligeiramente.
Quero falar da confusão, do saber que não faz qualquer sentido sentir isso, e que tanta coisa já passou que já nem sabemos (ou sei) direito o que sentimos, mas ainda assim esse bando de coisa ruim persiste junto, persiste dentro. Em outra intensidade, é fato. Mas está aqui e incomoda e quer tomar o lugar das outras coisas, quer ser maior que as atividades que ainda quando acordei queria parar e fazer.
Quero falar da confusão de querer que tudo fique bem, de querer conseguir acolher todos os pontos dessa bagunça que fomos construindo ano após ano e que não paramos de construir, mesmo quando paramos, falamos destroçados que já não queríamos mais aquilo tudo.
Da confusão de querer bem e não saber onde colocar o querer. De não saber o que é o bendito e por vezes maldito querer. De querer que o querer bem se exploda. Do medo inconsciente que já não deixa o querer ser puro e livre, e que sempre o trava - antes, durante, depois.
Quero falar do maldito medo dos sons, duas notas? O som da mensagem chegando, que vem no meio da tarde, no meio da madrugada, que vem depois da trepada que não aconteceu.
Quero falar de tesão e carinho. Quero falar de um amor que às vezes vamos tingindo de tanta coisa que fica difícil reconhecê-lo, e olho para ele e me sinto só, só, tristemente e solitariamente só.
Quero falar disso tudo, e quero simplesmente ficar aqui escrevendo. Não sair, não ficar. Largar tudo de qualquer jeito e sair correndo por aí em busca de um fim que não está pronto, e não será dado, e tem de ser malditamente construído dia após dia, gesto após gesto, e por vezes eu não quero fazer parte disso e queria simplesmente que fosse um livro que posso ler à distância, sem ter de viver cada letra, palavra e vírgula, sem ter de ficar querendo entender as entrelinhas, sem encontrar a porra do parágrafo final que se viesse me faria chorar, se fosse agora.
Quero sentir, antes sentir que ficar dormente, que olhar e já não ter qualquer amor, que olhar pra trás e não ser nada. Mas por que sentir tanto? Por que não amar daquele jeito que olha e pensa - que bom que ele está feliz e fazendo o que quer - ? Por que esse amor que me faz querer gritar, e chorar de raiva de mim mesma por mais uma vez sentir tudo isso? Isso não deve ser amor. Deve ser alguma outra porcaria que aprendi a engolir como tal, mas que não tem nem terá a mesma dimensão ou o mesmo valor.
As coisas não irão mudar, não irão mudar enquanto você fica parada escrevendo, enquanto você fica parada vivendo as mesmas coisas, achando que tudo mudou, mas sem mudar algo de essencial que não sabe o que é.
CORRA!!!!!!!!!!! Caia debaixo de um banho de água fria, gelada. De um choque de realidade líquido. De algo que te tire dessa roda da fortuna, dessa cadeia espiralada de repetições.
NÃO. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo... Você já nem acredita mais, mas uma parte sua continua ficando triste quando descobre que tudo continua sendo como antes. Mas só a parte que você queria que fosse diferente. A outra? Essa não é mais como era há muito tempo. E isso deixa uma parte sua triste, também.
Você vai chorar? Vai gritar, quebrar algo? Vai se mexer? Vai deixar todo o seu tempo passar sem fazer absolutamente nada, incapaz de sair desse lugar em que entra quando tudo isso acontece de novo? Diferente, mas ainda assim dolorosamente igual, em alguns aspectos? Você quer fugir disso, quer sair disso, mas precisa mergulhar fundo e olhar para a torrente que vem, a torrente que ameaça lhe afogar, e contra a qual não sabe se quer resistir.
O que fazer, agora? Você sabe que tem um monte de coisa que precisa fazer. Um monte de coisas que quer fazer. Você esquecerá os gritos e esgares, se aprumará na cadeira, pedirá um café e trabalhará, usando a frieza como escudo e lâmina contra o que lhe desconjuntou as vísceras, ainda mais uma vez? Ou vai dar o braço a torcer, e sair feito uma menina para encontrar a pessoa que te deixou assim, como se ela fosse a única capaz te de trazer paz de novo?
Você queria que algo fosse diferente, que alguém falasse com você e você pudesse contar tudo, e então as dimensões das coisas seriam outras, talvez tudo se relativizasse.
Você quer chorar e sentir algum tipo de raiva, mas sente vergonha, mas sente que não deve ou não pode, ou ambos. Você se contrai, por dentro, por fora. Você novamente não quer passar por isso tudo nunca mais.
------------------------------------
E no fim das contas, você espera por uma mudança que nem sabe qual seria. Que nem sabe se iria querer.
Mas você gostaria que as coisas mudassem, pra ser algo diferente, pra variar.
--------------------------------------------
E talvez você sinta ainda mais raiva (e desespero) por causa da maldita, da ínfima parte sua que ainda quer morrer cada vez que isso acontece. E sente medo de tudo desabar por dentro, de novo, também...
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sexta-feira, março 09, 2012
An idea is not a design,
but it is an invitation to a journey.
A design is not a prototype,
but it is a plan for moving forward.
A prototype is not a program,
but it is a test for your assumptions.
A program is not a product,
but it is a milestone towards progress.
A product is not a business,
but it is the first fruit of an idea.
A business is not profits,
but it is a team behind your back.
Profits is not an exit,
but it is validation of your work.
And an exit is not happiness,
but happiness is not a destination.
Happiness is a journey.
but it is an invitation to a journey.
A design is not a prototype,
but it is a plan for moving forward.
A prototype is not a program,
but it is a test for your assumptions.
A program is not a product,
but it is a milestone towards progress.
A product is not a business,
but it is the first fruit of an idea.
A business is not profits,
but it is a team behind your back.
Profits is not an exit,
but it is validation of your work.
And an exit is not happiness,
but happiness is not a destination.
Happiness is a journey.
Tony Chu
segunda-feira, março 05, 2012
Já me senti assim...
... um bocado de vezes. >.<'
Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Desapego corretamente
Ou incorretamente
Um sentimento mesquinho
Que eu sinto por dentro
Tenso
Por isso não me ame
Não me ame tanto
Ou incorretamente
Um sentimento mesquinho
Que eu sinto por dentro
Tenso
Por isso não me ame
Não me ame tanto
Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Pego tudo
O meu e o seu amor
Faço um bolo de amor
E jogo fora
Ou como e gozo
Dentro
O meu e o seu amor
Faço um bolo de amor
E jogo fora
Ou como e gozo
Dentro
Karina Buhr
terça-feira, fevereiro 28, 2012
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
There ain't much that's dumber - than pinning your hopes on a change in another
Ela podia ter depositado aquele cheque na hora certa. Podia ter ficado em casa, e marcado de fazerem alguma coisa outro dia, com calma, e que fosse realmente divertida. Ou podia não ter dito nada quando ele chegou. Não havia mais a pressa, afinal... A agência estava vazia, não havia muita gente na fila. Ela não precisava nem ter subido, podia muito bem ter esperado ele chegar - já que não podia resolver nada sem ele, mesmo.
Ou poderia, pelo menos, ter pedido desculpas quando ele explodiu, ao ver a reação dela, logo quando se encontraram. Podia ter sorrido, dito qualquer coisa, e feito tudo se dissolver mais rapidamente. Ou ao menos tentado. Podia não ter jogado fora a senha que tinha pego - uma atitude obviamente agressiva -, mas naquele momento já estava machucada e queria descontar n'algo. Ela podia ter sentado ao lado dele e comentado qualquer coisa sobre o caminho, ou o cheque, ou a senha dele, ou sobre os livros que trouxera para eles lerem enquanto esperavam. Qualquer coisa diferente de fechar a boca, a cara, os olhos, e fingir que estava em qualquer outro lugar...
Ela poderia ter aproveitado quando ele a chamou para acompanhá-lo no caixa para quebrar o clima. Falado finalmente algo sobre a situação, ou o motivo de o depósito não ter sido aceito. Poderia ter feito uma piada semi-maldosa acerca de sua mãe, que lhes colocara naquela enrascada e nem estava lá agora, quando ambos tinham desviado de seus planos daquele dia para resolver um problema que não era de nenhum deles. Qualquer coisa diferente de contiuar com aquela cara que denotava tão ostensivamente que tinha sido magoada e não queria esquecer aquilo.
Ela poderia ter tentado melhorar as coisas enquanto desciam as escadas e se dirigiam para o carro. Perguntado o que fariam agora, se ele gostaria de parar para comer o sanduíche de salsicha alemã, ou se tinha visto o acidente, quando se dirigia para o Banco.
E eles poderiam não ter tentado defender tão agressivamente seus pontos de vista, quando tentaram conversar sobre o assunto, ainda no estacionamento, longe do carro, antes de ir embora. Ela poderia ter abandonado seu apego à magoa e ao modo como se sentira quando ele falara, ter se aberto para a possibilidade de que algo do que dissera o tivesse magoado - não temos controle sobre isso, afinal -, ter pedido desculpas e ter oferecido uma carona...
Ela poderia ter feito qualquer coisa que evitasse sua ida de um ponto ao outro da cidade apenas para ter uma discussão feia que lhe partiu o coração, por uma coisa absolutamente boba, e voltar para casa com aquele aperto no peito e as lágrimas a escorrerem por seu rosto.
E, definitivamente, ela poderia ter evitado ficar escrevendo ao celular, enquanto cobria o percurso de volta, enfrentando o conturbado tráfego de fim de tarde da cidade. Poderia ter deixado o aparelho quieto, esperado chegar em casa - ou, ao menos, um sinal fechado.
Ela então poderia ter visto a moto a tempo. Teria reduzido, freado, desistido da conversão à esquerda. E não precisaria desfazer a manobra às pressas. Nem se chocaria com o caminhão dirigido a toda velocidade por um motorista desatento. O carro não teria a lateral destruída pela força da batida contra os imponentes pneus. O vidro da janela não teria estilhaçado em seu rosto molhado. A porta não teria se dobrado contra seu frágil corpo de menina. As rodas não teriam, por fim, batido violentamente contra o meio-fio, nem as malditas leis da Física, que nunca compreendera muito bem, teriam feito o carro capotar e soltar todo o peso sobre si, quando ele finalmente parou, rodas girando no ar.
Ela teria chegado em casa mais tarde, talvez sem tempo para fazer o que tinha decidido fazer quando aquele dia começara. Mas... ao menos, estaria lá, no fim do dia.
Agora, uma parte dela havia invariavelmente morrido, naquele acidente, enquanto voltava para casa. Pouco importava que continuasse viva, e pudesse chegar, deitar na cama, chorar a briga. Porque, no fim das contas, a garota que chorava distraída batera no caminhão imaginário, no meio de seu percurso, imersa em tristezas recentes e antigas. Não havia sobrevivido. Nunca mais choraria.
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domingo, fevereiro 19, 2012
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Escreva o que vê
(ou uma ligeira variação disto)
Acordou cedo, com o despertador. Sentiu que tinha o direito de dormir mais um pouco, após ter tido seu sono interrompido durante a madrugada para ter notícias de amigos notívagos. Enroscou-se um pouco entre travesseiros e cobertas, sorriu, com a sensação de ter tido algum sonho bom. Fechou os olhos... mas logo o despertador tocou novamente. Ainda uma vez decidiu que dormiria um pouco mais - informou isso ao alarme do celular. Ensaiou outro mergulho na maciez da roupa de cama. Sorriu de leve, novamente. Mas em poucos minutos já tinha aberto os olhos, apreciado a claridade do dia, e realizado que não poderia continuar na cama. Aquele era seu último dia antes da viagem. Sua mala não estava pronta. Tinha um compromisso do outro lado da cidade em menos de três horas. E ainda tinha outros assuntos a resolver...
Abriu a cortina puxando-a com os dedos dos pés. A luz dourada do sol penetrou diretamente no quarto. Observou a luminosidade em sua pele, corando o corpo ligeiramente bronzeado - cena bonita, pensou. Também pensou que gostaria de ir à praia, sentir a areia, tomar um pouco mais de sol, antes de despedir-se rumo a um mundo muito mais cinza. Girou o corpo, ainda deitada. Dois gatos a observavam, misto de sono e expectativa. Ela havia os reacostumado a comer cedo, para ter, assim, um despertador natural todas as manhãs. Agora, se sentiam no direito de miar e miar, tão logo ela abria os olhos. Mexeu-se. Desligou o ventilador, saiu da cama, recuperou a xícara de chá da noite anterior e bebericou. Ainda estava bom, mas já tinha o gosto ligeiramente velho.
Dirigiu-se, ainda nua, para a sala. Enquanto aguardava o computador ligar, foi até a cozinha para ver se havia algum recado para si. "Que tal levar um pedaço de bolo para Márcio e Beatriz? De boas vindas?" Gostou da ideia. Voltou ao computador - precisava checar e-mails, dar uma notícia para o irmão, inteirar-se das mensagens da noite. Fora dormir cedo, após passar algum tempo lendo, e então sabia que estaria desatualizada das últimas coisas que sua mãe, seus amigos e seus sócios e companheiros de viagem teriam dito no dia anterior.
Lembrou-se da mensagem que recebera de madrugada. Releu-a, para recuperar o endereço que deveria visitar. Cactos e rosas... Exercício. Leu-o. Gostou da ideia. Reconheceu a história narrada. Sorriu para a amiga distante. Sentiu fome. De volta à cozinha, preparando seu café da manhã, perguntou-se o que teria levado a outra a dedicar-lhe o exercício.
Abacate. Seria a afinidade com a escrita? Açúcar. As ruivas que apareciam? Limão. Talvez o seriado descrito? Amasse bem, misturando os ingredientes. Só não gostaria que fosse uma forma de, sutilmente, criticar seu comportamento, por aproximação a atitudes descritas no texto... Entristeceu-se um pouco, pensando nessa possibilidade.
Razões de dedicatória à parte, ainda precisava responder. Ainda mexendo o abacate, ponderava se escreveria um comentário, mandaria uma mensagem, ou... Sem muito esforço, distanciou-se de si mesma. Observou-se na cozinha, de manhã, nua, fazendo o café da manhã.
Quando voltou para o computador, já sabia o que fazer. Abriu seu próprio blog, e começou a (d)escrever.
(Dedicado ao post homônimo :-) )
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quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Tema para conto
Ela demorou muito tempo para perceber. Mas, enfim, se deu conta: gostava das pessoas e reagia a elas de acordo com o que viriam a sentir por ela, em um futuro próximo.
terça-feira, janeiro 31, 2012
I won't say how I wish you were here. I won't say anything. I'll just stand still, quite, and let time pass by. Time has been the best friend in such situations. And it still is...
...
Nunca me esquecer de que a vida, como os corpos no cosmos, dá muitas voltas. O que muda é a velocidade e o ritmo...
domingo, janeiro 29, 2012
Do tempo...
Estou viva.
O tempo passa, a vida continua com suas reviravoltas e cenas imprevistas. Mais uma vez, aos poucos, vou me sentindo bem, voltando ao eixo, me fortalecendo...
Estou viva. É bom escrever isso. É ainda melhor viver isso.
Careço de disciplina, muitas vezes. Ainda tenho muito a aprender. A respirar. A caminhar.
Mas estou aqui, olho os caminhos percorridos e me alegro por saber que estou aqui, que passei por um bocado de coisa - muito desespero e incerteza e vazio -, mas por muitas várias razões continuo aqui. Melhor: continuo seguindo. Não estou no mesmo lugar. Isso é bom.
Olhar pra trás me dá a sensação de que a vida pode seguir uma porção de rumos imprevisíveis, e isso, mais do que me dar medo, me deixa com mais vontade de viver, pra saber o que vem por aí.
Eu 'tou viva. Quis desaparecer. Quis sumir. Quis fugir. Quis morrer. Quis chorar até deixar de ser.
Mas um tanto de pessoas e seres maravilhosos me ajudaram a perceber que tinha muito ainda pra acontecer, e me apoiaram de um sem número de formas.
E agora estou viva, e posso continuar a crescer... E, por tudo isso, sou imensamente grata.
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De processos, mangas e paixão
(...)
- Se fazer cinco piruetas fosse fácil, não acha que todos os bailarinos do mundo fariam? Cunxin, já comeu manga?
- Não - respondi, tentando adivinhar o que ele queria dizer.
- Manga é uma fruta maravilhosa, com um gosto único! Só é encontrada em algumas regiões do mundo e, assim mesmo, em determinada época do ano. Quero que pense nas piruetas como se fossem mangas. Se eu lhe desse uma manga agora, o que faria?
- Comeria.
- Que apressado! - ele disse, rindo.
- Por quê? O senhor não comeria?
- Para que tanta impaciência? Entendo que quisesse provar o gosto da fruta, mas o melhor é o processo: primeiro, admirar a forma, observar a cor, sentir o cheiro, tirar a casca, cortar em pedaços. Talvez, provar a casca e o caroço. E só então a satisfação final: a polpa. É isso. É preciso aproveitar cada etapa do processo, experimentar as várias camadas, aproveitar tudo. Quero que você trate as piruetas do mesmo modo. Ouse! Descubra o segredo e a essência das piruetas. Se não passar por todas as etapas para depois chegar à polpa, outro fará isso. Então, faça você!
O professor Xiao e sua manga me despertaram a imaginação. Eu me desafiei a ir adiante, a experimentar novas sensações. Com paixão, comecei a apreciar cada etapa do processo.
L.C. Adeus, China - O Último Bailarino de Mao. pp. 223
sábado, janeiro 28, 2012
domingo, janeiro 22, 2012
Não há como capturar tua essência
Não há como capturar
tua essência
Para bem registrar cada
teu mínimo detalhe
de cor e encantadora beleza,
Precisaria manter a lente
ou os olhos muito abertos
e, então,
infelizmente temo,
tua mágica brancura
o fulgor de teus cabelos
a intensidade de teu olhar
Haveriam de ofuscar quaqluer
representação
E roubar qualquer tentativa
de sorver-se o ar
ou aquietar o peito.
Lua alva que
por mais que abra
a janela não logro
avistar!
Ei de cantar-te sempre
Eterna serás em meu sonhar
És já, novamente,
sonho.
E tão imaterial
e impalpável
Quanto o eras antes
de em teus olhos
respirar
Quero me ver refletida
em tua brancura
Tenho febre de tua pele
tua essência
Para bem registrar cada
teu mínimo detalhe
de cor e encantadora beleza,
Precisaria manter a lente
ou os olhos muito abertos
e, então,
infelizmente temo,
tua mágica brancura
o fulgor de teus cabelos
a intensidade de teu olhar
Haveriam de ofuscar quaqluer
representação
E roubar qualquer tentativa
de sorver-se o ar
ou aquietar o peito.
Lua alva que
por mais que abra
a janela não logro
avistar!
Ei de cantar-te sempre
Eterna serás em meu sonhar
És já, novamente,
sonho.
E tão imaterial
e impalpável
Quanto o eras antes
de em teus olhos
respirar
Quero me ver refletida
em tua brancura
Tenho febre de tua pele
dezembro de 2008
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divagações e visões de mundo
Me pergunto o que Sartre pensava daquela famosa frase do Saint-Exupéry...
sábado, janeiro 21, 2012
sexta-feira, janeiro 20, 2012
terça-feira, janeiro 17, 2012
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