quarta-feira, maio 25, 2016

25.05.2016

Quero colocar o amor em uma caixa.
Vou juntar as pontas, dobrar.
Arrumar cada caquinho em seu lugar.

- Não é hora de tentar colar nada.

Mas tampouco poderia jogá-lo fora:
afinal, é amor, ainda!

As peças parecem uma bagunça
    sem conserto
Tudo parece perdido
    para além de qualquer esperança
Mexer, nem pensar:
    as bordas cortam.

E, entretanto, aquela coisinha ali,
    meio perdida e deslocada,
    foi um sorriso.
    Acolá brilha um dia na praia.
    Ainda fumega o sonho do café compartido.
    E o cacto, de espinhos macios, tem raízes próprias.

Como poderia condenar tanta dádiva ao desleixo?

Não posso.
Não quero.

Mas como cuidar do amor
    despedaçado
        dolorido?

Não é lixo.
Nem prisão.

Tampouco esquecimento...

Vou aconchegar meu amor em uma caixa.

Dar-lhe repouso.
Espaço.
Tempo.

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