Quero colocar o amor em uma caixa.
Vou juntar as pontas, dobrar.
Arrumar cada caquinho em seu lugar.
- Não é hora de tentar colar nada.
Mas tampouco poderia jogá-lo fora:
afinal, é amor, ainda!
As peças parecem uma bagunça
sem conserto
Tudo parece perdido
para além de qualquer esperança
Mexer, nem pensar:
as bordas cortam.
E, entretanto, aquela coisinha ali,
meio perdida e deslocada,
foi um sorriso.
Acolá brilha um dia na praia.
Ainda fumega o sonho do café compartido.
E o cacto, de espinhos macios, tem raízes próprias.
Como poderia condenar tanta dádiva ao desleixo?
Não posso.
Não quero.
Mas como cuidar do amor
despedaçado
dolorido?
Não é lixo.
Nem prisão.
Tampouco esquecimento...
Vou aconchegar meu amor em uma caixa.
Dar-lhe repouso.
Espaço.
Tempo.
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