terça-feira, dezembro 20, 2011

Viagem

Faço as malas.

Na bagagem, um tanto de angústia
e apreensão
medo do esquecimento,
boas lembranças

pessoas que ficarão...

domingo, dezembro 18, 2011

A gente vive assim: sempre acabando o que não tem fim
h.g.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Auto-retrato

Você é sempre rápida em apedrejar e lançar à prancha, em aumentar a voz. A maioria tem medo. Você tem sorte de serem poucos os que retribuem na mesma moeda. Pois sabe que a fariam chorar.

Às vezes você anseia por ocasiões assim. Anseia por esta ou aquela circunstância que lhe darão alguns parafusos a mais para o juízo, que lhe farão respeitar mais o que as pessoas sentem. Aconteceram poucas vezes. E a verdade é que até agora você não mudou.
Por que tão agressiva? Por que tão sem medidas para atacar? Quantas vezes será necessário fazer e arrepender-se para que mude, enfim? Será sempre como o viciado, que se excede, bate, maltrata, depois, envergonhado, vem pedir perdão? Ou será capaz de ceder ao bom senso antes de ser necessário desculpar-se...?

Não quero ser assim pra sempre. Quero me compreender, aprender, melhorar... Não sou melhor que os outros, preciso parar de ser arrogante e grossa.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Embaçado

Tenho isso biológica e fisiologicamente, e ontem pela primeira vez me perguntei se essa característica talvez não se extenda também, em alguma medida, a meu comportamento:
sempre que olho de modo muito fixo para algum ponto, minha visão desfoca. Agora, como posso concentrar minha visão em algo, se ao fazê-lo já não consigo ver aquilo com nitidez? Será por isso que tenho tanta dificuldade em me manter concentrada em uma coisa...?

Ou será que estou, mais uma vez, apenas encontrando uma desculpa que me permita ser auto-condescendente?

Seja como for, tenho de aprender a lidar com isso - rapidamente.

Escrever

Sobre laços
espaços
relacionamentos
entrelaçamentos

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Se ela mergulhar no espelho, será em busca de si mesma

Desde cedo, sentindo que algo está diferente internamente. Não sei precisar do que se trata, não parei para olhar com calma pra dentro. Não silenciei para ouvir as inquietações que reviram o peito. Não fechei os olhos para entender se é angústia ou ansiedade ou insegurança ou medo do novo ou saudade do conhecido ou algo que ainda não vi. Não me perguntei se era algo comigo ou com outrem.
Nada fiz. Espiei de rabo de olho enquanto me ocupava com outros assuntos. Se me tivesse olhado nos olhos, talvez tivesse desviado o olhar.

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Se me aquietar, fechar os olhos e escutar, saberei que preciso escrever. Saberei que preciso reencontrar o eixo de estar só comigo mesma, sem interferências externas, sejam quais forem, saberei que ainda preciso me esforçar pra aprender a estar quieta, saberei que apesar de ansiar a tranquilidade, volta e meia busco a inquietação.

Saberei que quero uns dias pra fazer o que der na cabeça, sem compromissos ou prazos externos. Saberei que talvez esteja querendo fugir pra olhar de fora minha trilha, pra ver se consigo entender os caminhos que estou tentando trilhar.

E que essa incapacidade de me centrar, de me focar, de andar em linha reta em direção a um ponto claro quer dizer que...
ainda não sei o que significa.

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Ela se envolveu em tantos projetos distintos e distantes, que agora quer voltar para si e já não sabe o caminho. Ela se trancará em seu quarto sem teto ou paredes, ela buscará um espaço só seu, e se isolará do mundo por uma noite ou uma hora ou uma semana e, sem dormir, consumirá chá, conhaque, café e outras coisas estimulantes que comecem com a letra c. E negará tudo que não seja ela mesma, que não lhe seja familiar.

Buscará conforto em músicas estranhas. Porque músicas estranhas não trazem lembranças, estão imaculadas de qualquer emoção anterior.
Deixará o tempo passar mais uma vez, fugindo do que precisa ser feito, em busca do que não tem nome ou forma ou cheiro ou cor, mas lhe inquieta. Olhando, sem realmente enxergar, a sensação de que algo está errado, fora do lugar, diferente do que lhe faz ou faria bem.

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Fechar os olhos e tatear no escuro os passos que já deu, até encontrar um espaço conhecido, um ponto que faça sentido, um novo lugar por onde começar.

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O que se passa...?
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Onde estou?