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domingo, novembro 15, 2015

Jornada de um escritor sombrio

Eu hoje pedalei
por uma cidade morta.
A lua estava brilhando
lindamente no mar
e uma chuva finíssima
começou a cair, deixando
o mundo todo coberto
por um delicado brilho.

Esta noite pedalei
por uma orla fantasmagórica.
E enquanto o oceano reluzia gentilmente
sob o luar
pensei ter ouvido
um chamado distante
meio carregado
meio disfarçado
pelos sons das ondas
e do vento.

Eu hoje pedalei
por ruas desertas.
E embora eu não pudesse ver
quem estava me chamando
das profundezas
do oceano bravo e sombrio
eu _pude_ ver Seus servos

perambulando
maquinando
saltando
fugindo
escondendo-se
de sombra em sombra
cruzando meus caminhos.

Eles chamam
alimentam-se
obedecem
murmuram
suas insanas preces

Então, desaparecem.

Nada
apenas
ar
a lâmpada quebrada de um poste
uma casa noturna
há muito
abandonada.
Débeis sussuros
- é apenas mar...

Era apenas uma cidade molhada e morta
no meio da noite
(morta, morta, _morta_).

E entretanto
suas ruas vazias
cheias de mistérios
sombras enevoadas
poças
lixo
lama
e luzas abandonadas
eram mais belas
convidativas
e reconfortantes
que qualquer cidade azul de verão
zunindo com seus carros novos de último modelo
abarrotada de belos zumbis
desesperadamente morta
e vazia
por dentro.

(tradução do original em inglês:

A dark writer's ride

I have ridden through
a dead city today.
The moon was shining
beautifully on the sea
and the most thin rain
started to fall, leaving
all the world covered by
a delicate glow.

I rode through
a ghost beach coast tonight.
And while the ocean was gently gleaming
by the moonlight
I thought I could hear
a faint calling
half carried
half disguised
by the surf sounds
and the wind.

I rode through
deserted streets today.
And while I could not have seen
who was calling me
from the depths 
of the dark wild cold sea
could see His servants

wandering
plotting
hopping
fleeing
hiding
from shadow to shadow
crossing my paths.

They call
they feed
they obey
they mutter their
insane prayers

Then, they vanish.
Nothing
but
thin air
a broken street light
a long abandoned
night
club.
Faint rustles
it's just the sea...

It was just a dead wet city
in the middle of the night
(dead, dead, dead).

And yet
its empty streets
filled with mystery
misty shadows
puddles
trash
mud
and forgotten lights
were more beautiful
inviting
and comforting
than any blue summer town's
buzzing with brand new cars
crowded with handsome zombies
hopelessly rotten
and hollow
in the inside. )

segunda-feira, maio 05, 2014

filosofias simples

Pedale até se sentir melhor. Se você ainda não está se sentindo melhor, é porque não pedalou o suficiente.
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Quero morar em um lugar onde possa me deslocar só de bicicleta, se sentir vontade. Sem que isso seja algo extraordinário.
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Não esquecer que pedalar (e mexer o corpo em geral) me faz bem, me ajuda a reconectar com meu centro, a respirar, a só pensar se for necessário, e no que é necessário. E é algo que posso fazer quase sempre. E comigo mesma.
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Não deixar de pedalar...

segunda-feira, março 28, 2011

Saí para pedalar hoje.

Andei em direção à cidade. À noite.

Pedalei pensando nas coisas.
Pedalei até esquecer.

... E caí.

Na hora confusa,
Assustei-me.
Senti medo.

Depois, pensei que aprendi quando e como é possível dar passagem.

E aprendi que consigo levantar.

E segui pedalando.

Então quis casa e cuidado e descanso. Que de ferro não sou.

E me dei conta de que se isto tivesse me acontecido há alguns meses atrás, eu teria ficado em caquinhos. E foi bom perceber que estou mais forte...

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É bastante diferente pedalar pra dentro da cidade. A quantidade de coisas dá a sensação de estar pedalando muito mais, de cobrir distâncias maiores.

E é muito mais fácil pedalar à noite. Sol quente no juízo faz uma diferença danada.