Quero colocar o amor em uma caixa.
Vou juntar as pontas, dobrar.
Arrumar cada caquinho em seu lugar.
- Não é hora de tentar colar nada.
Mas tampouco poderia jogá-lo fora:
afinal, é amor, ainda!
As peças parecem uma bagunça
sem conserto
Tudo parece perdido
para além de qualquer esperança
Mexer, nem pensar:
as bordas cortam.
E, entretanto, aquela coisinha ali,
meio perdida e deslocada,
foi um sorriso.
Acolá brilha um dia na praia.
Ainda fumega o sonho do café compartido.
E o cacto, de espinhos macios, tem raízes próprias.
Como poderia condenar tanta dádiva ao desleixo?
Não posso.
Não quero.
Mas como cuidar do amor
despedaçado
dolorido?
Não é lixo.
Nem prisão.
Tampouco esquecimento...
Vou aconchegar meu amor em uma caixa.
Dar-lhe repouso.
Espaço.
Tempo.
quarta-feira, maio 25, 2016
quinta-feira, maio 19, 2016
Monólogo
Eu errei o ponto
perdi o ponto
recuperei
Eu não sei como fazer
para consertar
alguns
pontos
Sem ter de desfazer tudo...
Eu tenho andado não muito
rápido.
Eu passei por um buraco,
mas não caí.
Eu tomei café.
Eu assisti a um filme
que me fez gargalhar
Eu ouvi uma música
... que me lembrou você.
Duas.
Três.
Eu não comi os doces.
Olhaeuachoqueelesvãoestragar.
Eu não sou
você não é
Eu queria que a gente tivesse
que a gente pudesse
Eu não falei
você não fala
As coisas não ditas vão
se acumulando
como água parada
- vão se embolando feito trem descarrilhado?
Vez em muito me transbordo.
O peito apertadói
aslágrimasnãocabem
O vazio
o silêncio
a falta
apertam no peito
E eu não caibo. Não me encontro.
Não faço parte de nada...
E fico querendo ir embora.
Ir embora.
Estar longe
ocupar-me.
Mudar.
- fingir que não fazes parte porque já não são os mesmos lugares, os mesmos espaços?
O peito se enche.
Esvazia.
Lentamente.
Só eu escuto...
perdi o ponto
recuperei
Eu não sei como fazer
para consertar
alguns
pontos
Sem ter de desfazer tudo...
Eu tenho andado não muito
rápido.
Eu passei por um buraco,
mas não caí.
Eu tomei café.
Eu assisti a um filme
que me fez gargalhar
Eu ouvi uma música
... que me lembrou você.
Duas.
Três.
Eu não comi os doces.
Olhaeuachoqueelesvãoestragar.
Eu não sou
você não é
Eu queria que a gente tivesse
que a gente pudesse
Eu não falei
você não fala
As coisas não ditas vão
se acumulando
como água parada
- vão se embolando feito trem descarrilhado?
Vez em muito me transbordo.
O peito apertadói
aslágrimasnãocabem
O vazio
o silêncio
a falta
apertam no peito
E eu não caibo. Não me encontro.
Não faço parte de nada...
E fico querendo ir embora.
Ir embora.
Estar longe
ocupar-me.
Mudar.
- fingir que não fazes parte porque já não são os mesmos lugares, os mesmos espaços?
O peito se enche.
Esvazia.
Lentamente.
Só eu escuto...
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