segunda-feira, março 26, 2007
domingo, março 25, 2007
Quando eu era mais nova eu queria que alguém me chamasse de lagartixa e me jogasse na parede...
Hoje eu estava pensando sobre coisas de que sinto falta, ou melhor, sobre como eu gostaria de ser "vista", gostada, e lembrei de como eu resumia essas coisas com aquela frase que fala "ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de lagartixa e me joga na parede".
Hoje talvez eu tenha as coisas um pouco mais claras... Ou, talvez, apenas não tão resumidas...
Encontrei alguns poemas (alguns são músicas) que trazem isso, que trazem o encantamento que desejo, e que não sei se saberia levar adiante ou retribuir (egoísta, eu? Por que você acha isso??).
She
She
May be the face I can't forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay.
She may be the song that summer sings.
May be the chill that autumn brings.
May be a hundred different things
Within the measure of a day.
She
May be the beauty or the beast.
May be the famine or the feast.
May turn each day into a heaven or a hell.
She may be the mirror of my dreams.
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell
She who always seems so happy in a crowd.
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry.
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past.
That I'll remember till the day I die
She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, she, she
Charles Aznavour & Herbert Kretzmer
Soneto XVII
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Pablo Neruda
Que Maravilha
Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor
Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor
Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor
Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor
Por intrebancários, automóveis, ruas e avenidas
Milhões de buzinas tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco, meiga, linda, pura e muito tímida
Com a chuva molhando o seu corpo
Que eu vou abraçar
E a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva
A girar
A girar
A girar
Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor
Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor
Por intrebancários, automóveis, ruas e avenidas
Milhões de buzinas tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco, meiga, linda, pura e muito tímida
Com a chuva molhando o seu corpo
Que eu vou abraçar
E a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva
A girar
Que maravilha
Que maravilha
Que maravilha
Jorge Ben & Toquinho
Minha Namorada
Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de que
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você
Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida ‚ nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois
A Rosa
Tu és, divina e graciosa estátua majestosa
do amor, por Deus esculturada
e formada com o ardor,
da alma da mais linda flor, de mais ativo olor
e que na vida é a preferida pelo beija-flor.
Se Deus lhe fora tão clemente aqui neste oriente de luz
formada numa tela deslumbrante e bela,
teu coração, junto ao meu lanceado
pregado e crucificado sobre a rosa cruz do arfante peito teu
Tu és a forma ideal, estátua magistral
oh alma perenal, do meu primeiro amor, sublime amor.
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação de todo o coração
cintilas um amor
o riso, a fé, a dor em sândalos olentes cheios de sabor
em vozes tão dolentes quanto um sonho em flor
És láctea estrela, és mãe da realeza
és tudo enfim que tem de belo,
todo o resplendor da santa natureza
Perdão se ouso confessar-te, eu hei de sempre amar-te
Oh flor! Meu peito não resiste,
Ah, meu Deus o quanto é triste,
a incerteza de um amor que mais me faz penar
em esperar em conduzir-te um dia aos pés do altar
Jurar, aos pés do onipotente
em versos comoventes de luz,
e receber a unção da tua gratidão,
depois de remir, teus desejos
em nuvens de beijos hei de envolver-te
até o meu padecer, de todo fenecer.
Talvez a que mais traduza o que desejo neste momento seja "She"... Não obstante, realmente não saberia dizer se eu estaria disponível para este tipo de amor.
E, então, me pergunto - eu realmente quero isso ou é só um capricho?
sábado, março 24, 2007
Sábado de Manhã
Remorso
Ressaca
Não bebi ontem
Não saí ontem
Não fui dormir especialmente tarde
Não acordei especialmente cedo
E, ainda assim.
Depois que se sabe que se pode ser mais objetivo, que se pode dar e receber mais da vida, passar um dia em que se faz mais coisas sem importância do que importantes pode ter esse resultado...
Será isso??
/*passaram-se dez dias desde a última postagem... parece tanto tempo... o que são dez dias? quanto são dez dias?? */
quarta-feira, março 14, 2007
Feliz Dia da Poesia
Não que tenha necessariamente a ver, mas... Outro dia assisti Clerks II, há uma cena em que os dois protagonistas estão andando de kart, e a música de fundo me agradou tanto que saí para comprar pão e me peguei cantarolando a danada. Como se não bastasse, uma pessoa muito querida, que estava comigo na hora, começou a acompanhar, e eu achei muito gostosinho, e hoje decidi buscar a música.
Deu algum trabalho, já que eu não sabia nada da letra, nem tinha pego o nome nos créditos. Mas nada que o Google não ajude a resolver, e só tive de escutar o início das faixas anteriores do cd com a trilha sonora do filme, até encontrar a que queria. Depois, foi pedir ajuda a sites de letras e ao bom e velho radio uol, tão requisitado por minha mãe e por outro grande amigo meu.
O resultado é este post aqui. Enfim, a letra nem combina tanto assim comigo, ou talvez tenha uma mensagem que eu deva aprender. O importante, mesmo, é a melodia, no caso. *sorriso*
Raindrops keep fallin' on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'
So I just did me some talkin' to the sun
And I said I didn't like the way he got things done
Sleepin' on the job
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'
But there's one thing I know
The blues they send to meet me won't defeat me
It won't be long till happiness steps up to greet me
Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me
'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me
[trumpet]
It won't be long till happiness steps up to greet me
Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me
'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me
Letra retirada de: http://www.stlyrics.com/lyrics/forrestgump/raindropskeepfallingonmyhead.htm
Link para a música buscado no código fonte de: http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?ref=Musica&busca=Raindrops+Keep+Falling+on+My+Head¶m1=homebusca&q=Raindrops+Keep+Falling+on+My+Head&check=musica (terceiro link)
Desnecessário dizer que fiz o post ouvindo a dita cuja...
Bom dia, mundo!!!!!
terça-feira, março 13, 2007
solidão e saudade
pega sua bolsa portuguesa, coloca coisas importantes nela -
a carteira de cigarros, uma cerveja -
e sai
a menina espevitada vai para a praça perto de sua casa, um semi-refúgio para onde vai quando quer se incensar e pensar um pouco
no meio do caminho, ela abre a cerveja com ajuda da bolsa.
dá dois "boa-noite!" durante o percurso, mas não presta atenção no caminho.
bebe; senta-se; acende o cigarro.
lembra-se.
e se sente só. bebe com o amigo menino português... só agora a menina espevitada percebe que resolveu trazer justo a bolsa portuguesa para lhe fazer companhia.
ela bebe com o amigo que está longe. lembra que aprendeu, finalmente, a beber vodka pura. lembra do amigo português. lembra da menina mimimi que está sumida.
(enquanto escreve, a menina espevitada conversa. e percebe que o álcool tem a capacidade de derreter lágrimas que endurecem o coração)
a menina espevitada sente falta de falar com alguém, talvez para não perceber que não pode partilhar aquele momento com quem gostaria. tenta a menina sumida - e ela não atende. o menino rabugento responde, eles conversam um pouco. às vezes, o menino rabugento é um doce.
mas é pouco, e a menina espevitada termina sua cerveja e seu segundo cigarro só, protegida da chuva pela interseção das copas de uma árvore qualquer e de algo que parece um coqueiro. a menina saudade pensa mais um pouco e volta...
na volta, ela percebe mais o caminho. de fato, ela olha para ele. não está tão firme quanto na ida - ela, não o caminho - mas... está lá.
a menina espevitada se despede do menino que está longe... eles se despedem com saudade e carinho... e com algum choro, mas um choro mais maduro.
a menina espevitada se despede, mas mais madura...
o menino que está longe
A menina espevitada se sente tentada a chorar...
Há seis meses seu melhor amigo sem noção boçal metrossexual foi para muito, muito longe. Desde então, eles se falam muito esporádicaeventualmente. Da última vez, foram longos trinta e tantos dias. Sem ouvir voz ou ler novas frases.
De saudade apertar e recorrer a velhas fotos, a renovadas vontades de escrever, de derramar grossas ou leves gotas de "sinto uma falta absurda dessa pessoa que estava tão perto de mim"...
A menina espevitada não chora por esse amigo. A menina espevitada tem chorado pouco...
Talvez, se ela lembrar quanto conversavam, quanto calavam, quanto riam... Lembrar-se de noites em que o menino de óculos escuros e ela estavam já mortos de sono, e sem querer pensavam ou viam algo que era interessante, e lá se ia mais uma hora de conversa, de discussões acirradas, e, quase milagre, de uma pessoa entender o ponto de vista da outra. Sim, é um milagre pensar que duas coisinhas intransigentes e orgulhosas sejam capazes de ceder; no entanto, eventualmente, talvez pelo prazer de continuar a conversar, a menina espevitada e o menino... o menino que por não gostar de rótulos poderia recebê-los vários, eles cedem, e se ouvem.
Talvez se lembrar do tempo que conhece este garoto, das coisas que passaram juntos, de como eles foram se tornando mais próximos... Lembrar de um tempo em que ela era mais rebelde que interessante - quem sabe? Lembrar de um tempo em que ele era mais nerd do que farrista. Lembrar de caminhadas de tarde inteira por qualquer lugar, para alimentar o quê - a vontade de conversar sobre tudo, e sobretudo a vontade que tinham de estar juntos... O menino de óculos escuros, a menina espevitada, e o então melhor amigo deles, o menino realmente sem noção. Porque, sim, a menina espevitada se lembra agora, o menino de óculos escuros é um anjo, além da criatura mais doce do mundo, perto do menino realmente sem noção.
A menina espevitada tem mais lembranças do que momentos destes três, agora... E uma das forças que a levam adiante é reencontrar o menino que usava óculos escuros de noite e usava preto embaixo do maior sol e que era uma pedra de gelo e chorava feito criança, e se tornou seu melhor amigo apesar de qualquer coisa diferente que um pensasse do outro.
A menina espevitada não está apaixonada pelo menino português. A menina espevitada não está idealizando o menino português.
Com muita clareza, a menina espevitada ama esse ser que saiu de perto dela mais menino, e que aos trancos, barrancos, solidões e porradas deve estar se tornando um homem. E hoje, sempre que pode, ela diz isso para quem estiver por perto para ouvir.
O rosto da menina espevitada está marcado por gotinhas de saudade. O menino de óculos escuros está virtualmente perto, neste exato momento. Mas o menino que gosta de ser gostado e de fazer rir está precisando de atenção, e então ela os deixou a sós...
Estica-se o lábio inferior da menina que também é introspectiva e quieta - e agora um beicinho triste mora em seu rosto, para combinar com os caminhos molhados de saudade e saudosismo.
A menina espevitada se imagina abraçando o menino que está longe. Ela sente...
Saudades.
E deseja que seus caminhos, muito em breve, se cruzem mais.
Meninos e meninas vêm e vão em nossas vidas. Na vida da menina quieta que veste máscara de caminhos de lágrimas e beicinho, isto não é diferente.
A menina espevitada chora e roga que este menino permaneça. Que, afinal, sempre se pode ir por aí juntos!!
segunda-feira, março 12, 2007
menina espevitada e menina graciosa
... e conheceu uma linda menina de lindas bochechas e movimentos graciosos. E frente à tanta gentileza e sorridência, a menina espevitada ficou um tanto sem jeito - como conseguir fazer graça para alguém já cheio de graça, de per si?
A menina espevitada pensou em pedir ajuda a seu amigo que era muito amigo, mas que era também muito fechado. Mas o amigo muito fechado achava, como a menina espevitada, que algumas coisas nós devemos ser capazes de resolver sozinhos. E a menina espevitada se encolheu e pensou que talvez fosse melhor deixar pra lá.
Um dia, conversando com o menino rabugento, a menina espevitada tomou um pouco de coragem, e pediu a opinião do menino mais sem jeito que rabugento, que pra algumas coisas não tinha nada de sem jeito - apesar de continuar sendo meio rabugento! E, para sorte dela, o menino rabugento pôde ajudá-la... Apenas um pouco, o suficiente para que a menina que não era sempre espevitada conseguisse uma porta para alcançar a menina simpatia.
Meio sem jeito, as duas conversaram, uma sem saber o que dizer, a outra sem saber o que esperar. O menino rabugento volta e meia tentava ajudar, mas a menina espevitada parava e acabava pensando que, afinal, ou ela faria as coisas do jeito dela ou não seria capaz de fazer nada...
Mais uma vez a menina espevitada catou um pouco de coragem e fez as coisas como acreditava que poderiam ser. Entre tímida, direta e atrapalhada, falou e falou. E, para sua sorte e surpresa, as bochechas formaram sorrisos, que abriram as portas para encontrar a menina graciosa.
As duas se encontraram meio sem jeito, meio assim - o que será que essa menina deseja realmente? E, como já havia sido decidido, as duas foram assistir a um filme. Um filme com ar de conto de fadas e de super herói, e com uma poesia no mínimo gostosa. E, depois que as duas meninas já haviam se encontrado, foi a vez das mãos das meninas se encontrarem, e eram macias e cúmplices, de início mais tímidas, aos poucos, decididas, respondendo às perguntas que suas donas haviam preferido não fazer... e o que as mãos diziam era que...
Sim, as bocas podiam e deviam se encontrar, e cada mão contou isso à boca da outra menina, com suaves beijos desses que a boca dá quando deseja encontrar outra boca. E em algum momento de menos poesia no filme e mais poesia entre elas, duas bocas macias se tocaram... não houve espanto, mas um encontro calmo e suave, de quem sabia o que estava fazendo, de quem sabia o que queria fazer...
As duas maciezas se riram e se experimentaram, mas naquele dia a menina espevitada teve de sair mais depressa do que gostaria, e então ela foi embora, levando o sorriso da criança que conquista um tesouro escondido, e a água na boca de quem gostaria de um pouco mais.
Meninas e passarinhos são seres que devem ser tratados com muita liberdade, se você deseja ter a chance de estar em sua leve presença novamente - a menina espevitada segurou seus arroubos, e para seu sorriso as bochechas cheias de graça, sua vez, chamaram-na para um encontro.
Dessa vez as duas já se conheciam um pouco mais, e entendiam um pouco o que a outra desejava e gostaria. Mas nesse lugar em que as meninas viviam, meninas muito passarinho e muito espevitadas e muito cheias de graça e que, ainda por cima, possuem bocas que gostam de se encontrar, chamam muita atenção, e então seus momentos foram novamente rápidos, semi-furtivos...
Foi um encontro mais de amigos e conversas, e também de azeite, queijos, tomates, sucos de laranja. Foi um bom encontro, e afinal, é difícil juntar tantas coisas boas e disto sair um resultado sem graça.
Mas passarinhos voam por muitos caminhos, e as duas meninas, hoje, encontram-se apenas de passagem, por rotas distintas - ainda sorrisos, outras paragens... Quem sabe?