While you sit there, with your
comfortable lives,
thinking and writing
and dreaming
of holocausts and catastrophes
and nightmares
"The end of the world"
is nigh
it's right around the corner.
It's right in front of our doors.
It ain't tomorrow
for that dead black boy.
Murdered because of his colour
blamed for being poor.
Flee for your lives?
What about running for food
queueing up for health
praying for dignity.
You eat your cookies
and drink your tea
and wonder
how having nothing
and fighting for sanity
might look or feel like
in a distant future
after this good, smart humanity
has finally failed.
Well, it's already on the news
maybe a bit distant from you
the kids are already dying
and there are monsters hunting people
on the streets, already
and for many tomorrow's distant
as wonderland
and churches are teeming
with screams for salvation.
The end is nigh
it's here, day and night.
Go on and write a story,
if you might.
Mostrando postagens com marcador rascunhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rascunhos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, outubro 13, 2017
Apocalypse
Marcadores:
angústia,
contos,
cotidiano,
inacabados,
poemas,
pulgas filosóficas,
rascunhos
quinta-feira, maio 25, 2017
Contas
As contas dos colares nativos, de tão lindas cores,
eram de plástico.
Em outro canto, na parca refeição,
salgadinhos e refrigerantes.
Nos shoppings, quase nada é ouro,
mas há muito espelho. E brilho.
Passaram-se 500, 600, sabe-se lá quantos anos
E continuam a tentar nos seduzir
com quinquilharias
mixarias
engodos
ilusões
tóxicas
vazias
Os plásticos a se acumular
nas praias
nos papos
nas prateleiras de supermercados;
a praticidade vendida ao preço (e às custas)
da existência em si
As drogas [ou o álcool - outra droga] a salvar da terra quem não é considerado merecedor nem de ser digno do céu de todos. As drogas cujos caminhos são abertos pelos mesmos que perseguem e matam quem usa as drogas. As drogas que fazem com que as pessoas, uma vez mais, sejam a barata mercadoria. Para ser usada pelo sistema de reproduzir armadilhas que prendem pessoas.
Tiram as terras, as sementes, as feiras.
E nos dão
fast food.
concreto.
supermercados.
Comidas desfiguradas a se fingir de alimento.
Outras drogas a tentar nosso discernimento.
Nos oferecem:
sabores?
tempo?
O que nos roubam?
Saber?
Envolvimento?
Chegaram em nossas casas e com seus melhores sorrisos disseram que traziam do bom e do melhor para nós, porque éramos "especiais", e merecíamos.
[nas entrelinhas, sussurram: f.e.l.i.c.i.d.a.d.e. assim, parcelável]
As armadilhas e ilusões não mudaram tanto assim. Tampouco as lutas. Muitos não engoliram as mentiras. Também hoje muitos as recusam.
Não fomos nem somos assim tão ingênuos, defendem, registram.
É verdade.
Mas como gritar mais alto que a cacofonia de cores, sabores, aromas, visões baratas?
Como bichos de oceano e costa, sinto-nos como a nos engasgar
em nosso
maravilhoso
e prático
mar
de plástico.
Da cabeça aos pés, dentro-fora, entulhos antinaturais engolimos, vestimos, portamos.
Sinto-nos sendo levados por palavras tão verdadeiras quanto os produtos processados
reconstituídos
idênticos ao natural
aroma e corante
tudo artificial
- inclusive na saciedade -
palavras com o toque certo
de sal e açúcar
e o melhor aroma
para nos convencer de que todas e tantas porcarias
são tudo
de que sempre precisamos...
Dão-nos de comer, de vestir. De sentir. De sorrir.
Nos adoecem. Nos aprisionam.
A colonização
é com correntes de plástico coloridas artificialmente. E ainda pagamos por elas,
para não ficar fora da moda
da alta sociedade vigente.
eram de plástico.
Em outro canto, na parca refeição,
salgadinhos e refrigerantes.
Nos shoppings, quase nada é ouro,
mas há muito espelho. E brilho.
Passaram-se 500, 600, sabe-se lá quantos anos
E continuam a tentar nos seduzir
com quinquilharias
mixarias
engodos
ilusões
tóxicas
vazias
Os plásticos a se acumular
nas praias
nos papos
nas prateleiras de supermercados;
a praticidade vendida ao preço (e às custas)
da existência em si
As drogas [ou o álcool - outra droga] a salvar da terra quem não é considerado merecedor nem de ser digno do céu de todos. As drogas cujos caminhos são abertos pelos mesmos que perseguem e matam quem usa as drogas. As drogas que fazem com que as pessoas, uma vez mais, sejam a barata mercadoria. Para ser usada pelo sistema de reproduzir armadilhas que prendem pessoas.
Tiram as terras, as sementes, as feiras.
E nos dão
fast food.
concreto.
supermercados.
Comidas desfiguradas a se fingir de alimento.
Outras drogas a tentar nosso discernimento.
Nos oferecem:
sabores?
tempo?
O que nos roubam?
Saber?
Envolvimento?
Chegaram em nossas casas e com seus melhores sorrisos disseram que traziam do bom e do melhor para nós, porque éramos "especiais", e merecíamos.
[nas entrelinhas, sussurram: f.e.l.i.c.i.d.a.d.e. assim, parcelável]
As armadilhas e ilusões não mudaram tanto assim. Tampouco as lutas. Muitos não engoliram as mentiras. Também hoje muitos as recusam.
Não fomos nem somos assim tão ingênuos, defendem, registram.
É verdade.
Mas como gritar mais alto que a cacofonia de cores, sabores, aromas, visões baratas?
Como bichos de oceano e costa, sinto-nos como a nos engasgar
em nosso
maravilhoso
e prático
mar
de plástico.
Da cabeça aos pés, dentro-fora, entulhos antinaturais engolimos, vestimos, portamos.
Sinto-nos sendo levados por palavras tão verdadeiras quanto os produtos processados
reconstituídos
idênticos ao natural
aroma e corante
tudo artificial
- inclusive na saciedade -
palavras com o toque certo
de sal e açúcar
e o melhor aroma
para nos convencer de que todas e tantas porcarias
são tudo
de que sempre precisamos...
Dão-nos de comer, de vestir. De sentir. De sorrir.
Nos adoecem. Nos aprisionam.
é com correntes de plástico coloridas artificialmente. E ainda pagamos por elas,
para não ficar fora da moda
da alta sociedade vigente.
Marcadores:
angústia,
autorretrato,
cotidiano,
poemas,
pulga filosófica,
rascunhos
quarta-feira, outubro 19, 2016
Não nasci para palcos - 22.10.2015
Não, não nasci para palcos.
Chamar, assim
toda a atenção para mim,
e, então,
despir as máscaras,
dissecar o coração
à vista de todos.
- Não.
Não nasci para palcos.
Sou dos bastidores.
Salas escuras,
à meia luz.
Enfumaçadas.
Aí, sim,
posso abrir o peito
dar os pormenores da alma.
Descrever nojo, dor, gozo.
Autobiográficos,
sinestésicos,
palpáveis.
Vividamente.
Falar mais do que desejam
ouvir.
Abrir-me toda.
Ou então:
no tête-a-tête,
você e eu.
Você:
meu melhor amigo,
um atendente de bar,
um completo desconhecido.
Posso abraçar você.
Rir.
Chorar.
Lágrimas sinceras.
No contato,
na distância
que alcançam as mãos:
ali estarei eu.
Expondo as vísceras
a quem ousar aproximar-se.
ser tocado.
Não o holofote,
eu, ali, prato principal de banquete.
Palco, não: comunhão.
Chamar, assim
toda a atenção para mim,
e, então,
despir as máscaras,
dissecar o coração
à vista de todos.
- Não.
Não nasci para palcos.
Sou dos bastidores.
Salas escuras,
à meia luz.
Enfumaçadas.
Aí, sim,
posso abrir o peito
dar os pormenores da alma.
Descrever nojo, dor, gozo.
Autobiográficos,
sinestésicos,
palpáveis.
Vividamente.
Falar mais do que desejam
ouvir.
Abrir-me toda.
Ou então:
no tête-a-tête,
você e eu.
Você:
meu melhor amigo,
um atendente de bar,
um completo desconhecido.
Posso abraçar você.
Rir.
Chorar.
Lágrimas sinceras.
No contato,
na distância
que alcançam as mãos:
ali estarei eu.
Expondo as vísceras
a quem ousar aproximar-se.
ser tocado.
Não o holofote,
eu, ali, prato principal de banquete.
Palco, não: comunhão.
Marcadores:
autorretrato,
poemas,
pulga filosófica,
rascunhos,
that's me
quarta-feira, outubro 12, 2016
"Quem é que vive de poesia?"
Eu mesma me censuro.
Quem é esse nobre animal
chamado poeta?
Quem faz um programa da discovery,
um globo repórter que seja,
a falar destas criaturas míticas
que teimam
em olhar pro mundo
e ver versos
onde outros veem
linhas, fórmulas
física, cifras,
entulho?
Quem vive de letras,
sem ser legislador
ou juiz?
Poema pra mim:
sonho, devaneio,
utopia.
O que come o poeta?
Quanto ganha?
De exemplos que vejo,
todo poeta faz corre
- poesia é bico.
Mas vai lá questionar o poeta.
Ele retruca.
Provoca:
E quem é que escapa da poesia?
quem é que vive sem ela?
Quem é esse nobre animal
chamado poeta?
Quem faz um programa da discovery,
um globo repórter que seja,
a falar destas criaturas míticas
que teimam
em olhar pro mundo
e ver versos
onde outros veem
linhas, fórmulas
física, cifras,
entulho?
Quem vive de letras,
sem ser legislador
ou juiz?
Poema pra mim:
sonho, devaneio,
utopia.
O que come o poeta?
Quanto ganha?
De exemplos que vejo,
todo poeta faz corre
- poesia é bico.
Mas vai lá questionar o poeta.
Ele retruca.
Provoca:
E quem é que escapa da poesia?
quem é que vive sem ela?
Marcadores:
autorretrato,
make good art,
poemas,
pulga filosófica,
rascunhos,
that's me
segunda-feira, junho 06, 2016
Rotina / Cotidiano
Seu despertador toca, você se espreguiça, toma café da manhã.
Uma mulher é estuprada.
Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.
Outra mulher é estuprada.
Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.
Uma adolescente é estuprada.
Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.
Mais uma mulher é estuprada.
Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.
Outra. Mulher. Estuprada.
vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.
gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.
Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.
O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...
Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.
O terror, para outra mulher, continua...
Uma mulher é estuprada.
Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.
Outra mulher é estuprada.
Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.
Uma adolescente é estuprada.
Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.
Mais uma mulher é estuprada.
Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.
Outra. Mulher. Estuprada.
vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.
gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.
Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.
O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...
Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.
O terror, para outra mulher, continua...
-------------------------------------------------------------
Em janeiro deste ano, li uma estatística que dizia que, no Brasil, a cada três horas, uma mulher é estuprada. Sente?
terça-feira, março 22, 2016
esperança...
A esperança é uma substância viscosa como o melaço - mesmo
quando você vira o pote e quer que ela escorra toda fora, ela se
arrasta, passa devagar pelo peito, pela pele, deixa um rastro de
esperança pelo corpo todo, até finalmente sair de você.
Quando acaba de escorrer, ainda é preciso limpar o caminho que ela fez quando ia embora - ou toda série de coisas podem se grudar ali..
Quando acaba de escorrer, ainda é preciso limpar o caminho que ela fez quando ia embora - ou toda série de coisas podem se grudar ali..
Marcadores:
angústia,
autorretrato,
crônicas de meninos e meninas,
devaneios,
inacabados,
rascunhos
terça-feira, novembro 24, 2015
terça-feira, agosto 04, 2015
inconvenientes
Salvador são finas paredes escondendo amontoados de expropriados... É como varrer a poeira para baixo do tapete, ou para o lado de fora da casa, e de repente olhar pela janela e perceber que se está completamente cercado pelo problema que se queria evitar.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
Marcadores:
angústia,
cotidiano,
crônicas de seres e cidades,
fragmentos,
inacabados,
make good art,
por aí,
povs,
pulga filosófica,
rascunhos
segunda-feira, julho 13, 2015
03.07.2015
Pobre
carente
Marcadores:
angústia,
cotidiano,
poemas,
pulga filosófica,
rascunhos
terça-feira, maio 05, 2015
Um café bom por dia
Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
copo plástico
luz fluorescente
ar condicionado
emails
pendências
café frio
reuniões
almoço
café adoçado
notícias
conversas
letras no monitor
café velho
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
copo plástico
luz fluorescente
ar condicionado
emails
pendências
café frio
reuniões
almoço
café adoçado
notícias
conversas
letras no monitor
café velho
escorre
acaba
o dia.
Na pia
a xícara limpa
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...
Marcadores:
cotidiano,
poemas,
pulga filosófica,
rascunhos
segunda-feira, dezembro 15, 2014
associações e misturas
ânsia por espalhar-se
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...
sexta-feira, abril 25, 2014
quinta-feira, fevereiro 27, 2014
qq coincidência com a realidade é mera semelhança
mundo distópico onde a indústria farmacêutica e a alimentícia estão alinhadas, e uma ampara a outra para minar o sistema imunológico das pessoas, para que fiquem mais sensíveis a doenças e, assim, consumam mais medicamentos que as tornam mais controláveis, sem desconfiarem de nada
Marcadores:
crônicas de seres e cidades,
devaneios,
fragmentos,
histórinhas,
inacabados,
pulga filosófica,
rascunhos
sexta-feira, dezembro 13, 2013
divagações
Acho que, diferente do que se diz, a gente não envelhece aos poucos. Acho que envelhecemos aos tropeções, de sopetão. O primeiro porre, o primeiro semestre de faculdade, a primeira vez que o amor acaba ou que magoamos profundamente alguém que amamos, a primeira noite em claro no hospital, no velório. De repente, no meio da confusão, olhamo-nos no espelho, ou reparamos nossas mãos, e uma parte do viço que sempre esteve ali se perdeu, não existe mais.
sábado, setembro 28, 2013
27.09.2013
"Acorde-me quando setembro acabar", eles cantaram. E tantos repetiram, que de repente até eu estava a fazer coro, contando os dias, contando os dedos que restavam, após cada tempestade.
Entretanto, e eventualmente, cá está para chegar outubro. E o que mudará, de fato? Alguns perdidos serão reencontrados, talvez alguns laços sejam refeitos. Mas os que se foram não retornarão, e os novos jamais tomam, de fato, por mais charme ou aconchegos que façam, o lugar dos que não mais estão...
(...)
Escrevo. E depois penso - você não devia ser tão afoita em sair por aí a falar do que ainda não acabou de fato, ou a desdizer do que sequer começou por direito... Setembro já nos ensinou que é possível cair muitas quedas...
Entretanto, e eventualmente, cá está para chegar outubro. E o que mudará, de fato? Alguns perdidos serão reencontrados, talvez alguns laços sejam refeitos. Mas os que se foram não retornarão, e os novos jamais tomam, de fato, por mais charme ou aconchegos que façam, o lugar dos que não mais estão...
(...)
Escrevo. E depois penso - você não devia ser tão afoita em sair por aí a falar do que ainda não acabou de fato, ou a desdizer do que sequer começou por direito... Setembro já nos ensinou que é possível cair muitas quedas...
Marcadores:
devaneios,
pulga filosófica,
rascunhos
segunda-feira, setembro 16, 2013
10.09.2013
Estava aqui 'inda ontem
abrindo caminho na cama
com suas grandes patas de coelho
Ou sobre a cômoda,
enroscado, rei das roupas
por arrumar.
Sentava-se em minha cadeira
à hora do almoço,
para garantir seu lugar.
Gostava de carinho de pés molhados
após o banho.
De falar e falar.
Não me deixava perder
horários.
Era rosa desbotado
ou salmão.
Enormes pupilas dilatadas
em olhos redondos e amarelos,
dourados,
para caçar barbante.
Escalando pernas e cadeiras
para pedir carinho.
Falava comigo quando
o chamava,
e vinha correndo,
pulando, miando.
Por que tão curto
e unidirecional
o tempo?
Não pude protegê-lo,
colocá-lo no colo,
deixá-lo acionar
seu ronronar de motor.
Não afofam mais
as macias patas
não mais subirá
em minha barriga
ou costas - massagem felina
Não mais seus miados
de abrir porta
ou dar atenção.
(...)
11.09.2013
Eu não consigo reter uma imagem, algo que possa ficar.
Ele é um miado em minha cabeça, soando pela casa.
É um rolinho amarelo desbotado em cima de um monte de roupas.
Um pelo macio. Macio. Macio. Sempre. Quentinho.
Suas patas de coelho e imensos olhos redondos. Amarelos. Pupilas dilatadas para caçar. Ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele uma sequência de d's e alegrias e uma dor que é uma porrada súbita.
E não importa tudo que escreva ou chore ou lembre ou desenhe: nada fará ele voltar.
Sem subir por minhas pernas ou afofar minha barriga.
O abraço tardio não o reteve. Não o protegeu.
Me dá teu colo para eu me enroscar e dormir?
abrindo caminho na cama
com suas grandes patas de coelho
Ou sobre a cômoda,
enroscado, rei das roupas
por arrumar.
Sentava-se em minha cadeira
à hora do almoço,
para garantir seu lugar.
Gostava de carinho de pés molhados
após o banho.
De falar e falar.
Não me deixava perder
horários.
Era rosa desbotado
ou salmão.
Enormes pupilas dilatadas
em olhos redondos e amarelos,
dourados,
para caçar barbante.
Escalando pernas e cadeiras
para pedir carinho.
Falava comigo quando
o chamava,
e vinha correndo,
pulando, miando.
Por que tão curto
e unidirecional
o tempo?
Não pude protegê-lo,
colocá-lo no colo,
deixá-lo acionar
seu ronronar de motor.
Não afofam mais
as macias patas
não mais subirá
em minha barriga
ou costas - massagem felina
Não mais seus miados
de abrir porta
ou dar atenção.
(...)
11.09.2013
Eu não consigo reter uma imagem, algo que possa ficar.
Ele é um miado em minha cabeça, soando pela casa.
É um rolinho amarelo desbotado em cima de um monte de roupas.
Um pelo macio. Macio. Macio. Sempre. Quentinho.
Suas patas de coelho e imensos olhos redondos. Amarelos. Pupilas dilatadas para caçar. Ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele uma sequência de d's e alegrias e uma dor que é uma porrada súbita.
E não importa tudo que escreva ou chore ou lembre ou desenhe: nada fará ele voltar.
Sem subir por minhas pernas ou afofar minha barriga.
O abraço tardio não o reteve. Não o protegeu.
Me dá teu colo para eu me enroscar e dormir?
Marcadores:
fragmentos,
ilustres companhias,
inacabados,
rascunhos
terça-feira, agosto 27, 2013
self portrait. contemplation. - 1
There are no mysteries,
there's nothing new, either.
I'm the same person.
The same old shell:
sometimes opened, sometimes tightly closed.
Rarely empty.
Except for these tears that roll
only when they want
and become small spots of pain
and grayness inside.
I'll cry not.
Not now.
I'd rather write
or yell
or fight
or run
'till I'm breathless
speechless.
Letting everything
(watching everything)
come.
Letting everything
(watching everything)
go.
Waiting until I'm ready.
'Till they are ready.
Then they're like a storm,
a waterfall, washing over me
flooding me.
Cry me a river, they say.
I could cry several.
But I can't ever really reinvent myself.
Only some lines, maybe.
Hardly full of mysteries.
Never completely new.
there's nothing new, either.
I'm the same person.
The same old shell:
sometimes opened, sometimes tightly closed.
Rarely empty.
Except for these tears that roll
only when they want
and become small spots of pain
and grayness inside.
I'll cry not.
Not now.
I'd rather write
or yell
or fight
or run
'till I'm breathless
speechless.
Letting everything
(watching everything)
come.
Letting everything
(watching everything)
go.
Waiting until I'm ready.
'Till they are ready.
Then they're like a storm,
a waterfall, washing over me
flooding me.
Cry me a river, they say.
I could cry several.
But I can't ever really reinvent myself.
Only some lines, maybe.
Hardly full of mysteries.
Never completely new.
sexta-feira, junho 14, 2013
...
um dos grandes méritos dessa nossa merda de democracia
ou de nossa democracia de merda
é que o mundo não para de girar enquanto coisas surreais estão acontecendo
não para de girar pra irmos ou acompanharmos manifestações
não para de girar quando os países da África são soterrados de lixo tecnológico
não para de girar quando 1 bilhão de pessoas sente fome, todos os dias
dia após dia
ele continua girando
e a gente tem que ficar girando com ele
mantendo a porra da máquina girando
oxalá todos parássemos, um dia
uma, duas, trinta vezes
pelas balas, pelas bombas, pelos cacetetes, pelos semáforos com crianças nas ruas, pelos estupros, pela fome, pela obesidade, pelo photoshop, pelas propagandas de carro, futebol e cerveja
saco.
Marcadores:
angústia,
pulga filosóficas,
rascunhos
Assinar:
Postagens (Atom)