Mostrando postagens com marcador rascunhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rascunhos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, outubro 13, 2017

Apocalypse

While you sit there, with your
comfortable lives,
thinking and writing
and dreaming
of holocausts and catastrophes
and nightmares
"The end of the world"
is nigh
it's right around the corner.
It's right in front of our doors.

It ain't tomorrow
for that dead black boy.
Murdered because of his colour
blamed for being poor.

Flee for your lives?
What about running for food
queueing up for health
praying for dignity.

You eat your cookies
and drink your tea
and wonder
how having nothing
and fighting for sanity
might look or feel like
in a distant future
after this good, smart humanity
has finally failed.

Well, it's already on the news
maybe a bit distant from you
the kids are already dying
and there are monsters hunting people
on the streets, already
and for many tomorrow's distant
as wonderland
and churches are teeming
with screams for salvation.

The end is nigh
it's here, day and night.
Go on and write a story,
if you might.

quinta-feira, maio 25, 2017

Contas

As contas dos colares nativos, de tão lindas cores,
eram de plástico.
Em outro canto, na parca refeição,
salgadinhos e refrigerantes.
Nos shoppings, quase nada é ouro,
mas há muito espelho. E brilho.

Passaram-se 500, 600, sabe-se lá quantos anos

E continuam a tentar nos seduzir
com quinquilharias
mixarias
engodos
ilusões
tóxicas
vazias

Os plásticos a se acumular
nas praias
nos papos
nas prateleiras de supermercados;
a praticidade vendida ao preço (e às custas)
da existência em si

As drogas [ou o álcool - outra droga] a salvar da terra quem não é considerado merecedor nem de ser digno do céu de todos. As drogas cujos caminhos são abertos pelos mesmos que perseguem e matam quem usa as drogas. As drogas que fazem com que as pessoas, uma vez mais, sejam a barata mercadoria. Para ser usada pelo sistema de reproduzir armadilhas que prendem pessoas.

Tiram as terras, as sementes, as feiras.
E nos dão
fast food.
concreto.
supermercados.
Comidas desfiguradas a se fingir de alimento.
Outras drogas a tentar nosso discernimento.
Nos oferecem:
sabores?
tempo?
O que nos roubam?
Saber?
Envolvimento?

Chegaram em nossas casas e com seus melhores sorrisos disseram que traziam do bom e do melhor para nós, porque éramos "especiais", e merecíamos.

[nas entrelinhas, sussurram: f.e.l.i.c.i.d.a.d.e. assim, parcelável]

As armadilhas e ilusões não mudaram tanto assim. Tampouco as lutas. Muitos não engoliram as mentiras. Também hoje muitos as recusam.

Não fomos nem somos assim tão ingênuos, defendem, registram.
É verdade.

Mas como gritar mais alto que a cacofonia de cores, sabores, aromas, visões baratas?
Como bichos de oceano e costa, sinto-nos como a nos engasgar
em nosso
maravilhoso
e prático
mar
de plástico.

Da cabeça aos pés, dentro-fora, entulhos antinaturais engolimos, vestimos, portamos.

Sinto-nos sendo levados por palavras tão verdadeiras quanto os produtos processados
reconstituídos
idênticos ao natural
aroma e corante
tudo artificial
- inclusive na saciedade -
palavras com o toque certo
de sal e açúcar
e o melhor aroma
para nos convencer de que todas e tantas porcarias
são tudo
de que sempre precisamos...

Dão-nos de comer, de vestir. De sentir. De sorrir.
Nos adoecem. Nos aprisionam.

A colonização
é com correntes de plástico coloridas artificialmente. E ainda pagamos por elas,
para não ficar fora da moda
da alta sociedade vigente.


quarta-feira, outubro 19, 2016

Não nasci para palcos - 22.10.2015

Não, não nasci para palcos.

Chamar, assim
toda a atenção para mim,
e, então,
despir as máscaras,
dissecar o coração
à vista de todos.
- Não.

Não nasci para palcos.

Sou dos bastidores.
Salas escuras,
    à meia luz.
    Enfumaçadas.

Aí, sim,
posso abrir o peito
dar os pormenores da alma.
Descrever nojo, dor, gozo.
                   Autobiográficos,
                   sinestésicos,
                   palpáveis.

Vividamente.

Falar mais do que desejam
ouvir.

Abrir-me toda.

Ou então:
           no tête-a-tête,
           você e eu.

Você:
         meu melhor amigo,
         um atendente de bar,
         um completo desconhecido.

Posso abraçar você.
Rir.
Chorar.
Lágrimas sinceras.
No contato,
    na distância
          que alcançam as mãos:

ali estarei eu.
Expondo as vísceras
   a quem ousar aproximar-se.
                            ser tocado.

Não o holofote,
         eu, ali, prato principal de banquete.

Palco, não: comunhão.

quarta-feira, outubro 12, 2016

"Quem é que vive de poesia?"

Eu mesma me censuro.

Quem é esse nobre animal
                                chamado poeta?

Quem faz um programa da discovery,
                 um globo repórter que seja,
           a falar destas criaturas míticas
                 que teimam
                        em olhar pro mundo
           e ver versos
           onde outros veem
                            linhas, fórmulas
                            física, cifras,
                            entulho?

Quem vive de letras,
                     sem ser legislador
                                  ou juiz?

Poema pra mim:
            sonho, devaneio,
                                        utopia.

O que come o poeta?
Quanto ganha?
De exemplos que vejo,
      todo poeta faz corre
              - poesia é bico.

Mas vai lá questionar o poeta.
Ele retruca.
Provoca:

   E quem é que escapa da poesia?
       quem é que vive sem ela?

segunda-feira, junho 06, 2016

Rotina / Cotidiano

Seu despertador toca, você se espreguiça, toma café da manhã.

Uma mulher é estuprada.

Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.

Outra mulher é estuprada.

Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.

Uma adolescente é estuprada.

Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.

Mais uma mulher é estuprada.

Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.

Outra. Mulher. Estuprada.

vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.

gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.

Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.

O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...

Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.

O terror, para outra mulher, continua...

-------------------------------------------------------------

Em janeiro deste ano, li uma estatística que dizia que, no Brasil, a cada três horas, uma mulher é estuprada. Sente?

terça-feira, março 22, 2016

esperança...

A esperança é uma substância viscosa como o melaço - mesmo quando você vira o pote e quer que ela escorra toda fora, ela se arrasta, passa devagar pelo peito, pela pele, deixa um rastro de esperança pelo corpo todo, até finalmente sair de você.

Quando acaba de escorrer, ainda é preciso limpar o caminho que ela fez quando ia embora - ou toda série de coisas podem se grudar ali..

terça-feira, novembro 24, 2015

Nome para conto

A long switch

terça-feira, agosto 04, 2015

inconvenientes

Salvador são finas paredes escondendo amontoados de expropriados... É como varrer a poeira para baixo do tapete, ou para o lado de fora da casa, e de repente olhar pela janela e perceber que se está completamente cercado pelo problema que se queria evitar.

...

A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.

O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.

O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.

O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.

segunda-feira, julho 13, 2015

03.07.2015

Pobre
carente
pivete
malandro
vagabundo
marginal
bandido
gente?
só indi...

terça-feira, maio 05, 2015

Um café bom por dia

Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.

Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.

Miados de gatos.

A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.

Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.

O suor sonha brisa
                      oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.

Bons dias
  café-leite-em-pó
  copo plástico
  luz fluorescente
  ar condicionado
  emails
  pendências
  café frio
  reuniões
 almoço
  café adoçado
  notícias
  conversas
  letras no monitor
  café velho

escorre
acaba
o dia.

Na pia
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...

segunda-feira, dezembro 15, 2014

associações e misturas


ânsia por espalhar-se
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...

sexta-feira, abril 25, 2014

Suor

O abafado do dia
lentamente
escorre
por minhas pernas
virilha
coxa
joelho
panturrilha.

old news

Quero falar de impermanência
e de mudanças

Quero falar de essência.
Do que nos faz ir embora,
do que nos leva a ficar...

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

qq coincidência com a realidade é mera semelhança

mundo distópico onde a indústria farmacêutica e a alimentícia estão alinhadas, e uma ampara a outra para minar o sistema imunológico das pessoas, para que fiquem mais sensíveis a doenças e, assim, consumam mais medicamentos que as tornam mais controláveis, sem desconfiarem de nada

sexta-feira, dezembro 13, 2013

divagações

Acho que, diferente do que se diz, a gente não envelhece aos poucos. Acho que envelhecemos aos tropeções, de sopetão. O primeiro porre, o primeiro semestre de faculdade, a primeira vez que o amor acaba ou que magoamos profundamente alguém que amamos, a primeira noite em claro no hospital, no velório. De repente, no meio da confusão, olhamo-nos no espelho, ou reparamos nossas mãos, e uma parte do viço que sempre esteve ali se perdeu, não existe mais.

sábado, setembro 28, 2013

27.09.2013

"Acorde-me quando setembro acabar", eles cantaram. E tantos repetiram, que de repente até eu estava a fazer coro, contando os dias, contando os dedos que restavam, após cada tempestade.

Entretanto, e eventualmente, cá está para chegar outubro. E o que mudará, de fato? Alguns perdidos serão reencontrados, talvez alguns laços sejam refeitos. Mas os que se foram não retornarão, e os novos jamais tomam, de fato, por mais charme ou aconchegos que façam, o lugar dos que não mais estão...

(...)

Escrevo. E depois penso - você não devia ser tão afoita em sair por aí a falar do que ainda não acabou de fato, ou a desdizer do que sequer começou por direito... Setembro já nos ensinou que é possível cair muitas quedas...

segunda-feira, setembro 16, 2013

10.09.2013

Estava aqui 'inda ontem
abrindo caminho na cama
com suas grandes patas de coelho

Ou sobre a cômoda,
enroscado, rei das roupas
por arrumar.
Sentava-se em minha cadeira
à hora do almoço,
para garantir seu lugar.

Gostava de carinho de pés molhados
após o banho.
De falar e falar.

Não me deixava perder
horários.

Era rosa desbotado
ou salmão.
Enormes pupilas dilatadas
em olhos redondos e amarelos,
dourados,
para caçar barbante.
Escalando pernas e cadeiras
para pedir carinho.

Falava comigo quando
o chamava,
e vinha correndo,
pulando, miando.

Por que tão curto
e unidirecional
o tempo?

Não pude protegê-lo,
colocá-lo no colo,
deixá-lo acionar
seu ronronar de motor.

Não afofam mais
as macias patas
não mais subirá
em minha barriga
ou costas - massagem felina

Não mais seus miados
de abrir porta
ou dar atenção.

(...)

11.09.2013

Eu não consigo reter uma imagem, algo que possa ficar.
Ele é um miado em minha cabeça, soando pela casa.
É um rolinho amarelo desbotado em cima de um monte de roupas.
Um pelo macio. Macio. Macio. Sempre. Quentinho.
Suas patas de coelho e imensos olhos redondos. Amarelos. Pupilas dilatadas para caçar. Ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele ele uma sequência de d's e alegrias e uma dor que é uma porrada súbita.

E não importa tudo que escreva ou chore ou lembre ou desenhe: nada fará ele voltar.
Sem subir por minhas pernas ou afofar minha barriga.
O abraço tardio não o reteve. Não o protegeu.
Me dá teu colo para eu me enroscar e dormir?

terça-feira, agosto 27, 2013

self portrait. contemplation. - 1

There are no mysteries,
there's nothing new, either.

I'm the same person.
The same old shell:
sometimes opened, sometimes tightly closed.

Rarely empty.

Except for these tears that roll
only when they want
and become small spots of pain
                                       and grayness inside.

I'll cry not.
Not now.
I'd rather write
or yell
or fight
or run

'till I'm breathless
speechless.

Letting everything
(watching everything)
come.
Letting everything
(watching everything)
go.

Waiting until I'm ready.
'Till they are ready.

Then they're like a storm,
a waterfall, washing over me
flooding me.

Cry me a river, they say.
I could cry several.

But I can't ever really reinvent myself.
Only some lines, maybe.
Hardly full of mysteries.
Never completely new.

sexta-feira, junho 14, 2013

...

um dos grandes méritos dessa nossa merda de democracia
ou de nossa democracia de merda
é que o mundo não para de girar enquanto coisas surreais estão acontecendo
não para de girar pra irmos ou acompanharmos manifestações
não para de girar quando os países da África são soterrados de lixo tecnológico
não para de girar quando 1 bilhão de pessoas sente fome, todos os dias
dia após dia
ele continua girando
e a gente tem que ficar girando com ele
mantendo a porra da máquina girando
oxalá todos parássemos, um dia
uma, duas, trinta vezes
pelas balas, pelas bombas, pelos cacetetes, pelos semáforos com crianças nas ruas, pelos estupros, pela fome, pela obesidade, pelo photoshop, pelas propagandas de carro, futebol e cerveja
saco.

domingo, junho 02, 2013

hey, hey
rain...

as flores estão fechadas
mas o dia está mais claro do que parece