quarta-feira, dezembro 30, 2009

Preâmbulo às instruções para dar corda no relógio


Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra-pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você - eles não sabem, o terrível é que não sabem - dão a você um pedaço fŕagil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obessão de olhar a hora certa nas vitrines das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniverśário do relógio.

Julio Cortázar.

Ela dói diferente

Não posso dizer que aconteça sempre.

Corrijo-me: sim, houve um tempo em que o era. Intensamente.

Hoje são esporádicas.

Sempre que dói, entretanto, é presente. A sensação de chumbo do agora e de um passado, de momentos separados por uma corrente inexorável e ingênua. A ponto de dar cores surreais e andar de sonho a tudo que aconteceu.

Ela dói diferente. Dói de verdade.

E é um misto de vontade de pedir desculpas e de dizer que não fiz nada de errado, e de sensação de que nunca saberei o que dizer.

E no fim das contas as lágrimas viram as reticências da dor dessa história que vou levar comigo.

terça-feira, dezembro 29, 2009

um dia

Seus olhos se encontraram. Não seria possível falar em amor, mas um princípio era inegável. Princípio de quê? Amizade. Curiosidade. Identificação...

E muito se conversou, e eram muitos os esforços para algo crescer, para tudo deixar de ser apenas princípio. E poucos souberam, mas caminhou-se até o meio.

E por mais que nunca tenham conversado com tranquilidade sobre o assunto, ainda que os acontecimentos daquele dia estejam para sempre esfumaçados e envoltos em surrealidade sutil, tudo de fato ocorreu.

Dali se poderia dizer que tudo mudaria, que laços haviam sido criados e - mais importante que isso - a abertura e a reciprocidade, a despeito de receios e timidezes, estavam ali, palpitantes.

Dali se poderia dizer que tudo mudaria, mas talvez só uma pessoa pudesse dizer que aquele fora precisamente o início do desandar da carruagem. Talvez nem essa personagem o pudesse. Apesar do inegável retraimento, poder-se-ia dizer que ainda ali havia, no mínimo, uma equilibrada mistura entre curiosidade e receio.

Mas as doses e ritmos de cada um dificilmente acompanham um mesmo compasso. E somente uma pessoa poderia dizer que teria se jogado de cabeça, naquele momento, se alguém tivesse dito que iria com ela.

E em verdade mesmo, um mergulho chegou a ser ensaiado. Foram dias ensolarados, laranjas, de brisa e leveza e anseios. E despertares e aromas e jardins.

Em uníssono, poder-se-ia ouvir corações, estômagos e pulmões atrapalhados em parar, respirar, bater, contrair-se, ficarem nervosos, ocuparem-se em dispersar a adrenalina, em disfarçar, em ir adiante, em não parar.

Caminhos desconhecidos trilhados, descobertas, encontros, novos arranjos e hipóteses e possibilidades. E toda uma nova paleta de modos de olhar e sorrir e entender o modo de ser das coisas e os bom dias... Em um dia que não aconteceu.

O que a alguns faz voar, outros prende ao chão. No preciso dia em que mais portas se abriam, tantas outras se fecharam, quem sabe se não precisamente no mesmo movimento.

As portas abriram-se como que numa dança de desencontros, aqui abrindo, ali fechando, para dar passagem ao outro lado...

Então há sumiços e silêncios. E palavras não ditas, ou pela metade. E preferências.

E lembranças esquecidas, medos, um leve aroma de vinho envelhecido.

O mergulho foi em água fria e dura. E, infelizmente, lançou um quê de amargo ao sabor de tudo que lhe suscitara.

terça-feira, dezembro 22, 2009

o que não é de minha conta, fora de meu caminho está.

ou algo que o valha.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Como diz Sônia Hirsch

A saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém.

---

(Dowbor concorda)

quarta-feira, dezembro 16, 2009

por que diabos uma coisa dessas resolve me afetar?

nem faz parte de minha vida.

eu achei que fosse isso... na verdade, sei lá, não gostaria que fosse.

e meu peito ficou apertado e me sinto....

estranha.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

For Delirium was once Delight. And although that was long ago now, even today her eyes are badly matched; one eye is a vivid emerald green, spattered with silver flecks that move; her other eye is vein blue. Who knows what Delirium sees, through her mismatched eyes?

N.G.

terça-feira, novembro 24, 2009

se alguém descobrir como não sentir ciúmes, por favor me avise...

segunda-feira, novembro 16, 2009

dois cultivam as sementes. zelam-nas, com afeto.
a fragrância dos lírios muitas plagas alcança.

mas apenas para o sol se voltam...

[este, poderia ser do Gato Malhado]
o que será que será...?

domingo, novembro 15, 2009

Lembrar de escrever

...sobre o prazer das cartas de papel...

segunda-feira, novembro 09, 2009

De minhas instabilidades. De meus medos e anseios.

Se me fosse dado escolher, preferiria viver em um mundo onde fôssemos mais ligados à natureza do que a tecnologias de ponta.

Se me fosse dado escolher.

Sentindo-me em algum ponto delicado de rompimento de equilíbrio. Mas é sempre difícil ir além do superficial para mim, nestes momentos.

Tento olhar pra dentro, mas... Sinto vontade de chorar, sinto que não "estou apta" a cumprir com algumas exigências externas e internas, que talvez não sejam reais mas que estão completamente mescladas em meu modo de me perceber em alguns espaços. E são espaços nos quais tenho passado a maior parte de minha vida.

Hoje estou cansada. E me sinto... incapaz de fazer algumas coisas. Optaria por desistir, se fosse fácil. Se fosse trivial. Não é. Não encaro como se fosse. Às vezs, contudo, encaro como se fosse contra minha natureza tentar me manter em algumas das atividades em que estou. Contra meus anseios, desejos, objetivos. Contra minha saúde psicológica. Quiçá contra minhas habilidades técnicas.

E discordo de algumas coisas mas é como se não tivesse o direito de falar nada a respeito, pois não estou cumprindo o meu papel. Sinto-me perdida e inferior. E desajustada em relação aos padrões. E isso tudo me deixa com vontade de chorar, sinto-me sozinha com estes sentimentos, e mais perdida.

Desistir me deixaria com que caminhos pela frente? Visualizo possibilidades vagas, etéreas, quase irreais. Medo de ficar para trás, caso opte por outros rumos. O engraçado é que há muito acho que estou ficando pra trás, exatamente onde estou agora. Medo de estar sendo fraca. Se todos conseguem, por que eu não consigo? Se funciona e agrada a todos.... por que não comigo? Não deveria ter alguma garra para então tentar mudar, ou para me tornar o que acho que devia ser? Tenho pessoas queridas, e a quem admiro, que fazem isso. Meus exemplos externos todos são de pessoas que, mesmo em situações que lhes eram desagradáveis, por vezes extremas, elas foram adiante, deram o melhor de si, se destacaram.

Eu fico chorando pelos caminhos. Perdendo tempo, foco, auto-estima, auto-confiança.

Mas o que emerge dessas percepções não é vontade de lutar dentro desse ambiente para que as coisas sejam diferentes. É vontade de chorar. É vontade de desistir. E descubro que não gosto de pensar em desistir pois em minha cabeça desistir é como fraquejar. Não está associado a perceber que se estava trilhando o caminho errado, ou a mudar de ideias e concepções, ou tomar coragem para ser diferente. É sempre algo negativo. Desistir é pra quem não tem garra de seguir adiante.

Minha vontade é de me encolher em uma cama, em um local escuro, e chorar. Não é uma tentativa de resolver nada. É uma ideia de desabafo físico, quase. Mas nunca saio com uma solução mais rica, duradoura, nunca saio com o propósito mais firme.

Continuo desfocada, com a capacidade de me centrar baixa, extraindo pouco de meus esforços.

Preciso mudar alguma coisa. Algumas coisas. Curar algumas, talvez. Mas é difícil, não consigo saber o quê mirar.

quarta-feira, novembro 04, 2009

do Gato Malhado

[...] Enganava-se a Rosa-Chá quando pensava que o Gato Malhado vivia solitário e não tinha nada no mundo. Bem ao contrário, ele tinha um mundo de recordações, de doces momentos vividos, de lembranças alegres. Não vou dizer que fosse feliz e não sofresse. Sofria, mas ainda não estava desesperado, ainda se alimentava do que ela lhe havia dado antes. Triste no entanto, porque a felicidade não pode se alimentar apenas das recordações do passado, necessita também dos sonhos do futuro.
[...] Apenas direi que era maviosa a orquestra dos pássaros e que o seu melodioso rumor chegava até o Gato Malhado, solitário no parque. Já não havia futuro com que alimentar seu sonho de amor impossível. Noite sem estrelas, a da festa do casamento da Anorinha Sinhá. Apenas uma pétala vermelha sobre o coração, uma gota de sangue.
J.A.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Meu coração tá batendo
como quem diz não tem jeito
zabumba-bumba esquisito
batendo dentro do peito...

sexta-feira, outubro 16, 2009

Como estar presa em um labirinto que não entendo.

O labirinto é minha cabeça.

bi-afetiva

desde pequenininha

ainda que tenha demorado um pouco para compreender isso

quinta-feira, outubro 08, 2009

O debate sobre o PIB: estamos fazendo a conta errrada

"'Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa' - Banner colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia. "
[...]
As limitações do PIB aparecem facilmente através de exemplos. Um paradoxo levantado por Viveret, por exemplo, é que quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska, foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas. O PIB mede o fluxo dos meios, não o atingimento dos fins. Na metodologia atual, a poluição aparece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar. As pessoas que jogam pneus e fogões velhos no rio Tieté, obrigando o Estado a contratar empresas para o desassoreamento da calha, contribuem para a produtividade do país. Isto é conta?
[...]
Por Ladislau Dowbor =)

quarta-feira, setembro 23, 2009

isso aqui anda muito cinza.

isto é um comentário

[mas fala um pouco de como estou agora, então ajuda a complementar a outra postagem, e portanto trouxe-o também para cá]

às vezes sinto vontade de ir embora.

já fui, de "mentirinha". quer dizer, fui embora, e recomecei, mas com tantas ligações que em verdade estava apenas meio embora, e acabei voltando.

recomeçar é tentador, mas eventualmente tenho medo de passar a vida inteira apenas brincando de usar "continues" e nunca chegar a algum lugar, nunca fazer algo até o fim. receio de andar em círculos, sem crescer ou amadurecer, apenas fugindo porque não consegui ser tão boa quanto gostaria, ou porque as coisas não saíram como desejava...

eu tentei fugir outra vez, também. depois me senti boba, mimada. poderia ter sido um recomeço. foi, de certo modo.

mas todas as vezes, como hoje, há alguma espécie de barreira que não consigo transpor. uma barreira que eu mesma ergo e me dá essa sensação de que acabarei ficando pra trás, de que não sou capaz de concluir o que começo nem de assumir responsabilidades, ou crescer realmente.

(certo, estou reflexiva)

chegava um ponto...

(ou: looking for excuses)

Sinto-me meio boba.


Quantas vezes já me senti assim?

Bah.

Cabeça beirando o vazio. Não. Mas falta moção para a ação, para fazer o que precisa ser feito, a rotina, o trabalho.

Ou venço esta morosidade ou não sairei do lugar. Para lugar algum.

Dar o primeiro passo.
Os primeiros passos.
Vencer as forças da inércia.
Da falta de sentido
- às vezes.

Dar o primeiro passo.
Para poder caminhar.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Esta é uma postagem bissexta.

Completando 366 mensagens neste blog.

Creio que escrever aqui ajudou, algumas vezes...

Mas ainda tenho uma cabeça cheia de coisas a resolver - provavelmente, sempre haverá coisas a resolver...

Sim, estou escrevendo um tanto sem razão. Paciência. Acontece, eventualmente.

Talvez porque o que tenho a dizer não pareça se encaixar aqui, neste momento.

okay, essa postagem é foi quase inútil.

sábado, setembro 05, 2009

fitter happier

more productive
comfortable
not drinking too much
regular exercise at the gym (3 days a week)
getting on better with your associate employee contemporaries
at ease
eating well (no more microwave dinners and saturated fats)
a patient better driver
a safer car (baby smiling in back seat)
sleeping well (no bad dreams)
no paranoia
careful to all animals (never washing spiders down the plughole)
keep in contact with old friends (enjoy a drink now and then)
will frequently check credit at (moral) bank (hole in wall)
favours for favours
fond bur not in lobe
charity standing orders
on sundays ring road supermarket
(no killing moths or putting boiling water on the ants)
car wash (also on sundays)
no longer afraid of the dark
or midday shadows
nothing so ridiculously teenage and desperate
nothing so childish
at a better pace
slower and more calculated
no chance of escape
now self-employed
concerned (but powerless)
an empowered & informed member of society (pragmatism not idealism)
will not cry in public
less chance of illness
tyres that grip in the wet (shot of baby strapped in back seat)
a good memory
still cries at a good film
still kisses with saliva
no longer empty and frantic
like a cat
tied to a stick
that's driven into
frozen winter shit (the ability to laugh at weakness)
calm
fitter, healthier and more productive
a pig
in a cage
on antibiotics
Radiohead

Como uma máquina inteligente sofrendo lavagem cerebral...
Queria saber descrever meus sorrisos queridos e sinceros.

Queria saber dizer do que passa no peito.

O que vai pela cabeça.

Queria tempo suficiente para compreender um pouco mais o que sinto.

sexta-feira, setembro 04, 2009

O dia trouxe material para pensar em muitas coisas...

Basicamente não parei para processar nada. Tenho essa mania de ir deixando as coisas acumularem.

Como se só devesse cuidar delas quando estão prestes a estourar.

Creio que o pior é quando "as coisas" são eu.

Este parece ser o caso, hoje. Sob aspectos diferentes, ângulos e tonalidades diferentes. Eu, em todos eles.

E eu preciso pensar em pensar a sério sobre cada uma dessas coisas, pois quero lidar com cada uma delas sem explodir. Nem implodir. Nem me despedaçar no processo.

Não sei bem como relaciono tudo, como gerencio as questões que se beneficiariam de eu estar quieta, talvez sozinha, das questões que me fazem querer conversar, conhecer mais, entender mais sobre o que é novo pra mim e ao mesmo tempo parece que está aqui desde há muito.

Queria conversar mais, e não me sentir tão só com algumas coisas... E na verdade não sei se não encontro os caminhos para isso por realmente não saber como fazê-lo, ou se por medo do que será necessário fazer para alcançar esse espaço.

Vou dormir.

Fechar os olhos. De novo.

segunda-feira, agosto 31, 2009

se tem uma coisa desagradável é se esforçar para tentar resolver as coisas, ou deixá-las melhores, e tudo ficar ainda pior.

droga.
preciso de um lugar de silêncio

ou de meus barulhos próprios...
não é como se eu soubesse realmente sobre o que quero escrever.

sei que há coisas que dóem, há coisas que me fazem saber que preciso continuar andando, e sei que preciso encontrar meus caminhos.

sei que sinto vontade de chorar quando não entendo bem como encaixar meus quereres e gostares em algo que faça algum sentido, ou que tenha esperança.

não posso ficar anestesiada, à mercê, na inércia.

droga.

algo está confuso. e sou eu. não sei bem o que está tirando a cabeça do lugar. sinto um sono e uma moleza que não combinam com tentar fazer qualquer coisa. sinto falta de conversar, falta de falar sobre algumas coisas.

como estar engasgada. ou ser muda.

domingo, agosto 30, 2009

O, wonder!












How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is! O brave new world
That has such people in't!
Shakespeare

quinta-feira, agosto 27, 2009

Retrocesso

O texto do projeto de lei que regulamenta a união estável no Brasil sofreu alteração. O deputado José Linhares, do PP do Ceará, considera que os casais homossexuais não devem ter o amparo da lei.

O Estado Brasileiro é laico. Aceita-se que um padre vire legislador, e temos esse tipo de coisa tramitando.

Absurdo. Nem todas as pessoas se unem para gerar filhos (única explicação - que nem é tão plausível -, na minha opinião, para que seja se venha dizer que uma família precise ser composta necessariamente por um homem e uma mulher). Se é pra ir nessa linha, um casal heterossexual que passe 20 anos juntos mas não tenha filhos (nem deseje tê-los) também não deveria ser considerado como união estável.

Sim, seria outro absurdo. Mas vejamos se dizendo incongruências conseguimos mostrar que a argumentação do Padre também o é.

Vou começar a ser contra que casais inférteis tenham o direito de constituir família...

Link para a notícia que li:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/08/26/comissao-rejeita-uniao-estavel-entre-casais-gays-767339601.asp

domingo, agosto 23, 2009

Evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto se expor ao perigo. A vida é uma aventura ousada ou, então, não é nada.

_´_´_´

Life is either a daring adventure or nothing. Security does not exist in nature, nor do the children of men as a whole experience it. Avoiding danger is no safer in the long run than exposure.

Helen Keller

sexta-feira, agosto 21, 2009

que é que o senhor do tempo está preparando, ou tentando dizer-me...?
no mundo do consumo, nossas necessidades são orientadas a promoções.

...

O que você não pode eu não vou te pedir
O que você não quer eu não quero insistir

Diga a verdade
Doa a quem doer
...

(isso é quase brega, certo?)

H.G.

do tempo

"adiar algumas coisas pode tornar impossível realizá-las..."
O apreço não tem preço.
Eu vivo ao Deus-dará!

(Sílvio da Silva Junior e Aldir Blanc)

sexta-feira, agosto 14, 2009

...uno sólo conserva lo que no amarra...

quinta-feira, agosto 13, 2009

os dias passam, inexoravelmente

quarta-feira, agosto 12, 2009

Mudou-se

E na medida em que crescemos, vamos aprendendo a lidar com despedidas...

certo?

segunda-feira, agosto 10, 2009

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel.
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!
m.q.

Cigarro

Sagrado incenso ocidental...

?!

quinta-feira, julho 30, 2009

e se eu tentasse escrever?

se tentasse descrever...?

ficar quieta, calada, deixando os pensamentos virem

como ondas, andorinhas, arrepios

quieta
sem me mexer

quarta-feira, julho 29, 2009

e sigo buscando...

pistas
fragmentos

...

traços
pegadas
sinais de fumaça

...

(migalhas?)

...

de quê?
para quê?

sexta-feira, julho 24, 2009

segunda-feira, julho 20, 2009

infantil

toddy e cigarro

...

três
eu quero tudo que há...

a.c.

sábado, julho 18, 2009

...distante...

segunda-feira, julho 13, 2009

e então percebo - talvez eu a ame e ponto.

ela ficará.

a vida segue.

é isso aí.

sábado, julho 11, 2009

arre que às vezes é difícil viver em sociedade!!

.......................

sexta-feira, julho 10, 2009

formas

Um dia escreverei para ela.
Falarei de bolinhas e quadrados, retângulos, paralelepípedos, estrelas, pentágonos, octógonos, heptaedros, esferas, losangos, paralelogramos.

Leis de catetos e hipotenusas.

Apresentarei o triângulo - o equilátero. Por mais que ela advogue que o isósceles é mais comum. Convidá-la-ei para que se arrisque comigo na aventura de transformar um em outro. Talvez surjam divagações outras.

Um dia, farei um convite irresistível para que se arrisque. Pule de cabeça. Entre de mala e cuia em minha vida.

Direi isso, quiçá mais.

Ainda que ela nada diga.

quarta-feira, julho 08, 2009

About female ejaculation

Just read it. Interesting and important.

http://www.newscientist.com/article/mg20227101.200-everything-you-always-wanted-to-know-about-female-ejaculation-but-were-afraid-to-ask.html?full=true

terça-feira, julho 07, 2009

No fim das contas, acho que acabei jogando tudo fora

Não sei bem como começou. Misto de cansaço e preguiça, necessidade de livrar-me do empoeirado, do atulhado, do sentir enfurnado. Aos poucos, já não queria saber se era novo ou velho, escrito seu ou diverso, ou se deveras gostara daqueles dizeres embolorados.

Fui amassando, rasgando, empilhando, encaixotando. Postais ou notas de posto. Velhos frascos de perfume, um ingresso mal-usado, a calça azul, a saia justa.

Esvaziei cabides. Gavetas. Corri com os gatos do quarto. Tirei móveis. As piadas e brincadeiras. A aranha e a lagarta - de estimação. Limei incensos e pelúcias. Brincos e maquiagens.

Desfiz a cama. Desfiz-me dos lençóis. Arejei ideias, ideais, cortinas.
Partiu o vaso eterno do canto da sala.

E em meio a tanto e tudo, nem me dei conta de quando foi que ela sumiu.

acenderei um cigarro

...imaginário...

Como ele, também as tensões, os conflitos, os ciúmes, os gostares que ora desconfio - imaginários.

Escreverei sobre a ansiedade real, envolta em todas as suposições, tragando o cigarro recém aceso, que é tão presente nesta sala quanto ela. Traçarei linhas cor de fumaça, em homenagem a tudo.

Direi desta angustiosa sensação que me abate o fôlego, comprime o peito, faz-me inquieta, descentrada.

Da vontade de saber um contato, uma saudade besta que fosse, entrelida em um dizer qualquer sobre coisa alguma. Dessa cabeça e desse corpo que são assim - querem muito, desejam muito, mas escolheram calar e esperar.

E agora gritam, amarrados nessas cordas antinaturais de silêncio quase mortal.


Estou só, com o imaginado e o cigarro.
Concretamente.

segunda-feira, julho 06, 2009

sou um porre.

e adoro quando as pessoas me dão oportunidade de demonstrar isso...
ela foi embora
deixou a chuva em seu lugar

domingo, julho 05, 2009

ah, um cigarro...
vou falando assim, de mim. que d'outra coisa não poderia falar com mais propriedade, ou, pelo menos, sinceridade.

exponho-me. deixo pontas para que se construa a rede que sou. a rede que somos.

vou tentando entender e construir a construção que sou.

abro-me. porque desejo que alguns saibam quem sou. o que sinto. o que cala e move e dói. ainda que poucos, ou silenciosamente.

também sou silenciosa, às vezes.

às vezes, falo porque desejo ouvir.

às vezes, calo por medo do que não virá.

e se vou sentindo necessidade de dizer quem sou, para ouvidos apenas atentos se assim lhes interessar, faço-o sem receios.

veredas

"Estou contando ao senhor, que carece de um explicado. Pensar mal é fácil, porque esta vida é embrejada. A gente vive, eu acho, é mesmo para se desiludir e desmisturar. A senvergonhice reina, tão leve e leve pertencidamente, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade. Está certo, sei. Mas ponho minha fiança: homem muito homem que fui, e homem por mulheres! - Nunca tive inclinação pra aos vícios desencontrados. Repilo o que, o sem preceito. Então - o senhor me perguntará - o que era aquilo? Ah, lei ladra, o poder da vida. Direitinho declaro o que, durando todo o tempo, sempre mais, às vezes menos, comigo se passou. Aquela mandante amizade. Eu não pensava em adiação nenhuma, de pior propósito. Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara, e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava. E eu mesmo não entendia então o que aquilo era? Sei que sim. Mas não. E eu mesmo entender não queria. Acho que. Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre. E em mim a vontade de chegar todo próximo, quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele, dos braços, que às vezes adivinhei insensatamente - tentação dessa eu espairecia, aí rijo comigo renegava. Muitos momentos."
j.g.r.

aprendizado

a pior forma de saber que alguém recusou um convite é ver o tempo passar...

sábado, julho 04, 2009

curtindo uma ansiedade de "comichão" no peito...

sexta-feira, julho 03, 2009

Descoberta

eis que nos damos conta:

todo gato sofre de insônia.

por isso, sempre que podem, eles dormem.

xP

(muito importante isso)
"Dona da minha cabeça quero tanto lhe ver chegar
Quero saciar minha sede milhões de vezes, milhões de vezes"

silencio

sim, é como se eu estivesse fugindo

do peito palpitando
o engolir em seco

a vontade de ver, de conversar, de fazer qualquer coisa,
de levar flores, de sorrir...

para não ser chata
por medo de ouvir um 'não'
para dar tempo ao tempo...

(medo de quebrar qualquer coisa do equilíbrio delicado e de repente possuir apenas lembranças...)
Moça, Olha só, o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê

(é bom te ver sorrir...)
te(n)são...
ser sincera não gera exatamente os melhores resultados, às vezes.

ainda assim, é meu caminho...

terça-feira, junho 30, 2009

transporte

Desde ahora mismo y aquí
hacia donde quiera que estés,
parte de mi alma
parte a tu encuentro.
Sabes que te llevo dentro mío
igual que yo sé que tu me llevas dentro.

Se trata de un leve pulsar
que se abre camino hacia tí
cruzando las estaciones, constelaciones,
los momentos.
Digo que esta vida es llevadera
sólo porque sientes tú
lo que yo siento.

Donde tu estás
yo tengo el Norte,
y no hay nada como tu amor
como medio de transporte.

En este instante,
precisamente,
más canto y más te tengo yo
presente,
más te tengo yo presente.

Jorge Drexler

Para o menino que está longe e a menina incógnita

segunda-feira, junho 29, 2009

...

almoço

miojo de cafeteira acompanhado de café frio, sozinha.

(isso merecia uma atualização no twitter x_x)

((coisa mais nerd e decadente...))
e esse é aquele momento em que me sinto meio ansiosa e com vontade de que o tempo passe mais rápido.

e esse é o momento em que eu me lembro que as coisas não têm pressa.

haja respirar fundo.

mas é bom. ^^

domingo, junho 28, 2009

morrendo de pena de mim mesma, enterro-me no marasmo.

autopiedade
autocomplacência
baixaestima
como se tira uma cabeça do modo de suspensão?

>.<
Ela vem chegando
E feliz vou esperando
A espera é difícil
mas eu espero cantando...

A verdade é que a liberdade é maior do que queremos enxergar quando estamos ansiosos.

(pausa para salvar o gato que está a miar desvairadamente)
((Acabo de ter um simpático encontro com uma pequena e carente gata branca))

Quando há algum lapso de tranquilidade, o que vem à cabeça é que na verdade, assim como posso escolher falar, ela pode escolher calar. E são escolhas e direitos tão cabíveis quanto, conquanto não estejamos a magoar (conscientemente) ninguém.

A outra verdade é que, como estava a pensar no ônibus,
there's nothing to wait,
and there's a bunch of work to do


That's it.

Vai, vai, vai, vai amar... Vai, vai, vai, vai sofrer...

It seems that every time I express that I miss you, you run away...

What is it - that makes you silent?
fear
doubt

Does it means that you do not want to know about what I feel? That you're affraid I'm taking this too seriously? That you don't wanna hurt me? That you don't want me to hurt you?

It's hard to know what to do. You say you prefer sincereness, but when I talk it's like talking to nobody.

Maybe I'd better choose random numbers to send what is going on inside. Maybe you (and me) just need time.

I wish...

not being so anxious.

I could manage doing my stuff through this anxiety.

I wish you'd say something.

Shouldn't I keep with this openness?
respiro fundo.
suspiro?

a cabeça não assenta porque o coração tá bagunçado.

desejo reciprocidade....

sexta-feira, junho 26, 2009

sem vontade de fazer nada.

sem cabeça pra fazer nada.

sinto-me uma abestalhada.

Don de fluir

"Porque bailas,
como quien respira,
con un antiguo don de fluir...
Bailas,
y parece tan fácil
como dejar el corazón latir..."

J. D.

ao meu redor está deserto...

Muitas ausências superpondo-se.

Recesso de São João.
Cidade vazia
Faculdade vazia.

Viagens de trabalho.
Trabalho vazio.

Viagens de estudo.
Casa mais vazia.

Sinto-me diferente. Não estou triste, sentindo-me abandonada ou com inveja. Alguns aspectos são adoráveis, como andar pelo campus assistindo e ouvindo os passarinhos, mais tranquilos, creio, pela falta de gente por aí.

A cidade também está interessante. Bom dirigir em vias vazias.

Então chego à rotina. Sim, há muito que fazer. Mas há espaços vazios, uma falta de pessoas para comentar o bobo, o óbvio, o que só faz sentido dizer na hora, ou o que passa pela cabeça quando se lê algo ou se pensa no que é preciso fazer.

Desacostumada de estar tão "solta" e "só". Não triste, não magoada. Não rancorosa.

Saboreando esses momentos diferentes. E aproveitando para pensar um tanto em tudo.

O lucro ou as pessoas: neoliberalismo e ordem global

"O neoliberalismo é o paradigma econômico e político que define o nosso tempo. Ele consiste em um conjunto de políticas e processos que permitem a um número relativamente pequeno de interesses particulares controlar a maior parte possível da vida social com o objetivo de maximizar seus benefícios individuais. Inicialmente associado a Regan e Thatcher, o neoligeralimos é a principale tendência da política e da economia globais nas últimas duas décadas, seguida, além da direita, por partidos políticos de centro e por boa parte da esquerda tradicional. Esses partidos e suas políticas representam os interesses imediatos de investidores extremamente ricos e de menos de mil grandes empresas." McCHESNEY, Robert. W. In: CHOMSKY, Noam. O lucro ou as pessoas: neoliberalismo e ordem global. 5 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
ia escrever sobre umas três coisas hoje.

o tempo levou tudo.

segunda-feira, junho 22, 2009

Incomoda muito sentir-se à margem... =/
para melhorar, começo a desconfiar que fico usando todas as instabilidades externas como desculpas para me deixar levar por caminho algum, e não botar a cabeça no que precisa ser feito.

vã...
cadê meu poder de síntese, porcaria?

estou quase sentindo raiva de mim mesma.

internidades

insegura de novo.

estúpida montanha russa de sentimentos ruins.

estranha
insegura
chorosa
carente
dependente
deprimida

por esses caminhos vou seguindo, imaturamente.
não sou capaz de extrair nada do que me acontece?

sou capaz apenas de andar em círculos, na melhor das hipóteses em uma espiral tão lenta que é difícil realmente perceber que avanço...?

pior que é essa sensação de que nem a indignação me fará romper isto que a mim se assemelha a um maldito ciclo vicioso.

fico parada, como a espera, como inerte, como incapaz.

estúpida demais para absorver de modo efetivo que nada acontecerá de fato se não me tornar mais forte, senão me partir para um papel principal nessa vida que é a minha, merda.

não há afinal um mínimo de estabilidade, não há em que se possa confiar, do que sou?

inquieta. insegura. frágil, novamente.

imatura...

domingo, junho 21, 2009

do tempo

(vou me esforçar para que esta seja a última)

vou acabar por desacreditar nas falas do tempo.

volta e meia ele me diz coisas, mas haja falta de circunstâncias que ratifiquem o que ele indica...

=/

Mil pensamentos

"Você me deixa rua deserta quando atravessa e não olha pra trás..."

"De noite na cama, eu fico pensando..."

Em suspenso

É como se a vontade de que algo acontecesse, aliada a uma fuga do que está acontecendo aqui dentro, me deixasem completamente incapaz de fazer algo útil.

Vou tentar dormir, pra espantar esse estado estranho e improdutivo por demais.

(Mas que queria notícias, ah, queria...)

Dar um jeito de fixar a atenção (e a tensão) em algo, e tentar liberar o tempo pra fazer o que queria ser feito!

...
A menina incógnita
tem agora
cheiro
endereço
textura

Meu corpo palpita
inteiro

Quantos poemas não trocaria
por dois ou três versos
de seus pensamentos!

conversas e descobertas...

"quando algumas coisas estão em minha cabeça é como se eu subversivamente redimensionasse o peso de outras
é sem querer, eu nem penso a respeito
é como se fossem muito prementes pra mim algumas coisas"
sentimental

quisera falar mais

inquieta

por demais

domingo, junho 14, 2009

alguém diga a ela que sinto sua falta,
que anseio seu contato
seu sorriso
sua voz

seu toque
desconhecido
...

saudades
do que
(ainda)
desconheço
...

como saber
o que dizer
o que fazer
o que pensar
...

?

sábado, junho 13, 2009

Às vezes, é difícil ficar calada...

Saber dar o tempo necessário às coisas e às pessoas.

dar tempo ao tempo.

A tranquilidade necessária.

Relaxar.
Deixar que as coisas aconteçam.

Sentir o ritmo.

Difícil...

quinta-feira, junho 11, 2009

equilíbrio frágil
tênue
delicado

situação louca
frágil
incomum

certezas?efêmeras...

terça-feira, junho 09, 2009

sinto-me cada vez mais dependente

estranho
confuso
difícil...
"A inenarrável promiscuidade dos sebos! Dante em contubério com o relatório do ministro da Fazendo, os eleatas junto do almanaque de palavras cruzadas, Tolstói e Cornélio Pires, Mandrake e Sóror Juana Inés de la Cruz... Nenhum deles reclama. A paz é absoluta. O sebo é a verdadeira democracia, para não dizer: uma igreja de todos os santos, inclusive os demônios, confraternizados e humildes. Saio deles com um pacote de novidades velhas, e a sensação de que visitei, não um cemitério de papel, mas o terrório livre do espírito, contra o qual não prevalecerá nenhuma forma de opressão."
C.D.A.

segunda-feira, junho 08, 2009

carente...?
talvez seja melhor aprender a largar alguns vícios que fazem perder um tempo danado...

terça-feira, junho 02, 2009

...amar e mudar as coisas me interessa mais...
B.

segunda-feira, junho 01, 2009

uma pessoa estranha e esquisita que às vezes se enche de dúvidas quanto a ser capaz de andar sozinha, ou com as próprias pernas.

terça-feira, maio 26, 2009

evitando pensar demais no assunto? Não sei.

evitando elocubrar? sim. o máximo que dá.

tentando ficar leve e pensar em sorrisos e momentos bons.

feliz de haver um contato. feliz sim.

segunda-feira, maio 25, 2009

vivo dizendo que estou esquisita.

estou esquisita.

o peito dispara um pouco.

quero focar, aprender a focar.

hum, sinto-me estranha. um bocado de variáveis estranhas. algumas novas, outras de longa data. agoniada.

sexta-feira, maio 22, 2009

se eu fosse parar para entender, diria que me dóem os olhos. E que me dôo, de doer, de sentir uma raiva e um desgosto cíclicos por ser como sou, e por continuar sendo, e por me importar tanto com isso.

se eu fosse parar pra entender, eu me sentiria uma idiota por vários motivos conhecidos, e provavelmente encontraria alguns ora desconhecidos para acrescentar à lista.

acho que não há motivos plausíveis para ficar como tenho ficado.

razões internas, todas, eu diria.

a falta de conexão com uma parte minha que é capaz de ser verdadeiramente boa nas coisas, que não é poser ou superficial.
uma sensação de estar ficando pra trás? às vezes sinto isso em relação a todos os meus amigos, em relação a muita coisa. como se não fosse capaz de aprender com os erros, de raciocinar, de melhorar de modo duradouro.talvez continue me sentindo dormentemente perdida de mim.

eu sinto vontade de chorar, vontade de sumir, vontade de me furtar à convivência das pessoas com quem mais gosto de estar, por me sentir mal comigo mesma.

sou um bicho esquisito demais.

eu sinto dor de cabeça.

e um mal estar que já não sei onde fica, que não sei se é inveja ou mesquinhez, e talvez seja as duas coisas juntas.

eu não me enxergo como alguém fazendo coisas concretas, sólidas, com potencial. provavelmente é porque não estou, mesmo.

eu me comparo inconscientemente, e sou pequena, sou menor, sou menos. e vou ficar pra trás e ser menos, e se não der pra notar externa ou imediatamente, o tempo o mostrará.

eu sou chata.

vou desligar agora.
sou uma pessoa por demais esquisita

sexta-feira, maio 15, 2009

"Ela era ela, era ela no centro da tela daquela manhã..."

Ela é ruiva.
Esteve entre minhas mãos.
Fui sorrisos e palpitações e faltas de ar.

Foi uma pequena sucessão de dias.

É inefável
inesquecível
inalcançável
intocável

É uma porção de lindas vivas macias cheirosas cores.
Ela tem cheiro de suspiro
ela tem gosto de veludo
ela é uma pele pintada de ruivinhas que roubam a respiração ao primeiro toque

Indelével história de sonho

real real real real real real real real real real real real real real real real real real

luminosa.

distante.

silenciosa.

quinta-feira, maio 14, 2009

Não consigo dormir.
Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras.
Se pudesse, diria a ela que fosse embora;
mas tenho uma mulher atravessada na garganta.

Eduardo Galeano

segunda-feira, maio 11, 2009

como fazer pra me concentrar?
Sinto-me esquisita.

Nós e angústias e, talvez, ciúmes. E medos.

Não vou fumar.

Cores.

Inquietações rubras, negras, castanhas.

Eu agoniada.

quarta-feira, maio 06, 2009

Bárbara

Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor, vem me buscar

O meu destino é caminhar assim
Desesperada e nua
Sabendo que no fim da noite serei tua
Deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva
Acumulando de prazeres teu leito de viúva

Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar

Vamos ceder enfim à tentação
Das nossas bocas cruas
E mergulhar no poço escuro de nós duas
Vamos viver agonizando uma paixão vadia
Maravilhosa e transbordante, como uma hemorragia

Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Bárbara

Chico Buarque Ruy Guerra

segunda-feira, maio 04, 2009

inefável...

Estranha.
Esquisita.

Chega a ser ciúmes? O que sinto quando veja uma tranquilidade tão desinibida a dizer das faltas e dos futuros abraços e encontros?


Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
(...)

Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

(...)

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

(...)

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
p.n.

sexta-feira, abril 24, 2009

névoa rubra?

chama?

sinto falta deste sonho ruivo que reinvento
por esperança
por vontade
por lembrança

terça-feira, abril 21, 2009

queria gritar
que estou de algum modo fazendo algo que não me faz bem.

olhar a quem?

algumas coisas me põem abaixo...

À parte

De minha parte,
ainda fazes parte.

Ainda que soe ou saia brega.
Cabeça doendo...

Muitos pensamentos ao mesmo tempo.

Dia de dormir sozinha ouvindo a chuva...

segunda-feira, abril 13, 2009

...Eu me pego pensando se alguma mulher será como você.

Se algum dia encontrarei novamente um olhar, um sorriso, uma presença magnetizantes por si, e não pela vontade de encontrar alguém que possa preencher algo que você não quer preencher.

Eu penso que deve haver mulheres bonitas e interessantes por aí.

E de repente me pego sentindo vontade de chorar, porque o que realmente queria era que quisesses que eu fizesse parte, ainda que só um pouco...

Ainda.

Eu fico querendo te encontrar de novo.

segunda-feira, abril 06, 2009

Metade

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está agora?
(Adriana Calcanhoto)
Vamos passando
nós
as tardes em branco
Ainda bem que se matar não dá a chance de recomeçar tudo...

Ainda bem que eu não acho que dá...
Sinto falta de processos meus.
Que saiam de minha cabeça.
Que me toquem.

De processos que sejam duradouros, e que consiga concluir...

quinta-feira, abril 02, 2009

Passado

passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado repetira téentra remtran seaténã ofazere mmaisen tidoessa ssetelet rasdoes quecido essahist óriaquen ãopass aaslembr ançasd oolvidoe stesilênc ioquenã ocalaess esentirq uenãom esome, ouodesej oqueco nsomeess ahistór iaentala danagar ganta,es sesuspir oengasg adoesse orgasm opromet idoesse corpoque nãotoc areioste usbeijos quenãos orvereio sorrisoq uenãome ilumina oprazerq uenãome caberepe tiratéq ueseaca beessab rutaflor doquere rquejánã omeque r,aque mdevoter feitosof rersemsa ber,aq uemtan todeseje iporinte nsoaque mnãopud eaprov eitarom omento. Aquem devotudo quejam aistere idireitod epagar repetira téquetalv ezseapa queatéq uetalve zseque messaslág rimasq ueinsist ememr olaraté quenãoq ueirasabe rcomo,o ndeouc omque mestás.A téquenão deseje queven hasaum diamed esejar.R epetirpar aaprend erqueo passado estánop assado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado pasadop asado passado pasado passado passado passado pasado psasado jpassado passado passado passado passado passado passado passado pssado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado psasado passado passado passado pasado passado passado psassodo passado passado passado passado psasado passado atéent enderqu eoserro sestãono passado eporisso jánãohá quemse importe seeumud oounão ouseeu meimpor tocomo queestá nopassad o,irrem ediavelm entepa ratrás... Passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado passado psasado passado psasado passado passado passado passado passado passado passado passado passado pasasdo paddsaop passado pasasdo atéqueq ualquer pedidod edescul passófaç asentido apagado.

Passado .Atéque nãosint anecessi dadede deixarqu alquerr ecado...