Ficaram coisas não ditas
Eu te amo
Trouxe isto para você
Ouvi um poema que achei que você ia gostar
Continuo acreditando que podemos encontrar caminhos
Continuo querendo encontrar
De repente um baque
fecha a porta
destrói pontes
maltrata peitos
Com o acalmar da tempestade,
não houve a bonança
sequer um fazer as pazes
Então, era já tudo diferente
e portas fechadas
O nós que existe
aqui
- que por vezes acredito existir ainda aí
ficou entalado
gritos desesperados
pontos não resolvidos
alegrias não vividas
tudo preso na garganta
um silêncio ensurdecedor
- como explicou Saramago.
Fica este peito que sente
medo
dor
saudades
Fica uma vontade latente
de fazer as pazes
E conversar,
conversar,
conversar.
Digerir.
Sarar junto.
Horas a fio.
Resolver o insoluto
entre duas pessoas
pode ser tão difícil.
Tanta coisa se perde,
por não conseguirmos falar
- e, quando vemos, já não há
espaço
para consertar
E, no entanto, cá estamos.
Vivos.
Capazes de andar com as próprias pernas.
Cientes da importância
- e da falta -
um do outro.
Que passa conosco que nos arriscamos
a não falar?
Sinto uma ruptura
um desperdício.
um hiato.
Quase desonesto com o que houve
e talvez ainda haja
e talvez ainda possa haver
Esse atropelar de tudo.
Este fim que não foi
um fim,
senão um corte
um estar-não estar
Essas não oportunidades
de cuidarmos
e resolvermos juntos
o que era e é nosso
Um desperdício de vida
de amor
de serenidade
de paz
Ficaram coisas não ditas
gestos não feitos
o amor não vivido.
O desejo de fazer as pazes...
De estar em paz
juntos.
E agora ficam as confusões
o que não foi dito
o que não foi resolvido
o que não foi conversado
a dois
a ser revisto
redito
monólogos
poemas
gritos pra dentro
esse desajuste no peito.
Isso tudo que merecíamos ter entendido e conversado juntos.
E fica a malcicatrizar
dizendo que ainda não era a hora
aqui...
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