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quarta-feira, fevereiro 24, 2021
...
death lurks in the shadows
death lurks in the open
it creeps through every breach
it clutches to every inch
[it always did
it has always been around
we were never trully safe
(some know this way more than others)]
but now death chases you as you walk past someone
as you mindlessly gasp for some air
as hurriedly go for groceries
and forever wash your hands
as you recoil from embraces
as you reach out for some friendly faces
death makes you ever so lonely
way more than it did before
they say we always die alone
now in pain or despair,
no one will be there
no one can kiss you when you're gone
existence comes to a halt
convoluted
absolute
millions of holes and gaps behind
death slowly sinks in
while we fight to survive
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sexta-feira, março 29, 2019
... ninguém bate palma se a gente faz o trabalho direito...
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sexta-feira, outubro 13, 2017
Apocalypse
While you sit there, with your
comfortable lives,
thinking and writing
and dreaming
of holocausts and catastrophes
and nightmares
"The end of the world"
is nigh
it's right around the corner.
It's right in front of our doors.
It ain't tomorrow
for that dead black boy.
Murdered because of his colour
blamed for being poor.
Flee for your lives?
What about running for food
queueing up for health
praying for dignity.
You eat your cookies
and drink your tea
and wonder
how having nothing
and fighting for sanity
might look or feel like
in a distant future
after this good, smart humanity
has finally failed.
Well, it's already on the news
maybe a bit distant from you
the kids are already dying
and there are monsters hunting people
on the streets, already
and for many tomorrow's distant
as wonderland
and churches are teeming
with screams for salvation.
The end is nigh
it's here, day and night.
Go on and write a story,
if you might.
comfortable lives,
thinking and writing
and dreaming
of holocausts and catastrophes
and nightmares
"The end of the world"
is nigh
it's right around the corner.
It's right in front of our doors.
It ain't tomorrow
for that dead black boy.
Murdered because of his colour
blamed for being poor.
Flee for your lives?
What about running for food
queueing up for health
praying for dignity.
You eat your cookies
and drink your tea
and wonder
how having nothing
and fighting for sanity
might look or feel like
in a distant future
after this good, smart humanity
has finally failed.
Well, it's already on the news
maybe a bit distant from you
the kids are already dying
and there are monsters hunting people
on the streets, already
and for many tomorrow's distant
as wonderland
and churches are teeming
with screams for salvation.
The end is nigh
it's here, day and night.
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quinta-feira, maio 25, 2017
Contas
As contas dos colares nativos, de tão lindas cores,
eram de plástico.
Em outro canto, na parca refeição,
salgadinhos e refrigerantes.
Nos shoppings, quase nada é ouro,
mas há muito espelho. E brilho.
Passaram-se 500, 600, sabe-se lá quantos anos
E continuam a tentar nos seduzir
com quinquilharias
mixarias
engodos
ilusões
tóxicas
vazias
Os plásticos a se acumular
nas praias
nos papos
nas prateleiras de supermercados;
a praticidade vendida ao preço (e às custas)
da existência em si
As drogas [ou o álcool - outra droga] a salvar da terra quem não é considerado merecedor nem de ser digno do céu de todos. As drogas cujos caminhos são abertos pelos mesmos que perseguem e matam quem usa as drogas. As drogas que fazem com que as pessoas, uma vez mais, sejam a barata mercadoria. Para ser usada pelo sistema de reproduzir armadilhas que prendem pessoas.
Tiram as terras, as sementes, as feiras.
E nos dão
fast food.
concreto.
supermercados.
Comidas desfiguradas a se fingir de alimento.
Outras drogas a tentar nosso discernimento.
Nos oferecem:
sabores?
tempo?
O que nos roubam?
Saber?
Envolvimento?
Chegaram em nossas casas e com seus melhores sorrisos disseram que traziam do bom e do melhor para nós, porque éramos "especiais", e merecíamos.
[nas entrelinhas, sussurram: f.e.l.i.c.i.d.a.d.e. assim, parcelável]
As armadilhas e ilusões não mudaram tanto assim. Tampouco as lutas. Muitos não engoliram as mentiras. Também hoje muitos as recusam.
Não fomos nem somos assim tão ingênuos, defendem, registram.
É verdade.
Mas como gritar mais alto que a cacofonia de cores, sabores, aromas, visões baratas?
Como bichos de oceano e costa, sinto-nos como a nos engasgar
em nosso
maravilhoso
e prático
mar
de plástico.
Da cabeça aos pés, dentro-fora, entulhos antinaturais engolimos, vestimos, portamos.
Sinto-nos sendo levados por palavras tão verdadeiras quanto os produtos processados
reconstituídos
idênticos ao natural
aroma e corante
tudo artificial
- inclusive na saciedade -
palavras com o toque certo
de sal e açúcar
e o melhor aroma
para nos convencer de que todas e tantas porcarias
são tudo
de que sempre precisamos...
Dão-nos de comer, de vestir. De sentir. De sorrir.
Nos adoecem. Nos aprisionam.
A colonização
é com correntes de plástico coloridas artificialmente. E ainda pagamos por elas,
para não ficar fora da moda
da alta sociedade vigente.
eram de plástico.
Em outro canto, na parca refeição,
salgadinhos e refrigerantes.
Nos shoppings, quase nada é ouro,
mas há muito espelho. E brilho.
Passaram-se 500, 600, sabe-se lá quantos anos
E continuam a tentar nos seduzir
com quinquilharias
mixarias
engodos
ilusões
tóxicas
vazias
Os plásticos a se acumular
nas praias
nos papos
nas prateleiras de supermercados;
a praticidade vendida ao preço (e às custas)
da existência em si
As drogas [ou o álcool - outra droga] a salvar da terra quem não é considerado merecedor nem de ser digno do céu de todos. As drogas cujos caminhos são abertos pelos mesmos que perseguem e matam quem usa as drogas. As drogas que fazem com que as pessoas, uma vez mais, sejam a barata mercadoria. Para ser usada pelo sistema de reproduzir armadilhas que prendem pessoas.
Tiram as terras, as sementes, as feiras.
E nos dão
fast food.
concreto.
supermercados.
Comidas desfiguradas a se fingir de alimento.
Outras drogas a tentar nosso discernimento.
Nos oferecem:
sabores?
tempo?
O que nos roubam?
Saber?
Envolvimento?
Chegaram em nossas casas e com seus melhores sorrisos disseram que traziam do bom e do melhor para nós, porque éramos "especiais", e merecíamos.
[nas entrelinhas, sussurram: f.e.l.i.c.i.d.a.d.e. assim, parcelável]
As armadilhas e ilusões não mudaram tanto assim. Tampouco as lutas. Muitos não engoliram as mentiras. Também hoje muitos as recusam.
Não fomos nem somos assim tão ingênuos, defendem, registram.
É verdade.
Mas como gritar mais alto que a cacofonia de cores, sabores, aromas, visões baratas?
Como bichos de oceano e costa, sinto-nos como a nos engasgar
em nosso
maravilhoso
e prático
mar
de plástico.
Da cabeça aos pés, dentro-fora, entulhos antinaturais engolimos, vestimos, portamos.
Sinto-nos sendo levados por palavras tão verdadeiras quanto os produtos processados
reconstituídos
idênticos ao natural
aroma e corante
tudo artificial
- inclusive na saciedade -
palavras com o toque certo
de sal e açúcar
e o melhor aroma
para nos convencer de que todas e tantas porcarias
são tudo
de que sempre precisamos...
Dão-nos de comer, de vestir. De sentir. De sorrir.
Nos adoecem. Nos aprisionam.
é com correntes de plástico coloridas artificialmente. E ainda pagamos por elas,
para não ficar fora da moda
da alta sociedade vigente.
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sexta-feira, março 10, 2017
Das fotos que não tirei
... no ônibus, à noite, alguém escreveu em um dos bancos - você é a pessoa que queria ser quando crescesse?
----
... nas ruas, à noite, floresce como se fosse primavera; o caminho para casa é fresco e adocicado...
----
... nas ruas, à noite, floresce como se fosse primavera; o caminho para casa é fresco e adocicado...
quinta-feira, março 02, 2017
os fins justificam os títulos...
O segurança que se aproximou
de mim
Sorriu e disse "bom dia"
...
Mas não deixou
de descansar a mão na pistola,
enquanto me indagava.
"Sorriso armado".
de mim
Sorriu e disse "bom dia"
...
Mas não deixou
de descansar a mão na pistola,
enquanto me indagava.
"Sorriso armado".
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terça-feira, dezembro 06, 2016
de reflexões recentes e mais antigas. meus auto-retratos e pés na porta.
Isso de alguém ser espancado por conta da orientação sexual (ou por estar andando na rua, ou o que for) é insano.
Os casos de homofobia machucam porque é muito mesquinho querer dizer de quem o outro pode gostar ou não.
É engraçado porque deveria ser algo pessoal, mas de repente se torna uma bandeira, uma forma de apoiar e de dizer que somos todos iguais.
Então vamos lá: EU SOU BISSEXUAL.
É um ato pequeno contra essa coerção que tod@s sofremos, mas... tenho a sensação de que quanto mais conseguirmos falar disso, mais difícil será nos deixarem com medo por conta disso.
[[e, quatro anos depois]]
Relembrar e reforçar, porque, infelizmente, continua sendo uma luta necessária.
Em tempo: há um bocado de coisas que não sou diretamente. Não sou, até onde me percebo, trans. Não sou negra. Não sou moradora de favela, nem de rua. Não tenho religião - hegemônica ou perseguida.
Tenho uns quantos privilégios. E sofro uns tantos preconceitos. Ambas as coisas, misturadas, mais o privilégio de ter amigas e amigos vários, e mães, avós, primas também várias, me ajudam a aprender com a experiência des outres que não eu ou ""meus iguais"". A dor de muites também me dói.
Então, falei isso tudo para dizer que, embora tenha naquele momento levantado uma bandeira específica, me reconheço em muitas frentes e acolhimentos. Temos muitas lutas. E, sobretudo, acredito que devemos ser capazes de nos comover, mesmo quando não somos diretamente afetados pelo tipo de dor que a outra pessoa sente.
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quinta-feira, agosto 18, 2016
Seguir, prosseguir, ter paciência...
Continue a nadar, continue a nadar...
Respirar fundo e continuar, por vezes, é o caminho mais curto para fazer o que precisa ser feito...
Respirar fundo e continuar, por vezes, é o caminho mais curto para fazer o que precisa ser feito...
terça-feira, julho 19, 2016
Das poesias nas quais ainda acredito
Acredito que o que existe entre nós tem um potencial grande. bom. E merece continuar existindo. Merece ser alimentado, fortalecido, vibrar, crescer, nos fazer crescer junto, ganhar esse mundo...
Acredito que nossas energias e intensidades combinam. E que muita coisa boa e bonita pode nascer de nossa mistura. Acredito que nossas vidas podem se encaixar de muitas formas boas.
Acima de tudo, acredito que nossa história ainda merece ter espaço para amadurecer, para descobrir-se, conhecer-se.
Acredito que ainda temos muito caminho a trilhar juntos. E oxalá surjam muitos bons frutos deles...
Você fazia eu me sentir especial, e gostava de ser especial para você. E gostava que você fosse especial para mim...
Acredito que nossas energias e intensidades combinam. E que muita coisa boa e bonita pode nascer de nossa mistura. Acredito que nossas vidas podem se encaixar de muitas formas boas.
Acima de tudo, acredito que nossa história ainda merece ter espaço para amadurecer, para descobrir-se, conhecer-se.
Acredito que ainda temos muito caminho a trilhar juntos. E oxalá surjam muitos bons frutos deles...
...
Você fazia eu me sentir especial, e gostava de ser especial para você. E gostava que você fosse especial para mim...
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segunda-feira, junho 06, 2016
Rotina / Cotidiano
Seu despertador toca, você se espreguiça, toma café da manhã.
Uma mulher é estuprada.
Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.
Outra mulher é estuprada.
Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.
Uma adolescente é estuprada.
Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.
Mais uma mulher é estuprada.
Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.
Outra. Mulher. Estuprada.
vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.
gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.
Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.
O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...
Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.
O terror, para outra mulher, continua...
Uma mulher é estuprada.
Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.
Outra mulher é estuprada.
Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.
Uma adolescente é estuprada.
Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.
Mais uma mulher é estuprada.
Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.
Outra. Mulher. Estuprada.
vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.
gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.
Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.
O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...
Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.
O terror, para outra mulher, continua...
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Em janeiro deste ano, li uma estatística que dizia que, no Brasil, a cada três horas, uma mulher é estuprada. Sente?
quinta-feira, agosto 20, 2015
Oxalá...
...Eu possa encontrar as palavras e ações para tocar as pessoas....
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terça-feira, agosto 04, 2015
inconvenientes
Salvador são finas paredes escondendo amontoados de expropriados... É como varrer a poeira para baixo do tapete, ou para o lado de fora da casa, e de repente olhar pela janela e perceber que se está completamente cercado pelo problema que se queria evitar.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
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segunda-feira, julho 13, 2015
03.07.2015
Pobre
carente
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quinta-feira, julho 09, 2015
tempos difíceis
Acho que tantos optam por sentir ódio, raiva, revanchismo porque dóem menos do que amor, empatia, compaixão...
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sexta-feira, maio 08, 2015
constatação
Acho que entendi porque gosto de pessoas mal humoradas ou rabugentas: elas tendem a ser mais honestas. Ou, menos falsas. O que já é grande coisa...
terça-feira, maio 05, 2015
Um café bom por dia
Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
copo plástico
luz fluorescente
ar condicionado
emails
pendências
café frio
reuniões
almoço
café adoçado
notícias
conversas
letras no monitor
café velho
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
copo plástico
luz fluorescente
ar condicionado
emails
pendências
café frio
reuniões
almoço
café adoçado
notícias
conversas
letras no monitor
café velho
escorre
acaba
o dia.
Na pia
a xícara limpa
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...
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segunda-feira, fevereiro 23, 2015
Microconto matinal de semi horror (ou suspense?)
Eu matei todos os haunter cats. Levei muito tempo para entender isso. Mas, o haunter cat que parou de assombrar minha casa é o único que continua vivo até hoje.
sábado, dezembro 20, 2014
Senhores passageiros
Desculpem atrapalhar
os ruídos e rangidos
da viagem de vocês
mas eu só queria dizer
que
eu podia estar roubando
eu podia estar matando
eu podia estar estudando
eu podia já estar jantandoeu podia estar lendo
vendo filme
brincando com as crianças
preparando a quentinha de amanhã
arrumando a casa
escrevendo
malhando
fodendo
dormindo.
Eu podia estar
fazendo poesia
estudando música
dançando
falando com os amigos
olhando as estrelas
fazendo boa arte.
Eu podia estar checando as promessas dos candidatos da última eleição
- e o que aconteceu com elas.
Eu podia até estar
de pernas pro ar
em casa
sem fazer porra nenhuma.
Mas estou aqui,
senhoras e senhores.
Em pé
Há uma hora
No meio fio
Há duas horas
no ponto
esperando.
Esperando.
Esperando
a porra do ônibus.
Que não passa.
Que não para.
Que chega
cheio demais.
Então desculpem interromper,
senhoras e senhores,
o silêncio da viagem de vocês.
Mas eu devia era estar gritando.
os ruídos e rangidos
da viagem de vocês
mas eu só queria dizer
que
eu podia estar roubando
eu podia estar matando
eu podia estar estudando
eu podia já estar jantandoeu podia estar lendo
vendo filme
brincando com as crianças
preparando a quentinha de amanhã
arrumando a casa
escrevendo
malhando
fodendo
dormindo.
Eu podia estar
fazendo poesia
estudando música
dançando
falando com os amigos
olhando as estrelas
fazendo boa arte.
Eu podia estar checando as promessas dos candidatos da última eleição
- e o que aconteceu com elas.
Eu podia até estar
de pernas pro ar
em casa
sem fazer porra nenhuma.
Mas estou aqui,
senhoras e senhores.
Em pé
Há uma hora
No meio fio
Há duas horas
no ponto
esperando.
Esperando.
Esperando
a porra do ônibus.
Que não passa.
Que não para.
Que chega
cheio demais.
Então desculpem interromper,
senhoras e senhores,
o silêncio da viagem de vocês.
Mas eu devia era estar gritando.
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quarta-feira, julho 02, 2014
Vida em linha reta
Todos estão por demais preocupados
com sua formação
seu salário
seu status social
É preciso pensar em alcançar
o padrão estético
o padrão de consumo
o padrão de relacionamento
o americano padrão
Ser bem sucedido então
é uma corrida
pelo primeiro
o segundo
o 13º
bilhão
Não há valor em ser solidário
preocupar-se com algo que não sua vida
Mind your own business
e tudo ficará bem.
Garantido seu patamar,
sua cobertura,
seu chalé a beira-mar,
seu carro importado
filhos educados,
mulher siliconada
Pague sua previdência privada
troque os bem duráveis
a cada 2 anos (ou seis meses)
tire férias em locais caros e exóticos
poste as alegres fotos
seja feliz nas redes sociais
E aproveite seu sucesso
em um belo e confortável
caixão feito a mão
esculpido em madeira de lei e veludo.
com sua formação
seu salário
seu status social
É preciso pensar em alcançar
o padrão estético
o padrão de consumo
o padrão de relacionamento
o americano padrão
Ser bem sucedido então
é uma corrida
pelo primeiro
o segundo
o 13º
bilhão
Não há valor em ser solidário
preocupar-se com algo que não sua vida
Mind your own business
e tudo ficará bem.
Garantido seu patamar,
sua cobertura,
seu chalé a beira-mar,
seu carro importado
filhos educados,
mulher siliconada
Pague sua previdência privada
troque os bem duráveis
a cada 2 anos (ou seis meses)
tire férias em locais caros e exóticos
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caixão feito a mão
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"... A morte do povo foi como sempre tem sido: como se não morresse ninguém, nada, como se fossem pedras que caem sobre a terra, ou água sobre água."
p.b.
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