terça-feira, dezembro 25, 2007

nem sempre é de se jogar fora
Nem sempre que se escreve muito sai algo de valor

Das impressões...

Nem sempre seu namorado vai gostar de poesia.
Nem sempre o amigo que gosta de passear de bicicleta é o que mora mais perto.
Nem sempre o mais legal é também o que aprecia suas obras em paint.
Nem sempre o gato será preguiçosamente simpático.
Nem sempre o cachorro será afoitamente brincalhão.
Nem sempre a noite é magnífica.
Nem sempre o convidado de honra é bem recebido.
Nem sempre o melhor presente vai para a melhor pessoa.

Nem sempre os estados de espírito se mantém.
Nem sempre falar é melhor que calar.
Nem sempre é possível se livrar de sensações.
Nem sempre é possível entender o que se sente.

Nem sempre o acolhimento será como que se espera.

Às vezes a euforia é só fruto da imaginação.
Às vezes a gente entra e alimenta uma discussão sozinho.
Às vezes o que a gente gostaria não é o que a gente dá a entender. Ou o que a gente faz.
Às vezes a gente deve "ficar sussa" e ser compreensivo, mas não rola.

Às vezes não sai bem uma poesia.
Às vezes não se está pra prosa.

Às vezes só percebemos um pedaço das coisas.
Às vezes não nos deixamos sentir. Ou sentimos demais.
Ou nos perdemos em divagações interiores e nos afastamos do que poderia ter gerado a emoção, caracterizando, claramente, fuga do tema.

Nem sempre se deseja Feliz Natal sabendo o significado estabelecido disso.
Desejamos o que construímos. Ou o que achamos que deveria ser.

Nem sempre nos organizamos e fazemos e reconhecemos a todos que deveríamos.

Nem sempre dá pra passar como se nada estivesse acontecendo, e tratar como rotina a Pessoa que está, mais de meia-noite, pedindo restos de dinheiro no sinal.

Nem sempre faz sentido, mas a gente gasta nossa grana com um vinho ou um chiclete que talvez nem masquemos, ou com nossas drogas, ou com qualquer coisa que achemos importante, ou às vezes não nos damos ao trabalho de recuperar as moedinhas que caíram em algum lugar não imediatamente visível... Mas acha que não tem para / não deve dar alguma coisa pra criatura que está sob sol, sobre asfalto, subvida, sobretudo pedindo um valor que pra maioria de nós é em certa medida irrelevante.

E talvez pra muitos de nós nem doa, nada ou tudo isso.

Talvez não doa não se reconhecer nos amigos.
Talvez não doa não reconhecer os seres humanos.
Talvez não doa que alguém que também sente seja invisível e negado.
Talvez ver as coisas não faça doer. Não faça chorar. Não toque...

E para muitos seja algo passageiro, e se preocupar seja bobagem.

Mesmo que a realidade sejam apenas impressões, e fruto de nossas relações com o meio. Mesmo que não exista Uma Realidade. Ou talvez por isso mesmo...

Desejo traçar marcas de mudança. Caminhos profundos.

Nem sempre
Às vezes
Talvez
Mesmo que
Feliz Natal

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Centro de Cultura

O nome é batido.

A idéia também.

Mas a inteção é pura, seu moço.

A gente podia estar roubando, podia estar matando, podia estar estudando pra próxima prova de Cálculo III, ou ouvindo dolorosamente o pagode do vizinho.

Mas a gente só quer se reunir com pessoas interessantes engraçadas cantêras desenhantes jogantes, brinqueiras, assim, um pouco, talvez um tanto excêntricas... e ter umas horinhas de vida diferentes.

A proposta: pessoas. Idéias. Partilhas. Alimentos para a parte mais sensível/ artística/ criativa do corpo e da alma e do cérebro.
Juntar-se para ler textos interessantes.
Ou jogar algo.
Ou cantar um pouco, mesmo que desafinado.
Ou visitar algum lugar pela cidade.
Ou desenhar.
Ou ganhar massagem.
Ou aprender e jogar xadrez.
Ou fazer-sessões-de-fotos-daquelas-que-você-junta-e-dão-um-filmezinho.
Ou assistir filmes.
Ou provar comidas, cheiros, texturas diferentes.
Ou provar músicas e estilos novos.
Ou viajar por aí.
(Que na realidade já é tudo isso.)

Amigos possibilitam à mente oxigênio...

A idéia do centro de cultura é reunir os amigos com propósitos oxigenantes.
Sem tanta burocracia quanto parece aqui, porque senão enjaula as idéias.
Sem muita "promiscuidade", no início, para não perder os ideais...

Com a idéia de se proporcionar coisas boas, de ser independente de haver ou não algo de bom por aí. Com a idéia de se arrepiar, de ficar com água na boca, de ter discussões inflamadas, ficar apenas calado ouvindo, chorar.

Bato à porta dos que sei que podem ouvir, e vivem chamando, mas não respondo.

Ainda tem algum amigo arteiro aí?

quarta-feira, setembro 19, 2007

Quão grande é o mundo?

Quantas pernas expostas pela orla ele é grande? Quantas crianças adormecidas ao colo de mães cansadas? Quantas senhoras religiosas a rezar o terço, estrada a fora, quantos choros contidos?

Quantos mundos o mundo é grande? Quantos pedaços de solidariedade gratuita, ou consciente, quantos com tão pouco a dividir com os que têm menos ainda? Quanto em cada troca de olhar? Quanto o mundo particular de cada um? A senhora que reza o terço, balançando a cabeça, como que em transe. A mulher que sabe de onde veio, que partilha as dores e cansaços da outra. As mulheres nas vitrines da janela do ônibus. O mundo, o mundo, o mundo.

O mundo do sorriso. O mundo-vida cada ser.

O que se faz por este(s) mundo(s)...?

Quantos mundos nossos ou dos outros vamos matando ou deixando por aí, pelo caminho? Quantos captamos de relance, sem compreender muito bem? Quantos não queremos compreender, ou não podemos?

“...é gente humilde, que vontade de chorar...”

Quão grandes somos?

Quão grandes podemos ser?

terça-feira, setembro 04, 2007

Trix a dois

Paparazzo
FatoFodaFoto

quinta-feira, agosto 30, 2007

De blogs e moscas.

De blogs e teias de aranha.
De blogs e poeira pelos cantos.
De blogs e correspondências se acumulando na caixa coletora do correio.
De blogs e recados esquecidos - sem ouvir - na secretária eletrônica.
De blogs e campainhas não atendidas.

Abandonaste?
Esqueceste?
Sumiste?
Morreste?

Não de todo.
Não isso, assim.
Só um pouco.
Não ainda!
Não pra sempre!

De como nem sempre conseguimos fazer todas as coisas que gostaríamos, ou as que mais nos dariam prazer, ou... do melhor jeito.

De como eventualmente deixamos coisas passarem, achando que só nós mesmos daremos importância, e que se não dermos atenção ninguém sentirá falta.

De como amigos precisam ser pacientes às vezes.

De como carinho e admiração e gosto duram mais do que se imagina, e nascem eventualemnte quando não se espera.

De como na vida as coisas - nós, mesmos, também - vêm e vão...

De como vou, de como volto. De mim.

segunda-feira, junho 25, 2007

Acordei no meio da noite...

Com a sensação de que algo passara em mim. Bendita seja a luzinha de cabeceira, acesa na mesma hora - olhei pro travesseiro; nada. Mas eu sabia. Passei a mão nas costas, de onde vinha a certeza. Olhei em redor.

Ali, na guarda da cama, estava parada a barata. Levantei da cama com uma ligeira sensação de mal-estar. Ligeira de pequena, não de curta, já que perdura até agora, em segundo plano. Saí do quarto. Fui ao banheiro. Liguei a luz do corredor. Olhei para dentro - passeava sobre a guarda... Sobre a parade... Passando por trás da outra cama... Próxima ao chão, na entrada de meu ex-guarda-roupas. A tudo isso, observamos, meu gato e eu. Eventualmente nos olhávamos e, (talvez para não desmoralizá-lo tanto) fiquei com essa impressão de que ele me consultava, sistematicamente, sobre o que deveria ser feito com a barata. Deve ter lá, com seus botões, checado o nível de adrenalina e demais hormônios de medo e estresse. O fato é que espreguiçou-se, lambeu-se, farejou um bocadinho, quando ela estava mais perto e, como eu, deixou-a ir.

Eu liguei o computador, para escrever e ver as horas... Isso, há uma hora atrás. Agora espreito sorrateiramente, pelo vão da porta, pelo espelho, pelas reações de meu gato. Acho que ela já foi.

Filosofo um pouco, agora, como antes, sobre como é que a passagem (espero que rápida) de um bicho me faz despertar assim. Os significados "ocultos" dessa sensibilidade, ou, pior - a alternativa nada convidativa de ter sido um processo longo e duradouro, esse de o insetozinho ter conseguido me acordar. Procuro a sensação em minhas costas - ainda está lá, aqui, pouco abaixo da linha dos cabelos. Será que o cheiro influi? Terá ela passado rapidamente, ciente de que andava sobre uma possível histérica inimiga, ou terá se delongado, como quem passeia por uma chão de banheiro, no meio da madrugada? Torço por meu sono leve.

Hoje, deixarei as hipocrisias quietas. Nada de correr para me lavar toda, ou trocar os lençóis. Sabe-se lá quantas vezes ela ou suas companheiras ja puderam fazer isso sem serem descobertas, para que eu venha a ter uma síncope desmedida agora! Vamos ao sono, que se ganha mais.

...Ok. Um banhozinho. Pra lavar a sensação ruim.

domingo, junho 17, 2007

Homenagem

Hoje é aniversário de um amigo meu.

Temos conversado um pouco, ultimamente... Resolvi que hoje não falaria com ele. Minha argumentação foi a seguinte - geralmente as pessoas mal se falam, no Orkut (ou no real) e quando são (re)lembradas de que é aniversário, correm a mandar um recadinho. Ora, uma vez que tenho falado com ele com freqüência, e que também fui avisada pelo Orkut, meu jeito de ser original é fazendo um dia de silêncio.

Mas vou deixar aqui registrado que é bom voltar a falar com ele, e que me arrependo de não ter dado tanta importância quanto deveria (em minha opinião) quando ele morava mais perto e tínhamos mais tempo e podíamos passar mais tempo conversando e trocando figurinhas.

Ele vai se formar esse ano, num curso que eu gostaria de ter feito, mas para o qual não passei. Ele é loiro e possui olhos... cinza, eu acredito. E numa das últimas vezes em que nos vimos, ele e eu ainda éramos mais bobos do que somos agora, e eu fui dar/pedir um abraço, e ele negou.

Crescemos um pouco, espero... No final do ano ele vem visitarnos e conversaremos mais e abraçarei ele à força, vez ou outra. =)

Olhando para o teto (menos ao escrever o título... >.<")

Há quase não sei quanto tempo atrás, eu resolvi escrever um post que seria feito assim, como este, sem eu olhar para as teclas que eu ia digitando... (acho que errei alguma coisa aqui). Hoje tesolvi refazer a experiência, não sei quanto tempo depois, para saber como ando após não sei quanto tepo.

Vocês terão de perdoar o que nao é erro de digitação meu, mas sim do teclado, que às vzs falha em algumas teclas - hã... Ok, eu não tenho como dizer o que foi erro meu e o que foi falha. xD. Enfim, estou aqui a escrever olhando para o teto, para a luz, e argumentando com meu irmão, que diz que o telcado não falha, é apenas pouco sensíve... Nossa, acho que o teclado se parece comigo, rsrs...

As paredes de minha casa são sujas de pés, são sujas de teias de aranha, não são lissinhas, possuem marcam de cimento sobre rachaduras... Sãgo encardidas... O forro tem uma abertura, que já não fica tampada. O teto, possui aerturas por onde os gatos passam. Ontem vi um gato meu passeando pelo forro... Pouco depois, ele sentiu vontde de ir ao banheiro. Encontrou um cantinho, caou, cavou... Ping, ping, ping. Gotas de xixi em minha cama - ele resolveu fazer xixi no forro.

Os meus gatos resolveram que nossa vida não era suficientemente animada, e resolveram dar uma mãozinha. O problema todo é que eles não sabem a hora de parar. São mais inertes do que eu.

Estou cansada e meio enjoada. Vou forrar novamente a cama - retirei todos os lençõis, ontem - e então, acho, vou dormir...

bejosmeliga

sábado, junho 16, 2007



A melhor coisa a fazer quando se está triste é aprender alguma coisa. Essa é a única coisa que nunca falha. Você pode ficar velho e trêmulo em sua anatomia, pode passar a noite acordado escutando a desordem de suas veias, pode sentir saudades de seu único amor, pode ver o mundo ao seu redor ser devastado por lunáticos malvados ou saber que sua honra foi pisoteada no esgoto das mentes baixas. Só há uma coisa para isso: aprender. Aprender por que o mundo gira e o que o faz girar. Essa é a única coisa da qual a mente não pode jamais se cansar, nem se alienar, nem se torturar, nem temer ou descrer, e nunca sonhar em se arrepender. Aprender é o que lhe resta.
(Fala de Merlin, à pág. 252 de A espada na pedra, de T. H. White)

quarta-feira, maio 30, 2007

Banksy

Há quase uma semana, a menina espevitada chateou-se com o menino fechado orgulhoso...

O peito da menina dói, e aperta.
E a barriga dela fica meio esquisita.

E ela se sente só.

Mais só.

E, entretanto...
...quem é que pode saber quais as melhores decisões a tomar?

A menina espevitada não está exatamente espevitada, agora. Há alguns meses, ela se acostumou a apreciar a companhia do menino fechado orgulhoso. Desde então, esta é uma das primeiras vezes que ficam tanto tempo sem se falar, com tantas coisas ruins a afastá-los ainda mais.

A menina fica um pouco cinza e sem jeito.

Sem todas as palavras e argumentações do mundo.

Sem seu amigo brigão.

terça-feira, maio 29, 2007

sábado, maio 26, 2007

Hoje queria alguém que me puxasse pra vida, de um jeito irrecusável, aconchegamente, vivo, apaixonante...

sexta-feira, maio 25, 2007

Não Esquecer...

Que há muitas coisas para lembrar.
Que ainda é cedo pra parar.
Que não importa o que aconteça, eu sempre vou estar comigo.
Que a vida é grande, e não gira em torno do meu umbigo.
Que o dia-a-dia é um senhor que se compõe de muitos e variados aspectos e dedicar muito de seu tempo a apenas um deles deixa o senhor capenga e você, idem.
Que, eventualmente ou sempre, escrever é bom e me faz bem e é algo que posso fazer de mim para mim e que ninguém tira.
Que gosto do barulho das teclas sendo pressionadas e da textura do papel, após ter sido escrito.
Que sou uma pessoa, além de confusa, em formação. E que talvez uma coisa influa na outra.

Que eu tenho uma casa e há coisas e pessoas e serezinhos nela, e eu faço parte desse universo e devo cuidar dela.

Que eu às vezes gosto de ficar só.

Que eu às vezes gosto de ter companhia.

Que eu ando à procura de não sei exatamente o quê.

Que...
Às vezes, algumas coisas fazem falta.

Que gosto de tomar sopa. Que gosto de ficar em casa, mas não sempre.

Que sou meio inerte. Talvez, no bom E no mau sentido.

Que tomar sopa quente com suco gelado talvez não seja das melhores coisas a fazer com o estômago.

Que eu gostava da trilha sonora de Heroes (não o seriado, o jogo)... E que eu só escrevi isso porque, "do nada", uma das músicas veio em minha cabeça. Aliás, talvez eu devesse tentar descobrir de qual das "linhas" é esta, assim quem sabe eu descubro que não foi apenas uma coincidência.

Que eu tenho essa mania de achar que as coisas não acontecem por acaso.

Que quando eu fico muito tempo sem escrever, e consigo parar para fazê-lo, costumo escrever muito e muito.

Que não necessariamente saem coisas que prestem, da ponta de meus dedos.

Que às vezes é importante saber a hora de parar.

quarta-feira, maio 23, 2007

Cobra Bubbles

Era uma vez um peixe.
Que nasceu em uma poça pequena, rasa e de paredes transparentes.
O mundo a sua frente parecia grande e confuso. E, ao mesmo tempo, o espaço para si era tão pouco que jamais sentiu o que era ficar cansado de tanto nadar.
Ou, talvez... talvez sempre tenha se cansado de fazer isso, e nunca tenha podido apreciar o que seria deslizar ao sabor da corrente criada pelo mover de seu próprio corpo.

Por duas vezes, o peixe soube o que era sentir o vento sobre seu corpo. Por duas vezes, o peixe soube o que era sentir o impacto de seu corpo contra o chão. Por duas vezes, o peixe quase soube o que era morrer por excesso de ar e falta de água. E uma vez, o peixe pôde sentir o hálito faceiro de um gato brincalhão sobre seu corpo, os dentes a envolver-lhe e a roçar suas escamas. Soube como é ser carregado por patinhas cheias de unhas. Por duas vezes, o peixe foi salvo antes de não mais precisar de água ou oxigênio ou comida.

Então o peixe adoeceu, aos poucos... E foi tratado com floral. E foi tratado com formol. E foi tratado com fungicida. E recebeu doses homeopáticas de sal em sua água. E foi levado para tomar banho de sol. Não necessariamente ao mesmo tempo. O peixe recebia ração às metades, para conseguir engolir. E sua dona volta e meia tinha de ir lhe falar, para lembrar-lhe de boiar, para lembrar-lhe de respirar.

O peixe morreu ao sol. Aos 14 dias do mês de maio. E foi enterrado - sim, enterrado - em frente à casa, em um canteiro ao redor de uma árvore. hoje, isso não importa muito. O peixe já pode, agora, nadar e voar e andar por onde bem entender.

14 de Maio

O Cobra Bubbles foi para o mar dos peixes.

sexta-feira, maio 11, 2007

...

mnemonêmona...

quinta-feira, abril 19, 2007

A menina espevitada e o menino fechado paciente brigam feito cão e gato.

A menina espevitada e o menino fechado paciente brigam feito dois gatos.

A menina espevitada e o menino fechado paciente brigam feito dois irmãos...

Dois irmãos que são iguais e diferentes e que apesar de cederem em alguns aspectos, optam, ou optaram desde sempre, em serem muito eles mesmos quando estão juntos, e talvez por isso briguem ainda mais.

Espevitado

Acepções
adjetivo
1 aparado, cortado ou puxado com a espevitadeira (diz-se de pavio, mecha etc.)
2 Derivação: por extensão de sentido.
estimulado, avivado
Ex.: a chama da vela está e.
3 Derivação: por extensão de sentido.
zangado, irritado, belicoso
4 Derivação: por extensão de sentido. Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
que gesticula muito, fala alto, não tem cerimônia (diz-se de pessoa); animado, assanhado
5 afetado, pedante, presunçoso

Retirado do Dicionario Houaiss online

segunda-feira, abril 02, 2007

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz...

domingo, abril 01, 2007

O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta

vontade de sair matraqueando bobagens e merdas e cobras e lagartos... vontade de chorar. vontade de ser grossa, chata, rude.

...o que é que houve meu amor você cortou os seus cabelos...
...foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar...

eu novamente sem centramento. eu novamente ansiosa e tosca e não bem sozinha. eu agindo como uma garota boba. tudo isso semi-multiplicado por dois.

eu embolando tudo e ficando sem saber o que fazer com o resultado da mistura. eu quero chorar... eu quero atenção desmedida e demasiada. eu quero manter minha individualidade.

eu confusa, esquisita, "num mato sem cachorro", escolhendo me fechar nos caminhos que mais estão abertos, porque não estava preparada para o que encontrei atrás das portas.

imatura, imatura, imatura.

eu quero que me ofereçam colo, para poder, displicente, sarcástica, malagradecidamente, negar. eu quero espalhar essa amargura que saiu de mim e foi por mim criada. eu realmente não politicamente-correta. realmente pensando no outro de um modo torto, torto.

fechando-me, ao menos não dou fiascos... não tanto.

vontade de me "trancar" em algum lugar, ficar em um mundo meu, meu, meu. que não seja invadido por ninguém.

eu cansada, antes de dez da noite e eu com os olhos pesados...

eu querendo arrancar os lençóis de minha cama, mudar o ar do quarto. - sai, sai, sai, sai!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

eu não quero me machucar demais. eu sei que não quero machucar os outros - apesar de agora ter vontades contrárias a isso.

hora de sair daqui, já que preciso fazer algumas coisas, ainda, antes de dormir...

segunda-feira, março 26, 2007

The greatest thing you'll ever learn it's just to love and be loved in return...

domingo, março 25, 2007

Quando eu era mais nova eu queria que alguém me chamasse de lagartixa e me jogasse na parede...

Hoje eu estava pensando sobre coisas de que sinto falta, ou melhor, sobre como eu gostaria de ser "vista", gostada, e lembrei de como eu resumia essas coisas com aquela frase que fala "ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de lagartixa e me joga na parede".

Hoje talvez eu tenha as coisas um pouco mais claras... Ou, talvez, apenas não tão resumidas...

Encontrei alguns poemas (alguns são músicas) que trazem isso, que trazem o encantamento que desejo, e que não sei se saberia levar adiante ou retribuir (egoísta, eu? Por que você acha isso??).

She

She
May be the face I can't forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay.
She may be the song that summer sings.
May be the chill that autumn brings.
May be a hundred different things
Within the measure of a day.

She
May be the beauty or the beast.
May be the famine or the feast.
May turn each day into a heaven or a hell.
She may be the mirror of my dreams.
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell

She who always seems so happy in a crowd.
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry.
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past.
That I'll remember till the day I die

She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is

She, she, she

Charles Aznavour & Herbert Kretzmer

Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

Que Maravilha

Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor

Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor

Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor

Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor

Por intrebancários, automóveis, ruas e avenidas
Milhões de buzinas tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco, meiga, linda, pura e muito tímida
Com a chuva molhando o seu corpo
Que eu vou abraçar

E a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva
A girar
A girar
A girar

Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor

Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor

Por intrebancários, automóveis, ruas e avenidas
Milhões de buzinas tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco, meiga, linda, pura e muito tímida
Com a chuva molhando o seu corpo
Que eu vou abraçar
E a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva
A girar
Que maravilha
Que maravilha
Que maravilha

Jorge Ben & Toquinho

Minha Namorada

Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de que
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida ‚ nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

A Rosa

Tu és, divina e graciosa estátua majestosa
do amor, por Deus esculturada
e formada com o ardor,
da alma da mais linda flor, de mais ativo olor
e que na vida é a preferida pelo beija-flor.
Se Deus lhe fora tão clemente aqui neste oriente de luz
formada numa tela deslumbrante e bela,
teu coração, junto ao meu lanceado
pregado e crucificado sobre a rosa cruz do arfante peito teu
Tu és a forma ideal, estátua magistral
oh alma perenal, do meu primeiro amor, sublime amor.
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação de todo o coração
cintilas um amor
o riso, a fé, a dor em sândalos olentes cheios de sabor
em vozes tão dolentes quanto um sonho em flor
És láctea estrela, és mãe da realeza
és tudo enfim que tem de belo,
todo o resplendor da santa natureza
Perdão se ouso confessar-te, eu hei de sempre amar-te
Oh flor! Meu peito não resiste,
Ah, meu Deus o quanto é triste,
a incerteza de um amor que mais me faz penar
em esperar em conduzir-te um dia aos pés do altar
Jurar, aos pés do onipotente
em versos comoventes de luz,
e receber a unção da tua gratidão,
depois de remir, teus desejos
em nuvens de beijos hei de envolver-te
até o meu padecer, de todo fenecer.

Talvez a que mais traduza o que desejo neste momento seja "She"... Não obstante, realmente não saberia dizer se eu estaria disponível para este tipo de amor.

E, então, me pergunto - eu realmente quero isso ou é só um capricho?

sábado, março 24, 2007

Sábado de Manhã

Acordo com sensação de arrependimento
Remorso
Ressaca

Não bebi ontem
Não saí ontem

Não fui dormir especialmente tarde
Não acordei especialmente cedo

E, ainda assim.

Depois que se sabe que se pode ser mais objetivo, que se pode dar e receber mais da vida, passar um dia em que se faz mais coisas sem importância do que importantes pode ter esse resultado...

Será isso??

/*passaram-se dez dias desde a última postagem... parece tanto tempo... o que são dez dias? quanto são dez dias?? */

quarta-feira, março 14, 2007

Feliz Dia da Poesia

Sim, hoje, 14 de Março, é dia da Poesia

Não que tenha necessariamente a ver, mas... Outro dia assisti Clerks II, há uma cena em que os dois protagonistas estão andando de kart, e a música de fundo me agradou tanto que saí para comprar pão e me peguei cantarolando a danada. Como se não bastasse, uma pessoa muito querida, que estava comigo na hora, começou a acompanhar, e eu achei muito gostosinho, e hoje decidi buscar a música.

Deu algum trabalho, já que eu não sabia nada da letra, nem tinha pego o nome nos créditos. Mas nada que o Google não ajude a resolver, e só tive de escutar o início das faixas anteriores do cd com a trilha sonora do filme, até encontrar a que queria. Depois, foi pedir ajuda a sites de letras e ao bom e velho radio uol, tão requisitado por minha mãe e por outro grande amigo meu.

O resultado é este post aqui. Enfim, a letra nem combina tanto assim comigo, ou talvez tenha uma mensagem que eu deva aprender. O importante, mesmo, é a melodia, no caso. *sorriso*

Raindrops keep fallin' on my head

Raindrops keep fallin' on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'

So I just did me some talkin' to the sun
And I said I didn't like the way he got things done
Sleepin' on the job
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'

But there's one thing I know
The blues they send to meet me won't defeat me
It won't be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me
'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me

[trumpet]

It won't be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me
'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me

(B. J. Thomas)


Desnecessário dizer que fiz o post ouvindo a dita cuja...

Bom dia, mundo!!!!!

terça-feira, março 13, 2007

solidão e saudade

a menina espevitada sente saudades, e se sente um tanto só

pega sua bolsa portuguesa, coloca coisas importantes nela -

a carteira de cigarros, uma cerveja -

e sai

a menina espevitada vai para a praça perto de sua casa, um semi-refúgio para onde vai quando quer se incensar e pensar um pouco

no meio do caminho, ela abre a cerveja com ajuda da bolsa.
dá dois "boa-noite!" durante o percurso, mas não presta atenção no caminho.

bebe; senta-se; acende o cigarro.

lembra-se.

e se sente só. bebe com o amigo menino português... só agora a menina espevitada percebe que resolveu trazer justo a bolsa portuguesa para lhe fazer companhia.

ela bebe com o amigo que está longe. lembra que aprendeu, finalmente, a beber vodka pura. lembra do amigo português. lembra da menina mimimi que está sumida.

(enquanto escreve, a menina espevitada conversa. e percebe que o álcool tem a capacidade de derreter lágrimas que endurecem o coração)

a menina espevitada sente falta de falar com alguém, talvez para não perceber que não pode partilhar aquele momento com quem gostaria. tenta a menina sumida - e ela não atende. o menino rabugento responde, eles conversam um pouco. às vezes, o menino rabugento é um doce.

mas é pouco, e a menina espevitada termina sua cerveja e seu segundo cigarro só, protegida da chuva pela interseção das copas de uma árvore qualquer e de algo que parece um coqueiro. a menina saudade pensa mais um pouco e volta...

na volta, ela percebe mais o caminho. de fato, ela olha para ele. não está tão firme quanto na ida - ela, não o caminho - mas... está lá.

a menina espevitada se despede do menino que está longe... eles se despedem com saudade e carinho... e com algum choro, mas um choro mais maduro.

a menina espevitada se despede, mas mais madura...

o menino que está longe

(Dave Matthews and Tim Reynolds - Christmas Song)

A menina espevitada se sente tentada a chorar...

Há seis meses seu melhor amigo sem noção boçal metrossexual foi para muito, muito longe. Desde então, eles se falam muito esporádicaeventualmente. Da última vez, foram longos trinta e tantos dias. Sem ouvir voz ou ler novas frases.

De saudade apertar e recorrer a velhas fotos, a renovadas vontades de escrever, de derramar grossas ou leves gotas de "sinto uma falta absurda dessa pessoa que estava tão perto de mim"...

A menina espevitada não chora por esse amigo. A menina espevitada tem chorado pouco...

Talvez, se ela lembrar quanto conversavam, quanto calavam, quanto riam... Lembrar-se de noites em que o menino de óculos escuros e ela estavam já mortos de sono, e sem querer pensavam ou viam algo que era interessante, e lá se ia mais uma hora de conversa, de discussões acirradas, e, quase milagre, de uma pessoa entender o ponto de vista da outra. Sim, é um milagre pensar que duas coisinhas intransigentes e orgulhosas sejam capazes de ceder; no entanto, eventualmente, talvez pelo prazer de continuar a conversar, a menina espevitada e o menino... o menino que por não gostar de rótulos poderia recebê-los vários, eles cedem, e se ouvem.

Talvez se lembrar do tempo que conhece este garoto, das coisas que passaram juntos, de como eles foram se tornando mais próximos... Lembrar de um tempo em que ela era mais rebelde que interessante - quem sabe? Lembrar de um tempo em que ele era mais nerd do que farrista. Lembrar de caminhadas de tarde inteira por qualquer lugar, para alimentar o quê - a vontade de conversar sobre tudo, e sobretudo a vontade que tinham de estar juntos... O menino de óculos escuros, a menina espevitada, e o então melhor amigo deles, o menino realmente sem noção. Porque, sim, a menina espevitada se lembra agora, o menino de óculos escuros é um anjo, além da criatura mais doce do mundo, perto do menino realmente sem noção.

A menina espevitada tem mais lembranças do que momentos destes três, agora... E uma das forças que a levam adiante é reencontrar o menino que usava óculos escuros de noite e usava preto embaixo do maior sol e que era uma pedra de gelo e chorava feito criança, e se tornou seu melhor amigo apesar de qualquer coisa diferente que um pensasse do outro.

A menina espevitada não está apaixonada pelo menino português. A menina espevitada não está idealizando o menino português.

Com muita clareza, a menina espevitada ama esse ser que saiu de perto dela mais menino, e que aos trancos, barrancos, solidões e porradas deve estar se tornando um homem. E hoje, sempre que pode, ela diz isso para quem estiver por perto para ouvir.

O rosto da menina espevitada está marcado por gotinhas de saudade. O menino de óculos escuros está virtualmente perto, neste exato momento. Mas o menino que gosta de ser gostado e de fazer rir está precisando de atenção, e então ela os deixou a sós...

Estica-se o lábio inferior da menina que também é introspectiva e quieta - e agora um beicinho triste mora em seu rosto, para combinar com os caminhos molhados de saudade e saudosismo.

A menina espevitada se imagina abraçando o menino que está longe. Ela sente...

Saudades.

E deseja que seus caminhos, muito em breve, se cruzem mais.

Meninos e meninas vêm e vão
em nossas vidas. Na vida da menina quieta que veste máscara de caminhos de lágrimas e beicinho, isto não é diferente.

A menina espevitada chora e roga que este menino permaneça. Que, afinal, sempre se pode ir por aí juntos!!

segunda-feira, março 12, 2007

menina espevitada e menina graciosa

A menina espevitada queria ser passarinho...

... e conheceu uma linda menina de lindas bochechas e movimentos graciosos. E frente à tanta gentileza e sorridência, a menina espevitada ficou um tanto sem jeito - como conseguir fazer graça para alguém já cheio de graça, de per si?

A menina espevitada pensou em pedir ajuda a seu amigo que era muito amigo, mas que era também muito fechado. Mas o amigo muito fechado achava, como a menina espevitada, que algumas coisas nós devemos ser capazes de resolver sozinhos. E a menina espevitada se encolheu e pensou que talvez fosse melhor deixar pra lá.

Um dia, conversando com o menino rabugento, a menina espevitada tomou um pouco de coragem, e pediu a opinião do menino mais sem jeito que rabugento, que pra algumas coisas não tinha nada de sem jeito - apesar de continuar sendo meio rabugento! E, para sorte dela, o menino rabugento pôde ajudá-la... Apenas um pouco, o suficiente para que a menina que não era sempre espevitada conseguisse uma porta para alcançar a menina simpatia.

Meio sem jeito, as duas conversaram, uma sem saber o que dizer, a outra sem saber o que esperar. O menino rabugento volta e meia tentava ajudar, mas a menina espevitada parava e acabava pensando que, afinal, ou ela faria as coisas do jeito dela ou não seria capaz de fazer nada...

Mais uma vez a menina espevitada catou um pouco de coragem e fez as coisas como acreditava que poderiam ser. Entre tímida, direta e atrapalhada, falou e falou. E, para sua sorte e surpresa, as bochechas formaram sorrisos, que abriram as portas para encontrar a menina graciosa.

As duas se encontraram meio sem jeito, meio assim - o que será que essa menina deseja realmente? E, como já havia sido decidido, as duas foram assistir a um filme. Um filme com ar de conto de fadas e de super herói, e com uma poesia no mínimo gostosa. E, depois que as duas meninas já haviam se encontrado, foi a vez das mãos das meninas se encontrarem, e eram macias e cúmplices, de início mais tímidas, aos poucos, decididas, respondendo às perguntas que suas donas haviam preferido não fazer... e o que as mãos diziam era que...

Sim, as bocas podiam e deviam se encontrar, e cada mão contou isso à boca da outra menina, com suaves beijos desses que a boca dá quando deseja encontrar outra boca. E em algum momento de menos poesia no filme e mais poesia entre elas, duas bocas macias se tocaram... não houve espanto, mas um encontro calmo e suave, de quem sabia o que estava fazendo, de quem sabia o que queria fazer...

As duas maciezas se riram e se experimentaram, mas naquele dia a menina espevitada teve de sair mais depressa do que gostaria, e então ela foi embora, levando o sorriso da criança que conquista um tesouro escondido, e a água na boca de quem gostaria de um pouco mais.

Meninas e passarinhos são seres que devem ser tratados com muita liberdade, se você deseja ter a chance de estar em sua leve presença novamente - a menina espevitada segurou seus arroubos, e para seu sorriso as bochechas cheias de graça, sua vez, chamaram-na para um encontro.

Dessa vez as duas já se conheciam um pouco mais, e entendiam um pouco o que a outra desejava e gostaria. Mas nesse lugar em que as meninas viviam, meninas muito passarinho e muito espevitadas e muito cheias de graça e que, ainda por cima, possuem bocas que gostam de se encontrar, chamam muita atenção, e então seus momentos foram novamente rápidos, semi-furtivos...

Foi um encontro mais de amigos e conversas, e também de azeite, queijos, tomates, sucos de laranja. Foi um bom encontro, e afinal, é difícil juntar tantas coisas boas e disto sair um resultado sem graça.

Mas passarinhos voam por muitos caminhos, e as duas meninas, hoje, encontram-se apenas de passagem, por rotas distintas - ainda sorrisos, outras paragens... Quem sabe?

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Poemas

E este segundo talvez fale mais comigo.
Porque ultimamente tenho entendido que isso é importante...

Entendimento - será que ficou claro que os nomes que "assinam" são heterônimos do Pessoa?
Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui.Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes.Assim como em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.

(Ricardo Reis)

Se Eu Pudesse

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz por um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
(Alberto Caeiro)

Poemas

Os dois próximos textos serão poemas de Fernando Pessoa, que eu gostaria de partilhar com alguém que anda me acompanhando, mesmo quando não estou ao seu lado...
Os dois próximos textos são poemas que minha mãe enviou para um amigo, que me pareceram coerentes, neste momento...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

"fechado pra balanço"

Um peito...

uma cabeça confusa?

Um dia de ansiedade e meiguice.

um sorriso enorme e luminoso

(...)

ba-pum
ba-pum
ba-pum

(...)

um corpo que treme, uma vontade de se encolher e... talvez, ficar só - pensar, pensar. um corpo que insiste em tremer, ainda que apenas internamente. duas pernas sem força - trêmulas, também?

peito apertado, apertado, apertado...

ansiedade, ansiedade.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

........

sentimento de posse, instinto de posse... ? bens materiais, pessoas, idéias, ideais... apego... será que a respeito de cada aspecto da vida é possível pensar e pensar e pensar, será que é possível se envolver profundamente em análises, com qualquer aspecto da vida? fixo o olhar... pareço voltar para dentro, mas foco o exterior, o mundo. neste momento, parece-me que sim - é possível dedicar muita atenção a qualquer coisa...

(escrito há eras atrás...)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A dica da semana é...

ouvir um pouco mais minha mãe talvez não me faça mal, em alguns casos

vou tentar seguir alguns conselhos seus, para ver o que dá
na realidade, talvez seja uma superstição - NÃO seguir os conselhos é que gera confusão u_u

enfim...

rescue
limpeza (3x)
seqüência nos banhos

amém

sábado, fevereiro 10, 2007

*suspiro* é bom ter escrito!!!!!!!

Enquato puder escrever

As coisas têm como ficar bem.

Brisa de chuva. Fecho os olhos........

Escrever é bom.

A cor da postagem da última quinta-feira foi sugerida. Quero me lembrar disso.

Acho que por dentro sorrio, satisfeita.

Feliz comigo mesma

(o texto abaixo foi pré-escrito. neste momento, sentada para aqui escvrevê-lo, ouvindo uma música mais tranqüila - ira!, trago o cigarro, ajeito o cabelo, e me percebo feliz de ser quem sou, e com isso me sinto bem - se eu fosse outra pessoa e me visse aqui, agora, sentiria admiração)

Vontade de estar em algum lugar onde...
Onde eu fique simplesmente tranqüila. Onde nao esteja, necessariamente, imersa em um turbilhão de sentmentos e emoções (nem sempre meus). Um lugar onde não haja tantas coisas acontecendo em redor, sabe.
...
Em qualquer caso, sempre acaba sendo o que alguém quer, não?
O que eu quero.
O que você quer.
O que nós queremos.
O que outra pessoa quer.

Mais difícil é conciliar o que dois querem, ao mesmo tempo...

Muitas muitas muitas coisas.

Afinal, eu nem sei o que quero!!!

Talvez umas férias.

Talvez ficar um pouco longe de tudo. Asistir a tudo de longe. Ponto crítico.
Daqui, posso ir para qualquer lugar.
Deixar-me levar pela corrente. Fechar os olhos, e não ouvir nada... Música, talvez. E só. Por alguns minutos, pelo menos.
Enquanto isso, decidir se quero tomar as rédeas de minha vida.
Decidir se quero deixar as coisas- algumas ou todas - simplesmente irem acontecendo. Ou se quero me posicionar conscientemente em relação aos assuntos que me afetem.
Perceber o que me afeta.
Saber como quero as coisas.

Ir para casa é positivo. Uma conversa leve e semm compromissos. Divertida. Eventualmente, apaixonante. (fora do texto - o frescor de chuva é realmente um frescor para a alma) Trancar-me no banheiro e passar algum tempo eprdida em mim, me encontrando. Escolher entre pelo menos três tipos de coisas para comer ou beber.
Voltar para minha vida. Ser eu. EStar segura disso e basear os acontecimentos nisso. Ter clareza de minhas falas, de minhas vontades.

Por hora, aqui, escrevendo, acho que consigo isso. Por hora...
Depois? Me dêem... dois amigos, pelo menos. Amigos pelos quais meus sentimentos estejam mais claros, menos conturbados e novos.
Me tragam Rodrigo, e quem vier, e uma noite inteira de despretensões.
Me dêem um local onde possa aconchegar meus sonhos, risos, choros. Lá andarão também minhas certezas. Certeiras, apos cada riso e cada lágrima: os sonhos que desejo ter.
Se eu estiver certa de mim, estarei mais certa de quem são os outros, e de quem eles são pra mim?
A (minha) lógica diz que sim.

A tentação de "alguém ao lado" bate, às vezes. Nem sempre pude decifrar, com clareza, quais os motivos disso. Mas nesse ponto devo estar mais segura. Não porque isso evitaria que eu me machucasse. Sim porque assim não me perco. E, estando ao meu ladod, em qualquer caso, o resultado final é que estou feliz. Esse é meu norte. Minha escolha básica. Minha escola.
Enquanto assim não for, enquanto nem 50% de mim estiverem claros e de acordo com o que quero, será difícil ficar completa e/ou satisfeita. E não é dificil entender por quê.

(pós texto)

(Rubro Zorro)

(Eu Quero Sempre Mais - acho que quero, em qualquer caso, ser marcante. Fazer a diferença.)

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

impressions from a couple of lovely days

Impressões...

Insegurança.
Medo?

O estar tudo bem mistura-se a...
A,talvez, uma certa sensaçõ de desconhecer territórios, de ser tudo um pouco diferente do que já vivi, do que já sei como é.

E de repente me pego insegura para fazer algo que devia ser natural. u_u
Sem jeito, esquisita.

(...há alguém que insiste em não me deixar escrever...)

Impressões que correm pela cabeça, às vezes.

coisas que surgem q...

(o que é que se faz quando a pessoa que você ama resolve, insistentemente, atrapalhar sua vontade quase insuportável de escrever?????????????????)

eu queria escrever porque percebi que algo não estava exatamente fluido bem.

percebi que me senti um tanto travada, tensa, insegura, sem motivo aparente.

pensamentos, pensamentos,
pensamentos vêem à cabeça e me pergunto...

como se conquista intimidade? tudo acontecendo rápido, de modo tão intenso, e talvez ainda nem se conheça detalhezimos bobos um do outro, mas que dão segurança, deixam mais íntimos um do outro.

coisas bobas como... o jeito que a pessoa gosta de dormir, o tipo de toque que lhe agrada, se gosta de escrever, o que gosta de ler, que músicas adora ouvir ou alguma coisa que não suporta de jeito nenhum.

ou o quê sem dúvida, sem dúvida alguma, absoluta e definitivamente, tira o outro do sério. o que o faz chorar como um bebê.

como gosta de uma massagem. e, afinal, coisa traumatizante das coisas traumatizantes do mundo - como é que se faz uma massagem? quer dizer... isso não é traumatizante.

Traumatizante é que uma pessoa que sempre fez isso naturalmente, sem frescuras ou pudores ou receios ou inseguranças, trave frente a um pedido de massagem. ISSO é o tipo da coisa que faz pensar, e faz ter vontade de parar pra entender o que se passa, e faz ter vontade de correr para dentro de si mesmo, e escrever um pouco.


starting to live something really diferent of all I had until now. the beggining of something that I don't know what will be yet. ok, one never knows what future will bring. but, still, this time is diferent. diferent because it started a little faster, because it has elements never "tasted" before. things that I would reject in other ways... having the chance of being with somebody who has captured my attention and my desire, one who made me force myself not talk, before anything, after evertyhing. maybe the sense, the feeling of grownig adult. maybe fear of the unknown. maybe both. I just have no idea about nothing. except, sometimes, that I'm in love. loving being hugged, loving just being, forever... one smile, the sound of the voice, the touch of the skin... I just feel this time has new things for me. on the other hand, I also have this thing saying me that we can do everything go normal, with no surprises, with nothing more than all we ever have when we decide date somebody. I wish we can do our best. I want this one to be special... Dreaming about sweet days, friendship, comprehension, lives being shared, good cousines, people trying to be really lovely and gently. and lots of issues that I don't want to describe right here, right now.
finally felling better. gong to live a bit of love, now.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

secondhand lions...

Sono bastante sono.

Talvez vontade de escrever.
Talvez vontade de escrever para alguém.

Talvez um monte de receios. Incertezas. Inquietações.

Um mundo de não saberes.

Meio amortecida? Não tanto, não sempre.

Ora doce
ora amarga
ora esperando o pior
ora deixando sonhar...

ora sendo por demais fria e racional.


ora desejando dizer coisas boas, desejando ser tudo que se pode querer, desejando espantar a tristeza; ser céu azul mais canto de pássaros na janela, de manhã cedo.

vez ou outra, apenas uma amiga preocupada. uma amiga sem saber o que fazer pra ajudar. uma amiga doida bolão.

um sorriso sorriso sorriso sorriso
onde há um garantido
sincero,
sentido

e sem resquício de dor?

sorriso aberto
menino
de olhos brilhantes
e vivos
de coração palpitante
leveza
alegria

Um olhar de contentamento, umas horinhas de doçura completa.
Um abraço que faça a tudo esquecer.
Um conforto infinito.


Sinto-me sem saber o que dizer, olhando demais cada passo a dar, cada palavra a usar. Egoísta, egoísta... Sentida pelo sofrimento que surge. Pelas dores, e por saber que sempre dói, em algum lugar ou caso.

Dividida em um mil pedacinhos. Sem ser a única assim. Esquisita porque queria, agora, apenas dar apoio. Parar um pouco de sentir, ser mais forte. Mais forte pra acolher. Mais forte pra ir em frente. Mais forte pra resistir.

Hoje ouvi algumas coisas doces docinhas. Uma voz há muito esperada. Uma voz mais dura e fria. Hoje vivi sensações diferentes, por vezes, quase antíteses, mesmo.

Hoje lembranças boas e notícias que deixam confusa. Futuros obscuros.

Hoje percebi com clareza que não queria fazer sofrer, nem esperava que isso ocorresse.

Hoje o dia foi longo e longo, pra variar.

Hoje vontade de dizer eu te amo.
De abraçar.
De sorrir.
De chorar.

Quem te cuida e protege das coisas do mundo?
Que sejamos fortes. Que saibamos, logo, estar inteiros. Estar em pé.

Conversar sobre o que for. Ficar felizes e felizes e felizes.

Hora de dormir.
Dia cheio, depois.

Que haja uma voz gostosa, que haja alguém mais tranquilo.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Exagero docinho...

Há que se sentir o que se vive...
...Ou viver o que se sente.

Não sei como será amanhã
ou hoje, quando acordar.
Sei que, agora, estou feliz, apesar de cansada.
Hora de dormir - as pálpebras realmente pesadas, as reações lentas, o olhar um tanto parado.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Leões e brindes à minha volta...

O que é que dói, exatamente??

E por que estou assim?

Ansiedade de querer estar junto... Essa sou eu, um porre de grude, às vezes. Mas dessa vez não dá. E o tempo, que em outras ocasiões seria até legal, a ansiedade de rever, trocar experiências...

É só a distância que eu mesma imponho, para poder estar um pouco mais inteira, no final. E, no entanto, no meio deste drama maluco e insensato em que me enfio... Para não sofrer, sofro. E, de quebra, torço um pouco mais minha cabeça, pensando nos reflexos que minhas ações e reações terão. Em suma, eu dando mais nós...

Mesmo as coisas que tenho claras às vezes me parecem um tanto obscuras. Que é que valem minhas decisões, afinal?

Talvez eu esteja crescendo com tudo isso. Talvez seja realmente bom, pois me sinto uma criança, em território desconhecido.

Que é que houve? Que é que aconteceu? Quando foi que eu abri alguma brecha para me apaixonar, e por quê? Falar, falar, falar...

E ainda me pergunto se minha certeza não é só uma questão de charminho idiota.
Não e sim.
Não, eu tenho certeza do que digo, eu acredito no que digo.
Sim, porque eu queria que desse certo, eu queria que fosse diferente.

Tanta coisa passa pela minha cabeça, talvez tanto pra falar ou escrever. E hoje sou mais anônima do que ontem.

Cuidar das coisas da vida e guardar o que não tem solução.

Uma carta anônima de alguém que tem receio de escrever. Receio de ficar chata e todas essas coisas que sei que fico, aliás, que sei que sou.

O que é que eu tenho vontade de dizer, de fato? O que, o que, o que?

O que falta, o que sobra?

Insegura, por quê?

Talvez seja o problema de saber que na situação atual, pros meus padrões, as coisas não podem dar certo. Por saber que não há vontade ou disponibilidade de finalizar o experimento. Por achar que não tem muita coisa errada nisto tudo.

E por ser esquisita? Talvez. Talvez eu seja esquisita. Talvez eu seja sonolenta. Talvez eu deva ir dormir... >.<'

Talvez tudo seja tão fofo e bom que me deixe assim, receosa, confusa, boba.

Talvez se pudesse dar certo durasse tão pouco que não valeria nem a pena. Talvez esse seja outro receio meu.

Vou dormir...

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Não fui dormir. Fui embora.

Talvez tenha descoberto coisas novas...

Talvez....

Talvez eu devesse escrever um pouco mais aqui. Mas, neste momento, estou correndo atrás de um pouco mais de interatividade.