quarta-feira, outubro 05, 2016

aprendizados

"Just because someone is supporting you doesn't make you a burden."
a.g, b.l.m.

Pra não esquecer. Pra motivar...

http://strongfemaleprotagonist.com/issue-5/page-166/

aprendizados

"[...] After a while, you just start to enjoy it. You start enjoying..."
"...Anything that you're good at. I know. Probably why it's so important to be careful what you get good at."
m. & m.g., b.l.m.

terça-feira, outubro 04, 2016

...

"[...] Pra conversar é necessário gostar. Caso contrário, a coisa viraria um monólogo: uma fala sem resposta."
r.a.

Prosseguir...

Na dúvida, a melhor ação é observar e esperar?

Suspiro...

domingo, outubro 02, 2016

sexta-feira, setembro 30, 2016

Enough
is enough
is enough...

For all that matters...

I deserve better.

quinta-feira, setembro 29, 2016

Aprender e integrar

Mesmo que eu seja forte, mereço e tenho direito a cuidado, carinho, apoio...

Mesmo que seja forte, posso querer cuidado, carinho, apoio...

Posso buscar e querer companhia sem abrir mão de minha independência.

Não preciso ser ou estar frágil para merecer cuidado. Ou para precisar de outra pessoa.

Vou me fortalecer. E continuar aprendendo...

segunda-feira, setembro 26, 2016

pensares

[...] Se a nossa amizade depende de coisas como o espaço e o tempo, então, quando finalmente ultrapassarmos o espaço e o tempo, teremos destruído a nossa fraternidade! Mas, ultrapassado o espaço, tudo o que nos resta é Aqui. Ultrapassado o tempo, tudo o que nos resta é Agora. E entre Aqui e Agora você não crê que poderemos ver-nos uma ou duas vezes?
f.c.g., r.c.

sexta-feira, setembro 23, 2016

I am the one who walks in the rain

I am the one who walks in the rain
Without fearing its tears
I am one in a thousand
a million
seven billion

I shall stand
and fall
and rise once again
for I am alive
and life is stronger
and so am I

I am the one who walks
without fear of feeling
without fear of falling
I shall rub my hands clean
breathe through cry and pain
and stand once more
for I am alive
and I will walk
and run
and smile
and love
and shine
once again.

I am the one
who walks in the rain
welcoming its blessing waters
without fearing them
for I am alive.
And life is stronger
and so am I.

aprender

"Dá certo sempre, quando se sabe o que se está fazendo."
c., r.b.

terça-feira, setembro 20, 2016

domingo, setembro 18, 2016

Os silêncios apertam o peito

E ficam brigando para pesar no peito.

E quero dizer isso. Dizer quanto aperta o silêncio.

Mas... quem sou eu?

alguém sem lugar...

e, dentro, a sensação é de que minhas lágrimas não importam...

Fluir. Ou: amar sem ponto final

Um gostar que nasce fácil,
    sem nos darmos conta
    um amor que flui,
    que se fecha os olhos e sente
    que deixa o peito enorme
    traz paz
    que nutre.

Um amor que nasceu porque
   estava tudo ali para nascer
   - sem esforço, sem mirabolâncias,
         sem ser "porque era preciso".
         Sem ser pra preencher buracos.

Que nasce porque conversar é bom,
    porque o olhar faz sorrir,
    porque tudo é encaixe e encontro

Um gostar que acontece independente
    de a gente querer,
       de dizer sim ou não,
           de ser simples ou complicado

Um gostar que quando você olha faz parte de você
    e se misturou como cachos de cabelo
       raios de sol na pele,
           pernas com pernas,
               abraço-encaixe

Um gostar que vem fácil, que acontece e...
    engrandece a vida
    faz o peito aquecer.

Verdades que prosseguem

Abraços curam.

sexta-feira, setembro 16, 2016

16.09.16

O sol aquece de dentro
No peito há ansiedade, apertos
Mas brilha também
                   uma lua amarela
E sorrisos serenos, salpicados de mar

Algos dóem no peito
Mas, por vezes, algo serena
E é um misto de vento forte
                          e brisa azul
       uma paciência
   de deixar o tempo passar

Ontem, a água levou a conchinha pequena
             a grande ficou
O que cresce dentro é, antes de escolha,
                                    encaixe e mistério
                          inefável
O tempo também leva
           o que não quer ficar

E também a intensidade pode ser serena
quando se consegue esperar...
                         

quinta-feira, setembro 15, 2016

Translúcida

A lua estava bonita, hoje...

...

...

And I miss you.

Why do you think that I'm stronger than others?

Se o que você sente por mim é tão forte e você não quer que eu sofra, se você me quer próxima... Se abre pra cuidar disso... Você é importante. E faz falta. E eu também não estou bem. Também preciso de cuidado. E é um cuidado que não é outra pessoa quem pode oferecer... Porque você é você. E eu te amo. E você me ama. E a gente não quer ficar longe um do outro...

[...]

É tão estranho e ruim ficar, longe, distante, mudo...

sábado, setembro 10, 2016

Aprender

Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."
c.m.

...

Como se algo estivesse fora do lugar...

terça-feira, setembro 06, 2016

De percepções e aprendizados

Às vezes, confundimos o gostar de uma grande amizade com o gostar de amor... E ainda que haja uns quantos pontos em comum, tenho sentido e aprendido que há pontos por vezes difíceis de explicar - uma conexão, uma cumplicidade, talvez? Que fazem com que uma coisa não seja a outra. Ainda que ambas sejam importantes.

Oxalá...

O que tiver de ser, fique. O que não for, que vá...

segunda-feira, setembro 05, 2016

O medo não tem sido um bom companheiro. Acho.

quinta-feira, setembro 01, 2016

desejos que flutuam no tempo...

Um bom livro de histórias, para não faltar fantasia.
Um caderno sem pautas, para dar liberdade de existência aos pensamentos.
Lápis de cor, pincel, tintas aquareláveis, pois a vida é fluida, e cheia de cor.
Sons curiosos de lugares distantes, para nos lembrar de viajar.
E um aroma púrpura, denso, que nos faça flutuar e sair do tempo.

De alguma tarde azul que se misturou no tempo...

Lei 1

Não magoar o outro.

Lei 0

Inominável. Só pode ser quebrada mediante concedimento claro das duas partes.

Lei 1

Não é permitido aproximar-se a menos de um palmo, medido de lábio a lábio.
Parágrafo único: em se infringindo a lei 1, a próxima distância intransponível é de duas ofegações.

Lei 2

É expressamente proibido ficar em posições que suscitem, no outro, pensamentos impuros.

Lei 3

Não se pode fitar a boca do outro por mais do que três trejeitos de boca (vide lei 4) do observador.

quarta-feira, agosto 31, 2016

dance



terça-feira, agosto 30, 2016

amanhã

Menina , amanhã de manhã
quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.

Na hora ninguém escapa
de baixo da cama ninguém se esconde
e a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens vai
desabar sobre os homens.

Menina, ela mete medo
menina, ela fecha a roda
menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado.
Menina, olhe pra frente
menina, todo cuidado
não queira dormir no ponto
segure o jogo
atenção (de manhã)

Menina a felicidade
é cheia de graça
é cheia de lata
é cheia de praça
é cheia de traça.

Menina, a felicidade
é cheia de pano,
é cheia de pena
é cheia de sino
é cheia de sono.

Menina, a felicidade
é cheia de ano
é cheia de Eno
é cheia de hino
é cheia de ONU.

Menina, a felicidade
é cheia de an
é cheia de en
é cheia de in
é cheia de on.
Menina, a felicidade
é cheia de a
é cheia de e
é cheia de i
é cheia de o.
t.z.

segunda-feira, agosto 29, 2016

...algumas coisas levam tempo...
às vezes, muito tempo...

quinta-feira, agosto 25, 2016

Esquecimento?

Esquecimento é da ordem do impossível e, certamente, do não desejado.

É preciso que a dor amaine.
É impossível minimizar o Amor.

É preciso permitir ao tempo mover os ciclos da vida.
z.f.

Bam!

Art!

terça-feira, agosto 23, 2016

águas na boca - toda inquieta

Quero sentir teu abraço. Sentir tua respiração aquecendo minha pele. Roçando meu pescoço. Quero sentir a ansiedade causada por tua mão deslizando por minha barriga, apertando minha cintura. Quero fechar os olhos e deixar nossos corpos, nossos desejos, navegarem um no outro, enquanto peito e respiração aceleram, e o mundo parece se composto apenas das sensações e anseios de nossos corpos se encontrando.

Quero sentir crescer a vontade de teus lábios, de tua língua, de tua boca. A fome de roçar, sentir o hálito, tocar de leve as línguas... e mergulhar em teu gosto, e estar em abraço, entrelaçados, entregues um ao outro.

Quero aperar tuas mãos, sentir tuas costas, me enroscar em teu corpo, em teus cachos. Quero estar em nós, enlace, pulsando, suando, olhar em teus olhos, sentir teus gostos, morder. Mergulhar em nossos encaixes, sair do tempo, suspirar você, prolongar o abraço...
Not all that was broken is lost...

sábado, agosto 20, 2016

caminhar.... - 2


caminhar.... - 1

Time, what is time...

quinta-feira, agosto 18, 2016

Seguir, prosseguir, ter paciência...

Continue a nadar, continue a nadar...

Respirar fundo e continuar, por vezes, é o caminho mais curto para fazer o que precisa ser feito...

quinta-feira, agosto 04, 2016

Botar pra fora

O "amor de tua vida" de repente parece, somente, uma necessidade de agarrar-se a algo. Então dois meses (menos!) são suficientes para você ressignificar e desistir do amor de sua vida? "a escolhida"? em menos de dois meses você está pronto para começar não a ficar com outra pessoa, mas a namorar? comprometer-se a se abrir, escrever outra história, construir algo juntos?

Isso me mostra uma pessoa que não aguenta ficar sozinha. Que, muito mais do que amar a pessoa que sou, ama estar apegada a alguém.

Se tudo que eu disse, e tudo o que dizes que sentes, não balança, não faz repensar, não te faz querer passar um tempo sozinho e reavaliar tuas escolhas, não te faz querer conversar mais comigo...

Se tudo isso só te faz calar, e depois você segue se aproximando de outra pessoa, e a vida segue, sem você pensar... ou se você não é capaz de pensar sozinho, de aceitar e acolher tua confusão...

Então não apenas não há espaço em tua vida para mim, como já não quero fazer parte dela. Não é assim que busco encarar a vida. Não foi assim que busquei agir com você.

Não era isso que você significava pra mim.

Mas não vou ficar nessa. Não vou me encolher e me recolher e torcer e esperar que uma pessoa assim me queira. Não. Quero e mereço mais.

Não estou aqui para o parco, o pouco, o fácil. Não é assim que tenho escolhido trilhar meus dias. Meus caminhos. E, por mais que ainda te ame... Se teu amor é assim, sinto muito, mas não caibo nele.

Nem quero.

.......

E também este é um grito no vazio.

Chega.

O que é amor para você?

Seus atos têm falado mais. Muito mais... Você sequer demonstra se importar... Como esperar que eu me importe?

Arre. Isto tudo há de passar...

quarta-feira, agosto 03, 2016

de buscas e escolhas. e aceitar...

procurei tantas palavras pra te pedir pra repensar, conversar, ter paciência, esperar um pouco, se abrir...

e as únicas que funcionaram foram justamente as que te pediam para calar...

02.08.2016 (03.08.2016)

Vontade de dizer Eu te amo...

Monólogos matinais

Ficaram coisas não ditas
    Eu te amo
    Trouxe isto para você
    Ouvi um poema que achei que você ia gostar
    Continuo acreditando que podemos encontrar caminhos
    Continuo querendo encontrar

De repente um baque
    fecha a porta
    destrói pontes
    maltrata peitos

Com o acalmar da tempestade,
   não houve a bonança
   sequer um fazer as pazes

Então, era já tudo diferente
   e portas fechadas

O nós que existe
   aqui
   - que por vezes acredito existir ainda aí
   ficou entalado
   gritos desesperados
   pontos não resolvidos
   alegrias não vividas

   tudo preso na garganta
   um silêncio ensurdecedor
   - como explicou Saramago.

Fica este peito que sente
                        medo
                        dor
                        saudades

Fica uma vontade latente
                  de fazer as pazes

E conversar,
         conversar,
               conversar.
                     Digerir.
                           Sarar junto.
                                  Horas a fio.

Resolver o insoluto
      entre duas pessoas
      pode ser tão difícil.
         Tanta coisa se perde,
                 por não conseguirmos falar
                 - e, quando vemos, já não há
                                                 espaço
                                                 para consertar

E, no entanto, cá estamos.
     Vivos.
     Capazes de andar com as próprias pernas.
     Cientes da importância
     - e da falta -
     um do outro.
   Que passa conosco que nos arriscamos
                     a não falar?

Sinto uma ruptura
    um desperdício.
    um hiato.
  Quase desonesto com o que houve
                                      e talvez ainda haja
                                      e talvez ainda possa haver
  Esse atropelar de tudo.
          Este fim que não foi
                 um fim,
                 senão um corte
                 um estar-não estar

Essas não oportunidades
          de cuidarmos
          e resolvermos juntos
          o que era e é nosso

Um desperdício de vida
                          de amor
                          de serenidade
                          de paz

Ficaram coisas não ditas
               gestos não feitos
               o amor não vivido.

O desejo de fazer as pazes...
                De estar em paz
                                    juntos.

E agora ficam as confusões
                     o que não foi dito
                     o que não foi resolvido
                     o que não foi conversado
              a dois
    a ser revisto
         redito
             monólogos
             poemas
             gritos pra dentro
             esse desajuste no peito.

Isso tudo que merecíamos ter entendido e conversado juntos.

E fica a malcicatrizar
           dizendo que ainda não era a hora
                               aqui...

sexta-feira, julho 29, 2016

I want to learn how to love
Not just the feeling
bear all the consequences

And I want to learn how to love,
And give it all back

n.g.

...

https://soundcloud.com/recordrecords/of-monsters-and-men-king-and

quinta-feira, julho 28, 2016

vontade de chorar

...cansando de me abrir e me dedicar para alguém que não acha que eu valho a pena...

Saudades - Adeus?

Nunca mais o sorriso sapeca?
Nunca mais o brilho no olhar?
Nunca mais os beijos suados?
Os almoços no meio-fio?
Nunca mais guardar um chocolate?
Nunca mais os arrepios nas costas?
Escovar os dentes olhando um para o outro?
Nunca os dedos entrelaçados?

Nunca mais o beijo na mão?
Nunca mais um selo muito bom?
Um desafio novo por semana?
Para quem vou escrever com a mão esquerda?
Com que cachinhos irei brincar?
Como ficará a vidazinha, sem exageros?
Nunca mais sair para nadar e pedalar?
Nunca mais estudar algo juntos?
Nunca mais surpresas quase de madrugada?
Não mais treinar juntos?
Os cuidados?
Os cafés na cama?
Os suspiros de corredores?

Nunca mais sonhar em viajar?
Nunca mais o gozo junto, o encaixe absurdo?
Nunca mais os beijos quentes, a boca suculenta?
Todas as conversas?

Nunca mais festival de piadas ruins?

Nunca mais nossa cumplicidade?

Nunca mais nós dois?

E o peito dói. Aperta.

Por tudo que conheço e quero viver
por tudo que não conheço e quero descobrir
por toda a vida que quero tanto compartilhar
por todas as coisas grandes e pequenas
que quero viver com você...

segunda-feira, julho 25, 2016

da lenta partida...

e eu fico escrevendo essas coisas que não interessam a ninguém, pra te dizer que se você mudar de ideia, eu ainda não mudei de ideia.

mas não é assim que as histórias começam e acabam, afinal. então eu preciso parar de ser boba e apagar as luzes. e fechar a porta. e sair.

...

e até essa reflexão sobre isso é um murmúrio que eu queria que você ouvisse...

quinta-feira, julho 21, 2016

Saudade.
Saudades.
...

quarta-feira, julho 20, 2016

Meu jeito romântico

O que tenho entendido é que... o amor não é apenas o que sentimos de especial - o coração acelerado, a ansiedade, o bem estar, desejo, tesão, vontade de conversar, carinho, dormir junto, acordar, sonhar, fazer planos, viajar... O que "define" a pessoa escolhida, o que fortalece o amor, parecem-me ser muitao mais a vontade e a escolha de, juntos, fazer algo dar certo. A decisão consciente, alegre e desejosa de descobrir juntos os desafios dessa vida compartilhada, de aprender juntos como passar por eles e, talvez, para além disso, de aprender como esses momentos podem alimentar e fortalecer o amor...

E, então, acho que entendo que o amor até tem muito de mágico e inexplicável, mas... o amor de nossas vidas é talvez muito mais uma escolha...

terça-feira, julho 19, 2016

Das poesias nas quais ainda acredito

Acredito que o que existe entre nós tem um potencial grande. bom. E merece continuar existindo. Merece ser alimentado, fortalecido, vibrar, crescer, nos fazer crescer junto, ganhar esse mundo...

Acredito que nossas energias e intensidades combinam. E que muita coisa boa e bonita pode nascer de nossa mistura. Acredito que nossas vidas podem se encaixar de muitas formas boas.

Acima de tudo, acredito que nossa história ainda merece ter espaço para amadurecer, para descobrir-se, conhecer-se.

Acredito que ainda temos muito caminho a trilhar juntos. E oxalá surjam muitos bons frutos deles...

...

Você fazia eu me sentir especial, e gostava de ser especial para você. E gostava que você fosse especial para mim...

segunda-feira, julho 18, 2016

caminhos

continuo acreditando.
continuo querendo acreditar...

quarta-feira, julho 06, 2016

02.06.2016

Saudades

Plural de sinto falta de você. Do teu jeito. Do teu olhar. Teu sorriso. Tua boca. Teu corpo.
Compartilhar...

sexta-feira, junho 17, 2016

26 de maio

Trinta e três.
Trinta e dois...
Trinta e um...
Trinta...
Vinte e nove...
Vinte e oito...
Vinte e sete...
Vinte e seis...
vinte e cinco...
vinte e quatro...
vinte e três...
vinte e dois...
vinte e um...
vinte...
dezenove...
dezoito...
dezessete...
dezesseis...
quinze...
catorze...
treze...
doze...
onze...
dez...
nove...
oito...
sete...
seis...
cinco...
quatro...
três...
dois...
um.

- Até que sejam zero
Até que sejam zero
Até que sejam zero...

Vamos contar.
Vamos gritar.
Vamos expôr a cara
                      as feridas
            falar os podres.

Até que sejam zero.
Até que sejam zero...

segunda-feira, junho 06, 2016

Rotina / Cotidiano

Seu despertador toca, você se espreguiça, toma café da manhã.

Uma mulher é estuprada.

Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.

Outra mulher é estuprada.

Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.

Uma adolescente é estuprada.

Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.

Mais uma mulher é estuprada.

Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.

Outra. Mulher. Estuprada.

vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.

gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.

Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.

O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...

Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.

O terror, para outra mulher, continua...

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Em janeiro deste ano, li uma estatística que dizia que, no Brasil, a cada três horas, uma mulher é estuprada. Sente?

quarta-feira, maio 25, 2016

25.05.2016

Quero colocar o amor em uma caixa.
Vou juntar as pontas, dobrar.
Arrumar cada caquinho em seu lugar.

- Não é hora de tentar colar nada.

Mas tampouco poderia jogá-lo fora:
afinal, é amor, ainda!

As peças parecem uma bagunça
    sem conserto
Tudo parece perdido
    para além de qualquer esperança
Mexer, nem pensar:
    as bordas cortam.

E, entretanto, aquela coisinha ali,
    meio perdida e deslocada,
    foi um sorriso.
    Acolá brilha um dia na praia.
    Ainda fumega o sonho do café compartido.
    E o cacto, de espinhos macios, tem raízes próprias.

Como poderia condenar tanta dádiva ao desleixo?

Não posso.
Não quero.

Mas como cuidar do amor
    despedaçado
        dolorido?

Não é lixo.
Nem prisão.

Tampouco esquecimento...

Vou aconchegar meu amor em uma caixa.

Dar-lhe repouso.
Espaço.
Tempo.

quinta-feira, maio 19, 2016

Monólogo

Eu errei o ponto
    perdi o ponto
    recuperei
Eu não sei como fazer
    para consertar
    alguns
    pontos
Sem ter de desfazer tudo...

Eu tenho andado não muito
                                   rápido.
Eu passei por um buraco,
                 mas não caí.

Eu tomei café.
Eu assisti a um filme
                          que me fez gargalhar
Eu ouvi uma música

... que me lembrou você.

Duas.
Três.

Eu não comi os doces.
Olhaeuachoqueelesvãoestragar.

Eu não sou
      você não é
  Eu queria que a gente tivesse
                   que a gente pudesse

Eu não falei
      você não fala

As coisas não ditas vão
     se acumulando
     como água parada
     - vão se embolando feito trem descarrilhado?
Vez em muito me transbordo.

O peito apertadói
             aslágrimasnãocabem

O vazio
  o silêncio
  a falta
     apertam no peito

E eu não caibo. Não me encontro.
Não faço parte de nada...

E fico querendo ir embora.
Ir embora.
Estar longe
    ocupar-me.
Mudar.
- fingir que não fazes parte porque já não são os mesmos lugares, os mesmos espaços?

O peito se enche.
Esvazia.
Lentamente.
Só eu escuto...

terça-feira, março 22, 2016

esperança...

A esperança é uma substância viscosa como o melaço - mesmo quando você vira o pote e quer que ela escorra toda fora, ela se arrasta, passa devagar pelo peito, pela pele, deixa um rastro de esperança pelo corpo todo, até finalmente sair de você.

Quando acaba de escorrer, ainda é preciso limpar o caminho que ela fez quando ia embora - ou toda série de coisas podem se grudar ali..

domingo, novembro 29, 2015

"Desisti de desistir."

terça-feira, novembro 24, 2015

Nome para conto

A long switch

sábado, novembro 21, 2015

criar
estar em movimento
sentir que sou capaz de fazer coisas
de encontrar minha paz interna
auto-organização

domingo, novembro 15, 2015

Jornada de um escritor sombrio

Eu hoje pedalei
por uma cidade morta.
A lua estava brilhando
lindamente no mar
e uma chuva finíssima
começou a cair, deixando
o mundo todo coberto
por um delicado brilho.

Esta noite pedalei
por uma orla fantasmagórica.
E enquanto o oceano reluzia gentilmente
sob o luar
pensei ter ouvido
um chamado distante
meio carregado
meio disfarçado
pelos sons das ondas
e do vento.

Eu hoje pedalei
por ruas desertas.
E embora eu não pudesse ver
quem estava me chamando
das profundezas
do oceano bravo e sombrio
eu _pude_ ver Seus servos

perambulando
maquinando
saltando
fugindo
escondendo-se
de sombra em sombra
cruzando meus caminhos.

Eles chamam
alimentam-se
obedecem
murmuram
suas insanas preces

Então, desaparecem.

Nada
apenas
ar
a lâmpada quebrada de um poste
uma casa noturna
há muito
abandonada.
Débeis sussuros
- é apenas mar...

Era apenas uma cidade molhada e morta
no meio da noite
(morta, morta, _morta_).

E entretanto
suas ruas vazias
cheias de mistérios
sombras enevoadas
poças
lixo
lama
e luzas abandonadas
eram mais belas
convidativas
e reconfortantes
que qualquer cidade azul de verão
zunindo com seus carros novos de último modelo
abarrotada de belos zumbis
desesperadamente morta
e vazia
por dentro.

(tradução do original em inglês:

A dark writer's ride

I have ridden through
a dead city today.
The moon was shining
beautifully on the sea
and the most thin rain
started to fall, leaving
all the world covered by
a delicate glow.

I rode through
a ghost beach coast tonight.
And while the ocean was gently gleaming
by the moonlight
I thought I could hear
a faint calling
half carried
half disguised
by the surf sounds
and the wind.

I rode through
deserted streets today.
And while I could not have seen
who was calling me
from the depths 
of the dark wild cold sea
could see His servants

wandering
plotting
hopping
fleeing
hiding
from shadow to shadow
crossing my paths.

They call
they feed
they obey
they mutter their
insane prayers

Then, they vanish.
Nothing
but
thin air
a broken street light
a long abandoned
night
club.
Faint rustles
it's just the sea...

It was just a dead wet city
in the middle of the night
(dead, dead, dead).

And yet
its empty streets
filled with mystery
misty shadows
puddles
trash
mud
and forgotten lights
were more beautiful
inviting
and comforting
than any blue summer town's
buzzing with brand new cars
crowded with handsome zombies
hopelessly rotten
and hollow
in the inside. )

terça-feira, outubro 06, 2015

on books

"What an astonishing thing a book is. It's a flat object made from a tree with flexible parts on which are imprinted lots of funny dark squiggles. But one glance at it and you're inside the mind of another person, maybe somebody dead for thousands of years. Across the millennia, an author is speaking clearly and silently inside your head, directly to you. Writing is perhaps the greatest of human inventions, binding together people who never knew each other, citizens of distant epochs. Books break the shackles of time. A book is proof that humans are capable of working magic."

c. s.

quinta-feira, agosto 20, 2015

Oxalá...

...Eu possa encontrar as palavras e ações para tocar as pessoas....

terça-feira, agosto 04, 2015

inconvenientes

Salvador são finas paredes escondendo amontoados de expropriados... É como varrer a poeira para baixo do tapete, ou para o lado de fora da casa, e de repente olhar pela janela e perceber que se está completamente cercado pelo problema que se queria evitar.

...

A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.

O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.

O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.

O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.

segunda-feira, julho 13, 2015

03.07.2015

Pobre
carente
pivete
malandro
vagabundo
marginal
bandido
gente?
só indi...

quinta-feira, julho 09, 2015

tempos difíceis

Acho que tantos optam por sentir ódio, raiva, revanchismo porque dóem menos do que amor, empatia, compaixão...

sexta-feira, maio 08, 2015

constatação

Acho que entendi porque gosto de pessoas mal humoradas ou rabugentas: elas tendem a ser mais honestas. Ou, menos falsas. O que já é grande coisa...

terça-feira, maio 05, 2015

Um café bom por dia

Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.

Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.

Miados de gatos.

A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.

Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.

O suor sonha brisa
                      oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.

Bons dias
  café-leite-em-pó
  copo plástico
  luz fluorescente
  ar condicionado
  emails
  pendências
  café frio
  reuniões
 almoço
  café adoçado
  notícias
  conversas
  letras no monitor
  café velho

escorre
acaba
o dia.

Na pia
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...

segunda-feira, março 02, 2015

Realizações concretas

A realidade às vezes não cai, como ficha. Escorre, viscosa. Demora pra fazer sentido. Você sente um choque inicial, um impacto, mas o resultado é um anestesiamento, uma espécie de câmera lenta de realização e assimilação dos fatos.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Microconto matinal de semi horror (ou suspense?)

Eu matei todos os haunter cats. Levei muito tempo para entender isso. Mas, o haunter cat que parou de assombrar minha casa é o único que continua vivo até hoje.

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Momentum

I find myself wanting you,
against my will
- I can feel, half angry,
half hungry,
my body fully awake
by desire.

I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
I have to write it down.

And it's so strong
I have to touch me, down.

I get up to get paper and pen,
in the dark.
I won't turn on the lights,
I don't want to have to face it.
I do not want to admit it.

I get up
feeling a left breast
experiencing a pulsing sex

I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
that I have to admit
- I'm not attracted, anymore.
I'm being completely dragged.

I have to give up
and write
touch
tell

What the fucking hell
I'm fucking into you
against my fucking will

Against time
place
sense

I'm inconveniently
wanting to fuck you
against my will.

And I can't sleep
out of desire.
But also frustration
but mostly anger
'cuz there's no time
and this is not the place
nor a proper occasion

to be wanting you so hard.
But I can't help myself.
Can't stop it from happening.

Can't avoid thinking of your hands
in the middle of the night
- but also on business hours -
and the body moves, 
a very autonomous being
knowing exactly what it wants
- and how -,
very aware of you,
Ignoring my ever weakening protests -
trying to reason with this stupid
desire.
Trying to let it fade by time,
hoping it will leave with you for good,

wondering all I wish I could do.
Mouth watering
breath groaning 
heart quicken
goose bumping
body loosening
against my will.

And I finally give up.
But it ain't sexy -
it's furiously excited.

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Poesia

É algo imaterial,
está potencialmente
em qualquer lugar
- sentir a poesia
é mais algo nosso
que do mundo externo.

Diferente de poema,
manifestação,
concreto.
A poesia depende da gente.

O meu olho vê,
eu sinto.
A câmera
a escrita
buscam captar essa essência
fugidia.

A poesia não é beleza.
Ou talvez seja.

Mas não é sobre a beleza do belo.
É a exaltação das coisas
A vida, a morte
O pungente sentimento
O feio
A dor
A sujeira
As formas

Os raios de luz que se filtram
através da sucata.
Em tudo está a poesia.
Depende do olho que vê.
(Se o olho quiser ver.)

domingo, dezembro 21, 2014

Palavra do dia - Biggester

Fast-food success.
Best selling dildo.
Porn star.

   Biggester Dan Light - Now heavier than you have ever seen.

sábado, dezembro 20, 2014

desejos persistentes

Quero meus olhares.
Meu olhar aguçado
e vívido.
Ávido
sorvendo mundo

Senhores passageiros

Desculpem atrapalhar
os ruídos e rangidos
da viagem de vocês
mas eu só queria dizer
que
eu podia estar roubando
eu podia estar matando
eu podia estar estudando
eu podia já estar jantandoeu podia estar lendo
vendo filme
brincando com as crianças
preparando a quentinha de amanhã
arrumando a casa
escrevendo
malhando
fodendo
dormindo.

Eu podia estar
  fazendo poesia
  estudando música
  dançando
  falando com os amigos
  olhando as estrelas
  fazendo boa arte.

Eu podia estar checando as promessas dos candidatos da última eleição
                - e o que aconteceu com elas.

Eu podia até estar
  de pernas pro ar
  em casa
  sem fazer porra nenhuma.

Mas estou aqui,
senhoras e senhores.

Em pé
Há uma hora
No meio fio
Há duas horas
no ponto
esperando.

Esperando.

Esperando
a porra do ônibus.
Que não passa.
Que não para.

Que chega
cheio demais.

Então desculpem interromper,
senhoras e senhores,
o silêncio da viagem de vocês.

Mas eu devia era estar gritando.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

healthy morning thoughts

It's not hard to explain, really.

This morning I've finally killed her, suffocated. She was sleeping. I entered the room silently and used one of her many pillows.

It was quiet. I don't think she had the time to realise what was happening. I like to think she died dreaming of something good.

Good...

It was a relief.

I've always feared she would die during her sleep. It was awful.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

de projetos e conversas

... it doesn't really matter you being good from the start. what matters is that you start.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

às vezes acerto...

Making gifts to people I like feels like a prayer for good omens, to me.

---

A árvore de muitos galhos já foi uma semente só.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

associações e misturas


ânsia por espalhar-se
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...

quarta-feira, outubro 08, 2014

Aqui e agora

Amor é tudo que move...
                                    g.g.

domingo, setembro 14, 2014

poesia...

"Se a poesia não serve para apressar o meu sangue, para abrir de repente janelas sobre o misterioso, para ajudar-me a descobrir o mundo, para acompanhar este desolado coração na solidão e no amor, na festa e no desamor, para que me serve a poesia?"
e.c., apud g.g.m.

quarta-feira, setembro 03, 2014

03.09.2014

Empty boxes
Full of
Lost memories...

segunda-feira, agosto 18, 2014

18.08.2014

I feel in love with life.

quinta-feira, julho 31, 2014

31.07.2014

did he die alone, in the rain?
did he?

he who was orange and warm
a furry sun
coming to wake me up every morning

he who was sweet
young
independent
full of energy
free

he who found peace
a comforting place
to be

he is still on my window
golden as the morning sun
eye kissing me

he is still dreaming on the couch
relaxed,
open,
impossibly stretched
completely safe

he is still around the house
playing with boxes
chasing ginger
climbing things to steal some food
some love

he is still on my window
feeling the soft warmth of the morning sun

our golden lucky jack cat

sábado, julho 26, 2014

26.07.2014

I don't know...

(But maybe I shouldn't have to know right now. Maybe I should just do what I have to do...)

quarta-feira, julho 02, 2014

Reflexões... (gostei, mas sinto que não concordo de todo)

"Sou, por ofício, um romancista. Acredito tratar-se de um ofício inofensivo, ainda que não venha a ser considerado respeitável por alguns. Romancistas colocam palavras vulgares na boca de seus personagens e os descrevem fornicando e fazendo necessidades. Além disso, não é um ofício útil, como o de um carpiteiro ou de um confeiteiro. O romancista faz o tempo passar para você entre uma ação útil e outra; ajuda a preencher os buracos que surgem na árdua trama da existência. É um mero recreador, um tipo de palhaço. Ele faz mímica e gestos grotescos; é patético ou cômico e, às vezes, os dois; ele faz malabarismos com palavras, como se estas fossem bolas coloridas.

O uso que ele faz das palavras não deve ser levado excessivamente a sério. O presidente dos Estados Unidos usa palavras; o médico, o mecânico, o general do exército e o filósofo usam palavras; e essas palavras parecem estar relacionadas ao mundo real, um mundo em que impostos precisam ser arrecadados e depois evitados; carros precisam ser dirigidos, doenças, curadas; grandes pensamentos, pensados; batalhas decisivas, travadas. nenhum criador de enredos ou personagens, por maior que seja, deve ser considerado um pensador sério, nem mesmo Shakespeare. Na realidade, é difícil saber o que o escritor criativo realmente pensa, pois ele se esconde atrás de suas cenas e de seus personagens. E quando os personagens começam a pensar e a expressar seus pensamentos, não se trata, necessariamente, dos pensamentos do escritor. Macbeth pensa uma coisa e Macduff, algo diametralmente oposto; as ponderações do Rei não são as mesmas de Hamlet. Até mesmo o dramaturgo trágico é um palhaço, soprando uma melodia triste em um trombone velho. E então seu ânimo trágico se esgota e ele se torna um bufão, cambaleando por aí e plantando bananeiras. Nada que deva ser levado a sério.

Por vezes, entretanto, um mero recreador como eu pode ser tragado a contragosto para a esfera do pensamento "sério". Ele se vê forçado a dar sua opinião sobre questões profundas. A causa dessa obrigação pode ser um repentino interesse público por um de seus romances - um livro que ele tenha escrito sem considerar profundamente o significado, cujo objetivo era render algum dinheiro para pagar o aluguel, mas que acabou adquirindo uma importância não prevista pelo autor. Ou pode ser um romance em que, graças a uma preocupação ou a um rancor irredutível em relação a algo que acontece no mundo real, o romancista - para seu próprio arrependimento - cria algo menos recreativo do que o normal; algo mais assemelhado a um sermão ou a uma declaração homilética ou didática - e a elaboração de tais coisas não é, na realidade, a função do romancistas."

a.b. laranja mecânica

Reflexões de cadernos de faculdade - 2

"É preciso o grito,
a loucura,
qualquer coisa,
menos este silêncio mortal,
este silêncio de gelo."
                              m.g.

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"Todo homem é culpado pelo que não fez."
                                                         v.

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"O céu é um mar de peixes com asas."

"A felicidade é um rio sem cabimento, numa rua sem marca ou medida..."
                                                          j.f.r.

Vida em linha reta

Todos estão por demais preocupados
    com sua formação
    seu salário
    seu status social

É preciso pensar em alcançar
   o padrão estético
   o padrão de consumo
   o padrão de relacionamento
   o americano padrão

Ser bem sucedido então
   é uma corrida
   pelo primeiro
   o segundo
   o 13º
   bilhão

Não há valor em ser solidário
   preocupar-se com algo que não sua vida
   Mind your own business
   e tudo ficará bem.

Garantido seu patamar,
   sua cobertura,
   seu chalé a beira-mar,
   seu carro importado
   filhos educados,
   mulher siliconada

Pague sua previdência privada
   troque os bem duráveis
   a cada 2 anos (ou seis meses)
   tire férias em locais caros e exóticos
   poste as alegres fotos
   seja feliz nas redes sociais

E aproveite seu sucesso
   em um belo e confortável
   caixão feito a mão
   esculpido em madeira de lei e veludo.

20/05/2009

15/05/2009

Qual meu foco? O que me guia e move?

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20/05/2009

Se não descobrir, sozinha, para onde quero ir, continuarei com esse estranhamento, com essa sensação de estar ficando pra trás. Me inquieto. Me inquieta. Faz-me mal. Mas não consigo, ainda, entender isso direito. Não sou senhora de meu tempo, não consigo fazê-lo render. "Quero" tudo, por não me sentir ligada a nada. Quero ser boa, quero "ir bem" nas coisas, gostaria de ser reconhecida. Por quê? Para quê? Esse esvaziamento de metas, focos, quiçá valores talvez seja o que justamente me impede de fazer algo.

Os olhos pesam, a cabeça aquieta, o pensamento flutua. Estou com sono. Não estou perdida, mas tenho dificuldade em prestar atenção. Ainda não me encontrei. Ainda não estou vívida, vivaz, tenaz. Ainda sinto falta de ideias próprias. Isso me incomoda um pouco. Estou com sono...

Me sinto estranha nessa situação de "não estar 'construindo', consolidando, nada"... O que eu queria? Estou realmente acostumada ao pensamento brotar-me, ao conhecimento cair-me de pára-quedas?

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21/08/2009

Preciso urgentemente pensar no que quero. Mas num querer outro, diferente deste querer arrancar os cabelos e rasgar a carne até fazer parar de pensar os miolos e de doer o peito.

Pensar no que quero a um pouco mais de longo prazo - um mês, uma semana, dois meses, um ano.

Nos níveis que der.
Eu quero não ligar......................................................................

nem me importar que não doa que não passe nenhuma sensação. No máximo, que eu fique feliz pelos OUTROS, os outros, que não são eu.

Que não têm nada a ver comigo.

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Hoje: é interessante olhar pra trás e ver essas coisas. Encontrá-las, na verdade, depois de tanto tempo. Acho que realmente um ciclo se fecha. Não me sinto mais assim. Fico feliz com isso. Mas quis guardar, para lembrar de coisas que me angustiam e para onde não quero voltar...

(mais: eu definitivamente não estava bem nesse período...)

guerras

"... A morte do povo foi como sempre tem sido: como se não morresse ninguém, nada, como se fossem pedras que caem sobre a terra, ou água sobre água."
p.b.

Reflexões de cadernos de faculdade - 1

"Quanto tempo da cabeça das pessoas o medo ocupa?"
                                                                                b.v.

"Nem só de binários viverá o homem."
                                                         j.f.r.

21/08/2009

Compostura

Tenho o interior trêmulo
           das lágrimas que não posso chorar
           agora.

Quisera poder desaguá-las!
       Encolher-me
       Calar-me
       Seguir
                  outros rumos.

segunda-feira, junho 30, 2014

So the light shines...

Imagine a rusty bolt on the garden door, which has been set wrong, or the door has sagged on its hinges since it was put on, and for years that bolt has never been shot efficiently: except by hammering it, or by lifting the door a little, and wriggling it home with effort. Imagine then that the old bolt is unscrewed, rubbed with emery paper, bathed in paraffin, polished with fine sand, generously oiled, and reset by a skilled workman with such nicety that it bolts and unbolts with the pressure of a finger – with the pressure of a feather – almost so that you could blow it open or shut. Can you imagine the feelings of the bolt? They are the feelings of glory which convalescent people have, after a fever. It would look forward to being bolted, yearning for the rapture of its sweet, successful motion.

For happiness is only a by—product of function, as light is a by—product of the electric current running through the wires. If the current cannot run efficiently, the light does not come. That is why nobody finds happiness, who seeks it on its own account. But man must seek to be like the working bolt; like the unimpeded run of electricity; like the convalescent whose eyes, long thwarted in their sockets by headache and fever, so that it was a grievous pain to move them, now flash from side to side with the ease of clean fishes in clear water. The eyes are working, the current is working, the bolt is working. So the light shines. That is happiness: working well.

t.h.w., The book of Merlin


quinta-feira, junho 26, 2014

almost there

Eu tenho tanta alegria adiada, abafada, quem dera gritar - tou me guardando pra quando o carnaval chegar.
c.b.

domingo, junho 22, 2014

life...

I want to paint people with my words...

things that never fail

‘The best thing for being sad,’ replied Merlyn, beginning to puff and blow, ‘is to learn something. That is the only thing that never fails. You may grow old and trembling in your anatomies, you may lie awake at night listening to the disorder of your veins, you may miss your only love, you may see the world about you devastated by evil lunatics, or know your honour trampled in the sewers of baser minds. There is only one thing for it then – to learn. Learn why the world wags and what wags it. That is the only thing which the mind can never exhaust, never alienate, never be tortured by, never fear or distrust, and never dream of regretting. Learning is the thing for you. Look at what a lot of things there are to learn – pure science, the only purity there is. You can learn astronomy in a lifetime, natural history in three, literature in six. And then, after you have exhausted a milliard lifetimes in biology and medicine and theo—criticism and geography and history and economics – why, you can start to make a cartwheel out of the appropriate wood, or spend fifty years learning to begin to learn to beat your adversary at fencing. After that you can start again on mathematics, until it is time to learn to plough.’
t.h.w. Once and a future king, The sword in the stone.

--

quinta-feira, junho 19, 2014

18.06.2014

Not all those who wander are lost
j.r.r.t.

terça-feira, junho 10, 2014

Moloko veshka

(...) Ele estava em outro mundo mesmo, bem distante, lá em órbita, e eu sabia bem como era isso, pois já tinha experimentado essa sensação como todo mundo, mas daquela vez fiquei pensando que era uma veshka tipo assim meio covarde. Ó, meus irmãos. Você fica ali jogado depois de tomar o bom e velho moloko e aí fica com a messel de que tudo ao seu redor meio que já aconteceu antes. Você até consegue videar tudo direitinho, tudo mesmo, com muita clareza - as mesas, o estéreo, as luzes, as esticas e os maltchiks - mas era como se fosse uma veshka que antes estava lá mas agora não está mais. E você ficava assim meio que tipo hipnotizado pela sua bota ou pelo seu sapato ou pela unha, tanto faz, e ao mesmo tempo você ficava meio como se te pegassem pelo cangote e sacudissem que nem um gato. Você é sacudido sem parar até não sobrar mais nada. Você perde seu nome, seu corpo, seu eu e não está nem aí, e espera até sua bota ou sua unha ficarem amarelas, e ficarem cada vez mais amarelas. Então as luzes começam a piscar como explosões atômicas e a bota ou a unha ou, também pode acontecer, uma sujeirinha no fundo das suas calças se transforma num mesto grande grande grande, maior que o mundo inteiro, e aí você vai justamente ser apresentado ao bom e velho Bog ou Deus quando tudo acaba. Você volta pro lado de cá e aí fica meio que gemendo baixinho, com a rot toda buábuá. Agora, isso é muito bacana, mas também é muito covarde. Você não foi posto neste mundo só para entrar em contato com Deus. Esse tipo de coisa pode sugar toda a força e a virtude de um tchelovek.
a.b. Laranja Mecânica

quarta-feira, junho 04, 2014

melhorando...?

(...)

Você sabia que nessa Idade das Trevas visível da janela de Guenevere havia tanta decência no mundo que a Igreja Católica podia impor uma paz a todas as lutas - a chamada Trégua de Deus -, que durava de quarta-feira à segunda, assim como em todo período do Advento e da Páscoa? Você acha que eles, com suas Batalhas, Fome, Peste Negra e Servidão, eram menos ilustrados que nós, com nossas Guerras, Bloqueio, Influenza e Recrutamento? Mesmo que fossem imbecis o suficiente para acreditar que a Terra era o centro do universo, nós também não acreditamos que o homem é a flor mais fina da criação? Se um peixe leva milhões de anos para se transformar em réptil, será que o Homem, nas nossas poucas centenas de anos, modificou-se a ponto de se tornar irreconhecível?

t.h.w. A chama ao vento

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Did you know that in these dark ages which were visible from Guenever’s window, there was so much decency in the world that the Catholic Church could impose a peace to all their fighting – which it called The Truce of God – and which lasted from Wednesday to Monday, as well as during the whole of Advent and Lent? Do you think that they, with their Battles, Famine, Black Death and Serfdom, were less enlightened than we are, with our Wars, Blockade, Influenza and Conscription? Even if they were foolish enough to believe that the earth was the centre of the universe, do we not ourselves believe that man is the fine flower of creation? If it takes a million years for a fish to become a reptile, has man, in our few hundred, altered out of recognition?

t.h.w. The candle in the wind

sábado, maio 31, 2014

A single paragraph. So many nice ways of treating people. >.<'

It was the Gramarye of the Middle Ages, which some people are accustomed to think of as the Dark Ages, and Arthur had made it what it was. When the old King came to his throne it had been an England of armoured barons, and of famine, and of war. It had been the country of trial by ordeal with red—hot irons, of the Law of Englishry, and of the sad, wordless song of Morfa—Rhuddlan. Then, on the sea—coast, within a foreign vessel’s reach, not an animal, not a fruit tree, had been left. Then, in the fens and the vast forests, the last of the Saxons had defended themselves against the bitter rule of Uther the Conqueror; then the words ‘Norman’ and ‘Baron’ had been equivalent to the modern word of ‘Sahib’; then Llewellyn ap Griffith’s head, in its crown of ivy, had mouldered on the clustered spikes of the Tower; then you would have met the mendicants by the roadside, mutilated men who carried their right hands in their left, and the forest dogs would have trotted beside them, also mutilated by the removal of one toe – so that they could not hunt in the woodlands of the lord. When Arthur first came, the country people had been accustomed to bar themselves in their cottages every night as if for siege, and had prayed to God for peace during darkness, the goodman of the house repeating the prayers used at sea on the approach of storm and ending with the plea ‘the Lord bless and help us,’ to which all present had replied, ‘Amen.’ In the baron’s castle, in the early days, you would have found the poor men being disembowelled – and their living bowels burned before them – men being slit open to see if they had swallowed their gold, men gagged with notched iron bits, men hanging upside down with their heads in smoke, others in snake pits or with leather tourniquets round their heads, or crammed into stone—filled boxes which would break their bones. You have only to turn to the literature of the period, with its stories of the mythological families such as Plantagenets, Capets and so forth, to see how the land lay. Legendary kings like John had been accustomed to hang twenty—eight hostages before dinner; or, like Philip, had been defended by ‘sergeants—at—mace,’ a kind of storm troopers who guarded their lord with maces; or, like Louis, had decapitated their enemies on scaffolds under the blood of which the children of the enemy had been forced to stand. This, at all events, is what Ingulf of Croyland used to tell us, until he was discovered to be a forgery. Then there had been Archbishops nicknamed ‘Skin—villain,’ and churches used as forts – with trenches in the graveyards among the bones – and price—lists for fining murderers, and bodies of the excommunicated lying unburied, and famishing peasants eating grass or tree—bark or one another. (One of them ate forty—eight.) There had been roasting heretics on the one hand – forty—five Templars had been burned in one day – and the heads of captives being thrown into besiegedcastles from catapults on the other. Here a leader of the Jacquerie had been writhing in his chains, as he was crowned with a red—hot tripod. There a Pope had been complaining, as he was held to ransom, or another one had been wriggling as he was poisoned. Treasure had been cemented into castle walls, in the form of gold bars, and the builders had been executed afterwards. Children playing in the streets of Paris had frolicked with the dead body of a Constable, and others, with the women and old men, had starved outside the walls of beleaguered towns, yet inside the ring of the besiegers. Hus and Jerome, with the mitres of apostasy upon their heads, had flamed and fizzled at the stake. The hamstrung imbeciles of Jumièges had floated down the Seine. Giles de Retz had been found to have no less than a ton of children’s bones, calcined, in his castle, after having murdered them at the rate of twelve score a year for nine years. The Duke of Berry had lost a kingdom through the unpopularity which he earned by feeling sorry for eight hundred foot soldiers who had been killed in a battle. The youthful count of St Pol had been taught the arts of war by being given twenty—four living prisoners to slaughter in various ways, for practice. Louis the Eleventh, another of the fictional kings, had kept obnoxious bishops in rather expensive cages. The Duke Robert had been surnamed ‘the Magnificent’ by his nobles – but ‘the Devil’ by his parishioners. And all the while, before Arthur came, the common people – of whom fourteen were eaten by wolves out of one town in a single week, of whom one third were to die in the Black Death, of whom the corpses had been packed in pits ‘like bacon,’ for whom the refuges at evening had often been forests and marshes and caves, for whom, in seventy years, there had been known to be forty—eight of famine – these people had looked up at the feudal nobility who were termed the ‘lords of sky and earth,’ and – themselves battered by bishops who, because they were not allowed to shed blood, went for them with iron clubs – had cried aloud that Christ and his saints were sleeping.

t.h.w. The Candle in the Wind

sexta-feira, maio 30, 2014

Autonominha

Não quero que meus sorrisos dependam de ninguém.

...

Quero sair por aí. Há tanto a ver e descobrir.
Tanto há a descobrir-me!
Meus céus azuis e dias chuvosos
Meus mares tranquilos e oceanos tormentosos

Quero me ler em Borges
e me pedalar pela estrada
quero descobrir que novas músicas dançam em mim

Quero conhecer que comidas despertam sabores em meu corpo
E que paisagens internas, inebriantes,
me penetram e se abrem em mim
quando, olhos bem abertos, devoro o mundo.

Quero divinar-me
inebriar-me
enlouquecer
e me sentir preenchida
com a grandeza do mundo
a lindezura da quantidade de cores e vidas das pessoas

Quero o divino do som
não humano.
Ir meio do mato.

E quero ler, concentrada,
protegida pelo incógnito anonimato
de um movimentado café de rua
em algum estranho lugar.

Quero estar na estrada, na estrada, na estrada, na estrada, na estrada.

Quero me encontrar e descobrir
continuar um caminho
longo
antigo
utópico
infindo
ingênuo
aprendiz
crescente
ávido
curioso
incerto
meu.

Meus caminhos
meus gostos
minhas descobertas
meus quereres
meus aprendizados.

Tanto hei de descobrir-me!

Talvez ande meio sedenta de mim...