Trinta e três.
Trinta e dois...
Trinta e um...
Trinta...
Vinte e nove...
Vinte e oito...
Vinte e sete...
Vinte e seis...
vinte e cinco...
vinte e quatro...
vinte e três...
vinte e dois...
vinte e um...
vinte...
dezenove...
dezoito...
dezessete...
dezesseis...
quinze...
catorze...
treze...
doze...
onze...
dez...
nove...
oito...
sete...
seis...
cinco...
quatro...
três...
dois...
um.
- Até que sejam zero
Até que sejam zero
Até que sejam zero...
Vamos contar.
Vamos gritar.
Vamos expôr a cara
as feridas
falar os podres.
Até que sejam zero.
Até que sejam zero...
sexta-feira, junho 17, 2016
segunda-feira, junho 06, 2016
Rotina / Cotidiano
Seu despertador toca, você se espreguiça, toma café da manhã.
Uma mulher é estuprada.
Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.
Outra mulher é estuprada.
Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.
Uma adolescente é estuprada.
Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.
Mais uma mulher é estuprada.
Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.
Outra. Mulher. Estuprada.
vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.
gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.
Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.
O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...
Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.
O terror, para outra mulher, continua...
Uma mulher é estuprada.
Você toma banho, vai para o trabalho, checa e-mails, participa de uma reunião, escreve relatórios, escreve um projeto, levanta para um cafezinho e esticar as pernas.
Outra mulher é estuprada.
Você trabalhada pelo resto da manhã, conversa um pouco com os colegas de trabalho, para pra almoçar, lê notícias, vê um vídeo besta, se espreguiça na cadeira.
Uma adolescente é estuprada.
Volta ao trabalho, checa e-mails, olha a agenda, desmarca uma reunião, pesquisa um assunto importante, resolve pepinos, agenda compromissos, mais um café, agora um lanche, o dia não acaba.
Mais uma mulher é estuprada.
Você já não tá rendendo tanto no trabalho, você empurra tudo para o dia seguinte, responde telefonemas e e-mails, pensa no final do expediente, no final de semana, no final do mês, no final do ano, na aposentadoria. Pega trânsito pra casa.
Outra. Mulher. Estuprada.
vocêtomabanhocomelavalouça. vê as contas pra pagar. olha a rua; sua. lê ou vê tv. sente sono, toma chá.
gritos, lágrimas, dor, desespero. Conta? Mais uma.
Você ronca, ressona. Se vira na cama. Mata um mosquito. Com sorte, sonha. Acorda e bebe água. Dorme.
O pesadelo de outra mulher se consuma.
Talvez, de novo...
Você se remexe, o despertador toca pela primeira vez, os passarinhos começam a cantar, você vira para o lado, cochila. Barulhos de rua. Outro dia quer começar. Você pisca e pula da cama.
O terror, para outra mulher, continua...
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Em janeiro deste ano, li uma estatística que dizia que, no Brasil, a cada três horas, uma mulher é estuprada. Sente?
quarta-feira, maio 25, 2016
25.05.2016
Quero colocar o amor em uma caixa.
Vou juntar as pontas, dobrar.
Arrumar cada caquinho em seu lugar.
- Não é hora de tentar colar nada.
Mas tampouco poderia jogá-lo fora:
afinal, é amor, ainda!
As peças parecem uma bagunça
sem conserto
Tudo parece perdido
para além de qualquer esperança
Mexer, nem pensar:
as bordas cortam.
E, entretanto, aquela coisinha ali,
meio perdida e deslocada,
foi um sorriso.
Acolá brilha um dia na praia.
Ainda fumega o sonho do café compartido.
E o cacto, de espinhos macios, tem raízes próprias.
Como poderia condenar tanta dádiva ao desleixo?
Não posso.
Não quero.
Mas como cuidar do amor
despedaçado
dolorido?
Não é lixo.
Nem prisão.
Tampouco esquecimento...
Vou aconchegar meu amor em uma caixa.
Dar-lhe repouso.
Espaço.
Tempo.
Vou juntar as pontas, dobrar.
Arrumar cada caquinho em seu lugar.
- Não é hora de tentar colar nada.
Mas tampouco poderia jogá-lo fora:
afinal, é amor, ainda!
As peças parecem uma bagunça
sem conserto
Tudo parece perdido
para além de qualquer esperança
Mexer, nem pensar:
as bordas cortam.
E, entretanto, aquela coisinha ali,
meio perdida e deslocada,
foi um sorriso.
Acolá brilha um dia na praia.
Ainda fumega o sonho do café compartido.
E o cacto, de espinhos macios, tem raízes próprias.
Como poderia condenar tanta dádiva ao desleixo?
Não posso.
Não quero.
Mas como cuidar do amor
despedaçado
dolorido?
Não é lixo.
Nem prisão.
Tampouco esquecimento...
Vou aconchegar meu amor em uma caixa.
Dar-lhe repouso.
Espaço.
Tempo.
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quinta-feira, maio 19, 2016
Monólogo
Eu errei o ponto
perdi o ponto
recuperei
Eu não sei como fazer
para consertar
alguns
pontos
Sem ter de desfazer tudo...
Eu tenho andado não muito
rápido.
Eu passei por um buraco,
mas não caí.
Eu tomei café.
Eu assisti a um filme
que me fez gargalhar
Eu ouvi uma música
... que me lembrou você.
Duas.
Três.
Eu não comi os doces.
Olhaeuachoqueelesvãoestragar.
Eu não sou
você não é
Eu queria que a gente tivesse
que a gente pudesse
Eu não falei
você não fala
As coisas não ditas vão
se acumulando
como água parada
- vão se embolando feito trem descarrilhado?
Vez em muito me transbordo.
O peito apertadói
aslágrimasnãocabem
O vazio
o silêncio
a falta
apertam no peito
E eu não caibo. Não me encontro.
Não faço parte de nada...
E fico querendo ir embora.
Ir embora.
Estar longe
ocupar-me.
Mudar.
- fingir que não fazes parte porque já não são os mesmos lugares, os mesmos espaços?
O peito se enche.
Esvazia.
Lentamente.
Só eu escuto...
perdi o ponto
recuperei
Eu não sei como fazer
para consertar
alguns
pontos
Sem ter de desfazer tudo...
Eu tenho andado não muito
rápido.
Eu passei por um buraco,
mas não caí.
Eu tomei café.
Eu assisti a um filme
que me fez gargalhar
Eu ouvi uma música
... que me lembrou você.
Duas.
Três.
Eu não comi os doces.
Olhaeuachoqueelesvãoestragar.
Eu não sou
você não é
Eu queria que a gente tivesse
que a gente pudesse
Eu não falei
você não fala
As coisas não ditas vão
se acumulando
como água parada
- vão se embolando feito trem descarrilhado?
Vez em muito me transbordo.
O peito apertadói
aslágrimasnãocabem
O vazio
o silêncio
a falta
apertam no peito
E eu não caibo. Não me encontro.
Não faço parte de nada...
E fico querendo ir embora.
Ir embora.
Estar longe
ocupar-me.
Mudar.
- fingir que não fazes parte porque já não são os mesmos lugares, os mesmos espaços?
O peito se enche.
Esvazia.
Lentamente.
Só eu escuto...
terça-feira, março 22, 2016
esperança...
A esperança é uma substância viscosa como o melaço - mesmo
quando você vira o pote e quer que ela escorra toda fora, ela se
arrasta, passa devagar pelo peito, pela pele, deixa um rastro de
esperança pelo corpo todo, até finalmente sair de você.
Quando acaba de escorrer, ainda é preciso limpar o caminho que ela fez quando ia embora - ou toda série de coisas podem se grudar ali..
Quando acaba de escorrer, ainda é preciso limpar o caminho que ela fez quando ia embora - ou toda série de coisas podem se grudar ali..
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domingo, novembro 29, 2015
terça-feira, novembro 24, 2015
sábado, novembro 21, 2015
domingo, novembro 15, 2015
Jornada de um escritor sombrio
Eu hoje pedalei
por uma cidade morta.
A lua estava brilhando
lindamente no mar
e uma chuva finíssima
começou a cair, deixando
o mundo todo coberto
por um delicado brilho.
Esta noite pedalei
por uma orla fantasmagórica.
E enquanto o oceano reluzia gentilmente
sob o luar
pensei ter ouvido
um chamado distante
meio carregado
meio disfarçado
pelos sons das ondas
e do vento.
Eu hoje pedalei
por ruas desertas.
E embora eu não pudesse ver
quem estava me chamando
das profundezas
do oceano bravo e sombrio
eu _pude_ ver Seus servos
perambulando
maquinando
saltando
fugindo
escondendo-se
de sombra em sombra
cruzando meus caminhos.
Eles chamam
alimentam-se
obedecem
murmuram
suas insanas preces
Então, desaparecem.
Nada
apenas
ar
a lâmpada quebrada de um poste
uma casa noturna
há muito
abandonada.
Débeis sussuros
- é apenas mar...
Era apenas uma cidade molhada e morta
no meio da noite
(morta, morta, _morta_).
E entretanto
suas ruas vazias
cheias de mistérios
sombras enevoadas
poças
lixo
lama
e luzas abandonadas
eram mais belas
convidativas
e reconfortantes
que qualquer cidade azul de verão
zunindo com seus carros novos de último modelo
abarrotada de belos zumbis
desesperadamente morta
e vazia
por dentro.
(tradução do original em inglês:
A dark writer's ride
I have ridden through
por uma cidade morta.
A lua estava brilhando
lindamente no mar
e uma chuva finíssima
começou a cair, deixando
o mundo todo coberto
por um delicado brilho.
Esta noite pedalei
por uma orla fantasmagórica.
E enquanto o oceano reluzia gentilmente
sob o luar
pensei ter ouvido
um chamado distante
meio carregado
meio disfarçado
pelos sons das ondas
e do vento.
Eu hoje pedalei
por ruas desertas.
E embora eu não pudesse ver
quem estava me chamando
das profundezas
do oceano bravo e sombrio
eu _pude_ ver Seus servos
perambulando
maquinando
saltando
fugindo
escondendo-se
de sombra em sombra
cruzando meus caminhos.
Eles chamam
alimentam-se
obedecem
murmuram
suas insanas preces
Então, desaparecem.
Nada
apenas
ar
a lâmpada quebrada de um poste
uma casa noturna
há muito
abandonada.
Débeis sussuros
- é apenas mar...
Era apenas uma cidade molhada e morta
no meio da noite
(morta, morta, _morta_).
E entretanto
suas ruas vazias
cheias de mistérios
sombras enevoadas
poças
lixo
lama
e luzas abandonadas
eram mais belas
convidativas
e reconfortantes
que qualquer cidade azul de verão
zunindo com seus carros novos de último modelo
abarrotada de belos zumbis
desesperadamente morta
e vazia
por dentro.
(tradução do original em inglês:
A dark writer's ride
I have ridden through
a dead city today.
The moon was shining
beautifully on the sea
and the most thin rain
started to fall, leaving
all the world covered by
a delicate glow.
I rode through
a ghost beach coast tonight.
And while the ocean was gently gleaming
by the moonlight
I thought I could hear
a faint calling
half carried
half disguised
by the surf sounds
and the wind.
I rode through
deserted streets today.
And while I could not have seen
who was calling me
from the depths
of the dark wild cold sea
I could see His servants
wandering
plotting
hopping
fleeing
hiding
from shadow to shadow
crossing my paths.
They call
they feed
they obey
they mutter their
insane prayers
Then, they vanish.
Nothing
but
thin air
a broken street light
a long abandoned
night
club.
Faint rustles
- it's just the sea...
It was just a dead wet city
in the middle of the night
(dead, dead, dead).
(dead, dead, dead).
And yet
its empty streets
filled with mystery
misty shadows
puddles
trash
mud
and forgotten lights
were more beautiful
inviting
and comforting
than any blue summer town's
buzzing with brand new cars
crowded with handsome zombies
hopelessly rotten
and hollow
in the inside. )
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terça-feira, outubro 06, 2015
on books
"What an astonishing thing a book is. It's a flat object made from a
tree with flexible parts on which are imprinted lots of funny dark
squiggles. But one glance at it and you're inside the mind of another
person, maybe somebody dead for thousands of years. Across the
millennia, an author is speaking clearly and silently inside your head,
directly to you. Writing is perhaps the greatest of human inventions,
binding together people who never knew each other, citizens of distant
epochs. Books break the shackles of time. A book is proof that humans
are capable of working magic."
c. s.
quinta-feira, agosto 20, 2015
Oxalá...
...Eu possa encontrar as palavras e ações para tocar as pessoas....
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terça-feira, agosto 04, 2015
inconvenientes
Salvador são finas paredes escondendo amontoados de expropriados... É como varrer a poeira para baixo do tapete, ou para o lado de fora da casa, e de repente olhar pela janela e perceber que se está completamente cercado pelo problema que se queria evitar.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
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segunda-feira, julho 13, 2015
03.07.2015
Pobre
carente
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quinta-feira, julho 09, 2015
tempos difíceis
Acho que tantos optam por sentir ódio, raiva, revanchismo porque dóem menos do que amor, empatia, compaixão...
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sexta-feira, maio 08, 2015
constatação
Acho que entendi porque gosto de pessoas mal humoradas ou rabugentas: elas tendem a ser mais honestas. Ou, menos falsas. O que já é grande coisa...
terça-feira, maio 05, 2015
Um café bom por dia
Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
copo plástico
luz fluorescente
ar condicionado
emails
pendências
café frio
reuniões
almoço
café adoçado
notícias
conversas
letras no monitor
café velho
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
copo plástico
luz fluorescente
ar condicionado
emails
pendências
café frio
reuniões
almoço
café adoçado
notícias
conversas
letras no monitor
café velho
escorre
acaba
o dia.
Na pia
a xícara limpa
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...
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segunda-feira, março 02, 2015
Realizações concretas
A realidade às vezes não cai, como ficha. Escorre, viscosa. Demora pra fazer sentido. Você sente um choque inicial, um impacto, mas o resultado é um anestesiamento, uma espécie de câmera lenta de realização e assimilação dos fatos.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.
segunda-feira, fevereiro 23, 2015
Microconto matinal de semi horror (ou suspense?)
Eu matei todos os haunter cats. Levei muito tempo para entender isso. Mas, o haunter cat que parou de assombrar minha casa é o único que continua vivo até hoje.
quarta-feira, dezembro 24, 2014
Momentum
I find myself wanting you,
against my will
- I can feel, half angry,
half hungry,
my body fully awake
by desire.
I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
I have to write it down.
And it's so strong
I have to touch me, down.
I get up to get paper and pen,
in the dark.
I won't turn on the lights,
I don't want to have to face it.
I do not want to admit it.
I get up
feeling a left breast
experiencing a pulsing sex
I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
that I have to admit
- I'm not attracted, anymore.
I'm being completely dragged.
I have to give up
and write
touch
tell
What the fucking hell
I'm fucking into you
against my fucking will
Against time
place
sense
I'm inconveniently
wanting to fuck you
against my will.
And I can't sleep
out of desire.
But also frustration
but mostly anger
'cuz there's no time
and this is not the place
nor a proper occasion
to be wanting you so hard.
But I can't help myself.
Can't stop it from happening.
Can't avoid thinking of your hands
in the middle of the night
- but also on business hours -
and the body moves,
a very autonomous being
knowing exactly what it wants
- and how -,
very aware of you,
Ignoring my ever weakening protests -
trying to reason with this stupid
desire.
Trying to let it fade by time,
hoping it will leave with you for good,
wondering all I wish I could do.
Mouth watering
breath groaning
heart quicken
goose bumping
body loosening
against my will.
And I finally give up.
But it ain't sexy -
it's furiously excited.
segunda-feira, dezembro 22, 2014
Poesia
É algo imaterial,
está potencialmente
em qualquer lugar
- sentir a poesia
é mais algo nosso
que do mundo externo.
Diferente de poema,
manifestação,
concreto.
A poesia depende da gente.
O meu olho vê,
eu sinto.
A câmera
a escrita
buscam captar essa essência
fugidia.
A poesia não é beleza.
Ou talvez seja.
Mas não é sobre a beleza do belo.
É a exaltação das coisas
A vida, a morte
O pungente sentimento
O feio
A dor
A sujeira
As formas
Os raios de luz que se filtram
através da sucata.
Em tudo está a poesia.
Depende do olho que vê.
(Se o olho quiser ver.)
está potencialmente
em qualquer lugar
- sentir a poesia
é mais algo nosso
que do mundo externo.
Diferente de poema,
manifestação,
concreto.
A poesia depende da gente.
O meu olho vê,
eu sinto.
A câmera
a escrita
buscam captar essa essência
fugidia.
A poesia não é beleza.
Ou talvez seja.
Mas não é sobre a beleza do belo.
É a exaltação das coisas
A vida, a morte
O pungente sentimento
O feio
A dor
A sujeira
As formas
através da sucata.
Em tudo está a poesia.
Depende do olho que vê.
(Se o olho quiser ver.)
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