There are no mysteries,
there's nothing new, either.
I'm the same person.
The same old shell:
sometimes opened, sometimes tightly closed.
Rarely empty.
Except for these tears that roll
only when they want
and become small spots of pain
and grayness inside.
I'll cry not.
Not now.
I'd rather write
or yell
or fight
or run
'till I'm breathless
speechless.
Letting everything
(watching everything)
come.
Letting everything
(watching everything)
go.
Waiting until I'm ready.
'Till they are ready.
Then they're like a storm,
a waterfall, washing over me
flooding me.
Cry me a river, they say.
I could cry several.
But I can't ever really reinvent myself.
Only some lines, maybe.
Hardly full of mysteries.
Never completely new.
terça-feira, agosto 27, 2013
sexta-feira, agosto 16, 2013
vagamundo
É uma armadilha, penso. Não me movo. Estou rodeado de lixo pelo norte e pelo sul, o lixo me toma de assalto de leste a oeste. E o lixo que avança, não eu, ou talvez, seja esse fedor a fermento e tripas em decomposição que me encurralam e me vão traçando para asfixiar-me e eu penso que é uma cilada, o primeiro poço de pretóleo não existiu nunca, nunca houve, nunca poderei sair daqui, não sei por onde vim e não há estrelas para me guiarem. Me deixo cair sob o sol em chamas e com a cabeça apertada entre o joelho rogo que caiam em cima de mim a noite ou a chuva.
e.g.
sábado, agosto 03, 2013
Lacônico, conciso e enigmático.
era uma vez.
era uma vez o quê?
era uma vez.
só isso.
daí, depois, fim.
u_u
era uma vez o quê?
era uma vez.
só isso.
daí, depois, fim.
u_u
domingo, junho 30, 2013
...
- Afinal... - continuou o médico, e voltou a hesitar, olhado para Tarrou com atenção. - É uma coisa que um homem como o senhor consegue compreender, não é verdade? Já que a ordem do mundo é regulada pela morte, talvez convenha a Deus que não acreditemos nele e que lutemos com todas as nossas forças contra a morte, sem erguer os olhos para o céu, onde ele se cala.
- Sim - concordou Tarrou -, compreendo. Mas as suas vitórias são sempre efêmeras, nada mais.
O semblante de Rieux pareceu anuviar-se.
- Sempre, bem sei. Não é uma razão para deixar de lutar.
- Não, não é uma razão. Mas imagino então o que esta peste significa para o senhor.
- Sim - tornou Rieux. - Uma interminável derrota.
Tarrou fixou um momento o médico. Depois levantou-se e caminhou pesadamente para a porta. Rieux seguiu-o. Alcançava-o já quando Tarrou, que parecia olhar para os pés, lhe perguntou:
- Quem lhe ensinou tudo isso, doutor?
A resposta veio imediatamente.
- A miséria.(...)
Está certo. Mas não se cumprimenta um professor por ensinar que dois e dois são quatro. Talvez o felicitemos por ter escolhido esta bela profissão. Digamos, pois, que era louvável que Tarrou e outros tivessem escolhido demonstrar que dois e dois eram quatro e não o contrário, mas digamos também que essa boa vontade lhes era comum à do professor, que, para honra do homem, são mais numerosos do que se pensa, ou pelo menos esta é a convicção do narrador. Aliás, este compreende muito bem a objeção que lhe poderia ser feita, ou seja, que esses homens arriscavam a vida. Mas chega sempre uma hora na história em que aquele que ousa dizer que dois e dois são quatro é punido com a morte. O professor sabe muito bem disso. E a questão não é saber qual é a recompensa ou o castigo que espera esse raciocínio. A questão é saber se dois e dois são ou não quatro.
Com efeito, os que se dedicaram às comissões sanitárias não tiveram um mérito tão grande em fazê-lo, pois sabiam que era a única coisa a fazer, e não se decidir a fazê-lo é que teria sido incrível. Essas comissões ajudaram os nossos concidadãos a penetrar mais na peste e persuadiram-nos, em parte, de que, uma vez que a doença existia, deviam fazer o necessário para lutar contra ela. Porque a peste se tornava assim o dever de alguns ela surgiu realmente como era, isto é, o problema de todos.
a.c. a peste.
(grifo meu)
sábado, junho 29, 2013
We should be mad as hell...
E se toda a onda de violência e repressão às manifestações passar; se o preço da tarifa baixar, congelar, zerar; se gay não se precisar curar; se MP investigar; se a gente não precisar votar; se D "cair" pra A, S ou M subir; se o Estado encolher ou inchar...
Uma quantidade absurda de pessoas continuará morrendo de fome; uma quantidade absurda de mulheres continuará sendo violentada; uma quantidade surreal de lixo continuará sendo despejada em terras de pessoas que não são pessoas, longe das costas que nossos olhos vêem; crianças continuarão a ser tratadas como marginais pelo crime de terem nascido do lado errado de linhas imaginárias ou sem pilas nas contas bancárias.
E não vão mudar as mãos que controlam tudo isso, não haverá dança nas cadeiras nas salas de quem realmente mexe nisso tudo e tem teias de aranha na bunda de tanto, tanto tempo que está no poder, enriquecendo às custas dos que sempre, sempre, por gerações e gerações, terão e serão menos...
A violência está aí o tempo todo. Surda, muda, para nós, acostumados (à força ou por hábito) a não vê-la e, principalmente, a não senti-la.
Ou enlouquecemos de vez e pra sempre e abrimos os olhos e olhamos até doerem, até haver lágrimas mesmo sem gás, até voltar a não fazer sentido ver uma criança lavando o vidro de seu carro enquanto seu filho está confortavelmente no ar condicionado sendo levado para o colégio que não o fará uma pessoa melhor, ou... Sei lá. Tudo vai continuar exatamente como está. Com algumas camadinhas de cal pra disfarçar.
(E, se não olharmos para o lado certo, continuaremos xingando, cuspindo e batendo nos joão bobo que se nos apresentam como alvos, mártires, bodes expiatórios, algozes, culpados...)
(E, se não olharmos para o lado certo, continuaremos xingando, cuspindo e batendo nos joão bobo que se nos apresentam como alvos, mártires, bodes expiatórios, algozes, culpados...)
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sexta-feira, junho 14, 2013
...
um dos grandes méritos dessa nossa merda de democracia
ou de nossa democracia de merda
é que o mundo não para de girar enquanto coisas surreais estão acontecendo
não para de girar pra irmos ou acompanharmos manifestações
não para de girar quando os países da África são soterrados de lixo tecnológico
não para de girar quando 1 bilhão de pessoas sente fome, todos os dias
dia após dia
ele continua girando
e a gente tem que ficar girando com ele
mantendo a porra da máquina girando
oxalá todos parássemos, um dia
uma, duas, trinta vezes
pelas balas, pelas bombas, pelos cacetetes, pelos semáforos com crianças nas ruas, pelos estupros, pela fome, pela obesidade, pelo photoshop, pelas propagandas de carro, futebol e cerveja
saco.
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terça-feira, junho 11, 2013
domingo, junho 02, 2013
domingo, maio 05, 2013
Acontece o tempo todo >.<
That awkward moment when you don't want things to be awkward... But you don't know what to do to avoid it.
...continuar a encenar, quando não há plateia, por vezes é difícil...
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Às vezes me sinto presa em mim (ou) em minha própria existência. São momentos de falta de ânimo ou perspectiva, em que sinto vontade de apenas seguir qualquer corrente que me afaste da necessidade de ter de fazer qualquer coisa muito maior do que consumir pílulas de lazer - como ler uma história ou assistir a um vídeo. Momentos de deixar as horas escorrerem. E de ter medo, medo, medo, medo de não fazer nada. Até chegar o dia não haver mais nada a ser feito sobre isso.
É um círculo vicioso que, das últimas vezes que apareceu, consegui romper com uma noite de sono. Ou uma ida à praia, ou sair - sozinha ou com amigos. Mas já houve fases de ser mais difícil combatê-lo. E de realmente achar que poderia acabar ficando presa n'algo assim. Como podemos ser tão presas de nossas variações internas?
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terça-feira, abril 30, 2013
sufocamento, angústia, vontade de fugir ou chorar
meu silêncio
não significa
uma porta aberta
para você falar
não significa
uma porta aberta
para você falar
Criaturas da noite
Solange, Rainha, poetisa, presenteadeira.
E Gerônimo (muito, muito antes). Menino, depois homem feito. Com memória.
E Oscar, argentino, andarilho, engenheiro de minas, artesão. Apreciador de café.
E Diego. E um nome difícil de lembrar, que acho que era Eirã.
E André, que teve de fazer mingau de aveia para sua esposa, porque a farinha de trigo está mais cara do que comprar leite e aveia.
E Flávio Ricardo, que me orientou a tomar cuidado ao dirigir.
E Elisângela? Que me pediu mantimentos, roupas.
E o senhor que se iluminou quando lhe dei boa noite, ontem. Transformando-se de estranho suspeito em vizinho voltando pra casa tarde da noite.
E assim, e tantos, e mais um. Que sempre possa respeitar, reconhecer, lembrar...
E Gerônimo (muito, muito antes). Menino, depois homem feito. Com memória.
E Oscar, argentino, andarilho, engenheiro de minas, artesão. Apreciador de café.
E Diego. E um nome difícil de lembrar, que acho que era Eirã.
E André, que teve de fazer mingau de aveia para sua esposa, porque a farinha de trigo está mais cara do que comprar leite e aveia.
E Flávio Ricardo, que me orientou a tomar cuidado ao dirigir.
E Elisângela? Que me pediu mantimentos, roupas.
E o senhor que se iluminou quando lhe dei boa noite, ontem. Transformando-se de estranho suspeito em vizinho voltando pra casa tarde da noite.
E assim, e tantos, e mais um. Que sempre possa respeitar, reconhecer, lembrar...
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Poema bruto
O adocicado aroma dos jasmins toma conta do frio ar da noite.
sei das malditas exceções, mas isto não me impede de descobrir sorrisos quase sempre, quando encaro estranhos desarmada, na noite.
Os ecos de uma violência que não vivi, que vivemos todas, ressoam, encerram, encolhem
mas...
acaso não será o olhar furtivo e assustadiço para trás
que nos dá a amedrontadora sensação de perseguição?
Cerro o portão.
A senhora se aproxima.
Segue seu rumo, recurvada de tempo.
sei das malditas exceções, mas isto não me impede de descobrir sorrisos quase sempre, quando encaro estranhos desarmada, na noite.
Os ecos de uma violência que não vivi, que vivemos todas, ressoam, encerram, encolhem
mas...
acaso não será o olhar furtivo e assustadiço para trás
que nos dá a amedrontadora sensação de perseguição?
Cerro o portão.
A senhora se aproxima.
Segue seu rumo, recurvada de tempo.
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domingo, abril 07, 2013
às vezes de poesia erótica e culinária
Como um(a) amante diligente em busca de sorver as últimas gotas de porra, ligo novamente a cafeteira de fogão, após servir todo o café. Com prazer de quem sabe extrair os últimos sumos, sirvo as últimas gotas, tiradas a febre e pressão.
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quarta-feira, abril 03, 2013
...
a vida é como um rpg sem ficha
(e como eu queria, às vezes, ter uma ficha para conseguir saber quais meus pontos fortes e fracos...)
(...)
às vezes (como hoje) sinto que sou péssima para tarefas cabeçudas. ou me sinto medíocre no geral.
e penso em meus amigos e vejo que estou cercada de pessoas fodásticas. me sinto orgulhosa deles. e fico pensando em que serei também eu boa...
a vida é como um rpg sem ficha
(e como eu queria, às vezes, ter uma ficha para conseguir saber quais meus pontos fortes e fracos...)
(...)
às vezes (como hoje) sinto que sou péssima para tarefas cabeçudas. ou me sinto medíocre no geral.
e penso em meus amigos e vejo que estou cercada de pessoas fodásticas. me sinto orgulhosa deles. e fico pensando em que serei também eu boa...
sábado, março 30, 2013
A sexta feira não é santa
Quase não tinha dentes. Chamava-se Solange, Rainha. Disse-me que era de Yansã. E poetisa. Recitou sobre o amor, bálsamo da vida. Falou da casca do Pelourinho, que é sua casa, mas não a parte que se vê. Chamou Bahia madrasta. Disse que era seu aniversário, e que era soropositiva.
Me explicou a matemática da reciclagem - 73 latas dão um quilo, um quilo são noventa centavos. E dos valores. Meu milk shake. Um prato de feijão, com suco e pimenta. Mas eu sou gringa, eu posso...
Deu-me um desenho, uma caneta, uma fita do senhor do Bonfim (tomo o cuidado de não deixar que a amarre em meu pulso).
Eu lhe dou atenção, sorrisos, dois reais, um cigarro.
E saio me sentindo falsa dentro do mundo. Ou da vida. Ou do corpo...
Me explicou a matemática da reciclagem - 73 latas dão um quilo, um quilo são noventa centavos. E dos valores. Meu milk shake. Um prato de feijão, com suco e pimenta. Mas eu sou gringa, eu posso...
Deu-me um desenho, uma caneta, uma fita do senhor do Bonfim (tomo o cuidado de não deixar que a amarre em meu pulso).
Eu lhe dou atenção, sorrisos, dois reais, um cigarro.
E saio me sentindo falsa dentro do mundo. Ou da vida. Ou do corpo...
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quinta-feira, março 14, 2013
segunda-feira, janeiro 14, 2013
Achados (e perdidos)
Não sou inquebrável.
Mas sou flexível. E consertável.
Mas sou flexível. E consertável.
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quarta-feira, janeiro 02, 2013
Como é que pode haver coisas que doam e deem vontade de chorar, mesmo depois de tanto tempo? Como sara ou conserta ou resolve ou desembola?
Por vezes, é algo que flutua próximo à superfície, sem porém delinear-se por completo. E fica essa sensação de buraco e eu sequer entendo completamente seus porquês...
domingo, dezembro 16, 2012
16.12.2012. domingo bom
Dá pra viver de crepes, vinho, café, cigarro e pimenta fresca moída na hora?
terça-feira, dezembro 11, 2012
Mais do mesmo
Ao final do dia
findo o expediente
quantos dos rostos cansados
apertados nos ônibus
são negros...?
segunda-feira, dezembro 10, 2012
Sua mente e seu corpo fervilhavam. O corpo, um misto de ódio, cansaço e tristeza. A cabeça, ideias. Abriu o laptop, precisava desesperada e urgentemente transformar aquilo tudo em alguma coisa. Tentou passar o que sentia para a tela em branco, entretanto, sentia que o processo todo era frio demais. Enquanto imaginava que seria algo muito mais verossímil e fluido se pegasse papel e caneta e pudesse extravasar os sentimentos no rascar das linhas da caneta, seu olhar penetrava mais e mais profundamente as formas perfeitas impressas na tela brilhante.
Entrava em transe.
Suas costas doíam. Seu corpo todo doía. Mas não queria parar. Queria, precisava de um momento de catarse, de uma transmutação, de algo.
Foi interrompida por sua mãe.
Fim
Entrava em transe.
Suas costas doíam. Seu corpo todo doía. Mas não queria parar. Queria, precisava de um momento de catarse, de uma transmutação, de algo.
Foi interrompida por sua mãe.
Fim
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segunda-feira, novembro 12, 2012
quarta-feira, outubro 17, 2012
Nada de Novo no Front
Os dias se sucedem, e cada hora é ao mesmo tempo incompreensível e natural. Os ataques seguem-se aos contra-ataques, e, lentamente, nos espaços livres das trincheiras, os mortos se empilham. Geralmente, conseguimos trazer de volta alguns feridos; no entanto, alguns ficam estendidos por muito tempo, e nós os ouvimos morrer.
Procuramos um deles em vão durante dois dias. Deve estar deitado de bruços e não consegue mais virar-se. Não há outra explicação para o fato de não o acharmos, pois somente quando se grita com a boca colada ao chão é difícil determinar a direção do grito.
Deve ter levado um mau tiro, um desses ferimentos traiçoeiros, que não são tão graves a ponto de enfraquecer o corpo com rapidez e deixá-lo entorpecido e nem tão leves que permitam suportar as dores com esperança de ficar curado. Kat diz que deve ser um esmagamento da bacia ou um tiro na espinha. Provavelmente, o peito não está ferido, pois, se assim fosse, não teria forças para gritar tanto. E se estivesse ferido em outro lugar qualquer veríamos seus movimentos.
Aos poucos, ele vai enrouquecendo. A voz tem um som tão débil que não se consegue distinguir de onde vem. Na primeira noite, alguns dos nossos homens saíram três vezes para procurá-lo. Mas quando julgaram tê-lo localizado e já começavam a arrastar-se até lá, na próxima vez em que o escutaram, a voz parecia vir de outro lugar.
Procuramos em vão até o amanhecer. Durante o dia, o campo é vasculhado com o auxílio de um binóculo, mas nada se descobre. No segundo dia, a voz fica mais fraca e sente-se que os lábios e a boca ressecaram.
Nosso comandante de companhia prometeu prioridade de licença e mais três dias suplementares a quem o encontrasse. É um prêmio estimulante, mas faríamos o possível, mesmo sem ele, pois é um clamor terrível. À tarde, Kat e Kropp saem uma vez mais da trincheira. Em conseqüência disto o lóbulo da orelha de Albert é arrancado por um tiro. E foi tudo inútil - voltaram sem ele!
Apesar de tudo, compreende-se claramente o que diz. No princípio, gritava somente por ajuda; na segunda noite, deve ter tido febre, pois, em seu delírio, falava com a mulher e os filhos; muitas vezes escutamos o nome Elisa. Hoje, chora, apenas. À noite, a voz diminui, até tornar-se um gemido rouco. Mas ainda continua durante toda a noite. Ouvimos tudo claramente, porque o vento sopra da direção de nossas trincheiras. De manhã, quando julgávamos que tudo já tivesse terminada, ainda chega até nós um estertor.
Os dias são quentes, e os mortos jazem desenterrados. Não podemos ir buscar todos, são saberíamos para onde ir com eles.
Não precisamos, porém, nos preocupar: são enterrados pelas granadas. Alguns têm as barrigas inchadas como balões, assobiam, arrotam e mexem-se. São os gases que se agitam neles.
e.m.r.
(dá vontade de citar o livro inteiro. de sair dando de presente pra todo mundo.)
sexta-feira, outubro 05, 2012
A sua batata estará sendo assada
Ingredientes
4 batatas grandes, do mesmo tamanho (ou não, isso é mais questão de estética e pra não dar briga entre quem for comer xP )
250g de bacon picado
1 cebola grande picada
1 tomate sem pele cortado em cubinhos (bullshit essa história de tirar a pele)
250g de requeijão cremoso
1/2 xícara de cebolinha picada
Sal, pimenta do reino e orégano (a gosto, mas acho que podes usar em outubro, também)
Preparo
Lave bem as batatas, esfregando-as com uma escovinha macia (você só precisa se certificar de que estão limpas, pois elas serão cozidas com casca). Cozinhe-as até ficarem macias. Escorra-as e embrulhe, uma a uma, em papel alumínio. Leve ao forno quente para assar. Frite o bacon, escorra e passe os torresminhos para uma tigela. Retire o excesso de gordura da frigideira e refogue nela a cebola e o tomate. Adicione o bacon (lembre-se de deixar um pouco separado para jogar por cima das batatas, como decoração). Tempere com o sal, a pimenta do reino e o orégano (tenho a intuição de que grãos de mostarda vão bem, também). Misture o requeijão e a cebolinha verde. Retire as batatas do forno. Faça um corte no meio, no sentido do comprimento, e raspe um pouco da polpa (use-a no recheio, misturada com o resto). Recheie as batatas e sirva imediatamente, bem quentinhas (queime bem as mãos no processo).
Rendimento
Poderia dizer que é meio intuitivo, mas isso depende de quão gordas (de espírito ou não) as pessoas são.
Para acompanhar
Coca-cola ou qualquer outra bebida bem digestiva. Sofás, redes, camas, tapetes e qualquer outro lugar em que seja possível capotar depois.
\o/
segunda-feira, outubro 01, 2012
Angústia
Critico.
Minhas palavras são minha arma e escudo.
Minha impaciência, um muro.
Sou agressiva, estourada, ríspida.
Não doce ou leve.
Tampouco prestativa, organizada, inteligente.
Simplesmente não.
-------------------------------------------------------------
Ou talvez seja mau humor extremo.
Tudo errado. Eu errada.
segunda-feira, setembro 17, 2012
Vi ontem um bicho
Se a capacidade de perceber consequências e desdobramentos de suas ações é o que diferencia o homem dos outros animais, alguns de nós há tempos deixamos de ser racionais...
segunda-feira, setembro 10, 2012
quinta-feira, setembro 06, 2012
Prazeres
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
Tateei pelo copo d’água ao lado da cama. Enquanto sorvia da água como se tivesse bebido todo o bar na noite anterior, me dei conta. Sonhei com ela, de novo. Estávamos sozinhas na sala de alguém. De um amigo. De um amor não completamente esquecido. Ela usava uma camiseta preta com dizeres que eu ignorarei pra sempre, mas minhas mãos se lembrarão como se tivesse sido real o toque de meus dedos na curva de sua cintura, enquanto tentava chegar a seus seios.
Nossas coxas e quadris já estavam perturbadoramente encaixados então. Nos aproximávamos e comprimíamos nossos sexos - buscando e sendo guiadas pelo ápice eletrizante daquela transa inesperada. Queria enterrar meu rosto em seus grandes seios brancos. Conhecer e morder seus mamilos. Queria tocá-la, senti-la úmida e quente e aberta, fazê-la curvar-se e contorcer-se.
Em vez disso, o choque do prazer terrivelmente rápido e intenso fez com que nos afastássemos. O orgasmo me fazia sonhar acordada, em transe, em estado alterado de consciência pelo gozo, em estado de euforia e estranhamento por finalmente - após tantos, tantos anos - ter acontecido de estar com ela, poder sentir seu corpo, seu toque, sua pele, seu gosto...
E então acabou.
E então acabou.
Bebi a água como se pudesse recuperar o gosto de sua saliva nos gulosos goles. O gosto ficou amargo. A cama alheia. O travesseiro, frio. O sonho não voltaria. Ela não vai voltar. Não pros meus braços.
No sonho. Na realidade. Por que continuo fazendo isso?
segunda-feira, setembro 03, 2012
pulgas filosóficas
There is a fundamental reason why we look at the sky with wonder and longing—for the same reason that we stand, hour after hour, gazing at the distant swell of the open ocean. There is something like an ancient wisdom, encoded and tucked away in our DNA, that knows its point of origin as surely as a salmonid knows its creek. Intellectually, we may not want to return there, but the genes know, and long for their origins—their home in the salty depths. But if the seas are our immediate source, the penultimate source is certainly the heavens… . The spectacular truth is—and this is something that your DNA has known all along—the very atoms of your body—the iron, calcium, phosphorus, carbon, nitrogen, oxygen, and on and on—were initially forged in long-dead stars. This is why, when you stand outside under a moonless, country sky, you feel some ineffable tugging at your innards. We are star stuff. Keep looking up.
Jerry Waxman, Astronomical Tidbits
...polvo de estrellas...
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Pútridas
As cidades cheiram a lixo e mijo, a vazio e solidão. Excretam tais odores e sentimentos como uma fenda marinha libera gases pré-históricos, como um ser decrépito deixa escapar seus maus humores a cada suspiro: não agem com maldade ou desamor, não o fazem para vingarem-se dos germes que habitam e poluem sua superfície.
Esta é sua natureza, simplesmente. São seres abissais, seus tempos são outros. Sequer notam nossa efêmera existência sobre si. Seu eterno fedor não é mais que o hálito apodrecido de um adormecido ente de tempos imemoriais.
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quinta-feira, agosto 30, 2012
Do abismo do asfalto
As cidades são monstros abissais famintos. Seu principal alimento é o tempo alheio, o tempo mal gasto. Suas vias engarrafadas são os tentáculos que nos mantêm em suas armadilhas. Nutrem-se de nossas frustrações, do tempo que não dedicamos em a ir ao cinema, ou beijar a namorada, ler um livro de poemas, beber um conhaque com os amigos. O tempo sem nossos filhos, sem trabalhar no que acreditamos. É disso que essas criaturas odiosas tiram sua subsistência. É assim que estas criaturas odiosas lidam com seu insaciável apetite.
E todas as noites, como num eterno equilíbrio ou retorno, Morpheus nos realimenta as almas de sonhos e esperanças, para serem devorados, uma vez mais, a cada minuto que se arrasta, travestido de correria, nas entranhas labirtínticas das grandes cidades.
E todas as noites, como num eterno equilíbrio ou retorno, Morpheus nos realimenta as almas de sonhos e esperanças, para serem devorados, uma vez mais, a cada minuto que se arrasta, travestido de correria, nas entranhas labirtínticas das grandes cidades.
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Temporais
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
A tempestade do lado de fora fazia tanta bagunçava que me surpreendi por ter conseguido dormir. Lembrei do barulho de coisas quebrando que ouvira ainda no estágio de quase sonho. Levantei e fui vasculhar a casa.
Havia goteiras no teto de concreto, que haviam sido cobertas com panos, para amenizar a situação. Na sala, a parte superior do quadrante de alumínio da janela havia sido destroçada e distorcida por um raio. Continuando a vasculhar a casa, encontro um amigo em um dos quartos dos fundos, deitado na cama. Quero parar e ficar ali com ele, confortando-o, aquecendo-o. Mas uma mensagem de celular de outro amigo - com quem estou em falta - me deixa ansiosa e dividida.
Enquanto isso, um outro amigo, um grande amor, estava de mãos dadas comigo andando por todos esses lugares - e também me sentia perdida por isso, sem saber assumir o que queria. A casa toda era um grande caos por conta do temporal que acontecia no exterior. Havia amigos e pessoas em vários cômodos, fugidas e abrigadas da chuva. Em um dos quartos, meu irmão me mostrou vários aquários empilhados, solução que ele encontrara para salvar o Beta que tínhamos. Havia muito mais peixes do que jamais tivéramos, misturados em aquários sujos. Alguns estavam mortos. Preocupei-me com aquilo, mas de repente minha atenção já se voltava para outro lugar.
Pela janela, alguém me mostrava todos os carros que tinham estacionado onde antes nada havia. Eram muitos e todos pareciam tão limpos e alinhados que era como olhar para o pátio de uma concessionária. Em nosso quintal.
Em algum espaço que deveria ser o teto, ou o sótão, objetivos e traços inanimados faziam sua própria aventura. Vi riscos na parede formarem-se sozinhos e seguirem um caminho confuso, guiando algo que não consegui identificar direito, de uma mesinha até o topo de uma pequena estante de parede. Estavam em um universo à parte - não estava molhado, nem escuro, nem havia pessoas por lá. Apenas os objetos, em inesperadas ações.
Entrementes, minha atenção continuava dividida entre entes queridos. Não era capaz de evitar todo aquele turbilhão, ainda que quisesse muito um período de calma para poder pensar em tudo aquilo. Precisava entender-me e decidir o que fazer em meio a tudo aquilo, com a bagunça, a mistura, o caos, a água, os distintos amores.
Acordei com a sensação longínqua de perda ou tristeza. 09:50. Acho que sei o que era. O sonho ainda me preenchia. Ainda não sabia o que fazer. Mas o dia prosseguiria.
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Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
Alguém se mexeu a meu lado. Levei a mão à cabeça, como se o gesto pudesse me fazer recobrar a sobriedade. O quarto cheirava bem. Um aroma doce de incenso. Não estava totalmente escuro, uma luz de vela bruxuleava perto do porta retratos...
Me remexi na cama, a razão voltando de um baque. Aquela cama não era minha. Aquele cheiro doce não fazia parte de nenhum cômodo de minha casa. A pessoa no porta-retratos era familiar. Tentei umedecer os lábios, enquanto fazia a máquina da memória funcionar, mas a boca estava seca demais. Fora atrás de água que havia acordado, afinal. Saí da cama. O quarto tinha uma atmosfera rosada. Nem a camiseta que usava era minha. Corri os olhos pelas paredes. Duas portas. Qual seria a do banheiro? Lembrava vagamente de um banho, antes de... acordar com sede.
Na que estava de frente para a cama, o carpete do quarto continuava por baixo. Abri a outra, então. Fechei a porta atrás de mim, tateei até a pia e bebi água dali mesmo. Sentei no vaso e fiquei revirando a noite anterior na cabeça. Ao menos fora naquele banheiro que havia tomado banho - reconheci o toque do tapete áspero com os pés.
Ouvi passos abafados e a porta do banheiro se abriu. Reconheci a garota do porta retrato. Seu sorriso dizia muitas coisas. Ela se aproximou sem falar, com aquele sorriso que mal me deixava pensar no que eu devia estar achando de tudo aquilo. Sentou de pernas abertas sobre mim, ali, de qualquer jeito, já me beijando.
Alguma parte minha devia estar pensando que tinha algo muito errado ali, porque eu sou gay e travesti desde sempre. Mas a verdade é que correspondi com uma paixão que senti poucas vezes antes na vida, e ela parecia saber muito bem que eu faria isso. Beijei-a como se fosse hétero. Outra hora pensaria se deveria sair do armário.
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segunda-feira, agosto 27, 2012
domingo, agosto 26, 2012
Pesadelo
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
Aos poucos as imagens do sonho foram retornando. Primeiro apenas flashes. Depois, cada vez mais nítidas: pernas entrelaçadas embaixo do chuveiro, uma coxa grossa apertando meus quadris, que se remexiam na busca por mais prazer - meu, dela. Levantei, ainda imersa na tensão do banheiro onírico.
Apertei os olhos com os dedos. Queria que tudo aquilo sumisse. Queria que alguém me pegasse daquele jeito, me desejasse, queria desejar a pessoa de volta, na mesma intensidade. Queria gritar, implorar para que alguém me desse prazer, para que alguém quisesse me dar prazer. Ali, já. Algum aspecto louco e infantil começou a percorrer em minha mente possíveis conhecidas ou conhecidos a quem pudesse recorrer.
Como se chega para alguém e pede - Oi, bom dia, dormiu bem? Olha, não tenho muito como explicar agora, mas... quer transar? Não, tudo bem, eu te pego - onde você está? Não funciona. Não no meu mundo. Entrei debaixo do chuveiro de calcinha, água fria, mesmo. Se morasse sozinha, acenderia um cigarro. Se fosse a Rê Bordosa, daria pro primeiro garçom que encontrasse.
Suspiro de novo. Tremo, pulo para espantar o frio. Respiro fundo e entoo um mantra mental para que o desejo saia de meu corpo, junto com a água que escorre e me arrepia. Fecho os olhos, ensaio uma carícia enquanto tiro a calcinha. Não vai funcionar. Quero mais do que isso.
Lavo o rosto, jogando bastante água e esfregando-o com força. Desligo o chuveiro. Toalha, roupas, café, bichos, dentes, rua, sol. Deixo o tesão na gaveta. Não tenho onde encaixá-lo, de novo, neste dia. Urrarei meu grito desesperado pra dentro. E que um dia eu me exploda em milhões de tesõesinhos.
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sexta-feira, agosto 24, 2012
Continuar correndo
Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?
De
tarde, já na rua, tive mais uma vez a mesma revelação que tenho tantas e
tantas vezes, reiteradamente - a cidade é uma enorme favela. Queria
parar e tirar uma foto: os morros tomados de casebres amontoados. Ao
longe, à esquerda - em direção ao centro novo da cidade - edifícios
altos e ricos.
Desci
o viaduto ainda observando e refletindo sobre a paisagem. A respiração
estava difícil: sentia-me ansiosa e culpada por estar atrasada para o
trabalho. Queria correr, mas como? A chuva transformara a cidade em uma
sucessão de engarrafamentos. As casinhas coloridas e amontoadas ainda me
perseguiam: como podemos ficar sem ver tão facilmente? Como ficamos sem
ver os barracos, as crianças na rua, os buracos, os alagamentos que se
formam com qualquer chuva mais forte...?
Respirei
fundo e forçadamente mais uma vez - ansiedade, aflição. Os carros todos
se amontoam e atropelam: é preciso continuar correndo. Nos fazem parar
para que precisemos voar tão logo haja tempo ou espaço livre. E se
passamos correndo, não vemos. Passamos correndo pelas subconstruções que
tomam conta do horizonte. Passamos correndo pelos buracos que habitam
indiscriminadamente as ruas. Passamos correndo pelas pessoas tomando
chuva enquanto esperam ônibus atrasados.
Passamos
correndo na hora de entrar nesses mesmos ônibus e não olhamos para o
sujeito que vai passar umas oito horas de seu dia ali, fazendo papel de
máquina. Passamos correndo pela festa com os amigos que de repente é só
um momento de torrar os miolos com música alta e bebida demais - e
interações verdadeiras de menos. Passamos correndo pelas propagandas
políticas coloridas, mentirosas e invasivas - que se tornam mais
presentes na mesma medida em que crescem nossa frustração, indignação e
descrença no governo. Em qualquer governo.
Andamos
desgovernados, em carros desgovernados, crescimentos desgovernados,
corpos desgovernados, vidas desgovernadas. Estamos a mil por hora e vamos
bater num muro que não vemos porque estamos ocupados demais.
Mas precisarei continuar correndo. Estou atrasada, no meio do trânsito no meio da vida no meio da tarde, e o horário de trabalho já começou.
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terça-feira, agosto 07, 2012
Salvapantallas
Tengo tu voz,
tengo tu tos,
oigo tu canto en el mío.
Rumbos paralelos,
dos anzuelos
en un mismo río.
Vamos al mar,
vamos a dar
cuerda a antiguas vitrolas.
Vamos pedaleando
contra el viento,
detrás de las olas.
Tengo una canción
para mostrarte,
talvez cuando vaya…. Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
Años atrás
de pronto la casa
se llenó de canciones.
Músicas y versos
que brotaban
desde tantos rincones.
Vamos al mar,
vamos a dar
guerra con cuatro guitarras.
Vamos pedaleando
contra el tiempo,
soltando amarras.
Brindo por las veces
que perdimos
las mismas batallas.
Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
j.d.
tengo tu tos,
oigo tu canto en el mío.
Rumbos paralelos,
dos anzuelos
en un mismo río.
Vamos al mar,
vamos a dar
cuerda a antiguas vitrolas.
Vamos pedaleando
contra el viento,
detrás de las olas.
Tengo una canción
para mostrarte,
talvez cuando vaya…. Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
Años atrás
de pronto la casa
se llenó de canciones.
Músicas y versos
que brotaban
desde tantos rincones.
Vamos al mar,
vamos a dar
guerra con cuatro guitarras.
Vamos pedaleando
contra el tiempo,
soltando amarras.
Brindo por las veces
que perdimos
las mismas batallas.
Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.
j.d.
domingo, julho 29, 2012
Crazy Car
Dearest, dearest here's a song
Beautiful, so bright and young
You got mojo, you got soul
Full of colours, pearls and poetry
Climbing over cemetery walls
Watering the sea
Fire is fire, that is all
Don't go in the crazy car
Beautiful, so bright and young
You got mojo, you got soul
Full of colours, pearls and poetry
Climbing over cemetery walls
Watering the sea
Fire is fire, that is all
Don't go in the crazy car
Stream of gold from your guitar
Good old, good old Lolita
You're a diva, you are strong
Baby, what the hell is wrong?
What is wrong with vanity?
Why not just embrace it?
A pop star is a pop star
Don't go in the crazy car
Good old, good old Lolita
You're a diva, you are strong
Baby, what the hell is wrong?
What is wrong with vanity?
Why not just embrace it?
A pop star is a pop star
Don't go in the crazy car
Please be aware of the crazy car
Please don't go to America
Here's your home, here are your friends
Waiting still, until this ends
Please, please think inside the box
Only for a moment
We have made it circle shaped
For you
Please don't go to America
Here's your home, here are your friends
Waiting still, until this ends
Please, please think inside the box
Only for a moment
We have made it circle shaped
For you
Don't go in the crazy car...
o.a.
segunda-feira, julho 23, 2012
domingo, julho 15, 2012
15.07.2012
acho que vou passar uma semana sem ter qualquer interação social além do estritamente necessário...
sábado, julho 14, 2012
Não falo do tempo ou da saudade
"Não falo do tempo ou da saudade. Tudo muito imprevisível. Melhor falar da chuva, que nunca deixa de cair de cima para baixo."
autor desconhecido
domingo, junho 24, 2012
segunda-feira, maio 21, 2012
sábado, maio 19, 2012
sexta-feira, maio 18, 2012
terça-feira, maio 15, 2012
quarta-feira, maio 09, 2012
Crônica de um cárcere
Eu experimentei seu gosto
correndo minha boca
por seu pescoço e nuca.
Lambi sua pele
mordisquei sua orelha.
Nossos lábios se provaram
até se transformarem em frutos
maduros
inchados
rubros
E eu deixei que mordesse
e sugasse
meus beijos
meus seios.
Deixei que enchesse meu peito
com os mais doces beijos.
Minhas mãos
procuraram as suas
Macias.
Firmes.
Seguras.
Minhas mãos experimentaram
seu corpo.
Exploraram
sua pele, suas curvas.
A raiz de seus cabelos.
E deixei que seus dentes
marcassem minha pele
a cada gemido meu
a cada espasmo seu.
Eu experimentei seu gosto.
E adormeci encantada em seu rosto.
E isto é tudo...
Não me importa
que tenha acordado sozinha nesta cela escura.
Ou que não haja marcas.
Ou que digam que passarão anos.
Que apodrecerei neste submundo.
Ela era tão real
quanto precisava ser.
Eu experimentei seu gosto.
Eu tive seu corpo.
E faria tudo de novo.
E isso é tudo.
correndo minha boca
por seu pescoço e nuca.
Lambi sua pele
mordisquei sua orelha.
Nossos lábios se provaram
até se transformarem em frutos
maduros
inchados
rubros
E eu deixei que mordesse
e sugasse
meus beijos
meus seios.
Deixei que enchesse meu peito
com os mais doces beijos.
Minhas mãos
procuraram as suas
Macias.
Firmes.
Seguras.
Minhas mãos experimentaram
seu corpo.
Exploraram
sua pele, suas curvas.
A raiz de seus cabelos.
E deixei que seus dentes
marcassem minha pele
a cada gemido meu
a cada espasmo seu.
Eu experimentei seu gosto.
E adormeci encantada em seu rosto.
E isto é tudo...
Não me importa
que tenha acordado sozinha nesta cela escura.
Ou que não haja marcas.
Ou que digam que passarão anos.
Que apodrecerei neste submundo.
Ela era tão real
quanto precisava ser.
Eu experimentei seu gosto.
Eu tive seu corpo.
E faria tudo de novo.
E isso é tudo.
segunda-feira, abril 23, 2012
Pseudo vilanela pobre
Se tocar sua pele, e lhe der um beijo
esquecendo receios e medo
você então cederá ao desejo?
Com a imaginação, vejo:
todo o fim do enredo
se tocar sua pele, e lhe der um beijo.
Se for mais segura, e parar de repetir o que almejo
Se do que sinto mantiver segredo
Você então cederá ao desejo?
Se sentir saudade, e num lampejo
finalmente acolher o abraço que sempre concedo...
Se tocar sua pele, e lhe der um beijo
você então cederá ao desejo...
terça-feira, abril 17, 2012
segunda-feira, abril 16, 2012
metalinguagem
Por que tenho me questionado tanto?
São pertinentes os questionamentos que me faço?
São perguntas boas, ou estou gastando tempo e energia internos com tais questões?
Por que tenho me posto tanto em xeque?
por que tantos "por quês"?
As pessoas de quem gostamos têm um potencial muito maior de mexer conosco. Para o bem, para o mal...
O fato de serem especiais e importantes para nós faz com que possam nos machucar muito mais. Ficamos mais suscetíveis a elas. Partem nosso coração muito mais facilmente.
16 de abril
Preciso encontrar um espaço em que não me sinto por demais ansiosa e angustiada ou sufocada.
Um espaço em que consiga olhar o que preciso fazer, respirar e... fazer.
E um espaço onde não desperdice meu tempo, e consiga fazer o que realmente é importante para mim.
Encontrar este lugar interno em que não me sinta insegura demais; incapaz demais; inexperiente demais; inadequada demais.
Onde minhas carências não sejam motivos para eu me diminuir, ou querer me esconder porque não me sinto boa o suficiente para me relacionar com os outros, porque me acho estranha demais, ou chata ou exigente ou esquisita.
Respirar meus anseios e ansiedades.
Respirar...
Um espaço em que consiga olhar o que preciso fazer, respirar e... fazer.
E um espaço onde não desperdice meu tempo, e consiga fazer o que realmente é importante para mim.
Encontrar este lugar interno em que não me sinta insegura demais; incapaz demais; inexperiente demais; inadequada demais.
Onde minhas carências não sejam motivos para eu me diminuir, ou querer me esconder porque não me sinto boa o suficiente para me relacionar com os outros, porque me acho estranha demais, ou chata ou exigente ou esquisita.
Respirar meus anseios e ansiedades.
Respirar...
terça-feira, abril 10, 2012
segunda-feira, abril 09, 2012
segunda-feira, abril 02, 2012
I want to weep (...). I want to be comforted. I'm so tired of being strong. I want to be foolish and frightened for once. Just for a small while, that's all... a day... an hour...
g.r.r.m.
Às vezes, me sinto assim. Não que seja um exemplo de austeridade e estoicismo, mas... ainda assim, tenho a sensação de que normalmente costumo aceitar menos aconchegos do que deveria. Sinto isso aos poucos mudando. Por hora, mais internamente do que em ações, ainda.
terça-feira, março 27, 2012
Caça às bruxas
E se não houvesse culpados? Você não saberia o que fazer. Você cresceu sabendo que o mundo era simples, preto no branco, sem nuances.
Tudo pode ser explicado a partir de seu ponto de vista das coisas, e este nunca está errado.
Se lhe contassem que não havia culpados, ainda assim você os encontraria, um a um.
Você buscaria a garota que atende telefonemas e a culparia pela vida dupla que leva.
Iria atrás das garotas de cabelos molhados, também: irremediavelmente culpadas. Por se machucarem deliberadamente, por chegarem sem serem convidadas, por não terem plena consciência do que fazem.
A garota muda seria culpada por se apaixonar por um cowboy tresloucado - como pôde? E o cowboy, por permitir que isso acontecesse, e ainda dar corda com aquele papo barato de "parceira de aventuras". Ele só queria mais plateia para seus ridículos "feitos heróicos".
A garota na cozinha, com o leite condensado, seria culpada por ser alheia demais, e comer muito doce. Era óbvio que tais coisas não contribuíam para uma boa convivência.
Não escapariam a pintora e sua recém ex-paixão. Àquela, recairia a culpa de ser fria, de fazer apenas o que lhe fazia bem - e de usar as pessoas nisso. A segunda seria culpada por ser ingênua e cair na lábia da primeira, e também por não deixá-la em paz.
O Escritor seria perseguido por ter tentado crer que poderia prescindir do Músico, quando este sumiu. Este último, por sua vez, teria dificuldades em desfazer a decepção por ele causada, por ter abandonado o outro perseguido - logo quando tudo iria ficar tão difícil. Ele deveria saber.
A Fada não poderia escapar nem no outro mundo. Não após roubar a inocência de tantas crianças. E por se deixar abater de forma tão idiota.
E o rapaz do caderninho também não poderia ser menos culpado. Não após ter passado tanto tempo sem fazer nada.
Você perseguiria o casal da música. Especialmente ele, por ter sido machista. A ambos, acusaria de não terem se dedicado mais à própria história.
A escritora não poderia estar livre, após ter abandonado seus personagens por tanto tempo.
A mulher que se mudara para São Paulo: fraca - não assumira as responsabilidades por seus atos. Seu amigo? A acobertara.
A menina do hospital e sua avó: culpadas por todas as suas mentiras e perseguições, sem falar dos devaneios.
A avó espanhola nunca seria perdoada. Não após fugir desesperada enquanto seus pais eram mortos.
E assim aconteceria com muitos outros. Com todos os outros. À noite, em suas celas, eles inventariam outras histórias, contadas às estrelas, às paredes, ao papel higiênico economizado.
E você, também sozinha, em seu quarto, choraria baixinho, assombrada por pesadelos vazios de histórias e cheios de verdades absolutas.
Porque todos somos culpados de tudo.
E não sobraria ningúem incólume à caçada.
E não sobraria ningúem incólume à caçada.
E, no escuro, cada lágrima, engolida ou escancarada, seria testemunha de um arrependimento que lhe tornaria culpada por não ser capaz de admiti-lo jamais.
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segunda-feira, março 26, 2012
05/11/2010
Durmo com um pedaço de céu estrelado sobre minha cabeça.
Negro e estrelado, em verdade, e mais aqui do que isto
Negro e estrelado, em verdade, e mais aqui do que isto
- também fato.
Mas a luz pontual das estrelas cresce na intensidade da escuridão...
durmo.
Sob o céu estrelado, minha cabeça.
domingo, março 25, 2012
Undertow?
What does this mean
- to die?
- to die another time?
Show me this person who hasn't died several times over the course of a single life.
Who hasn't cried his or her heart out, who hasn't lost his or her feet...
How many times do we die?
How many can we survive?
Isn't this what's life all about, after all? Being able to die - and survive?
Can we avoid change?
Can we avoid being hurt?
Can we avoid feeling hurt by those we love?
Can we avoid blaming others for pains?
Can we avoid feeling lonely?
Can we avoid feeling guilty...?
Is it real life, when it doesn't hurt, when it's never painful, when you never cry?
Why are you alive?
Will any of these questions make anything easier...?
Should any of these questions make anything easier?
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sábado, março 24, 2012
terça-feira, março 20, 2012
poemas na madrugada
(de antigos e distantes, ou de novos amigos)
Somos confusos como as florestas.
Tu, e eu (e todo!! nós),
temos enredos na voz,
armaduras e espessuras
que nos encobrem de nós.
Anda.
Percorre-me sem desvios,
inteira, plena, despida,
infância desprevenida
sem roupas nem atavios.
Anda.
Rasga esta verde espessura
com teus gestos afiados.
Insinua-te, procura,
derrama a tua brancura
nos trilhos enviesados.
Progride e canta.
Penetra neste matagal bravio,
desembrulhada e erecta
como a vela dum navio.
Singra, desliza suave
como gota que escorresses,
como luar que batesses,
penugem que esvoaçasses.
Entra e serve-te. Verás,
ou caídos ou suspensos,
frutos de aromas intensos
que em silêncio morderás.
Teus dentes lhes darão sumo,
teus lábios lhes darão gosto
e o veludo que presumo
macio como o teu rosto.
Tuas mãos os farão belos
e alegres como facetas,
verdes, azuis, amarelos,
vermelhos e violetas.
De um arrepio, na espessura,
toda a floresta estremece.
Eu dou-te a minha loucura.
Dá-me o canto que a adormece.
Tu, e eu (e todo!! nós),
temos enredos na voz,
armaduras e espessuras
que nos encobrem de nós.
Anda.
Percorre-me sem desvios,
inteira, plena, despida,
infância desprevenida
sem roupas nem atavios.
Anda.
Rasga esta verde espessura
com teus gestos afiados.
Insinua-te, procura,
derrama a tua brancura
nos trilhos enviesados.
Progride e canta.
Penetra neste matagal bravio,
desembrulhada e erecta
como a vela dum navio.
Singra, desliza suave
como gota que escorresses,
como luar que batesses,
penugem que esvoaçasses.
Entra e serve-te. Verás,
ou caídos ou suspensos,
frutos de aromas intensos
que em silêncio morderás.
Teus dentes lhes darão sumo,
teus lábios lhes darão gosto
e o veludo que presumo
macio como o teu rosto.
Tuas mãos os farão belos
e alegres como facetas,
verdes, azuis, amarelos,
vermelhos e violetas.
De um arrepio, na espessura,
toda a floresta estremece.
Eu dou-te a minha loucura.
Dá-me o canto que a adormece.
a.g
Raw With Love
little dark girl with
kind eyes
when it comes time to
use the knife
I won't flinch and
I won't blame
you,
as I drive along the shore alone
as the palms wave,
the ugly heavy palms,
as the living does not arrive
as the dead do not leave,
I won't blame you,
instead
I will remember the kisses
our lips raw with love
and how you gave me
everything you had
and how I
offered you what was left of
me,
and I will remember your small room
the feel of you
the light in the window
your records
your books
our morning coffee
our noons our nights
our bodies spilled together
sleeping
the tiny flowing currents
immediate and forever
your leg my leg
your arm my arm
your smile and the warmth
of you
who made me laugh
again.
little dark girl with kind eyes
you have no
knife. the knife is
mine and I won't use it
yet.
kind eyes
when it comes time to
use the knife
I won't flinch and
I won't blame
you,
as I drive along the shore alone
as the palms wave,
the ugly heavy palms,
as the living does not arrive
as the dead do not leave,
I won't blame you,
instead
I will remember the kisses
our lips raw with love
and how you gave me
everything you had
and how I
offered you what was left of
me,
and I will remember your small room
the feel of you
the light in the window
your records
your books
our morning coffee
our noons our nights
our bodies spilled together
sleeping
the tiny flowing currents
immediate and forever
your leg my leg
your arm my arm
your smile and the warmth
of you
who made me laugh
again.
little dark girl with kind eyes
you have no
knife. the knife is
mine and I won't use it
yet.
c.b.
quinta-feira, março 15, 2012
Sinto a inquietação interna. As vontades são contraditórias. Não quero me "dedicar" para ir ao encontro de alguém que está com outra pessoa, enquanto estou me movendo para ir encontrá-la. Não quero deixar de fazer o que preciso fazer para ir para esse lugar.
Ao mesmo tempo, quero resolver tudo, quero sair dessa zona de desconforto, quero terminar tudo o mais rápido possível e ir agora, já, sair daqui, não ter de pensar em nada.
Quero sentir raiva. Quero de uma vez por todas não ligar pra nada disso - que sentido faz ligar, afinal? Quero sentir raiva e explodir e encontrar culpas e motivos para falar coisas ásperas, brigar. Quer fazer acusações, jogar contra a parede, falar em culpados. São coisas pensadas, endereçadas? Não, falo das vontades internamente misturadas, aqui presentes neste momento, antes dos filtros mais conscientes (que são os que poderia perceber). São coisas que fazem sentido? Provavelmente não, também.
Mas estão aqui. E agora o que quero é escrever isso e colocar pra fora um pouco dessa agonia, desse emaranhado que era aperto e inquietação e no momento é também uma dor fina, que se concentra em um ponto um levemente à direita, em minha barriga, um tanto acima do umbigo. A dor também desce ligeiramente.
Quero falar da confusão, do saber que não faz qualquer sentido sentir isso, e que tanta coisa já passou que já nem sabemos (ou sei) direito o que sentimos, mas ainda assim esse bando de coisa ruim persiste junto, persiste dentro. Em outra intensidade, é fato. Mas está aqui e incomoda e quer tomar o lugar das outras coisas, quer ser maior que as atividades que ainda quando acordei queria parar e fazer.
Quero falar da confusão de querer que tudo fique bem, de querer conseguir acolher todos os pontos dessa bagunça que fomos construindo ano após ano e que não paramos de construir, mesmo quando paramos, falamos destroçados que já não queríamos mais aquilo tudo.
Da confusão de querer bem e não saber onde colocar o querer. De não saber o que é o bendito e por vezes maldito querer. De querer que o querer bem se exploda. Do medo inconsciente que já não deixa o querer ser puro e livre, e que sempre o trava - antes, durante, depois.
Quero falar do maldito medo dos sons, duas notas? O som da mensagem chegando, que vem no meio da tarde, no meio da madrugada, que vem depois da trepada que não aconteceu.
Quero falar de tesão e carinho. Quero falar de um amor que às vezes vamos tingindo de tanta coisa que fica difícil reconhecê-lo, e olho para ele e me sinto só, só, tristemente e solitariamente só.
Quero falar disso tudo, e quero simplesmente ficar aqui escrevendo. Não sair, não ficar. Largar tudo de qualquer jeito e sair correndo por aí em busca de um fim que não está pronto, e não será dado, e tem de ser malditamente construído dia após dia, gesto após gesto, e por vezes eu não quero fazer parte disso e queria simplesmente que fosse um livro que posso ler à distância, sem ter de viver cada letra, palavra e vírgula, sem ter de ficar querendo entender as entrelinhas, sem encontrar a porra do parágrafo final que se viesse me faria chorar, se fosse agora.
Quero sentir, antes sentir que ficar dormente, que olhar e já não ter qualquer amor, que olhar pra trás e não ser nada. Mas por que sentir tanto? Por que não amar daquele jeito que olha e pensa - que bom que ele está feliz e fazendo o que quer - ? Por que esse amor que me faz querer gritar, e chorar de raiva de mim mesma por mais uma vez sentir tudo isso? Isso não deve ser amor. Deve ser alguma outra porcaria que aprendi a engolir como tal, mas que não tem nem terá a mesma dimensão ou o mesmo valor.
As coisas não irão mudar, não irão mudar enquanto você fica parada escrevendo, enquanto você fica parada vivendo as mesmas coisas, achando que tudo mudou, mas sem mudar algo de essencial que não sabe o que é.
CORRA!!!!!!!!!!! Caia debaixo de um banho de água fria, gelada. De um choque de realidade líquido. De algo que te tire dessa roda da fortuna, dessa cadeia espiralada de repetições.
NÃO. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo... Você já nem acredita mais, mas uma parte sua continua ficando triste quando descobre que tudo continua sendo como antes. Mas só a parte que você queria que fosse diferente. A outra? Essa não é mais como era há muito tempo. E isso deixa uma parte sua triste, também.
Você vai chorar? Vai gritar, quebrar algo? Vai se mexer? Vai deixar todo o seu tempo passar sem fazer absolutamente nada, incapaz de sair desse lugar em que entra quando tudo isso acontece de novo? Diferente, mas ainda assim dolorosamente igual, em alguns aspectos? Você quer fugir disso, quer sair disso, mas precisa mergulhar fundo e olhar para a torrente que vem, a torrente que ameaça lhe afogar, e contra a qual não sabe se quer resistir.
O que fazer, agora? Você sabe que tem um monte de coisa que precisa fazer. Um monte de coisas que quer fazer. Você esquecerá os gritos e esgares, se aprumará na cadeira, pedirá um café e trabalhará, usando a frieza como escudo e lâmina contra o que lhe desconjuntou as vísceras, ainda mais uma vez? Ou vai dar o braço a torcer, e sair feito uma menina para encontrar a pessoa que te deixou assim, como se ela fosse a única capaz te de trazer paz de novo?
Você queria que algo fosse diferente, que alguém falasse com você e você pudesse contar tudo, e então as dimensões das coisas seriam outras, talvez tudo se relativizasse.
Você quer chorar e sentir algum tipo de raiva, mas sente vergonha, mas sente que não deve ou não pode, ou ambos. Você se contrai, por dentro, por fora. Você novamente não quer passar por isso tudo nunca mais.
------------------------------------
E no fim das contas, você espera por uma mudança que nem sabe qual seria. Que nem sabe se iria querer.
Mas você gostaria que as coisas mudassem, pra ser algo diferente, pra variar.
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E talvez você sinta ainda mais raiva (e desespero) por causa da maldita, da ínfima parte sua que ainda quer morrer cada vez que isso acontece. E sente medo de tudo desabar por dentro, de novo, também...
Ao mesmo tempo, quero resolver tudo, quero sair dessa zona de desconforto, quero terminar tudo o mais rápido possível e ir agora, já, sair daqui, não ter de pensar em nada.
Quero sentir raiva. Quero de uma vez por todas não ligar pra nada disso - que sentido faz ligar, afinal? Quero sentir raiva e explodir e encontrar culpas e motivos para falar coisas ásperas, brigar. Quer fazer acusações, jogar contra a parede, falar em culpados. São coisas pensadas, endereçadas? Não, falo das vontades internamente misturadas, aqui presentes neste momento, antes dos filtros mais conscientes (que são os que poderia perceber). São coisas que fazem sentido? Provavelmente não, também.
Mas estão aqui. E agora o que quero é escrever isso e colocar pra fora um pouco dessa agonia, desse emaranhado que era aperto e inquietação e no momento é também uma dor fina, que se concentra em um ponto um levemente à direita, em minha barriga, um tanto acima do umbigo. A dor também desce ligeiramente.
Quero falar da confusão, do saber que não faz qualquer sentido sentir isso, e que tanta coisa já passou que já nem sabemos (ou sei) direito o que sentimos, mas ainda assim esse bando de coisa ruim persiste junto, persiste dentro. Em outra intensidade, é fato. Mas está aqui e incomoda e quer tomar o lugar das outras coisas, quer ser maior que as atividades que ainda quando acordei queria parar e fazer.
Quero falar da confusão de querer que tudo fique bem, de querer conseguir acolher todos os pontos dessa bagunça que fomos construindo ano após ano e que não paramos de construir, mesmo quando paramos, falamos destroçados que já não queríamos mais aquilo tudo.
Da confusão de querer bem e não saber onde colocar o querer. De não saber o que é o bendito e por vezes maldito querer. De querer que o querer bem se exploda. Do medo inconsciente que já não deixa o querer ser puro e livre, e que sempre o trava - antes, durante, depois.
Quero falar do maldito medo dos sons, duas notas? O som da mensagem chegando, que vem no meio da tarde, no meio da madrugada, que vem depois da trepada que não aconteceu.
Quero falar de tesão e carinho. Quero falar de um amor que às vezes vamos tingindo de tanta coisa que fica difícil reconhecê-lo, e olho para ele e me sinto só, só, tristemente e solitariamente só.
Quero falar disso tudo, e quero simplesmente ficar aqui escrevendo. Não sair, não ficar. Largar tudo de qualquer jeito e sair correndo por aí em busca de um fim que não está pronto, e não será dado, e tem de ser malditamente construído dia após dia, gesto após gesto, e por vezes eu não quero fazer parte disso e queria simplesmente que fosse um livro que posso ler à distância, sem ter de viver cada letra, palavra e vírgula, sem ter de ficar querendo entender as entrelinhas, sem encontrar a porra do parágrafo final que se viesse me faria chorar, se fosse agora.
Quero sentir, antes sentir que ficar dormente, que olhar e já não ter qualquer amor, que olhar pra trás e não ser nada. Mas por que sentir tanto? Por que não amar daquele jeito que olha e pensa - que bom que ele está feliz e fazendo o que quer - ? Por que esse amor que me faz querer gritar, e chorar de raiva de mim mesma por mais uma vez sentir tudo isso? Isso não deve ser amor. Deve ser alguma outra porcaria que aprendi a engolir como tal, mas que não tem nem terá a mesma dimensão ou o mesmo valor.
As coisas não irão mudar, não irão mudar enquanto você fica parada escrevendo, enquanto você fica parada vivendo as mesmas coisas, achando que tudo mudou, mas sem mudar algo de essencial que não sabe o que é.
CORRA!!!!!!!!!!! Caia debaixo de um banho de água fria, gelada. De um choque de realidade líquido. De algo que te tire dessa roda da fortuna, dessa cadeia espiralada de repetições.
NÃO. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo... Você já nem acredita mais, mas uma parte sua continua ficando triste quando descobre que tudo continua sendo como antes. Mas só a parte que você queria que fosse diferente. A outra? Essa não é mais como era há muito tempo. E isso deixa uma parte sua triste, também.
Você vai chorar? Vai gritar, quebrar algo? Vai se mexer? Vai deixar todo o seu tempo passar sem fazer absolutamente nada, incapaz de sair desse lugar em que entra quando tudo isso acontece de novo? Diferente, mas ainda assim dolorosamente igual, em alguns aspectos? Você quer fugir disso, quer sair disso, mas precisa mergulhar fundo e olhar para a torrente que vem, a torrente que ameaça lhe afogar, e contra a qual não sabe se quer resistir.
O que fazer, agora? Você sabe que tem um monte de coisa que precisa fazer. Um monte de coisas que quer fazer. Você esquecerá os gritos e esgares, se aprumará na cadeira, pedirá um café e trabalhará, usando a frieza como escudo e lâmina contra o que lhe desconjuntou as vísceras, ainda mais uma vez? Ou vai dar o braço a torcer, e sair feito uma menina para encontrar a pessoa que te deixou assim, como se ela fosse a única capaz te de trazer paz de novo?
Você queria que algo fosse diferente, que alguém falasse com você e você pudesse contar tudo, e então as dimensões das coisas seriam outras, talvez tudo se relativizasse.
Você quer chorar e sentir algum tipo de raiva, mas sente vergonha, mas sente que não deve ou não pode, ou ambos. Você se contrai, por dentro, por fora. Você novamente não quer passar por isso tudo nunca mais.
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E no fim das contas, você espera por uma mudança que nem sabe qual seria. Que nem sabe se iria querer.
Mas você gostaria que as coisas mudassem, pra ser algo diferente, pra variar.
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E talvez você sinta ainda mais raiva (e desespero) por causa da maldita, da ínfima parte sua que ainda quer morrer cada vez que isso acontece. E sente medo de tudo desabar por dentro, de novo, também...
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sexta-feira, março 09, 2012
An idea is not a design,
but it is an invitation to a journey.
A design is not a prototype,
but it is a plan for moving forward.
A prototype is not a program,
but it is a test for your assumptions.
A program is not a product,
but it is a milestone towards progress.
A product is not a business,
but it is the first fruit of an idea.
A business is not profits,
but it is a team behind your back.
Profits is not an exit,
but it is validation of your work.
And an exit is not happiness,
but happiness is not a destination.
Happiness is a journey.
but it is an invitation to a journey.
A design is not a prototype,
but it is a plan for moving forward.
A prototype is not a program,
but it is a test for your assumptions.
A program is not a product,
but it is a milestone towards progress.
A product is not a business,
but it is the first fruit of an idea.
A business is not profits,
but it is a team behind your back.
Profits is not an exit,
but it is validation of your work.
And an exit is not happiness,
but happiness is not a destination.
Happiness is a journey.
Tony Chu
segunda-feira, março 05, 2012
Já me senti assim...
... um bocado de vezes. >.<'
Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Desapego corretamente
Ou incorretamente
Um sentimento mesquinho
Que eu sinto por dentro
Tenso
Por isso não me ame
Não me ame tanto
Ou incorretamente
Um sentimento mesquinho
Que eu sinto por dentro
Tenso
Por isso não me ame
Não me ame tanto
Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Pego tudo
O meu e o seu amor
Faço um bolo de amor
E jogo fora
Ou como e gozo
Dentro
O meu e o seu amor
Faço um bolo de amor
E jogo fora
Ou como e gozo
Dentro
Karina Buhr
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