quinta-feira, agosto 20, 2015
Oxalá...
...Eu possa encontrar as palavras e ações para tocar as pessoas....
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terça-feira, agosto 04, 2015
inconvenientes
Salvador são finas paredes escondendo amontoados de expropriados... É como varrer a poeira para baixo do tapete, ou para o lado de fora da casa, e de repente olhar pela janela e perceber que se está completamente cercado pelo problema que se queria evitar.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
...
A avenida e o bairro são de ricos. Como em uma história de fantasia, em uma curva qualquer há uma viela que parece um beco - e esconde um mundo.
O mundo é cinza cimento e cor de telha. É enrugado, encardido, desgrenhado e anda de pés descalços. É sujo, maltratado.
O mundo é espremido, porque não deveria nem estar ali, pra começo de conversa. E vigiado de perto - pra ver se aprende a pelo menos não incomodar, já que não vai embora.
O mundo das pessoas marrons desafia os parâmetros das condições mínimas de existência. E faz por bem praticar outros valores - por bem ou por mal - já que sua realidade é outra, mesmo. E a nossa não os representa.
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segunda-feira, julho 13, 2015
03.07.2015
Pobre
carente
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quinta-feira, julho 09, 2015
tempos difíceis
Acho que tantos optam por sentir ódio, raiva, revanchismo porque dóem menos do que amor, empatia, compaixão...
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sexta-feira, maio 08, 2015
constatação
Acho que entendi porque gosto de pessoas mal humoradas ou rabugentas: elas tendem a ser mais honestas. Ou, menos falsas. O que já é grande coisa...
terça-feira, maio 05, 2015
Um café bom por dia
Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
copo plástico
luz fluorescente
ar condicionado
emails
pendências
café frio
reuniões
almoço
café adoçado
notícias
conversas
letras no monitor
café velho
baques
e gritos
no galpão ao lado.
Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.
Miados de gatos.
A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.
Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.
O suor sonha brisa
oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.
Bons dias
café-leite-em-pó
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escorre
acaba
o dia.
Na pia
a xícara limpa
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...
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segunda-feira, março 02, 2015
Realizações concretas
A realidade às vezes não cai, como ficha. Escorre, viscosa. Demora pra fazer sentido. Você sente um choque inicial, um impacto, mas o resultado é um anestesiamento, uma espécie de câmera lenta de realização e assimilação dos fatos.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.
segunda-feira, fevereiro 23, 2015
Microconto matinal de semi horror (ou suspense?)
Eu matei todos os haunter cats. Levei muito tempo para entender isso. Mas, o haunter cat que parou de assombrar minha casa é o único que continua vivo até hoje.
quarta-feira, dezembro 24, 2014
Momentum
I find myself wanting you,
against my will
- I can feel, half angry,
half hungry,
my body fully awake
by desire.
I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
I have to write it down.
And it's so strong
I have to touch me, down.
I get up to get paper and pen,
in the dark.
I won't turn on the lights,
I don't want to have to face it.
I do not want to admit it.
I get up
feeling a left breast
experiencing a pulsing sex
I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
that I have to admit
- I'm not attracted, anymore.
I'm being completely dragged.
I have to give up
and write
touch
tell
What the fucking hell
I'm fucking into you
against my fucking will
Against time
place
sense
I'm inconveniently
wanting to fuck you
against my will.
And I can't sleep
out of desire.
But also frustration
but mostly anger
'cuz there's no time
and this is not the place
nor a proper occasion
to be wanting you so hard.
But I can't help myself.
Can't stop it from happening.
Can't avoid thinking of your hands
in the middle of the night
- but also on business hours -
and the body moves,
a very autonomous being
knowing exactly what it wants
- and how -,
very aware of you,
Ignoring my ever weakening protests -
trying to reason with this stupid
desire.
Trying to let it fade by time,
hoping it will leave with you for good,
wondering all I wish I could do.
Mouth watering
breath groaning
heart quicken
goose bumping
body loosening
against my will.
And I finally give up.
But it ain't sexy -
it's furiously excited.
segunda-feira, dezembro 22, 2014
Poesia
É algo imaterial,
está potencialmente
em qualquer lugar
- sentir a poesia
é mais algo nosso
que do mundo externo.
Diferente de poema,
manifestação,
concreto.
A poesia depende da gente.
O meu olho vê,
eu sinto.
A câmera
a escrita
buscam captar essa essência
fugidia.
A poesia não é beleza.
Ou talvez seja.
Mas não é sobre a beleza do belo.
É a exaltação das coisas
A vida, a morte
O pungente sentimento
O feio
A dor
A sujeira
As formas
Os raios de luz que se filtram
através da sucata.
Em tudo está a poesia.
Depende do olho que vê.
(Se o olho quiser ver.)
está potencialmente
em qualquer lugar
- sentir a poesia
é mais algo nosso
que do mundo externo.
Diferente de poema,
manifestação,
concreto.
A poesia depende da gente.
O meu olho vê,
eu sinto.
A câmera
a escrita
buscam captar essa essência
fugidia.
A poesia não é beleza.
Ou talvez seja.
Mas não é sobre a beleza do belo.
É a exaltação das coisas
A vida, a morte
O pungente sentimento
O feio
A dor
A sujeira
As formas
através da sucata.
Em tudo está a poesia.
Depende do olho que vê.
(Se o olho quiser ver.)
domingo, dezembro 21, 2014
Palavra do dia - Biggester
Fast-food success.
Best selling dildo.
Porn star.
Biggester Dan Light - Now heavier than you have ever seen.
sábado, dezembro 20, 2014
desejos persistentes
Quero meus olhares.
Meu olhar aguçado
e vívido.
Ávido
sorvendo mundo
Meu olhar aguçado
e vívido.
Ávido
sorvendo mundo
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Senhores passageiros
Desculpem atrapalhar
os ruídos e rangidos
da viagem de vocês
mas eu só queria dizer
que
eu podia estar roubando
eu podia estar matando
eu podia estar estudando
eu podia já estar jantandoeu podia estar lendo
vendo filme
brincando com as crianças
preparando a quentinha de amanhã
arrumando a casa
escrevendo
malhando
fodendo
dormindo.
Eu podia estar
fazendo poesia
estudando música
dançando
falando com os amigos
olhando as estrelas
fazendo boa arte.
Eu podia estar checando as promessas dos candidatos da última eleição
- e o que aconteceu com elas.
Eu podia até estar
de pernas pro ar
em casa
sem fazer porra nenhuma.
Mas estou aqui,
senhoras e senhores.
Em pé
Há uma hora
No meio fio
Há duas horas
no ponto
esperando.
Esperando.
Esperando
a porra do ônibus.
Que não passa.
Que não para.
Que chega
cheio demais.
Então desculpem interromper,
senhoras e senhores,
o silêncio da viagem de vocês.
Mas eu devia era estar gritando.
os ruídos e rangidos
da viagem de vocês
mas eu só queria dizer
que
eu podia estar roubando
eu podia estar matando
eu podia estar estudando
eu podia já estar jantandoeu podia estar lendo
vendo filme
brincando com as crianças
preparando a quentinha de amanhã
arrumando a casa
escrevendo
malhando
fodendo
dormindo.
Eu podia estar
fazendo poesia
estudando música
dançando
falando com os amigos
olhando as estrelas
fazendo boa arte.
Eu podia estar checando as promessas dos candidatos da última eleição
- e o que aconteceu com elas.
Eu podia até estar
de pernas pro ar
em casa
sem fazer porra nenhuma.
Mas estou aqui,
senhoras e senhores.
Em pé
Há uma hora
No meio fio
Há duas horas
no ponto
esperando.
Esperando.
Esperando
a porra do ônibus.
Que não passa.
Que não para.
Que chega
cheio demais.
Então desculpem interromper,
senhoras e senhores,
o silêncio da viagem de vocês.
Mas eu devia era estar gritando.
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sexta-feira, dezembro 19, 2014
healthy morning thoughts
It's not hard to explain, really.
This morning I've finally killed her, suffocated. She was sleeping. I entered the room silently and used one of her many pillows.
It was quiet. I don't think she had the time to realise what was happening. I like to think she died dreaming of something good.
Good...
It was a relief.
I've always feared she would die during her sleep. It was awful.
This morning I've finally killed her, suffocated. She was sleeping. I entered the room silently and used one of her many pillows.
It was quiet. I don't think she had the time to realise what was happening. I like to think she died dreaming of something good.
Good...
It was a relief.
I've always feared she would die during her sleep. It was awful.
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quinta-feira, dezembro 18, 2014
de projetos e conversas
... it doesn't really matter you being good from the start. what matters is that you start.
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quarta-feira, dezembro 17, 2014
às vezes acerto...
Making gifts to people I like feels like a prayer for good omens, to me.
---
A árvore de muitos galhos já foi uma semente só.
segunda-feira, dezembro 15, 2014
associações e misturas
ânsia por espalhar-se
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...
quarta-feira, outubro 08, 2014
domingo, setembro 14, 2014
poesia...
"Se a poesia não serve para apressar o meu sangue, para abrir de repente janelas sobre o misterioso, para ajudar-me a descobrir o mundo, para acompanhar este desolado coração na solidão e no amor, na festa e no desamor, para que me serve a poesia?"
e.c., apud g.g.m.
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quarta-feira, setembro 03, 2014
03.09.2014
Empty boxes
Full of
Lost memories...
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Lost memories...
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