segunda-feira, julho 13, 2015

03.07.2015

Pobre
carente
pivete
malandro
vagabundo
marginal
bandido
gente?
só indi...

quinta-feira, julho 09, 2015

tempos difíceis

Acho que tantos optam por sentir ódio, raiva, revanchismo porque dóem menos do que amor, empatia, compaixão...

sexta-feira, maio 08, 2015

constatação

Acho que entendi porque gosto de pessoas mal humoradas ou rabugentas: elas tendem a ser mais honestas. Ou, menos falsas. O que já é grande coisa...

terça-feira, maio 05, 2015

Um café bom por dia

Cedo o alarme soa
baques
e gritos
no galpão ao lado.

Alongar
levantar
O calor na janela
a água dormida ao lado da cama.

Miados de gatos.

A cafeteira italiana chia.
A xícara se enche de negro.
Café-com-pressa.

Água fria
cabelos molhados
pernas apressadas.

O suor sonha brisa
                      oceano
ou amaldiçoa abafadas chuvas.

Bons dias
  café-leite-em-pó
  copo plástico
  luz fluorescente
  ar condicionado
  emails
  pendências
  café frio
  reuniões
 almoço
  café adoçado
  notícias
  conversas
  letras no monitor
  café velho

escorre
acaba
o dia.

Na pia
a xícara limpa
a cafeteira vazia
na boca
desejo
café com livro
rabiscos
poesia...

segunda-feira, março 02, 2015

Realizações concretas

A realidade às vezes não cai, como ficha. Escorre, viscosa. Demora pra fazer sentido. Você sente um choque inicial, um impacto, mas o resultado é um anestesiamento, uma espécie de câmera lenta de realização e assimilação dos fatos.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Microconto matinal de semi horror (ou suspense?)

Eu matei todos os haunter cats. Levei muito tempo para entender isso. Mas, o haunter cat que parou de assombrar minha casa é o único que continua vivo até hoje.

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Momentum

I find myself wanting you,
against my will
- I can feel, half angry,
half hungry,
my body fully awake
by desire.

I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
I have to write it down.

And it's so strong
I have to touch me, down.

I get up to get paper and pen,
in the dark.
I won't turn on the lights,
I don't want to have to face it.
I do not want to admit it.

I get up
feeling a left breast
experiencing a pulsing sex

I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
that I have to admit
- I'm not attracted, anymore.
I'm being completely dragged.

I have to give up
and write
touch
tell

What the fucking hell
I'm fucking into you
against my fucking will

Against time
place
sense

I'm inconveniently
wanting to fuck you
against my will.

And I can't sleep
out of desire.
But also frustration
but mostly anger
'cuz there's no time
and this is not the place
nor a proper occasion

to be wanting you so hard.
But I can't help myself.
Can't stop it from happening.

Can't avoid thinking of your hands
in the middle of the night
- but also on business hours -
and the body moves, 
a very autonomous being
knowing exactly what it wants
- and how -,
very aware of you,
Ignoring my ever weakening protests -
trying to reason with this stupid
desire.
Trying to let it fade by time,
hoping it will leave with you for good,

wondering all I wish I could do.
Mouth watering
breath groaning 
heart quicken
goose bumping
body loosening
against my will.

And I finally give up.
But it ain't sexy -
it's furiously excited.

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Poesia

É algo imaterial,
está potencialmente
em qualquer lugar
- sentir a poesia
é mais algo nosso
que do mundo externo.

Diferente de poema,
manifestação,
concreto.
A poesia depende da gente.

O meu olho vê,
eu sinto.
A câmera
a escrita
buscam captar essa essência
fugidia.

A poesia não é beleza.
Ou talvez seja.

Mas não é sobre a beleza do belo.
É a exaltação das coisas
A vida, a morte
O pungente sentimento
O feio
A dor
A sujeira
As formas

Os raios de luz que se filtram
através da sucata.
Em tudo está a poesia.
Depende do olho que vê.
(Se o olho quiser ver.)

domingo, dezembro 21, 2014

Palavra do dia - Biggester

Fast-food success.
Best selling dildo.
Porn star.

   Biggester Dan Light - Now heavier than you have ever seen.

sábado, dezembro 20, 2014

desejos persistentes

Quero meus olhares.
Meu olhar aguçado
e vívido.
Ávido
sorvendo mundo

Senhores passageiros

Desculpem atrapalhar
os ruídos e rangidos
da viagem de vocês
mas eu só queria dizer
que
eu podia estar roubando
eu podia estar matando
eu podia estar estudando
eu podia já estar jantandoeu podia estar lendo
vendo filme
brincando com as crianças
preparando a quentinha de amanhã
arrumando a casa
escrevendo
malhando
fodendo
dormindo.

Eu podia estar
  fazendo poesia
  estudando música
  dançando
  falando com os amigos
  olhando as estrelas
  fazendo boa arte.

Eu podia estar checando as promessas dos candidatos da última eleição
                - e o que aconteceu com elas.

Eu podia até estar
  de pernas pro ar
  em casa
  sem fazer porra nenhuma.

Mas estou aqui,
senhoras e senhores.

Em pé
Há uma hora
No meio fio
Há duas horas
no ponto
esperando.

Esperando.

Esperando
a porra do ônibus.
Que não passa.
Que não para.

Que chega
cheio demais.

Então desculpem interromper,
senhoras e senhores,
o silêncio da viagem de vocês.

Mas eu devia era estar gritando.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

healthy morning thoughts

It's not hard to explain, really.

This morning I've finally killed her, suffocated. She was sleeping. I entered the room silently and used one of her many pillows.

It was quiet. I don't think she had the time to realise what was happening. I like to think she died dreaming of something good.

Good...

It was a relief.

I've always feared she would die during her sleep. It was awful.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

de projetos e conversas

... it doesn't really matter you being good from the start. what matters is that you start.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

às vezes acerto...

Making gifts to people I like feels like a prayer for good omens, to me.

---

A árvore de muitos galhos já foi uma semente só.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

associações e misturas


ânsia por espalhar-se
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...

quarta-feira, outubro 08, 2014

Aqui e agora

Amor é tudo que move...
                                    g.g.

domingo, setembro 14, 2014

poesia...

"Se a poesia não serve para apressar o meu sangue, para abrir de repente janelas sobre o misterioso, para ajudar-me a descobrir o mundo, para acompanhar este desolado coração na solidão e no amor, na festa e no desamor, para que me serve a poesia?"
e.c., apud g.g.m.

quarta-feira, setembro 03, 2014

03.09.2014

Empty boxes
Full of
Lost memories...

segunda-feira, agosto 18, 2014

18.08.2014

I feel in love with life.

quinta-feira, julho 31, 2014

31.07.2014

did he die alone, in the rain?
did he?

he who was orange and warm
a furry sun
coming to wake me up every morning

he who was sweet
young
independent
full of energy
free

he who found peace
a comforting place
to be

he is still on my window
golden as the morning sun
eye kissing me

he is still dreaming on the couch
relaxed,
open,
impossibly stretched
completely safe

he is still around the house
playing with boxes
chasing ginger
climbing things to steal some food
some love

he is still on my window
feeling the soft warmth of the morning sun

our golden lucky jack cat