segunda-feira, março 02, 2015

Realizações concretas

A realidade às vezes não cai, como ficha. Escorre, viscosa. Demora pra fazer sentido. Você sente um choque inicial, um impacto, mas o resultado é um anestesiamento, uma espécie de câmera lenta de realização e assimilação dos fatos.
E, de repente, um baque surdo, duro, contra o muro.
A concretude das coisas se materializa, inexorável. Imutável. Afinal.
"Ele perdeu um braço."
É chocante, porque torna concretos perdas e abalos quiçá muito mais drásticos, mas imateriais ou intangíveis, e que, talvez por isso, sempre deixem uma sensação de - "calma, talvez dê pra consertar..."
E. De repente. Não. Uma ruptura. Desconcretiza. Desconstrói. Deixa de existir um pedaço. Fere a imagem. Esmigalha?
...
Não dói pra sempre. Não do mesmo modo, ao menos.
Mas o impacto do baque contra algo tão sólido quanto a falta irreversível de algo estremece um bocado. O eco leva mais tempo para serenar do que se realiza.
Realidade.
Estraçalhada contra o concreto asfalto.
Chega a ser surreal.
...
Abraçar. Pegar. Carinho. Olhar-se.
Tudo balança.
...
Com sorte, reestrutura...
Oxalá.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Microconto matinal de semi horror (ou suspense?)

Eu matei todos os haunter cats. Levei muito tempo para entender isso. Mas, o haunter cat que parou de assombrar minha casa é o único que continua vivo até hoje.

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Momentum

I find myself wanting you,
against my will
- I can feel, half angry,
half hungry,
my body fully awake
by desire.

I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
I have to write it down.

And it's so strong
I have to touch me, down.

I get up to get paper and pen,
in the dark.
I won't turn on the lights,
I don't want to have to face it.
I do not want to admit it.

I get up
feeling a left breast
experiencing a pulsing sex

I find myself wanting you,
against my will.
And it's so strong
that I have to admit
- I'm not attracted, anymore.
I'm being completely dragged.

I have to give up
and write
touch
tell

What the fucking hell
I'm fucking into you
against my fucking will

Against time
place
sense

I'm inconveniently
wanting to fuck you
against my will.

And I can't sleep
out of desire.
But also frustration
but mostly anger
'cuz there's no time
and this is not the place
nor a proper occasion

to be wanting you so hard.
But I can't help myself.
Can't stop it from happening.

Can't avoid thinking of your hands
in the middle of the night
- but also on business hours -
and the body moves, 
a very autonomous being
knowing exactly what it wants
- and how -,
very aware of you,
Ignoring my ever weakening protests -
trying to reason with this stupid
desire.
Trying to let it fade by time,
hoping it will leave with you for good,

wondering all I wish I could do.
Mouth watering
breath groaning 
heart quicken
goose bumping
body loosening
against my will.

And I finally give up.
But it ain't sexy -
it's furiously excited.

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Poesia

É algo imaterial,
está potencialmente
em qualquer lugar
- sentir a poesia
é mais algo nosso
que do mundo externo.

Diferente de poema,
manifestação,
concreto.
A poesia depende da gente.

O meu olho vê,
eu sinto.
A câmera
a escrita
buscam captar essa essência
fugidia.

A poesia não é beleza.
Ou talvez seja.

Mas não é sobre a beleza do belo.
É a exaltação das coisas
A vida, a morte
O pungente sentimento
O feio
A dor
A sujeira
As formas

Os raios de luz que se filtram
através da sucata.
Em tudo está a poesia.
Depende do olho que vê.
(Se o olho quiser ver.)

domingo, dezembro 21, 2014

Palavra do dia - Biggester

Fast-food success.
Best selling dildo.
Porn star.

   Biggester Dan Light - Now heavier than you have ever seen.

sábado, dezembro 20, 2014

desejos persistentes

Quero meus olhares.
Meu olhar aguçado
e vívido.
Ávido
sorvendo mundo

Senhores passageiros

Desculpem atrapalhar
os ruídos e rangidos
da viagem de vocês
mas eu só queria dizer
que
eu podia estar roubando
eu podia estar matando
eu podia estar estudando
eu podia já estar jantandoeu podia estar lendo
vendo filme
brincando com as crianças
preparando a quentinha de amanhã
arrumando a casa
escrevendo
malhando
fodendo
dormindo.

Eu podia estar
  fazendo poesia
  estudando música
  dançando
  falando com os amigos
  olhando as estrelas
  fazendo boa arte.

Eu podia estar checando as promessas dos candidatos da última eleição
                - e o que aconteceu com elas.

Eu podia até estar
  de pernas pro ar
  em casa
  sem fazer porra nenhuma.

Mas estou aqui,
senhoras e senhores.

Em pé
Há uma hora
No meio fio
Há duas horas
no ponto
esperando.

Esperando.

Esperando
a porra do ônibus.
Que não passa.
Que não para.

Que chega
cheio demais.

Então desculpem interromper,
senhoras e senhores,
o silêncio da viagem de vocês.

Mas eu devia era estar gritando.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

healthy morning thoughts

It's not hard to explain, really.

This morning I've finally killed her, suffocated. She was sleeping. I entered the room silently and used one of her many pillows.

It was quiet. I don't think she had the time to realise what was happening. I like to think she died dreaming of something good.

Good...

It was a relief.

I've always feared she would die during her sleep. It was awful.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

de projetos e conversas

... it doesn't really matter you being good from the start. what matters is that you start.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

às vezes acerto...

Making gifts to people I like feels like a prayer for good omens, to me.

---

A árvore de muitos galhos já foi uma semente só.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

associações e misturas


ânsia por espalhar-se
descobrir espaços, formas, texturas
encontros sem pressa
extrapolar os potenciais das partes...

quarta-feira, outubro 08, 2014

Aqui e agora

Amor é tudo que move...
                                    g.g.

domingo, setembro 14, 2014

poesia...

"Se a poesia não serve para apressar o meu sangue, para abrir de repente janelas sobre o misterioso, para ajudar-me a descobrir o mundo, para acompanhar este desolado coração na solidão e no amor, na festa e no desamor, para que me serve a poesia?"
e.c., apud g.g.m.

quarta-feira, setembro 03, 2014

03.09.2014

Empty boxes
Full of
Lost memories...

segunda-feira, agosto 18, 2014

18.08.2014

I feel in love with life.

quinta-feira, julho 31, 2014

31.07.2014

did he die alone, in the rain?
did he?

he who was orange and warm
a furry sun
coming to wake me up every morning

he who was sweet
young
independent
full of energy
free

he who found peace
a comforting place
to be

he is still on my window
golden as the morning sun
eye kissing me

he is still dreaming on the couch
relaxed,
open,
impossibly stretched
completely safe

he is still around the house
playing with boxes
chasing ginger
climbing things to steal some food
some love

he is still on my window
feeling the soft warmth of the morning sun

our golden lucky jack cat

sábado, julho 26, 2014

26.07.2014

I don't know...

(But maybe I shouldn't have to know right now. Maybe I should just do what I have to do...)

quarta-feira, julho 02, 2014

Reflexões... (gostei, mas sinto que não concordo de todo)

"Sou, por ofício, um romancista. Acredito tratar-se de um ofício inofensivo, ainda que não venha a ser considerado respeitável por alguns. Romancistas colocam palavras vulgares na boca de seus personagens e os descrevem fornicando e fazendo necessidades. Além disso, não é um ofício útil, como o de um carpiteiro ou de um confeiteiro. O romancista faz o tempo passar para você entre uma ação útil e outra; ajuda a preencher os buracos que surgem na árdua trama da existência. É um mero recreador, um tipo de palhaço. Ele faz mímica e gestos grotescos; é patético ou cômico e, às vezes, os dois; ele faz malabarismos com palavras, como se estas fossem bolas coloridas.

O uso que ele faz das palavras não deve ser levado excessivamente a sério. O presidente dos Estados Unidos usa palavras; o médico, o mecânico, o general do exército e o filósofo usam palavras; e essas palavras parecem estar relacionadas ao mundo real, um mundo em que impostos precisam ser arrecadados e depois evitados; carros precisam ser dirigidos, doenças, curadas; grandes pensamentos, pensados; batalhas decisivas, travadas. nenhum criador de enredos ou personagens, por maior que seja, deve ser considerado um pensador sério, nem mesmo Shakespeare. Na realidade, é difícil saber o que o escritor criativo realmente pensa, pois ele se esconde atrás de suas cenas e de seus personagens. E quando os personagens começam a pensar e a expressar seus pensamentos, não se trata, necessariamente, dos pensamentos do escritor. Macbeth pensa uma coisa e Macduff, algo diametralmente oposto; as ponderações do Rei não são as mesmas de Hamlet. Até mesmo o dramaturgo trágico é um palhaço, soprando uma melodia triste em um trombone velho. E então seu ânimo trágico se esgota e ele se torna um bufão, cambaleando por aí e plantando bananeiras. Nada que deva ser levado a sério.

Por vezes, entretanto, um mero recreador como eu pode ser tragado a contragosto para a esfera do pensamento "sério". Ele se vê forçado a dar sua opinião sobre questões profundas. A causa dessa obrigação pode ser um repentino interesse público por um de seus romances - um livro que ele tenha escrito sem considerar profundamente o significado, cujo objetivo era render algum dinheiro para pagar o aluguel, mas que acabou adquirindo uma importância não prevista pelo autor. Ou pode ser um romance em que, graças a uma preocupação ou a um rancor irredutível em relação a algo que acontece no mundo real, o romancista - para seu próprio arrependimento - cria algo menos recreativo do que o normal; algo mais assemelhado a um sermão ou a uma declaração homilética ou didática - e a elaboração de tais coisas não é, na realidade, a função do romancistas."

a.b. laranja mecânica

Reflexões de cadernos de faculdade - 2

"É preciso o grito,
a loucura,
qualquer coisa,
menos este silêncio mortal,
este silêncio de gelo."
                              m.g.

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"Todo homem é culpado pelo que não fez."
                                                         v.

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"O céu é um mar de peixes com asas."

"A felicidade é um rio sem cabimento, numa rua sem marca ou medida..."
                                                          j.f.r.

Vida em linha reta

Todos estão por demais preocupados
    com sua formação
    seu salário
    seu status social

É preciso pensar em alcançar
   o padrão estético
   o padrão de consumo
   o padrão de relacionamento
   o americano padrão

Ser bem sucedido então
   é uma corrida
   pelo primeiro
   o segundo
   o 13º
   bilhão

Não há valor em ser solidário
   preocupar-se com algo que não sua vida
   Mind your own business
   e tudo ficará bem.

Garantido seu patamar,
   sua cobertura,
   seu chalé a beira-mar,
   seu carro importado
   filhos educados,
   mulher siliconada

Pague sua previdência privada
   troque os bem duráveis
   a cada 2 anos (ou seis meses)
   tire férias em locais caros e exóticos
   poste as alegres fotos
   seja feliz nas redes sociais

E aproveite seu sucesso
   em um belo e confortável
   caixão feito a mão
   esculpido em madeira de lei e veludo.