terça-feira, janeiro 17, 2012

sms

Menina arisca.
Por que te escondes?
E somes de uma hora
        para outra?
Não sabes o que dizer?
Não gostas do que te dizemos?
Menina incógnita,
        como tocar-te?

Menina utopia,
menina horizonte:
por mais passos que se dê
encontra-se sempre distante.

Não quer recheio
ou lírio
ou poemas?

Não três?
Talvez dois...
Como, com uma?
setembro de 2009
Escrevi - te(n)são
Senti muito mais.
Vontade de ver, de conversar,
de tocar, de sentir-me livre pra gostar, pra deixar crescer isto que estou sentindo dentro.
julho de 2009
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor


Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

 c.b.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Sinto, abraço, cheiro, desejo.

Sinto, abraço, cheiro, desejo.
Intensidades
Pintas
Maciezas
Desejo o toque da pele
as pintas
os dedos
o ombro
os cheiros
a boca
as umidezas

conhecer teus detalhes
percorrê-los

remoldar teu corpo ao meu
                                     toque
desejo sentirmo-nos a três
experimentar
conhecer
entender isto

sorrir-te
aspirar-te
ver-te muito

viver comunhão de nós três
desejo-te
desejo-vos
meu corpo se abre
tamanhos quereres...
junho de 2009

18 de janeiro de 2009

Estou claustrofóbica dentro de mim.
Pensei em fazer coisas e deixei o tempo passar e agora parece que já não dá tempo. Que já não há tempo.
Desejava perscrutar-me.

De que são feitas minhas máscaras?


De que são feitas minhas máscaras?
Escondo-me sob material diverso de saco, madeira ou estopa.
Componho-me de muitas substâncias.
E ainda que saiba nomeá-las todas
longe estarei de conhecer minha essência.
Quantas camadas endurecem meu sorriso?
Isto que da face me escorre
Dando-me este eterno ar
de melancolia
                será cola?
                será lágrima?
                será gesso?
                serei siso...?

O que resistir
                ao tempo
                dirá

Pora hora
incorporo o poema
visto a máscara
 calo.
janeiro de 2009

Sensação de sufocamento

Sensação de sufocamento.
Não dará tempo de fazer as coisas.
Não terei tempo de estudar.
Nem de me cuidar.
Nem de ficar só.
Colocar a casa em ordem.
Divertir-me.
O peito está apertado. É angústia? Não sei.
Sinto-me desenquadrada. Desencaixada.
Inapta?
Sensação de dificuldade para respirar.
O que faz sentido?
O tempo parece comprimir-se.
Comprimir-me.

Ganas de desesperar-me. De abandonar-me.
Preciso de um tempo e espaço em prazos impostos por outrem!
Preciso de...
desatar.
Desandada já estou.
janeiro de 2009

I offer you my hands

I offer you my hands
                to gently touch your body
                your curves
I offer you my mouth to smoothly
                drink from yours,
                to softly kiss your skin, your
                neck.
I offer you my tongue, kindly
                sucking your nipples, playing with
                your fur, feeling your taste.
I give you my fingers
                to play with your delightful humidity
                caressing your sex
You can have my mouth
                to experience your sweet  taste
[And my teeth to gently nibble you]
I offer you my body to warmly
                rest yours
or to spend hours awake with

I give you the desire
                dreaming of you
                the body screaming for yours.

I give you my kisses
                my poems
                               and every breath that you can get.
agosto de 2008

Revirando as gavetas

O fundo dos armários.
Dos cadernos.
Do peito...?

Pensando em resgatar poemas (e talvez escritos) antigos, e postá-los aqui. Um ou outro já foram. Não é um momento de nostalgia, é talvez um preparativo de comemoração (e catarse) pelos seis anos do blog, e tudo que esse tempo e esses escritos todos aqui contidos significam em mim...
Ruiva, ruiva, ruiva!
   rubra
      rosinha
         verde
            pintada

   despojada
      forte na voz
         nas opiniões
   
   ruiva,
      meu desejo é teu
      meu desejo é alvo
                           róseo
                           rubro

   quero tuas lições,
      todas.
   Aprender
      Viver contigo.
agosto de 2008

Poemas, rascunhos, escritos e cartas

Tenho-os por todos os lados...

Justificado

Você olhou para trás. O que viu?

Se eu olhasse... Se olhar... verei porque meu peito se aperta agora. É o aperto do anseio e da angústia de uma dezena de histórias acumuladas, todas somando-se ao que vivo e sinto agora, aumentando a força da mão que aprime meu peito. Hoje, ontem... Eu abro as janelas, para me sentir mais livre. E tento narrar minha história com o distanciamento de um narrador. É para poder te enxergar melhor, posso mentir. É para poder disfarçar melhor, posso dizer.

Mãos. Mãos da angústia. Mãos da ansiedade. Mãos do anseio pelo contato. Pelo carinho. Pela recíproca. Pela confirmação. O aperto é de medo ou sofreguidão? Quantas, tantas mãos...? Seguirei passando por elas? Seguirei colecionando toques até o aperto sufocar meu peito? Sei sorver sem sofrer?
Eu me envolvo, eu me apaixono, eu machuco, sofro. Pudesse, não abandonaria. Mas o nosso é um mundo de pares, não de conjuntos. Eu me afeiçôo, admiro, rio, beijo, gozo. Estremeço de prazer ou soluços. Eu me perco de meus afazeres e responsabilidades em cada detalhe de uma pessoa. Não posso...

Fico querendo me exorcizar, me justificar, encontrar um espaço em que eu faça sentido. Eu gosto, eu amo. Abraço e acolho. Sou visceral, e luto para agir com razão sobre isso. Quem acalma o impulso? Meus caminhos, minhas ansiedades, minhas dúvidas, minhas curiosidades, minhas buscas... Meu caminho que parece só.

Se sou assim, não posso convidar ninguém para ir comigo...

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Quem vai se encantar por minhas idiossincrasias e fazer com que não me sinta uma estranha sem par nesse mundo doido?

Quem vai fazer com que eu me sinta acolhida sem ter de ser diferente do que sou?

Quem não irá me taxar infantil e ingênua por querer tais coisas...?

terça-feira, dezembro 20, 2011

Viagem

Faço as malas.

Na bagagem, um tanto de angústia
e apreensão
medo do esquecimento,
boas lembranças

pessoas que ficarão...

domingo, dezembro 18, 2011

A gente vive assim: sempre acabando o que não tem fim
h.g.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Auto-retrato

Você é sempre rápida em apedrejar e lançar à prancha, em aumentar a voz. A maioria tem medo. Você tem sorte de serem poucos os que retribuem na mesma moeda. Pois sabe que a fariam chorar.

Às vezes você anseia por ocasiões assim. Anseia por esta ou aquela circunstância que lhe darão alguns parafusos a mais para o juízo, que lhe farão respeitar mais o que as pessoas sentem. Aconteceram poucas vezes. E a verdade é que até agora você não mudou.
Por que tão agressiva? Por que tão sem medidas para atacar? Quantas vezes será necessário fazer e arrepender-se para que mude, enfim? Será sempre como o viciado, que se excede, bate, maltrata, depois, envergonhado, vem pedir perdão? Ou será capaz de ceder ao bom senso antes de ser necessário desculpar-se...?

Não quero ser assim pra sempre. Quero me compreender, aprender, melhorar... Não sou melhor que os outros, preciso parar de ser arrogante e grossa.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Embaçado

Tenho isso biológica e fisiologicamente, e ontem pela primeira vez me perguntei se essa característica talvez não se extenda também, em alguma medida, a meu comportamento:
sempre que olho de modo muito fixo para algum ponto, minha visão desfoca. Agora, como posso concentrar minha visão em algo, se ao fazê-lo já não consigo ver aquilo com nitidez? Será por isso que tenho tanta dificuldade em me manter concentrada em uma coisa...?

Ou será que estou, mais uma vez, apenas encontrando uma desculpa que me permita ser auto-condescendente?

Seja como for, tenho de aprender a lidar com isso - rapidamente.

Escrever

Sobre laços
espaços
relacionamentos
entrelaçamentos

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Se ela mergulhar no espelho, será em busca de si mesma

Desde cedo, sentindo que algo está diferente internamente. Não sei precisar do que se trata, não parei para olhar com calma pra dentro. Não silenciei para ouvir as inquietações que reviram o peito. Não fechei os olhos para entender se é angústia ou ansiedade ou insegurança ou medo do novo ou saudade do conhecido ou algo que ainda não vi. Não me perguntei se era algo comigo ou com outrem.
Nada fiz. Espiei de rabo de olho enquanto me ocupava com outros assuntos. Se me tivesse olhado nos olhos, talvez tivesse desviado o olhar.

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Se me aquietar, fechar os olhos e escutar, saberei que preciso escrever. Saberei que preciso reencontrar o eixo de estar só comigo mesma, sem interferências externas, sejam quais forem, saberei que ainda preciso me esforçar pra aprender a estar quieta, saberei que apesar de ansiar a tranquilidade, volta e meia busco a inquietação.

Saberei que quero uns dias pra fazer o que der na cabeça, sem compromissos ou prazos externos. Saberei que talvez esteja querendo fugir pra olhar de fora minha trilha, pra ver se consigo entender os caminhos que estou tentando trilhar.

E que essa incapacidade de me centrar, de me focar, de andar em linha reta em direção a um ponto claro quer dizer que...
ainda não sei o que significa.

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Ela se envolveu em tantos projetos distintos e distantes, que agora quer voltar para si e já não sabe o caminho. Ela se trancará em seu quarto sem teto ou paredes, ela buscará um espaço só seu, e se isolará do mundo por uma noite ou uma hora ou uma semana e, sem dormir, consumirá chá, conhaque, café e outras coisas estimulantes que comecem com a letra c. E negará tudo que não seja ela mesma, que não lhe seja familiar.

Buscará conforto em músicas estranhas. Porque músicas estranhas não trazem lembranças, estão imaculadas de qualquer emoção anterior.
Deixará o tempo passar mais uma vez, fugindo do que precisa ser feito, em busca do que não tem nome ou forma ou cheiro ou cor, mas lhe inquieta. Olhando, sem realmente enxergar, a sensação de que algo está errado, fora do lugar, diferente do que lhe faz ou faria bem.

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Fechar os olhos e tatear no escuro os passos que já deu, até encontrar um espaço conhecido, um ponto que faça sentido, um novo lugar por onde começar.

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O que se passa...?
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Onde estou?

terça-feira, novembro 29, 2011

A gente é isso - equilíbrios delicados de coisas confusas de lidar e entender...

Também eu. Talvez em demasia, às vezes. Estar em relação é estar sujeito a esses delicados equilíbrios... E ao que suas instabilidades causam, internamente...