Desde cedo, sentindo que algo está diferente internamente. Não sei precisar do que se trata, não parei para olhar com calma pra dentro. Não silenciei para ouvir as inquietações que reviram o peito. Não fechei os olhos para entender se é angústia ou ansiedade ou insegurança ou medo do novo ou saudade do conhecido ou algo que ainda não vi. Não me perguntei se era algo comigo ou com outrem.
Nada fiz. Espiei de rabo de olho enquanto me ocupava com outros assuntos. Se me tivesse olhado nos olhos, talvez tivesse desviado o olhar.
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Se me aquietar, fechar os olhos e escutar, saberei que preciso escrever. Saberei que preciso reencontrar o eixo de estar só comigo mesma, sem interferências externas, sejam quais forem, saberei que ainda preciso me esforçar pra aprender a estar quieta, saberei que apesar de ansiar a tranquilidade, volta e meia busco a inquietação.
Saberei que quero uns dias pra fazer o que der na cabeça, sem compromissos ou prazos externos. Saberei que talvez esteja querendo fugir pra olhar de fora minha trilha, pra ver se consigo entender os caminhos que estou tentando trilhar.
E que essa incapacidade de me centrar, de me focar, de andar em linha reta em direção a um ponto claro quer dizer que...
ainda não sei o que significa.
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Ela se envolveu em tantos projetos distintos e distantes, que agora quer voltar para si e já não sabe o caminho. Ela se trancará em seu quarto sem teto ou paredes, ela buscará um espaço só seu, e se isolará do mundo por uma noite ou uma hora ou uma semana e, sem dormir, consumirá chá, conhaque, café e outras coisas estimulantes que comecem com a letra c. E negará tudo que não seja ela mesma, que não lhe seja familiar.
Buscará conforto em músicas estranhas. Porque músicas estranhas não trazem lembranças, estão imaculadas de qualquer emoção anterior.
Deixará o tempo passar mais uma vez, fugindo do que precisa ser feito, em busca do que não tem nome ou forma ou cheiro ou cor, mas lhe inquieta. Olhando, sem realmente enxergar, a sensação de que algo está errado, fora do lugar, diferente do que lhe faz ou faria bem.
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Fechar os olhos e tatear no escuro os passos que já deu, até encontrar um espaço conhecido, um ponto que faça sentido, um novo lugar por onde começar.
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O que se passa...?
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Onde estou?
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