Você olhou para trás. O que viu?
Se eu olhasse... Se olhar... verei porque meu peito se aperta agora. É o aperto do anseio e da angústia de uma dezena de histórias acumuladas, todas somando-se ao que vivo e sinto agora, aumentando a força da mão que aprime meu peito. Hoje, ontem... Eu abro as janelas, para me sentir mais livre. E tento narrar minha história com o distanciamento de um narrador. É para poder te enxergar melhor, posso mentir. É para poder disfarçar melhor, posso dizer.
Mãos. Mãos da angústia. Mãos da ansiedade. Mãos do anseio pelo contato. Pelo carinho. Pela recíproca. Pela confirmação. O aperto é de medo ou sofreguidão? Quantas, tantas mãos...? Seguirei passando por elas? Seguirei colecionando toques até o aperto sufocar meu peito? Sei sorver sem sofrer?
Eu me envolvo, eu me apaixono, eu machuco, sofro. Pudesse, não abandonaria. Mas o nosso é um mundo de pares, não de conjuntos. Eu me afeiçôo, admiro, rio, beijo, gozo. Estremeço de prazer ou soluços. Eu me perco de meus afazeres e responsabilidades em cada detalhe de uma pessoa. Não posso...
Fico querendo me exorcizar, me justificar, encontrar um espaço em que eu faça sentido. Eu gosto, eu amo. Abraço e acolho. Sou visceral, e luto para agir com razão sobre isso. Quem acalma o impulso? Meus caminhos, minhas ansiedades, minhas dúvidas, minhas curiosidades, minhas buscas... Meu caminho que parece só.
Se sou assim, não posso convidar ninguém para ir comigo...
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