terça-feira, novembro 16, 2010
Eu leio.
Eu penso.
Eu choro.
Eu postergo.
Eu procrastino.
Eu sigo tentando encontrar os melhores caminhos.
Às vezes, apenas um bom caminho.
Às vezes, um caminho, apenas.
Eu carrego livros e coisas de um canto a outro.
Busco um canto.
Canto, nos intercursos.
Eu me encanto. Eu tenho esperanças.
Eu me crispo, me fecho. Eu sinto vontade de chorar, ou ir embora. Ou os dois.
Eu sigo ao lado. Eu rio junto. Eu brinco. Eu entendo.
Eu não entendo. Eu quero situações diferentes. Eu olho pela janela, busco o além.
Eu me despeço. Eu sinto medo.
Eu sinto saudades, mas, se der, não ligo.
Eu abraço, eu pularia nos braços, eu sigo na contramão.
Eu repenso, reflito, revejo, desejo, resisto, ensaio, desisto. Me culpo. Insisto.
Eu sigo enfrentando a onda. Buscando as portas e as chaves. Sigo buscando afagar. Eu sigo acreditando que faz sentido. Sigo sentindo carinho, encanto, encontro. Sigo aprendendo a calar.
Sigo sem saber se quero saber. Sigo evitando. Olhando para os lados. Me mordendo de curiosidade. Fugindo da dor.
Eu sigo porque acredito. Mesmo que haja gelo, dureza, frio, vazio. Mesmo que o caminho esteja bifurcado. Doendo por dentro. Reconstruindo os pedaços. Aprendendo e me ensinando que não sou escória.
Eu não sei se me abro, se me fecho. Eu não quero fechar as portas. Talvez devesse manter apenas janelas. Eu olho, através das letras, a trilha não planejada ou predita que tento seguir. Eu olho e não sei se é o caminho, e não sei qual é o destino, mas vou tentando fazer o que acredito que levará além...
Eu sinto falta de espaços e aberturas e alegrias e cumplicidades. Talvez eu devesse sentir falta de mim. Eu penso e olho e penso se de fato estou seguindo as trilhas certas. E imediatamente me digo que não há este ou aquele caminho, não há uma fórmula, uma panaceia. Há este universo de fios pelos quais podemos tentar nos equilibrar.
Eu escrevo e penso e lembro e reflito e acredito e tento ter esperança e choro...
Eu penso nas mágoas. Eu tento não me magoar. Não me comparar. Eu tento me explicar que somos amplos e vários... Eu penso nas mágoas. Eu me culpo, mas não culpo.
Eu busco aprender como ajudar a curar...
segunda-feira, novembro 15, 2010
sábado, novembro 06, 2010
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terça-feira, outubro 26, 2010
segunda-feira, setembro 27, 2010
quinta-feira, setembro 23, 2010
quarta-feira, setembro 22, 2010
domingo, setembro 19, 2010
The body breaks
And the body is fine
I'm open to yours
And I'm open to mine
The body aches
And that ache takes its time
But you'll get over yours
And I'll get over mine
And the sun will shine
And the moon will rise up
The body calls
Yeah, the body, it calls out
It whispers at first
But it ends with a shout
The body burns
Yeah, the body burns strong
Until mine is with yours
Then mine will burn on
My flesh sings out
It sings, "come put me out"
The body sways
Like the wind on a swing
A bridge through a hoop
Or a lake through a ring
The body stays
And then the body moves on
And I'd really rather not dwell on
When yours will be gone
But within the dark
There is a shine
One tiny spark
That's yours and mine
quinta-feira, setembro 16, 2010
ela vem acompanhada de tristeza
porque as coisas estão como estão.
porque não sei como estão as coisas.
porque tenho medo do que significa esta dor. esta tristeza.
e sentir vontade de chorar, e esta dor, este aperto...
por vezes parece-me que a escolha é entre deixar virem as lágrimas que nascem do peito que dói, ou endurecê-lo, imobilizá-lo...
desaparecer por um tempo. para proteger-me do que não sou forte para saber. para não me expôr. para não ser vista. para não...
por vezes, parece que se encontrou algum caminho. mas na verdade parece que ainda não se encontrou uma boa trilha...
não sei...
força e tempo e equilíbrio e paciência...
terça-feira, agosto 31, 2010
quarta-feira, agosto 25, 2010
terça-feira, agosto 17, 2010
quinta-feira, agosto 05, 2010
segunda-feira, agosto 02, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
olho para dentro e revejo o que aconteceu
(e) porque dói
respiro fundo
volto-me para dentro,
para mim
Sei do que dói
das dores
Não quero mais ficar triste.
Respiro fundo
os primeiros passos de volta ao caminho são mais difíceis
mas, após recaminhar um pouco,
consigo enxergar além novamente.
sigo respirando fundo.
sei onde não quero chegar.
domingo, junho 13, 2010
deixa minhas mãos frias
meus braços, meu corpo, se arrepiam
Vem de dentro.
Ainda geladas, as mãos suam.
E pensamentos ruins passam por minha cabeça.
Coisas que não quero que aconteçam,
coisas que não deveria querer que acontecessem,
coisas nascidas do misto
de raiva,
angústia,
tristeza,
mágoa,
ciúmes,
solidão...
Não, não tenho como encarar as coisas por muito tempo como estão.
Machuca,
não faz bem.
E o sentir é uma vontade de dilacerar o peito,
ir-me embora,
sumir,
para nunca mais...
sábado, junho 12, 2010
May It Be
Shines down upon you
May it be when darkness falls
Your heart will be true
You walk a lonely road
Oh! How far are you are from home
Mornie utúlien (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantie (darkness has fallen)
A promise lives within you know
May it be the shadows call
Will fly away
May it be your journey on
To light the day
When the night is overcome
You may rise to find the sun
Mornie utúlien (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantie (darkness has fallen)
A promise lives within you
A promise lives within you now
sexta-feira, junho 11, 2010
quinta-feira, junho 10, 2010
terça-feira, maio 18, 2010
Dia Branco
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
domingo, maio 16, 2010
Ausência
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.
Esta não é minha escolha. Mas o poema não é belo apenas quando fala de nós. E, não obstante, talvez, um dia, precise ser...
Oração ao tempo
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
sexta-feira, maio 14, 2010
algo que talvez fosse amizade, ainda que distante, transformou-se em... nada.
não - nada não dói.
eu sou como se nada fosse.
e hoje vi algo que, em outro momento, eu teria na hora compartilhado, pela lembrança que o vínculo naturalmente trazia.
hoje, o que sinto é aperto, é... ruim.
segunda-feira, maio 10, 2010
por mim tecido
macio,
confortável,
escuro,
lacrado.
guardaria-me.
adormeceria?
não sei
transmutaria?
buscaria fazê-lo.
proteger-me-ia
enquanto necessário fosse
de tudo quanto pudesse ferir-me,
estando em um estado ora frágil.
isolar-me-ia
do azul
do afeto
do carinho
sem amor
sem mágoas...
esforço consciente
Para não ser doce.
Para guardar para mim o que não faz sentido largar nos outros.
Para guardar para mim o que os outros, talvez por hora, não queiram ouvir.
Para jogar fora, reciclar, limpar, o que não faz sentido manter.
Para transmutar o que quero comigo, mas não como está no momento.
Para ficar inteira, no meio das confusões, das dores, das mágoas, das pseudo-descobertas dolorosas. Dos passados que foram e não serão - alguns, feliz por que não são.
Para separar algumas coisas na cabeça, no corpo, no peito - no eu. Para buscar estar inteira, tão logo seja possível.
domingo, maio 09, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
em busca de entendimento
mesmo quando estava gostando, mesmo amor com irmão, pai, mãe.
minha relação com esse sentimento que alguns dizem ser o grande objetivo de passarmos pela experiência de estarmos vivos e sermos gente é dúbia. e assim é há já bastante tempo - não sei precisar quanto.
eu gostei de pessoas algumas vezes. quando era mais nova, era um gostar que costumava durar até o outro dizer que gostava de mim - tal declaração sempre soava desmedida, impossível, dava-me uma sensação de... de... afastamento, quebra.
tive paixões platônicas.
aprendi a correr atrás do que queria, pois "quem não chora, não mama."
aprendi que um "não" não mata ninguém - exceto em situações bem diferentes das quais estou citando aqui.
gostei, paquerei, fiquei.
gostei de alguém que não tinha quase nada a ver comigo. gostei forte.
esta, creio, foi a primeira vez em que me senti quebrar, esvaziar, por dentro.
na verdade, houve, além dessas, acho que duas vezes antes em que foi difícil. mas eu era quase menina na época. de cabeça, de jeito. de idade, também
mas, em relação a quando senti-me quebrar - experimentei passar quase dois anos de rompimento *completo*. namorei outra pessoa, gostei, amei como me era possível à época.
senti inquietações, mistos de gostar e querer viver outra coisa.
desde muito cedo, apesar de ter um lado romântico, platônico, idealista, por vezes mesmo bobo, eu admirava uma história - real - que minha mãe me contou. a história era (e é) sobre uma amiga sua, que casou com seu primeiro namorado. com quem naromou desde os 13 anos. MAS, antes de casarem-se, ambos viveram muito. viajaram, conheceram pessoas. em verdade, antes do casamento ela chegou a passar um ano longe, pois precisava ter certeza do que queria. e não tinha, por isso partiu. e voltou. e foi uma festa de virar noite, de contentamento e comemorações.
eu queria algo assim pra mim - encontrar alguém para a vida toda, porém, antes de me entregar por completo para a pessoa, precisava viver mais, conhecer mais.
e assim eu entendia minhas inquietações, quando as via surgir. a última que senti, em meu primeiro namoro mais longo, eu senti que precisava viver. em parte, eu basicamente senti que precisava viver.
uma parte minha ainda gostava de meu namorado. mas isso não foi suficiente para que eu fosse tão sincera quanto possível, quando demos um tempo. e o magoei. e ele disse que não queria mais me amar, que não queria ficar comigo. e provavelmente outras coisas, que não lembro agora.
esta foi a segunda vez em que me senti quebrar por dentro. doeu. éramos amigos, vizinhos, nos víamos muito. ele era engraçado, e eu tinha me tornado amiga dos amigos dele, uma amiga minha tinha se juntado à turma - eu tinha uma espécie de turma, o que por si só não era muito comum antes, para ser sincera. eu chorei, e desejei que pudéssemos ficar juntos, e senti a dor da perda, da impossibilidade, que, dizem, nos faz valorizar o que perdemos. chorei, acho, mais do que da vez anterior. mas acho que a vez anterior deixou um vazio maior, quando quebrou.
enfim, dois anos passados, e um acontecimento nada nada bom levou-me a me reaproximar do tal sujeito com quem eu não tinha nada a ver, e que muito provavelmente terminou comigo por isso, ainda que nem pra ele isso estivesse muito claro, na época.
agora tínhamos mais coisas em comum. eu era mais despachada - aprendi a ser. nos revisitamos, experimentei relembrar o que tinha sentido por ele. não era a mesma coisa, mas tinha sido um gostar mal resolvido, e eu fiquei feliz por haver uma chance de ser diferente.
mas ainda estávamos apenas semi ou pouco enrolados quando conheci outra pessoa. eu andava querendo alguém com mais atitude, que demonstrasse firmeza no querer estar comigo. e, entre os dois, aos poucos, em dúvida, confusa, perdida, relutante, em alguns momentos... fui me deixando envolver pela história mais recente.
também tínhamos muitíssimas diferenças. muito brigamos. mas havia bons momentos e eu queria que desse certo, por querer, por querer ser querida, talvez, por querer segurança. e assim, no meio do início, quase, meio de brincadeira, meio sem ter muito a perder (quem é que sabe?), nos prometemos que caso completássemos um ano de namoro, noivaríamos.
sei lá porque cargas d'água, dessa vez, nesse momento, ou quando completou um ano, eu não decidi que era hora de dar um tempo, de parar pra conhecer outras coisas antes de dar esse passo. eu noivei com... 20 anos, acho. ia fazer 20.
eu aprendi um tanto sobre conviver, ouvir, sobre o que fazer e o que não aceitar jamais que façam, nos quase três anos deste relacionamento. sobre o que fazemos por gostar. sobre, talvez, o que não devemos fazer por gostar. sobre lidar com o que se sente por estar com alguém. me apaixonei por uma pessoa enquanto estava noiva, e foi estranho, e fiquei confusa, e contei o que acontecia, e foi doído e difícil, mas continuamos.
um tempo depois, entretanto, talvez um ano depois, eu me senti muito, muito inquieta. havia muita coisa pra viver, muita coisa para conhecer em mim! eu precisava de espaço. eu precisava de um tempo. eu queria viver outras coisas. eu me sentia em outro ritmo, em outra linha.
dessa vez eu não senti exatamente quebrar por dentro. havia sonhos, havia planos, havia uma história construída. tinha sido muito tempo. muitas coisas haviam acontecido, e eu abidiquei de coisas pela escolha que tinha feito. essa mistura toda doeu, doeram os insultos, também. e a sensação de que o que minha alma gritava era errado também doeu - não era, uma grande amiga, e a força do que sentia me fizeram entender. sentir-me presa doeu.
mas eu queria muito estar livre.
eu queria muito estar livre
eu queria muito estar livre.
eu queria muito que os dias passassem.
eu queria que o tempo parasse.
eu queria acordar cedo.
e não precisar dormir.
ao mesmo tempo em que despertava para a minha necessidade quase visceral de me sentir livre, quando minha cabeça estava fervilhando com a possibilidade de finalmente poder tentar ficar com uma mulher, por exemplo, ou sobre como seria um relacionamento aberto, e tantas outras coisas...
nessa hora, no meio disso tudo, nos encontramos.
ou nos reconhecemos.
ou nos permitimos.
do que já vivi, do que vi, pelo caminho, acredito que vivi uma das coisas mais doces e bonitas que se pode viver. em boa medida, eu pude perceber isso enquanto muitas coisas iam acontecendo, com o tempo meio sem ter a medida convencional, com as prioridades se atrapalhando enquanto conhecer e apreciar urgia e encantava.
mas eu só tinha aprendido um tanto. em parte, porque a gente sempre tem mais coisa pra aprender. em parte porque tinha sido muita coisa e eu ainda sentia reflexos, resquícios do que sentia como uma opressão danada.
então eu precisei andar, e nem sempre eu dei satisfações ou avisei a tempo. eu gostava, sentia isso, e por vezes ficava muito confusa com os sentimentos antagônicos, paradoxais que me habitavam. eu não soube cuidar.
eu precisava sair e andar, e em parte era como se eu tivesse de andar sem me preocupar muito em pra onde estava indo. em parte, creio, eu precisava saber que podia andar, exercitar realizar minhas vontades.
em parte, também, eu tinha acabado de matar um bocado de sonhos, de apagar um futuro que começava a construir. eu era capaz de amar, mas estava tudo muito bagunçado por dentro. eu contava. mais do que seria saudável ouvir, talvez. eu não ia embora, eu não deixava de gostar. mas nem sempre eu fiquei. talvez, eu estivesse amortizando minha capacidade de gostar. eu provavelmente tinha medo de me deixar entrar em uma história que à primeira vista parecesse toda bonitinha, e que de repente se transformasse em um enredo, uma espécie de confinamento de gostar. o medo e o amor não são duas faces da mesma moeda. sentir um não fortalece o outro, e acho que meu medo pode ter tido um espaço na bagunça do momento, que só fiz aumentar, por um tempo.
eu demorei a parar de magoar. não o fiz o tempo todo. e na medida em que ia me conhecendo, pelos olhos do outro, eu ia entendendo a importância do que tinha me acontecido.
mas eu ainda tinha coisas por conhecer, ainda tinha um lado - esse era meu, não era oprimido, mas apenas o vislumbrara; o experimentara "de brincadeira". e há um tempo dizia e queria viver.
eu me abri, me dispuz, busquei. e conheci, vivi, foi algo bom, diferente, que mexeu com minha cabeça a ponto de eu sentir que na verdade meu corpo só desejava aquilo.
por muitas vezes ao longo dessa história, a confusão em meu peito e cabeça eram tantas, que eu queria me fundir com aquele com quem me encontrei. eu queria partilhar com ele, eu queria estar com ele. e ao mesmo tempo, eu ia atrás de experiências que não comportavam isso.
ele buscou viver, quando eu fui. quando nos encontramos, doía a distância, doía o gostar machucado pelo ciúmes. doía não estarmos juntos, não podermos estar juntos. e ansiamos muito estar juntos. em minha cabeça, talvez também na dele, era estranho que não pudéssemos ficar um com o outro por conta de... histórias que tinham surgido depois da nossa. não havia compromissos firmados, ou estabelecidos, mas havia, sim, o querer, o gostar, a necessidade de sentir isso de perto. ficamos juntos.
eu contei o que cabia, como cabia para a mulher que me mostrou caminhos de ser mulher que eu não conhecia. ela foi firme, e me doeu e eu chorei e meu corpo sentia que só se abriria por completo para uma mulher. e ela me disse que eu fosse ficar com ele, já que eu não sabia viver sem ele.
e foi um momento de uma confusão grande entre cabeça e corpo e eu amei com meus dois lados, mas sentia meu corpo travado, sentia uma necessidade grande de algo que achava que não experimentaria nunca mais, ao mesmo tempo em que se reforçava em mim o sentimento de que, realmente, eu não queria, eu não desejava, eu não me imaginava vivendo sem estarmos de algum modo juntos.
e houve um período esquisito, e eu me deixei envolver por outra pessoa. talvez fosse um modo trôpego de descobrir se meu corpo seria capaz. em parte, ainda era, por incrível que possa parecer, resquício da necessidade de ir, de poder ir.
poder ir.
eu contei antes.
mas não tão antes.
e doeu e doeu e doeu. eu novamente não soubera cuidar.
não sei dizer os motivos mais profundos - tento entender, tentei mesmo enquanto tudo acontecia. sei que precisei, que quis ir.
eu não queria machucar, eu nunca quis. mas eu vivi muitas histórias tendo inquietações e eu não sabia o que fazer delas e o que elas queriam dizer, e acho que tinha chegado em um momento em que tinha decidido que precisava descobrir. precisava tentar entender o que significavam.
eu fiquei novamente com outro homem, apesar do que sentia meu corpo. e percebi que a minha inquietação era bem mais intelectual, e que ainda faltava algo, que meu corpo não se abria.
faltava algo.
droga.
passei um tempo grande, a maior parte do tempo em que tentei viver relacionamentos, na verdade, sentindo que faltava algo.
eu não encontrava esse algo, eu não sabia se era dentro, se era fora.
fui tentando juntar peças, aos poucos. entendi que, em parte, ao procurar o outro estou procurando a mim mesma - buscando conhecer alguma faceta desconhecida, querendo que me descubram, como olhar para espelhos variados em busca de outras nuances de di. não fui, não sou uma devoradora de pessoas. mas entendi que isso me inquietava.
entendi, também, que gosto de conhecer pessoas, de conversar, de encontrar cabeças diferentes e interessantes, e às vezes polêmicas. eu aprendo na convivência com as pessoas. e eu me conheçoo, como já disse, através delas, também.
e percebi, juntando peças, que aprendi a gostar das pessoas através de conversas, bem mais do que pelo físico ou o sexo. desde o início de minha adolescência frequentei, por muito tempo, batepapos de internet. eu aprendi, ou me acostumei, a sentir afeto por pessoas que eram letras, jeito de escrever e expressões faciais construídas com caracteres.
muito tempo depois eu entendi também que precisamos saber como estamos, e quais nossos limites. e evitar o que possa nos levar além de nossos limites, além do que não desejamos fazer. saber o que queremos, o que nos é importante, faz parte de cuidar e respeitar o outro. e a nós mesmos, pois podemos sofrer muito quando somos irresponsáveis com nossos limites. e fazer o outro sofrer.
aos poucos, como já me referi às vezes, eu fui percebendo mais, eu fui sentindo mais a importância do que vivi, do que encontrei.
se sou uma pessoa que inicialmente se envolve com facilidade, também sou uma pessoa que trava. eu travo. eu acho que sinto medo. de machucar e de ser machucada, de me sentir presa, de o gostar morrer e ficarmos com resquícios do amor marcados pela rotina inescapável. eu não escolho travar, eu nunca escolhi, desde quando era nova e os caras de quem eu gostava diziam que gostavam de mim - e tudo se desvanecia e parecia estranho e me afastava.
eu fui fraca, creio, às vezes. eu acho que fui covarde, também. eu fiz algumas cosias que aparentemente não têm sentido.
mas eu tenho me aberto para essa pessoa com a qual, dia após dia, fui sentindo e percebendo que desejo partilhar a vida, com quem me identifico, na qual me encontro, e sou eu, com trejeitos e bobagens e sonhos e inquietações com o mundo, com a vida.
eu tenho aprendido o amor, aprendido a amar. a valorizar o que encontrei, a buscar caminhos compatíveis com o gostar, a vontade de partilha, os anseios malucos.
o que eu não queria mais era afastar-me, era ter coisas não ditas, era que houvesse coisas entre nós.
eu não soube agir do modo certo. não totalmente. eu não contei as coisas no tempo certo. eu agi de um modo para o qual as explicações talvez só venham com clareza daqui a um tempo, ou com mais reflexão do que dediquei a isso. mais aprofundamento.
os meus erros não significam que não queira me abrir, que não queira fazer diferente, que não queira aprender a ser corajosa, a amar e amar e amar e trilhar o caminho que muitos almejam mas poucos efetivamente trilham.
e deixar de lado os medos que sinto, que senti. e poder celebrar todas as manhãs que amo, que me sinto plena, feliz por este amor.
e seguir aprendendo, buscando caminhos, querendo conhecer.
eu tentei escrever o que eu lembro do que vivi e senti. para tentar entender, para olhar tudo de novo, para pensar sobre o que vivo e sinto agora.
não sou mais exatamente uma menina. não passei por todas as experiências do mundo, mas aprendi, e ainda tento extrair lições, este texto é um exemplo disso, das escolhas que fiz.
me sinto capaz de escolher o que considero o amor de minha vida. para as maluquices que quiséssemos pensar juntos. e todos os sonhos e anseios e planos.
nada do que está aqui escrito aconteceu, contudo, porque escolhi sozinha.
eu muito quis encontrar o amor e viver outras coisas antes de entregar-me a ele de fato. já não pensava nisso há um tempo.
dói o afastamento; a falta; os caminhos desconhecidos; haver barreiras ou pessoas entre nós. dói o querer que não pode ser, que não sei mais se é ou será correspondido.
dói sentir que, de algum modo, perdi um tanto meu lugar por aqui. ao menos, em termos de encontro.
sei que sou capaz de prosseguir. todos são, todos dizem isso. estou viva e acordo todos os dias, e ando e respiro e escrevo - e, às vezes, choro. mas continuo sentindo que será difícil encontrar meu lugar, encontrar-me. porque já encontrei.
e escolhas, que todos têm, agora vão por outros caminhos.
estou construindo um pra mim, enquanto tento aprender com tudo isso. enquanto lido com uma abertura que agora parece deslocada. e faz-me sentir ainda mais falta de tudo que queria celebrar, e agora não pode ser. enquanto lido com o medo de que tudo esteja deixando de ser.
um lado meu sempre quis encontrar o amor...
quarta-feira, maio 05, 2010
forte.
fôssemos d'outra matéria
desceria as escadas
'pé ante pé,
degrau por degrau'
os pingos escorreriam.
lavariam a tristeza
a dor
a mágoa
o medo
ressentimentos
desentendimentos...
fosse eu d'outra matéria
me exporia à grossa chuva
me dissolveria.
(a matéria de que sou feita tenta dissolver tudo isso em grossas gotas d'outra matéria. e escritos)
cotidiano
usar fones de ouvido é, por vezes, quase mágico...
você se perde em suas tarefas e, repentinamente, é envolto por uma melodia.
melancólica, esperançosa, incomum. por vezes, terrivelmente alta - ela soa dentro de sua cabeça: o ritmo, violinos, cellos, violão, piano, flauta. uma orquestra inteira vibra. tudo surgindo você não sabe de onde, e, no entanto, tudo vem de dentro de si.
e a música o preenche.
terça-feira, maio 04, 2010
É algo que me acompanha durante o sono - em sonhos ruins, a me acordar, vez por outra, no meio da noite, com vontade de me encolher, e chorar, sozinha, baixinho.
Que me acompanha, por vezes, de manhã, com ou sem sonhos ruins, apertando, doendo no peito, e encaro o dia com tristeza, mas sigo adiante com resignação.
Por vezes, parece corroer. É quando mistura-se com a ansiedade do desconhecimento, e então cavo, dentro, fora, invento - qualquer coisa para dar forma a esse doer, esse chorar interno, isso que às vezes vira frio, e às vezes parece impossível processar, e causa embrulho em minhas entranhas.
Por vezes, respiro. Olhar e passos que luto para que sejam firmes. Mãos nos bolsos, a guardar-se para um carinho que está além.
Respiro, e penso que não posso me machucar, que não me levará a nada, não construirá nada, e fará mal, fará mal...
Às vezes, sinto esperança. Creio, desejo, que meus anseios sejam também os de outro, ou que... que na verdade seja só impressão minha que faz parecer que aumentou-se a distância, diminuiu o afeto. Ou penso que... talvez, apesar de ter sido deixada de lado, não tenha sido de fato, e quem sabe...
Quem sabe...
O medo, contudo, é monstro escuro e frio a pesar a paz, a dizer-me "não, não é isso que se deseja, que se busca, que se está tentando construir".
Continuo, em parte, incerta. Oscilo entre o amor, o desejo que cuidá-lo, senti-lo, cultivá-lo, e o medo, o medo, o medo.
O amor não fica de lado. Ele é parte importante de mim. E me acompanha, riso, tristeza, leveza ou choro, em cada dia que amanheço.
...
O problema é que às vezes fica difícil respirar.
sábado, maio 01, 2010
o frio vem de dentro.
uma brisa externa pode deixar um pouco pior, mas ele vem prioritariamente de dentro.
às vezes, não peço para ele aparecer. às vezes, a cabeça ou o peito desenterram pensamentos ou sensações ou ideias que...
esfriam. machucam.
e fico sem saber se é porque algo acontece - e de algum modo sinto - ou se é porque algum instinto auto-destrutivo acha que não posso ficar bem.
de repente o peito é um misto de aperto e aceleração malucos, e as entranhas parecem mover-se, ou queimar, ou ambos, e parece que não serei capaz de engolir mais nada. e tremo e é frio por dentro.
frio... e medo.
Ando querendo te fazer umas declarações de amor.
que falem assim
de como gosto quando estou perto de ti
quando te vejo chegar
ou quando estou chegando
e meu olhar te encontra, de longe
dizer-te que desejo que sejas da família, sim
mas da família perto, muito perto
não apenas como um grande amigo
usar palavras bonitas e encantadas
para contar
que desejo estar perto
pra sentir tua pele
tua temperatura
a maciez de teu beijo,
sentir o tempo parar
enquanto nossas mãos se encontram
enquanto sinto que me acolhes e me desejas
e me permito demonstrar que te acolho
te desejo
sentir teus cheiros e aromas
te modo não furtivo
não apenas brincalhão
não como quem não quer nada
mas como quem te quer muito
quero ser teu programa
e que queiras ser o meu:
nenhum outro motivo necessário para nos encontrarmos
além deste
- estarmos juntos, ficarmos juntos
celebrar nossas sintonias
apreciar teu corpo em manhãs serenas
dias cinzentos
- e por que não? -
noites frias
quero abraços
brincar de mãos
sentir teu coração batendo
teu corpo pulsando
sentir-mo-nos próximos
unidos
encontrados
dizer-te
olhando-te
que quero que sejamos
amigos
companheiros de viagem
amantes
que caminhemos de mãos dadas
enquanto descobrimos
construímos
aprendemos
os caminhos
dizer-te que te amo.
e que quero que seja pleno.
segunda-feira, abril 26, 2010
quinta-feira, abril 22, 2010
Machucados...
Sem alardes, sem gritos, claro, com algum susto meu e outro - talvez maior - em minha mãe, levantei, limpei as mãozinhas (um dia foram ainda menores do que são hoje) e disse
- Caji caí, caji caí...
Segui andando. Acho que não fiquei com muitos traumas. Não desse dia, enfim.
[...]
Tá certo que ser prevenido é importante.
Mas às vezes eu preferia simplesmente levantar empolgada pra seguir andando.
(a propósito de um Caetano que ainda pesa. e sabendo que em verdade há pesos bem mais difíceis de lidar... e de curar, também)
domingo, abril 18, 2010
Cancíon de Las Simples Cosas
Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
Lo mismo que un árbol en tiempos de otoño muere por sus hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
Esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.
Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,
Y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.
Demorate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
Donde encontrarás con el pan al sol la mesa servida.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.
sábado, abril 17, 2010
quinta-feira, abril 15, 2010
Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei
E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena
Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola
Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor
E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar
Que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar
terça-feira, abril 13, 2010
domingo, abril 11, 2010
Eu escreveria
Se ajudasse o tempo a passar.
Se achasse que conseguiria fazer algo realmente bom.
Se fosse capaz de reencantar,
curar,
mostrar novos caminhos.
Para diminuir os "se".
Talvez eu escreva...
sexta-feira, abril 02, 2010
Se eu vejo 5, 10, 50 reais no chão, ou imagino ver um óculos, ou algo do gênero, eu penso em pegar. É algo de valor.
Quantas vezes eu passei por uma pessoa deitada no chão, em algum canto, e senti vontade de recuperá-la?
Qual o valor que aprendemos a dar pra vida...?
quinta-feira, abril 01, 2010
quarta-feira, março 31, 2010
Não foram trocadas juras. Falariam de algo que, hoje, se encontra em outra esfera.
Não se disse adeus, principalmente porque não desejam que as distâncias sejam eternas.
Não se tocaram. Apenas muito pouco. Para não dessarumar o que já está por demais bagunçado, e busca, como pode, um equilíbrio.
Já não são. É ele. É ela. Seguirão...
Não quero viver de ilusões, mas desejo que um dia se entrelacem...
Algumas partes que não nasceram comigo, outras que só fazem sentido quando arrumadas de modos bem específicos.
O pacote não me pertence, então uma gaivota, dessas que voam mais e mais alto, levou-o: precisava voar.
Agora partes de mim não vão comigo. E dói um pouco o vazio delas, a ausência do pacote.
Vez ou outra, quando o tempo deixar, vou me pôr a observar o horizonte...
Quem sabe um dia, pacote e gaivota possam voltar...
terça-feira, março 30, 2010
De ritos de passagem, marcos e pequenas mortes
Quando a morte completa não é possível, precisamos, pelo menos, de pequenas mortes. Ritos de passagem, marcos, a deixar claras as ruturas necessárias, a demarcar - a partir daqui, as coisas já não são do mesmo jeito.
Cortar o cabelo, deletar, rasgar, queimar arquivos ou coisas...
Qualquer coisa menos grave, mas que sirva para explicar a si próprio que... as coisas não são, e possivelmente não serão, como eram antes.
Mas que nos mantenha vivos. A maior parte, pelo menos.
segunda-feira, março 22, 2010
volta pra casa
Meus lábios entreabertos
Umedecem-nos vossas salivas
Minha boca
Teus lábios
Nossos beijos
querem fundir-se
misturar-se
e ainda ser eu, vós, nós
para sentirmos
sepa-rada-mente
cada gosto e tom e cor
da mistura
um tal tocar creio que queime.
o só querer sufoca mais...
cajá
tua saliva doce
caroço de cajá fosse
morreria engasgado - goulart gomes)
segunda-feira, março 15, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
abdicando de alguns minutos de sono
e para cortar unhas, que afinal seres vivos também precisam de manutenção
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
sábado, janeiro 30, 2010
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Sonhei com uma garota essa noite.
Foi forte. Intenso.
Nos atraímos, nos beijamos, nos tocamos. Transamos.
Ela já sabia que gostava de garotas antes de mim, e não houve vergonhas ou receios.
Ainda assim ela não sabia se queria, se era possível, se algum dia parariam de fingir que era só uma brincadeira que não precisava ser levada a sério, ou de lhe apresentar os mais variados caras do caminho.
Mas nos beijamos e rimos, antes e depois.
E eu acordei, mas fiquei com esse bendito sonho no corpo e na cabeça.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Preâmbulo às instruções para dar corda no relógio
Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra-pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você - eles não sabem, o terrível é que não sabem - dão a você um pedaço fŕagil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obessão de olhar a hora certa nas vitrines das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniverśário do relógio.
Ela dói diferente
Corrijo-me: sim, houve um tempo em que o era. Intensamente.
Hoje são esporádicas.
Sempre que dói, entretanto, é presente. A sensação de chumbo do agora e de um passado, de momentos separados por uma corrente inexorável e ingênua. A ponto de dar cores surreais e andar de sonho a tudo que aconteceu.
Ela dói diferente. Dói de verdade.
E é um misto de vontade de pedir desculpas e de dizer que não fiz nada de errado, e de sensação de que nunca saberei o que dizer.
E no fim das contas as lágrimas viram as reticências da dor dessa história que vou levar comigo.
terça-feira, dezembro 29, 2009
um dia
E muito se conversou, e eram muitos os esforços para algo crescer, para tudo deixar de ser apenas princípio. E poucos souberam, mas caminhou-se até o meio.
E por mais que nunca tenham conversado com tranquilidade sobre o assunto, ainda que os acontecimentos daquele dia estejam para sempre esfumaçados e envoltos em surrealidade sutil, tudo de fato ocorreu.
Dali se poderia dizer que tudo mudaria, que laços haviam sido criados e - mais importante que isso - a abertura e a reciprocidade, a despeito de receios e timidezes, estavam ali, palpitantes.
Dali se poderia dizer que tudo mudaria, mas talvez só uma pessoa pudesse dizer que aquele fora precisamente o início do desandar da carruagem. Talvez nem essa personagem o pudesse. Apesar do inegável retraimento, poder-se-ia dizer que ainda ali havia, no mínimo, uma equilibrada mistura entre curiosidade e receio.
Mas as doses e ritmos de cada um dificilmente acompanham um mesmo compasso. E somente uma pessoa poderia dizer que teria se jogado de cabeça, naquele momento, se alguém tivesse dito que iria com ela.
E em verdade mesmo, um mergulho chegou a ser ensaiado. Foram dias ensolarados, laranjas, de brisa e leveza e anseios. E despertares e aromas e jardins.
Em uníssono, poder-se-ia ouvir corações, estômagos e pulmões atrapalhados em parar, respirar, bater, contrair-se, ficarem nervosos, ocuparem-se em dispersar a adrenalina, em disfarçar, em ir adiante, em não parar.
Caminhos desconhecidos trilhados, descobertas, encontros, novos arranjos e hipóteses e possibilidades. E toda uma nova paleta de modos de olhar e sorrir e entender o modo de ser das coisas e os bom dias... Em um dia que não aconteceu.
O que a alguns faz voar, outros prende ao chão. No preciso dia em que mais portas se abriam, tantas outras se fecharam, quem sabe se não precisamente no mesmo movimento.
As portas abriram-se como que numa dança de desencontros, aqui abrindo, ali fechando, para dar passagem ao outro lado...
Então há sumiços e silêncios. E palavras não ditas, ou pela metade. E preferências.
E lembranças esquecidas, medos, um leve aroma de vinho envelhecido.
O mergulho foi em água fria e dura. E, infelizmente, lançou um quê de amargo ao sabor de tudo que lhe suscitara.
terça-feira, dezembro 22, 2009
sexta-feira, dezembro 18, 2009
quarta-feira, dezembro 16, 2009
sexta-feira, dezembro 04, 2009
segunda-feira, novembro 16, 2009
domingo, novembro 15, 2009
segunda-feira, novembro 09, 2009
De minhas instabilidades. De meus medos e anseios.
Se me fosse dado escolher.
Sentindo-me em algum ponto delicado de rompimento de equilíbrio. Mas é sempre difícil ir além do superficial para mim, nestes momentos.
Tento olhar pra dentro, mas... Sinto vontade de chorar, sinto que não "estou apta" a cumprir com algumas exigências externas e internas, que talvez não sejam reais mas que estão completamente mescladas em meu modo de me perceber em alguns espaços. E são espaços nos quais tenho passado a maior parte de minha vida.
Hoje estou cansada. E me sinto... incapaz de fazer algumas coisas. Optaria por desistir, se fosse fácil. Se fosse trivial. Não é. Não encaro como se fosse. Às vezs, contudo, encaro como se fosse contra minha natureza tentar me manter em algumas das atividades em que estou. Contra meus anseios, desejos, objetivos. Contra minha saúde psicológica. Quiçá contra minhas habilidades técnicas.
E discordo de algumas coisas mas é como se não tivesse o direito de falar nada a respeito, pois não estou cumprindo o meu papel. Sinto-me perdida e inferior. E desajustada em relação aos padrões. E isso tudo me deixa com vontade de chorar, sinto-me sozinha com estes sentimentos, e mais perdida.
Desistir me deixaria com que caminhos pela frente? Visualizo possibilidades vagas, etéreas, quase irreais. Medo de ficar para trás, caso opte por outros rumos. O engraçado é que há muito acho que estou ficando pra trás, exatamente onde estou agora. Medo de estar sendo fraca. Se todos conseguem, por que eu não consigo? Se funciona e agrada a todos.... por que não comigo? Não deveria ter alguma garra para então tentar mudar, ou para me tornar o que acho que devia ser? Tenho pessoas queridas, e a quem admiro, que fazem isso. Meus exemplos externos todos são de pessoas que, mesmo em situações que lhes eram desagradáveis, por vezes extremas, elas foram adiante, deram o melhor de si, se destacaram.
Eu fico chorando pelos caminhos. Perdendo tempo, foco, auto-estima, auto-confiança.
Mas o que emerge dessas percepções não é vontade de lutar dentro desse ambiente para que as coisas sejam diferentes. É vontade de chorar. É vontade de desistir. E descubro que não gosto de pensar em desistir pois em minha cabeça desistir é como fraquejar. Não está associado a perceber que se estava trilhando o caminho errado, ou a mudar de ideias e concepções, ou tomar coragem para ser diferente. É sempre algo negativo. Desistir é pra quem não tem garra de seguir adiante.
Minha vontade é de me encolher em uma cama, em um local escuro, e chorar. Não é uma tentativa de resolver nada. É uma ideia de desabafo físico, quase. Mas nunca saio com uma solução mais rica, duradoura, nunca saio com o propósito mais firme.
Continuo desfocada, com a capacidade de me centrar baixa, extraindo pouco de meus esforços.
Preciso mudar alguma coisa. Algumas coisas. Curar algumas, talvez. Mas é difícil, não consigo saber o quê mirar.
quarta-feira, novembro 04, 2009
do Gato Malhado
[...] Apenas direi que era maviosa a orquestra dos pássaros e que o seu melodioso rumor chegava até o Gato Malhado, solitário no parque. Já não havia futuro com que alimentar seu sonho de amor impossível. Noite sem estrelas, a da festa do casamento da Anorinha Sinhá. Apenas uma pétala vermelha sobre o coração, uma gota de sangue.
quinta-feira, outubro 22, 2009
sexta-feira, outubro 16, 2009
quinta-feira, outubro 08, 2009
"'Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa' - Banner colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia. "
[...]
As limitações do PIB aparecem facilmente através de exemplos. Um paradoxo levantado por Viveret, por exemplo, é que quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska, foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas. O PIB mede o fluxo dos meios, não o atingimento dos fins. Na metodologia atual, a poluição aparece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar. As pessoas que jogam pneus e fogões velhos no rio Tieté, obrigando o Estado a contratar empresas para o desassoreamento da calha, contribuem para a produtividade do país. Isto é conta?
[...]