Tenho algo que me machuca o peito.
É algo que me acompanha durante o sono - em sonhos ruins, a me acordar, vez por outra, no meio da noite, com vontade de me encolher, e chorar, sozinha, baixinho.
Que me acompanha, por vezes, de manhã, com ou sem sonhos ruins, apertando, doendo no peito, e encaro o dia com tristeza, mas sigo adiante com resignação.
Por vezes, parece corroer. É quando mistura-se com a ansiedade do desconhecimento, e então cavo, dentro, fora, invento - qualquer coisa para dar forma a esse doer, esse chorar interno, isso que às vezes vira frio, e às vezes parece impossível processar, e causa embrulho em minhas entranhas.
Por vezes, respiro. Olhar e passos que luto para que sejam firmes. Mãos nos bolsos, a guardar-se para um carinho que está além.
Respiro, e penso que não posso me machucar, que não me levará a nada, não construirá nada, e fará mal, fará mal...
Às vezes, sinto esperança. Creio, desejo, que meus anseios sejam também os de outro, ou que... que na verdade seja só impressão minha que faz parecer que aumentou-se a distância, diminuiu o afeto. Ou penso que... talvez, apesar de ter sido deixada de lado, não tenha sido de fato, e quem sabe...
Quem sabe...
O medo, contudo, é monstro escuro e frio a pesar a paz, a dizer-me "não, não é isso que se deseja, que se busca, que se está tentando construir".
Continuo, em parte, incerta. Oscilo entre o amor, o desejo que cuidá-lo, senti-lo, cultivá-lo, e o medo, o medo, o medo.
O amor não fica de lado. Ele é parte importante de mim. E me acompanha, riso, tristeza, leveza ou choro, em cada dia que amanheço.
...
O problema é que às vezes fica difícil respirar.
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