(Nada específico que ultrapasse a vontade, pura e simples, de escrever. E, no entanto, a pompa de fazê-lo em um papel "melhor", com uma caneta de tinta, torna este texto banal alguma carta que algum grande poeta escreveria à noite, em sua escrivaninha, no quarto escuro.)
Apenas um ponto de luz, amarelada, torna possível a ele ver o que escreve. Está em frente à janela, mas olha basicamente para dentro de si. Vez ou outra fita um ponto qualquer, perto-longe.
É tarde, mas o tempo estará congelado para sempre, enquanto Ele ali estiver. E, entretanto, todos os acontecimentos da vida ocorrerão, enquanto Ele ali estiver. É possível vê-lo impávido e alheio, a escrivavinha e o quarto girando em meio ao vendaval que se forma com a passagem exageradamente rápida dos anos. É possível que o mundo pare.
A folha parou de cair. A vela queima sem derreter; o fogo não tremula. Alguém está eternamente lavando louça em uma cozinha, pois O Poeta escreve em sua escrivaninha.
Não, Ele não é Deus, nem deus.
Ele
é apenas
o Grande Escritor
e escreve.
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