segunda-feira, março 05, 2012

carente, sensível, nostálgica, levemente chorosa...

terça-feira, fevereiro 28, 2012

#fato

d.l., the lover's dictionary

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

There ain't much that's dumber - than pinning your hopes on a change in another

Ela podia ter depositado aquele cheque na hora certa. Podia ter ficado em casa, e marcado de fazerem alguma coisa outro dia, com calma, e que fosse realmente divertida. Ou podia não ter dito nada quando ele chegou. Não havia mais a pressa, afinal... A agência estava vazia, não havia muita gente na fila. Ela não precisava nem ter subido, podia muito bem ter esperado ele chegar - já que não podia resolver nada sem ele, mesmo.

Ou poderia, pelo menos, ter pedido desculpas quando ele explodiu, ao ver a reação dela, logo quando se encontraram. Podia ter sorrido, dito qualquer coisa, e feito tudo se dissolver mais rapidamente. Ou ao menos tentado. Podia não ter jogado fora a senha que tinha pego - uma atitude obviamente agressiva -, mas naquele momento já estava machucada e queria descontar n'algo. Ela podia ter sentado ao lado dele e comentado qualquer coisa sobre o caminho, ou o cheque, ou a senha dele, ou sobre os livros que trouxera para eles lerem enquanto esperavam. Qualquer coisa diferente de fechar a boca, a cara, os olhos, e fingir que estava em qualquer outro lugar...

Ela poderia ter aproveitado quando ele a chamou para acompanhá-lo no caixa para quebrar o clima. Falado finalmente algo sobre a situação, ou o motivo de o depósito não ter sido aceito. Poderia ter feito uma piada semi-maldosa acerca de sua mãe, que lhes colocara naquela enrascada e nem estava lá agora, quando ambos tinham desviado de seus planos daquele dia para resolver um problema que não era de nenhum deles. Qualquer coisa diferente de contiuar com aquela cara que denotava tão ostensivamente que tinha sido magoada e não queria esquecer aquilo.

Ela poderia ter tentado melhorar as coisas enquanto desciam as escadas e se dirigiam para o carro. Perguntado o que fariam agora, se ele gostaria de parar para comer o sanduíche de salsicha alemã, ou se tinha visto o acidente, quando se dirigia para o Banco.

E eles poderiam não ter tentado defender tão agressivamente seus pontos de vista, quando tentaram conversar sobre o assunto, ainda no estacionamento, longe do carro, antes de ir embora. Ela poderia ter abandonado seu apego à magoa e ao modo como se sentira quando ele falara, ter se aberto para a possibilidade de que algo do que dissera o tivesse magoado - não temos controle sobre isso, afinal -, ter pedido desculpas e ter oferecido uma carona...

Ela poderia ter feito qualquer coisa que evitasse sua ida de um ponto ao outro da cidade apenas para ter uma discussão feia que lhe partiu o coração, por uma coisa absolutamente boba, e voltar para casa com aquele aperto no peito e as lágrimas a escorrerem por seu rosto.

E, definitivamente, ela poderia ter evitado ficar escrevendo ao celular, enquanto cobria o percurso de volta, enfrentando o conturbado tráfego de fim de tarde da cidade. Poderia ter deixado o aparelho quieto, esperado chegar em casa - ou, ao menos, um sinal fechado.

Ela então poderia ter visto a moto a tempo. Teria reduzido, freado, desistido da conversão à esquerda. E não precisaria desfazer a manobra às pressas. Nem se chocaria com o caminhão dirigido a toda velocidade por um motorista desatento. O carro não teria a lateral destruída pela força da batida contra os imponentes pneus. O vidro da janela não teria estilhaçado em seu rosto molhado. A porta não teria se dobrado contra seu frágil corpo de menina. As rodas não teriam, por fim, batido violentamente contra o meio-fio, nem as malditas leis da Física, que nunca compreendera muito bem, teriam feito o carro capotar e soltar todo o peso sobre si, quando ele finalmente parou, rodas girando no ar.

Ela teria chegado em casa mais tarde, talvez sem tempo para fazer o que tinha decidido fazer quando aquele dia começara. Mas... ao menos, estaria lá, no fim do dia.

Agora, uma parte dela havia invariavelmente morrido, naquele acidente, enquanto voltava para casa. Pouco importava que continuasse viva, e pudesse chegar, deitar na cama, chorar a briga. Porque, no fim das contas, a garota que chorava distraída batera no caminhão imaginário, no meio de seu percurso, imersa em tristezas recentes e antigas. Não havia sobrevivido. Nunca mais choraria.

domingo, fevereiro 26, 2012

needing is one thing and getting... getting is another.

domingo, fevereiro 19, 2012

“What is the word for the precise moment when you forget how it felt to make love to someone you really liked a long time ago?”
Delirium

Não sei que palavra é. Mas só consigo imaginar que seja uma muito triste...
Acho que uma das coisas que mais me faz gostar de olhar pra trás é perceber que estou vivendo. E mudando...

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Muito acontece aqui dentro. Preciso de tempo para respirar, processar, sentir... Pensar... Talvez escrever.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Escreva o que vê

(ou uma ligeira variação disto)

Acordou cedo, com o despertador. Sentiu que tinha o direito de dormir mais um pouco, após ter tido seu sono interrompido durante a madrugada para ter notícias de amigos notívagos. Enroscou-se um pouco entre travesseiros e cobertas, sorriu, com a sensação de ter tido algum sonho bom. Fechou os olhos... mas logo o despertador tocou novamente. Ainda uma vez decidiu que dormiria um pouco mais - informou isso ao alarme do celular. Ensaiou outro mergulho na maciez da roupa de cama. Sorriu de leve, novamente. Mas em poucos minutos já tinha aberto os olhos, apreciado a claridade do dia, e realizado que não poderia continuar na cama. Aquele era seu último dia antes da viagem. Sua mala não estava pronta. Tinha um compromisso do outro lado da cidade em menos de três horas. E ainda tinha outros assuntos a resolver...

Abriu a cortina puxando-a com os dedos dos pés. A luz dourada do sol penetrou diretamente no quarto. Observou a luminosidade em sua pele, corando o corpo ligeiramente bronzeado - cena bonita, pensou. Também pensou que gostaria de ir à praia, sentir a areia, tomar um pouco mais de sol, antes de despedir-se rumo a um mundo muito mais cinza. Girou o corpo, ainda deitada. Dois gatos a observavam, misto de sono e expectativa. Ela havia os reacostumado a comer cedo, para ter, assim, um despertador natural todas as manhãs. Agora, se sentiam no direito de miar e miar, tão logo ela abria os olhos. Mexeu-se. Desligou o ventilador, saiu da cama, recuperou a xícara de chá da noite anterior e bebericou. Ainda estava bom, mas já tinha o gosto ligeiramente velho.

Dirigiu-se, ainda nua, para a sala. Enquanto aguardava o computador ligar, foi até a cozinha para ver se havia algum recado para si. "Que tal levar um pedaço de bolo para Márcio e Beatriz? De boas vindas?"  Gostou da ideia. Voltou ao computador - precisava checar e-mails, dar uma notícia para o irmão, inteirar-se das mensagens da noite. Fora dormir cedo, após passar algum tempo lendo, e então sabia que estaria desatualizada das últimas coisas que sua mãe, seus amigos e seus sócios e companheiros de viagem teriam dito no dia anterior.

Lembrou-se da mensagem que recebera de madrugada. Releu-a, para recuperar o endereço que deveria visitar. Cactos e rosas... Exercício. Leu-o. Gostou da ideia. Reconheceu a história narrada. Sorriu para a amiga distante. Sentiu fome. De volta à cozinha, preparando seu café da manhã, perguntou-se o que teria levado a outra a dedicar-lhe o exercício.

Abacate. Seria a afinidade com a escrita? Açúcar. As ruivas que apareciam? Limão. Talvez o seriado descrito? Amasse bem, misturando os ingredientes. Só não gostaria que fosse uma forma de, sutilmente, criticar seu comportamento, por aproximação a atitudes descritas no texto... Entristeceu-se um pouco, pensando nessa possibilidade.

Razões de dedicatória à parte, ainda precisava responder. Ainda mexendo o abacate, ponderava se escreveria um comentário, mandaria uma mensagem, ou... Sem muito esforço, distanciou-se de si mesma. Observou-se na cozinha, de manhã, nua, fazendo o café da manhã.

Quando voltou para o computador, já sabia o que fazer. Abriu seu próprio blog, e começou a (d)escrever.

(Dedicado ao post homônimo :-) )

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Tema para conto

Ela demorou muito tempo para perceber. Mas, enfim, se deu conta: gostava das pessoas e reagia a elas de acordo com o que viriam a sentir por ela, em um futuro próximo.

terça-feira, janeiro 31, 2012

I won't say how I wish you were here. I won't say anything. I'll just stand still, quite, and let time pass by. Time has been the best friend in such situations. And it still is...
 ...
Nunca me esquecer de que a vida, como os corpos no cosmos, dá muitas voltas. O que muda é a velocidade e o ritmo...

...

O final é quando você desiste.
s.v.

domingo, janeiro 29, 2012

Do tempo...

Estou viva.

O tempo passa, a vida continua com suas reviravoltas e cenas imprevistas. Mais uma vez, aos poucos, vou me sentindo bem, voltando ao eixo, me fortalecendo...

Estou viva. É bom escrever isso. É ainda melhor viver isso.

Careço de disciplina, muitas vezes. Ainda tenho muito a aprender. A respirar. A caminhar.

Mas estou aqui, olho os caminhos percorridos e me alegro por saber que estou aqui, que passei por um bocado de coisa - muito desespero e incerteza e vazio -, mas por muitas várias razões continuo aqui. Melhor: continuo seguindo. Não estou no mesmo lugar. Isso é bom.

Olhar pra trás me dá a sensação de que a vida pode seguir uma porção de rumos imprevisíveis, e isso, mais do que me dar medo, me deixa com mais vontade de viver, pra saber o que vem por aí.

Eu 'tou viva. Quis desaparecer. Quis sumir. Quis fugir. Quis morrer. Quis chorar até deixar de ser.

Mas um tanto de pessoas e seres maravilhosos me ajudaram a perceber que tinha muito ainda pra acontecer, e me apoiaram de um sem número de formas.

E agora estou viva, e posso continuar a crescer... E, por tudo isso, sou imensamente grata.

De processos, mangas e paixão

(...)
- Se fazer cinco piruetas fosse fácil, não acha que todos os bailarinos do mundo fariam? Cunxin, já comeu manga?
- Não - respondi, tentando adivinhar o que ele queria dizer.
- Manga é uma fruta maravilhosa, com um gosto único! Só é encontrada em algumas regiões do mundo e, assim mesmo, em determinada época do ano. Quero que pense nas piruetas como se fossem mangas. Se eu lhe desse uma manga agora, o que faria?
- Comeria.
- Que apressado! - ele disse, rindo.
- Por quê? O senhor não comeria?
- Para que tanta impaciência? Entendo que quisesse provar o gosto da fruta, mas o melhor é o processo: primeiro, admirar a forma, observar a cor, sentir o cheiro, tirar a casca, cortar em pedaços. Talvez, provar a casca e o caroço. E só então a satisfação final: a polpa. É isso. É preciso aproveitar cada etapa do processo, experimentar as várias camadas, aproveitar tudo. Quero que você trate as piruetas do mesmo modo. Ouse! Descubra o segredo e a essência das piruetas. Se não passar por todas as etapas para depois chegar à polpa, outro fará isso. Então, faça você!
    O professor Xiao e sua manga me despertaram a imaginação. Eu me desafiei a ir adiante, a experimentar novas sensações. Com paixão, comecei a apreciar cada etapa do processo.
L.C. Adeus, China - O Último Bailarino de Mao. pp. 223

sábado, janeiro 28, 2012

Lembranças e aprendizados

O que vale a pena guardar?

O que vale a pena manter?

Great expectations...

... usually come with great frustrations.

domingo, janeiro 22, 2012

Não há como capturar tua essência

Não há como capturar
    tua essência
Para bem registrar cada
    teu mínimo detalhe
    de cor e encantadora beleza,
Precisaria manter a lente
    ou os olhos muito abertos
    e, então,
    infelizmente temo,
tua mágica brancura
o fulgor de teus cabelos
a intensidade de teu olhar
Haveriam de ofuscar quaqluer
    representação
    E roubar qualquer tentativa
de sorver-se o ar
ou aquietar o peito.
Lua alva que
    por mais que abra
    a janela não logro
    avistar!
Ei de cantar-te sempre
Eterna serás em meu sonhar

És já, novamente,
    sonho.
E tão imaterial
    e impalpável
Quanto o eras antes
    de em teus olhos
    respirar

Quero me ver refletida
em tua brancura
Tenho febre de tua pele
dezembro de 2008

divagações e visões de mundo

Me pergunto o que Sartre pensava daquela famosa frase do Saint-Exupéry...

sábado, janeiro 21, 2012

Encontrei uma galinha hoje.

Ela buscava segurança. Eu, silêncio.
Observei-a enquanto tentava dormir um pouco.

Depois, me despedi e fui embora.

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O pneu furou no meio do caminho, e então tive de andar, pra não esquecer que, com paciência, tudo se resolve...

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Os acontecimentos dos últimos dias têm sido tão pesados e cheios de mal-entendidos que - percebi agorinha - comecei a ficar com medo quando as pessoas - qualquer pessoa! - vêm falar comigo...

*suspiro*

...

terça-feira, janeiro 17, 2012

Eu posso pintar. Trabalhar. Escrever.
Estudar. Me cuidar.
Eu vou aprender. Aprender e crescer.
Eu vou caminhar.
Vou viver.
Mas não quero me acostumar com tua ausência. Tua distância.

Não posso ficar parada, vendo os dias passarem. Não posso chorar por tudo. Não posso dormir sempre.
abril de 2010