There are no mysteries,
there's nothing new, either.
I'm the same person.
The same old shell:
sometimes opened, sometimes tightly closed.
Rarely empty.
Except for these tears that roll
only when they want
and become small spots of pain
and grayness inside.
I'll cry not.
Not now.
I'd rather write
or yell
or fight
or run
'till I'm breathless
speechless.
Letting everything
(watching everything)
come.
Letting everything
(watching everything)
go.
Waiting until I'm ready.
'Till they are ready.
Then they're like a storm,
a waterfall, washing over me
flooding me.
Cry me a river, they say.
I could cry several.
But I can't ever really reinvent myself.
Only some lines, maybe.
Hardly full of mysteries.
Never completely new.
terça-feira, agosto 27, 2013
sexta-feira, agosto 16, 2013
vagamundo
É uma armadilha, penso. Não me movo. Estou rodeado de lixo pelo norte e pelo sul, o lixo me toma de assalto de leste a oeste. E o lixo que avança, não eu, ou talvez, seja esse fedor a fermento e tripas em decomposição que me encurralam e me vão traçando para asfixiar-me e eu penso que é uma cilada, o primeiro poço de pretóleo não existiu nunca, nunca houve, nunca poderei sair daqui, não sei por onde vim e não há estrelas para me guiarem. Me deixo cair sob o sol em chamas e com a cabeça apertada entre o joelho rogo que caiam em cima de mim a noite ou a chuva.
e.g.
sábado, agosto 03, 2013
Lacônico, conciso e enigmático.
era uma vez.
era uma vez o quê?
era uma vez.
só isso.
daí, depois, fim.
u_u
era uma vez o quê?
era uma vez.
só isso.
daí, depois, fim.
u_u
domingo, junho 30, 2013
...
- Afinal... - continuou o médico, e voltou a hesitar, olhado para Tarrou com atenção. - É uma coisa que um homem como o senhor consegue compreender, não é verdade? Já que a ordem do mundo é regulada pela morte, talvez convenha a Deus que não acreditemos nele e que lutemos com todas as nossas forças contra a morte, sem erguer os olhos para o céu, onde ele se cala.
- Sim - concordou Tarrou -, compreendo. Mas as suas vitórias são sempre efêmeras, nada mais.
O semblante de Rieux pareceu anuviar-se.
- Sempre, bem sei. Não é uma razão para deixar de lutar.
- Não, não é uma razão. Mas imagino então o que esta peste significa para o senhor.
- Sim - tornou Rieux. - Uma interminável derrota.
Tarrou fixou um momento o médico. Depois levantou-se e caminhou pesadamente para a porta. Rieux seguiu-o. Alcançava-o já quando Tarrou, que parecia olhar para os pés, lhe perguntou:
- Quem lhe ensinou tudo isso, doutor?
A resposta veio imediatamente.
- A miséria.(...)
Está certo. Mas não se cumprimenta um professor por ensinar que dois e dois são quatro. Talvez o felicitemos por ter escolhido esta bela profissão. Digamos, pois, que era louvável que Tarrou e outros tivessem escolhido demonstrar que dois e dois eram quatro e não o contrário, mas digamos também que essa boa vontade lhes era comum à do professor, que, para honra do homem, são mais numerosos do que se pensa, ou pelo menos esta é a convicção do narrador. Aliás, este compreende muito bem a objeção que lhe poderia ser feita, ou seja, que esses homens arriscavam a vida. Mas chega sempre uma hora na história em que aquele que ousa dizer que dois e dois são quatro é punido com a morte. O professor sabe muito bem disso. E a questão não é saber qual é a recompensa ou o castigo que espera esse raciocínio. A questão é saber se dois e dois são ou não quatro.
Com efeito, os que se dedicaram às comissões sanitárias não tiveram um mérito tão grande em fazê-lo, pois sabiam que era a única coisa a fazer, e não se decidir a fazê-lo é que teria sido incrível. Essas comissões ajudaram os nossos concidadãos a penetrar mais na peste e persuadiram-nos, em parte, de que, uma vez que a doença existia, deviam fazer o necessário para lutar contra ela. Porque a peste se tornava assim o dever de alguns ela surgiu realmente como era, isto é, o problema de todos.
a.c. a peste.
(grifo meu)
sábado, junho 29, 2013
We should be mad as hell...
E se toda a onda de violência e repressão às manifestações passar; se o preço da tarifa baixar, congelar, zerar; se gay não se precisar curar; se MP investigar; se a gente não precisar votar; se D "cair" pra A, S ou M subir; se o Estado encolher ou inchar...
Uma quantidade absurda de pessoas continuará morrendo de fome; uma quantidade absurda de mulheres continuará sendo violentada; uma quantidade surreal de lixo continuará sendo despejada em terras de pessoas que não são pessoas, longe das costas que nossos olhos vêem; crianças continuarão a ser tratadas como marginais pelo crime de terem nascido do lado errado de linhas imaginárias ou sem pilas nas contas bancárias.
E não vão mudar as mãos que controlam tudo isso, não haverá dança nas cadeiras nas salas de quem realmente mexe nisso tudo e tem teias de aranha na bunda de tanto, tanto tempo que está no poder, enriquecendo às custas dos que sempre, sempre, por gerações e gerações, terão e serão menos...
A violência está aí o tempo todo. Surda, muda, para nós, acostumados (à força ou por hábito) a não vê-la e, principalmente, a não senti-la.
Ou enlouquecemos de vez e pra sempre e abrimos os olhos e olhamos até doerem, até haver lágrimas mesmo sem gás, até voltar a não fazer sentido ver uma criança lavando o vidro de seu carro enquanto seu filho está confortavelmente no ar condicionado sendo levado para o colégio que não o fará uma pessoa melhor, ou... Sei lá. Tudo vai continuar exatamente como está. Com algumas camadinhas de cal pra disfarçar.
(E, se não olharmos para o lado certo, continuaremos xingando, cuspindo e batendo nos joão bobo que se nos apresentam como alvos, mártires, bodes expiatórios, algozes, culpados...)
(E, se não olharmos para o lado certo, continuaremos xingando, cuspindo e batendo nos joão bobo que se nos apresentam como alvos, mártires, bodes expiatórios, algozes, culpados...)
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sexta-feira, junho 14, 2013
...
um dos grandes méritos dessa nossa merda de democracia
ou de nossa democracia de merda
é que o mundo não para de girar enquanto coisas surreais estão acontecendo
não para de girar pra irmos ou acompanharmos manifestações
não para de girar quando os países da África são soterrados de lixo tecnológico
não para de girar quando 1 bilhão de pessoas sente fome, todos os dias
dia após dia
ele continua girando
e a gente tem que ficar girando com ele
mantendo a porra da máquina girando
oxalá todos parássemos, um dia
uma, duas, trinta vezes
pelas balas, pelas bombas, pelos cacetetes, pelos semáforos com crianças nas ruas, pelos estupros, pela fome, pela obesidade, pelo photoshop, pelas propagandas de carro, futebol e cerveja
saco.
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terça-feira, junho 11, 2013
domingo, junho 02, 2013
domingo, maio 05, 2013
Acontece o tempo todo >.<
That awkward moment when you don't want things to be awkward... But you don't know what to do to avoid it.
...continuar a encenar, quando não há plateia, por vezes é difícil...
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Às vezes me sinto presa em mim (ou) em minha própria existência. São momentos de falta de ânimo ou perspectiva, em que sinto vontade de apenas seguir qualquer corrente que me afaste da necessidade de ter de fazer qualquer coisa muito maior do que consumir pílulas de lazer - como ler uma história ou assistir a um vídeo. Momentos de deixar as horas escorrerem. E de ter medo, medo, medo, medo de não fazer nada. Até chegar o dia não haver mais nada a ser feito sobre isso.
É um círculo vicioso que, das últimas vezes que apareceu, consegui romper com uma noite de sono. Ou uma ida à praia, ou sair - sozinha ou com amigos. Mas já houve fases de ser mais difícil combatê-lo. E de realmente achar que poderia acabar ficando presa n'algo assim. Como podemos ser tão presas de nossas variações internas?
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terça-feira, abril 30, 2013
sufocamento, angústia, vontade de fugir ou chorar
meu silêncio
não significa
uma porta aberta
para você falar
não significa
uma porta aberta
para você falar
Criaturas da noite
Solange, Rainha, poetisa, presenteadeira.
E Gerônimo (muito, muito antes). Menino, depois homem feito. Com memória.
E Oscar, argentino, andarilho, engenheiro de minas, artesão. Apreciador de café.
E Diego. E um nome difícil de lembrar, que acho que era Eirã.
E André, que teve de fazer mingau de aveia para sua esposa, porque a farinha de trigo está mais cara do que comprar leite e aveia.
E Flávio Ricardo, que me orientou a tomar cuidado ao dirigir.
E Elisângela? Que me pediu mantimentos, roupas.
E o senhor que se iluminou quando lhe dei boa noite, ontem. Transformando-se de estranho suspeito em vizinho voltando pra casa tarde da noite.
E assim, e tantos, e mais um. Que sempre possa respeitar, reconhecer, lembrar...
E Gerônimo (muito, muito antes). Menino, depois homem feito. Com memória.
E Oscar, argentino, andarilho, engenheiro de minas, artesão. Apreciador de café.
E Diego. E um nome difícil de lembrar, que acho que era Eirã.
E André, que teve de fazer mingau de aveia para sua esposa, porque a farinha de trigo está mais cara do que comprar leite e aveia.
E Flávio Ricardo, que me orientou a tomar cuidado ao dirigir.
E Elisângela? Que me pediu mantimentos, roupas.
E o senhor que se iluminou quando lhe dei boa noite, ontem. Transformando-se de estranho suspeito em vizinho voltando pra casa tarde da noite.
E assim, e tantos, e mais um. Que sempre possa respeitar, reconhecer, lembrar...
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Poema bruto
O adocicado aroma dos jasmins toma conta do frio ar da noite.
sei das malditas exceções, mas isto não me impede de descobrir sorrisos quase sempre, quando encaro estranhos desarmada, na noite.
Os ecos de uma violência que não vivi, que vivemos todas, ressoam, encerram, encolhem
mas...
acaso não será o olhar furtivo e assustadiço para trás
que nos dá a amedrontadora sensação de perseguição?
Cerro o portão.
A senhora se aproxima.
Segue seu rumo, recurvada de tempo.
sei das malditas exceções, mas isto não me impede de descobrir sorrisos quase sempre, quando encaro estranhos desarmada, na noite.
Os ecos de uma violência que não vivi, que vivemos todas, ressoam, encerram, encolhem
mas...
acaso não será o olhar furtivo e assustadiço para trás
que nos dá a amedrontadora sensação de perseguição?
Cerro o portão.
A senhora se aproxima.
Segue seu rumo, recurvada de tempo.
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domingo, abril 07, 2013
às vezes de poesia erótica e culinária
Como um(a) amante diligente em busca de sorver as últimas gotas de porra, ligo novamente a cafeteira de fogão, após servir todo o café. Com prazer de quem sabe extrair os últimos sumos, sirvo as últimas gotas, tiradas a febre e pressão.
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quarta-feira, abril 03, 2013
...
a vida é como um rpg sem ficha
(e como eu queria, às vezes, ter uma ficha para conseguir saber quais meus pontos fortes e fracos...)
(...)
às vezes (como hoje) sinto que sou péssima para tarefas cabeçudas. ou me sinto medíocre no geral.
e penso em meus amigos e vejo que estou cercada de pessoas fodásticas. me sinto orgulhosa deles. e fico pensando em que serei também eu boa...
a vida é como um rpg sem ficha
(e como eu queria, às vezes, ter uma ficha para conseguir saber quais meus pontos fortes e fracos...)
(...)
às vezes (como hoje) sinto que sou péssima para tarefas cabeçudas. ou me sinto medíocre no geral.
e penso em meus amigos e vejo que estou cercada de pessoas fodásticas. me sinto orgulhosa deles. e fico pensando em que serei também eu boa...
sábado, março 30, 2013
A sexta feira não é santa
Quase não tinha dentes. Chamava-se Solange, Rainha. Disse-me que era de Yansã. E poetisa. Recitou sobre o amor, bálsamo da vida. Falou da casca do Pelourinho, que é sua casa, mas não a parte que se vê. Chamou Bahia madrasta. Disse que era seu aniversário, e que era soropositiva.
Me explicou a matemática da reciclagem - 73 latas dão um quilo, um quilo são noventa centavos. E dos valores. Meu milk shake. Um prato de feijão, com suco e pimenta. Mas eu sou gringa, eu posso...
Deu-me um desenho, uma caneta, uma fita do senhor do Bonfim (tomo o cuidado de não deixar que a amarre em meu pulso).
Eu lhe dou atenção, sorrisos, dois reais, um cigarro.
E saio me sentindo falsa dentro do mundo. Ou da vida. Ou do corpo...
Me explicou a matemática da reciclagem - 73 latas dão um quilo, um quilo são noventa centavos. E dos valores. Meu milk shake. Um prato de feijão, com suco e pimenta. Mas eu sou gringa, eu posso...
Deu-me um desenho, uma caneta, uma fita do senhor do Bonfim (tomo o cuidado de não deixar que a amarre em meu pulso).
Eu lhe dou atenção, sorrisos, dois reais, um cigarro.
E saio me sentindo falsa dentro do mundo. Ou da vida. Ou do corpo...
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