meu silêncio
não significa
uma porta aberta
para você falar
terça-feira, abril 30, 2013
Criaturas da noite
Solange, Rainha, poetisa, presenteadeira.
E Gerônimo (muito, muito antes). Menino, depois homem feito. Com memória.
E Oscar, argentino, andarilho, engenheiro de minas, artesão. Apreciador de café.
E Diego. E um nome difícil de lembrar, que acho que era Eirã.
E André, que teve de fazer mingau de aveia para sua esposa, porque a farinha de trigo está mais cara do que comprar leite e aveia.
E Flávio Ricardo, que me orientou a tomar cuidado ao dirigir.
E Elisângela? Que me pediu mantimentos, roupas.
E o senhor que se iluminou quando lhe dei boa noite, ontem. Transformando-se de estranho suspeito em vizinho voltando pra casa tarde da noite.
E assim, e tantos, e mais um. Que sempre possa respeitar, reconhecer, lembrar...
E Gerônimo (muito, muito antes). Menino, depois homem feito. Com memória.
E Oscar, argentino, andarilho, engenheiro de minas, artesão. Apreciador de café.
E Diego. E um nome difícil de lembrar, que acho que era Eirã.
E André, que teve de fazer mingau de aveia para sua esposa, porque a farinha de trigo está mais cara do que comprar leite e aveia.
E Flávio Ricardo, que me orientou a tomar cuidado ao dirigir.
E Elisângela? Que me pediu mantimentos, roupas.
E o senhor que se iluminou quando lhe dei boa noite, ontem. Transformando-se de estranho suspeito em vizinho voltando pra casa tarde da noite.
E assim, e tantos, e mais um. Que sempre possa respeitar, reconhecer, lembrar...
Marcadores:
cotidiano,
pulga filosófica,
rascunhos
Poema bruto
O adocicado aroma dos jasmins toma conta do frio ar da noite.
sei das malditas exceções, mas isto não me impede de descobrir sorrisos quase sempre, quando encaro estranhos desarmada, na noite.
Os ecos de uma violência que não vivi, que vivemos todas, ressoam, encerram, encolhem
mas...
acaso não será o olhar furtivo e assustadiço para trás
que nos dá a amedrontadora sensação de perseguição?
Cerro o portão.
A senhora se aproxima.
Segue seu rumo, recurvada de tempo.
sei das malditas exceções, mas isto não me impede de descobrir sorrisos quase sempre, quando encaro estranhos desarmada, na noite.
Os ecos de uma violência que não vivi, que vivemos todas, ressoam, encerram, encolhem
mas...
acaso não será o olhar furtivo e assustadiço para trás
que nos dá a amedrontadora sensação de perseguição?
Cerro o portão.
A senhora se aproxima.
Segue seu rumo, recurvada de tempo.
Marcadores:
cotidiano,
devaneios,
poemas,
pulga filosófica,
rascunhos
domingo, abril 07, 2013
às vezes de poesia erótica e culinária
Como um(a) amante diligente em busca de sorver as últimas gotas de porra, ligo novamente a cafeteira de fogão, após servir todo o café. Com prazer de quem sabe extrair os últimos sumos, sirvo as últimas gotas, tiradas a febre e pressão.
Marcadores:
cotidiano,
devaneios,
fragmentos,
rascunhos
quarta-feira, abril 03, 2013
...
a vida é como um rpg sem ficha
(e como eu queria, às vezes, ter uma ficha para conseguir saber quais meus pontos fortes e fracos...)
(...)
às vezes (como hoje) sinto que sou péssima para tarefas cabeçudas. ou me sinto medíocre no geral.
e penso em meus amigos e vejo que estou cercada de pessoas fodásticas. me sinto orgulhosa deles. e fico pensando em que serei também eu boa...
a vida é como um rpg sem ficha
(e como eu queria, às vezes, ter uma ficha para conseguir saber quais meus pontos fortes e fracos...)
(...)
às vezes (como hoje) sinto que sou péssima para tarefas cabeçudas. ou me sinto medíocre no geral.
e penso em meus amigos e vejo que estou cercada de pessoas fodásticas. me sinto orgulhosa deles. e fico pensando em que serei também eu boa...
sábado, março 30, 2013
A sexta feira não é santa
Quase não tinha dentes. Chamava-se Solange, Rainha. Disse-me que era de Yansã. E poetisa. Recitou sobre o amor, bálsamo da vida. Falou da casca do Pelourinho, que é sua casa, mas não a parte que se vê. Chamou Bahia madrasta. Disse que era seu aniversário, e que era soropositiva.
Me explicou a matemática da reciclagem - 73 latas dão um quilo, um quilo são noventa centavos. E dos valores. Meu milk shake. Um prato de feijão, com suco e pimenta. Mas eu sou gringa, eu posso...
Deu-me um desenho, uma caneta, uma fita do senhor do Bonfim (tomo o cuidado de não deixar que a amarre em meu pulso).
Eu lhe dou atenção, sorrisos, dois reais, um cigarro.
E saio me sentindo falsa dentro do mundo. Ou da vida. Ou do corpo...
Me explicou a matemática da reciclagem - 73 latas dão um quilo, um quilo são noventa centavos. E dos valores. Meu milk shake. Um prato de feijão, com suco e pimenta. Mas eu sou gringa, eu posso...
Deu-me um desenho, uma caneta, uma fita do senhor do Bonfim (tomo o cuidado de não deixar que a amarre em meu pulso).
Eu lhe dou atenção, sorrisos, dois reais, um cigarro.
E saio me sentindo falsa dentro do mundo. Ou da vida. Ou do corpo...
Marcadores:
andanças,
cotidiano,
por aí,
pulga filosófica,
rascunhos
quinta-feira, março 14, 2013
segunda-feira, janeiro 14, 2013
Achados (e perdidos)
Não sou inquebrável.
Mas sou flexível. E consertável.
Mas sou flexível. E consertável.
Marcadores:
crônicas de meninos e meninas,
fragmentos,
menina espevitada,
por aí
quarta-feira, janeiro 02, 2013
Como é que pode haver coisas que doam e deem vontade de chorar, mesmo depois de tanto tempo? Como sara ou conserta ou resolve ou desembola?
Por vezes, é algo que flutua próximo à superfície, sem porém delinear-se por completo. E fica essa sensação de buraco e eu sequer entendo completamente seus porquês...
domingo, dezembro 16, 2012
16.12.2012. domingo bom
Dá pra viver de crepes, vinho, café, cigarro e pimenta fresca moída na hora?
terça-feira, dezembro 11, 2012
Mais do mesmo
Ao final do dia
findo o expediente
quantos dos rostos cansados
apertados nos ônibus
são negros...?
segunda-feira, dezembro 10, 2012
Sua mente e seu corpo fervilhavam. O corpo, um misto de ódio, cansaço e tristeza. A cabeça, ideias. Abriu o laptop, precisava desesperada e urgentemente transformar aquilo tudo em alguma coisa. Tentou passar o que sentia para a tela em branco, entretanto, sentia que o processo todo era frio demais. Enquanto imaginava que seria algo muito mais verossímil e fluido se pegasse papel e caneta e pudesse extravasar os sentimentos no rascar das linhas da caneta, seu olhar penetrava mais e mais profundamente as formas perfeitas impressas na tela brilhante.
Entrava em transe.
Suas costas doíam. Seu corpo todo doía. Mas não queria parar. Queria, precisava de um momento de catarse, de uma transmutação, de algo.
Foi interrompida por sua mãe.
Fim
Entrava em transe.
Suas costas doíam. Seu corpo todo doía. Mas não queria parar. Queria, precisava de um momento de catarse, de uma transmutação, de algo.
Foi interrompida por sua mãe.
Fim
Marcadores:
cotidiano,
crônicas de seres e cidades,
rascunhos
segunda-feira, novembro 12, 2012
quarta-feira, outubro 17, 2012
Nada de Novo no Front
Os dias se sucedem, e cada hora é ao mesmo tempo incompreensível e natural. Os ataques seguem-se aos contra-ataques, e, lentamente, nos espaços livres das trincheiras, os mortos se empilham. Geralmente, conseguimos trazer de volta alguns feridos; no entanto, alguns ficam estendidos por muito tempo, e nós os ouvimos morrer.
Procuramos um deles em vão durante dois dias. Deve estar deitado de bruços e não consegue mais virar-se. Não há outra explicação para o fato de não o acharmos, pois somente quando se grita com a boca colada ao chão é difícil determinar a direção do grito.
Deve ter levado um mau tiro, um desses ferimentos traiçoeiros, que não são tão graves a ponto de enfraquecer o corpo com rapidez e deixá-lo entorpecido e nem tão leves que permitam suportar as dores com esperança de ficar curado. Kat diz que deve ser um esmagamento da bacia ou um tiro na espinha. Provavelmente, o peito não está ferido, pois, se assim fosse, não teria forças para gritar tanto. E se estivesse ferido em outro lugar qualquer veríamos seus movimentos.
Aos poucos, ele vai enrouquecendo. A voz tem um som tão débil que não se consegue distinguir de onde vem. Na primeira noite, alguns dos nossos homens saíram três vezes para procurá-lo. Mas quando julgaram tê-lo localizado e já começavam a arrastar-se até lá, na próxima vez em que o escutaram, a voz parecia vir de outro lugar.
Procuramos em vão até o amanhecer. Durante o dia, o campo é vasculhado com o auxílio de um binóculo, mas nada se descobre. No segundo dia, a voz fica mais fraca e sente-se que os lábios e a boca ressecaram.
Nosso comandante de companhia prometeu prioridade de licença e mais três dias suplementares a quem o encontrasse. É um prêmio estimulante, mas faríamos o possível, mesmo sem ele, pois é um clamor terrível. À tarde, Kat e Kropp saem uma vez mais da trincheira. Em conseqüência disto o lóbulo da orelha de Albert é arrancado por um tiro. E foi tudo inútil - voltaram sem ele!
Apesar de tudo, compreende-se claramente o que diz. No princípio, gritava somente por ajuda; na segunda noite, deve ter tido febre, pois, em seu delírio, falava com a mulher e os filhos; muitas vezes escutamos o nome Elisa. Hoje, chora, apenas. À noite, a voz diminui, até tornar-se um gemido rouco. Mas ainda continua durante toda a noite. Ouvimos tudo claramente, porque o vento sopra da direção de nossas trincheiras. De manhã, quando julgávamos que tudo já tivesse terminada, ainda chega até nós um estertor.
Os dias são quentes, e os mortos jazem desenterrados. Não podemos ir buscar todos, são saberíamos para onde ir com eles.
Não precisamos, porém, nos preocupar: são enterrados pelas granadas. Alguns têm as barrigas inchadas como balões, assobiam, arrotam e mexem-se. São os gases que se agitam neles.
e.m.r.
(dá vontade de citar o livro inteiro. de sair dando de presente pra todo mundo.)
sexta-feira, outubro 05, 2012
A sua batata estará sendo assada
Ingredientes
4 batatas grandes, do mesmo tamanho (ou não, isso é mais questão de estética e pra não dar briga entre quem for comer xP )
250g de bacon picado
1 cebola grande picada
1 tomate sem pele cortado em cubinhos (bullshit essa história de tirar a pele)
250g de requeijão cremoso
1/2 xícara de cebolinha picada
Sal, pimenta do reino e orégano (a gosto, mas acho que podes usar em outubro, também)
Preparo
Lave bem as batatas, esfregando-as com uma escovinha macia (você só precisa se certificar de que estão limpas, pois elas serão cozidas com casca). Cozinhe-as até ficarem macias. Escorra-as e embrulhe, uma a uma, em papel alumínio. Leve ao forno quente para assar. Frite o bacon, escorra e passe os torresminhos para uma tigela. Retire o excesso de gordura da frigideira e refogue nela a cebola e o tomate. Adicione o bacon (lembre-se de deixar um pouco separado para jogar por cima das batatas, como decoração). Tempere com o sal, a pimenta do reino e o orégano (tenho a intuição de que grãos de mostarda vão bem, também). Misture o requeijão e a cebolinha verde. Retire as batatas do forno. Faça um corte no meio, no sentido do comprimento, e raspe um pouco da polpa (use-a no recheio, misturada com o resto). Recheie as batatas e sirva imediatamente, bem quentinhas (queime bem as mãos no processo).
Rendimento
Poderia dizer que é meio intuitivo, mas isso depende de quão gordas (de espírito ou não) as pessoas são.
Para acompanhar
Coca-cola ou qualquer outra bebida bem digestiva. Sofás, redes, camas, tapetes e qualquer outro lugar em que seja possível capotar depois.
\o/
segunda-feira, outubro 01, 2012
Angústia
Critico.
Minhas palavras são minha arma e escudo.
Minha impaciência, um muro.
Sou agressiva, estourada, ríspida.
Não doce ou leve.
Tampouco prestativa, organizada, inteligente.
Simplesmente não.
-------------------------------------------------------------
Ou talvez seja mau humor extremo.
Tudo errado. Eu errada.
segunda-feira, setembro 17, 2012
Vi ontem um bicho
Se a capacidade de perceber consequências e desdobramentos de suas ações é o que diferencia o homem dos outros animais, alguns de nós há tempos deixamos de ser racionais...
Assinar:
Postagens (Atom)

