quarta-feira, outubro 17, 2012

Nada de Novo no Front


Os dias se sucedem, e cada hora é ao mesmo tempo incompreensível e natural. Os ataques seguem-se aos contra-ataques, e, lentamente, nos espaços livres das trincheiras, os mortos se empilham. Geralmente, conseguimos trazer de volta alguns feridos; no entanto, alguns ficam estendidos por muito tempo, e nós os ouvimos morrer.

Procuramos um deles em vão durante dois dias. Deve estar deitado de bruços e não consegue mais virar-se. Não há outra explicação para o fato de não o acharmos, pois somente quando se grita com a boca colada ao chão é difícil determinar a direção do grito.

Deve ter levado um mau tiro, um desses ferimentos traiçoeiros, que não são tão graves a ponto de enfraquecer o corpo com rapidez e deixá-lo entorpecido e nem tão leves que permitam suportar as dores com esperança de ficar curado. Kat diz que deve ser um esmagamento da bacia ou um tiro na espinha. Provavelmente, o peito não está ferido, pois, se assim fosse, não teria forças para gritar tanto. E se estivesse ferido em outro lugar qualquer veríamos seus movimentos.

Aos poucos, ele vai enrouquecendo. A voz tem um som tão débil que não se consegue distinguir de onde vem. Na primeira noite, alguns dos nossos homens saíram três vezes para procurá-lo. Mas quando julgaram tê-lo localizado e já começavam a arrastar-se até lá, na próxima vez em que o escutaram, a voz parecia vir de outro lugar.

Procuramos em vão até o amanhecer. Durante o dia, o campo é vasculhado com o auxílio de um binóculo, mas nada se descobre. No segundo dia, a voz fica mais fraca e sente-se que os lábios e a boca ressecaram.

Nosso comandante de companhia prometeu prioridade de licença e mais três dias suplementares a quem o encontrasse. É um prêmio estimulante, mas faríamos o possível, mesmo sem ele, pois é um clamor terrível. À tarde, Kat e Kropp saem uma vez mais da trincheira. Em conseqüência disto o lóbulo da orelha de Albert é arrancado por um tiro. E foi tudo inútil - voltaram sem ele!

Apesar de tudo, compreende-se claramente o que diz. No princípio, gritava somente por ajuda; na segunda noite, deve ter tido febre, pois, em seu delírio, falava com a mulher e os filhos; muitas vezes escutamos o nome Elisa. Hoje, chora, apenas. À noite, a voz diminui, até tornar-se um gemido rouco. Mas ainda continua durante toda a noite. Ouvimos tudo claramente, porque o vento sopra da direção de nossas trincheiras. De manhã, quando julgávamos que tudo já tivesse terminada, ainda chega até nós um estertor.

Os dias são quentes, e os mortos jazem desenterrados. Não podemos ir buscar todos, são saberíamos para onde ir com eles.

Não precisamos, porém, nos preocupar: são enterrados pelas granadas. Alguns têm as barrigas inchadas como balões, assobiam, arrotam e mexem-se. São os gases que se agitam neles.

e.m.r.

(dá vontade de citar o livro inteiro. de sair dando de presente pra todo mundo.)

sexta-feira, outubro 05, 2012

A sua batata estará sendo assada


Ingredientes

4 batatas grandes, do mesmo tamanho (ou não, isso é mais questão de estética e pra não dar briga entre quem for comer xP )
250g de bacon picado
1 cebola grande picada
1 tomate sem pele cortado em cubinhos (bullshit essa história de tirar a pele)
250g de requeijão cremoso
1/2 xícara de cebolinha picada
Sal, pimenta do reino e orégano (a gosto, mas acho que podes usar em outubro, também)

Preparo

Lave bem as batatas, esfregando-as com uma escovinha macia (você só precisa se certificar de que estão limpas, pois elas serão cozidas com casca). Cozinhe-as até ficarem macias. Escorra-as e embrulhe, uma a uma,  em papel alumínio. Leve ao forno quente para assar. Frite o bacon, escorra e passe os torresminhos para uma tigela. Retire o excesso de gordura da frigideira e refogue nela a cebola e o tomate. Adicione o bacon (lembre-se de deixar um pouco separado para jogar por cima das batatas, como decoração). Tempere com o sal, a pimenta do reino e o orégano (tenho a intuição de que grãos de mostarda vão bem, também). Misture o requeijão e a cebolinha verde. Retire as batatas do forno. Faça um corte no meio, no sentido do comprimento, e raspe um pouco da polpa (use-a no recheio, misturada com o resto). Recheie as batatas e sirva imediatamente, bem quentinhas (queime bem as mãos no processo).

Rendimento
Poderia dizer que é meio intuitivo, mas isso depende de quão gordas (de espírito ou não) as pessoas são.

Para acompanhar
Coca-cola ou qualquer outra bebida bem digestiva. Sofás, redes, camas, tapetes e qualquer outro lugar em que seja possível capotar depois.

\o/

segunda-feira, outubro 01, 2012

Angústia

Critico.

Minhas palavras são minha arma e escudo.

Minha impaciência, um muro.
Sou agressiva, estourada, ríspida.

Não doce ou leve.

Tampouco prestativa, organizada, inteligente.

Simplesmente não.
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Ou talvez seja mau humor extremo.
Tudo errado. Eu errada.

segunda-feira, setembro 17, 2012

Vi ontem um bicho

Se a capacidade de perceber consequências e desdobramentos de suas ações é o que diferencia o homem dos outros animais, alguns de nós há tempos deixamos de ser racionais...

segunda-feira, setembro 10, 2012

A dor é minha.

quinta-feira, setembro 06, 2012

Prazeres

Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?

Tateei pelo copo d’água ao lado da cama. Enquanto sorvia da água como se tivesse bebido todo o bar na noite anterior, me dei conta. Sonhei com ela, de novo. Estávamos sozinhas na sala de alguém. De um amigo. De um amor não completamente esquecido. Ela usava uma camiseta preta com dizeres que eu ignorarei pra sempre, mas minhas mãos se lembrarão como se tivesse sido real o toque de meus dedos na curva de sua cintura, enquanto tentava chegar a seus seios.

Nossas coxas e quadris já estavam perturbadoramente encaixados então. Nos aproximávamos e comprimíamos nossos sexos - buscando e sendo guiadas pelo ápice eletrizante daquela transa inesperada. Queria enterrar meu rosto em seus grandes seios brancos. Conhecer e morder seus mamilos. Queria tocá-la, senti-la úmida e quente e aberta, fazê-la curvar-se e contorcer-se.

Em vez disso, o choque do prazer terrivelmente rápido e intenso fez com que nos afastássemos. O orgasmo me fazia sonhar acordada, em transe, em estado alterado de consciência pelo gozo, em estado de euforia e estranhamento por finalmente - após tantos, tantos anos - ter acontecido de estar com ela, poder sentir seu corpo, seu toque, sua pele, seu gosto...

E então acabou.

Bebi a água como se pudesse recuperar o gosto de sua saliva nos gulosos goles. O gosto ficou amargo. A cama alheia. O travesseiro, frio. O sonho não voltaria. Ela não vai voltar. Não pros meus braços.

No sonho. Na realidade. Por que continuo fazendo isso?

segunda-feira, setembro 03, 2012

pulgas filosóficas

There is a fundamental reason why we look at the sky with wonder and longing—for the same reason that we stand, hour after hour, gazing at the distant swell of the open ocean. There is something like an ancient wisdom, encoded and tucked away in our DNA, that knows its point of origin as surely as a salmonid knows its creek. Intellectually, we may not want to return there, but the genes know, and long for their origins—their home in the salty depths. But if the seas are our immediate source, the penultimate source is certainly the heavens… . The spectacular truth is—and this is something that your DNA has known all along—the very atoms of your body—the iron, calcium, phosphorus, carbon, nitrogen, oxygen, and on and on—were initially forged in long-dead stars. This is why, when you stand outside under a moonless, country sky, you feel some ineffable tugging at your innards. We are star stuff. Keep looking up.
Jerry Waxman, Astronomical Tidbits

...polvo de estrellas...

Pútridas

As cidades cheiram a lixo e mijo, a vazio e solidão. Excretam tais odores e sentimentos  como uma fenda marinha libera gases pré-históricos, como um ser decrépito deixa escapar seus maus humores a cada suspiro: não agem com maldade ou desamor, não o fazem para vingarem-se dos germes que habitam e poluem sua superfície.

Esta é sua natureza, simplesmente. São seres abissais, seus tempos são outros. Sequer notam nossa efêmera existência sobre si. Seu eterno fedor não é mais que o hálito apodrecido de um adormecido ente de tempos imemoriais.

quinta-feira, agosto 30, 2012

Do abismo do asfalto

As cidades são monstros abissais famintos. Seu principal alimento é o tempo alheio, o tempo mal gasto. Suas vias engarrafadas são os tentáculos que nos mantêm em suas armadilhas. Nutrem-se de nossas frustrações, do tempo que não dedicamos em a ir ao cinema, ou beijar a namorada, ler um livro de poemas, beber um conhaque com os amigos. O tempo sem nossos filhos, sem trabalhar no que acreditamos. É disso que essas criaturas odiosas tiram sua subsistência. É assim que estas criaturas odiosas lidam com seu insaciável apetite.

E todas as noites, como num eterno equilíbrio ou retorno, Morpheus nos realimenta as almas de sonhos e esperanças, para serem devorados, uma vez mais, a cada minuto que se arrasta, travestido de correria, nas entranhas labirtínticas das grandes cidades.

Temporais


Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?

A tempestade do lado de fora fazia tanta bagunçava que me surpreendi por ter conseguido dormir. Lembrei do barulho de coisas quebrando que ouvira ainda no estágio de quase sonho. Levantei e fui vasculhar a casa.

Havia goteiras no teto de concreto, que haviam sido cobertas com panos, para amenizar a situação. Na sala, a parte superior do quadrante de alumínio da janela havia sido destroçada e distorcida por um raio. Continuando a vasculhar a casa, encontro um amigo em um dos quartos dos fundos, deitado na cama. Quero parar e ficar ali com ele, confortando-o, aquecendo-o. Mas uma mensagem de celular de outro amigo - com quem estou em falta - me deixa ansiosa e dividida.

Enquanto isso, um outro amigo, um grande amor, estava de mãos dadas comigo andando por todos esses lugares - e também me sentia perdida por isso, sem saber assumir o que queria. A casa toda era um grande caos por conta do temporal que acontecia no exterior. Havia amigos e pessoas em vários cômodos, fugidas e abrigadas da chuva. Em um dos quartos, meu irmão me mostrou vários aquários empilhados, solução que ele encontrara para salvar o Beta que tínhamos. Havia muito mais peixes do que jamais tivéramos, misturados em aquários sujos. Alguns estavam mortos. Preocupei-me com aquilo, mas de repente minha atenção já se voltava para outro lugar.

Pela janela, alguém me mostrava todos os carros que tinham estacionado onde antes nada havia. Eram muitos e todos pareciam tão limpos e alinhados que era como olhar para o pátio de uma concessionária. Em nosso quintal.

Em algum espaço que deveria ser o teto, ou o sótão, objetivos e traços inanimados faziam sua própria aventura. Vi riscos na parede formarem-se sozinhos e seguirem um caminho confuso, guiando algo que não consegui identificar direito, de uma mesinha até o topo de uma pequena estante de parede. Estavam em um universo à parte - não estava molhado, nem escuro, nem havia pessoas por lá. Apenas os objetos, em inesperadas ações.

Entrementes, minha atenção continuava dividida entre entes queridos. Não era capaz de evitar todo aquele turbilhão, ainda que quisesse muito um período de calma para poder pensar em tudo aquilo. Precisava entender-me e decidir o que fazer em meio a tudo aquilo, com a bagunça, a mistura, o caos, a água, os distintos amores.

Acordei com a sensação longínqua de perda ou tristeza. 09:50. Acho que sei o que era. O sonho ainda me preenchia. Ainda não sabia o que fazer. Mas o dia prosseguiria.

Papéis

Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?

Alguém se mexeu a meu lado. Levei a mão à cabeça, como se o gesto pudesse me fazer recobrar a sobriedade. O quarto cheirava bem. Um aroma doce de incenso. Não estava totalmente escuro, uma luz de vela bruxuleava perto do porta retratos...

Me remexi na cama, a razão voltando de um baque. Aquela cama não era minha. Aquele cheiro doce não fazia parte de nenhum cômodo de minha casa. A pessoa no porta-retratos era familiar. Tentei umedecer os lábios, enquanto fazia a máquina da memória funcionar, mas a boca estava seca demais. Fora atrás de água que havia acordado, afinal. Saí da cama. O quarto tinha uma atmosfera rosada. Nem a camiseta que usava era minha. Corri os olhos pelas paredes. Duas portas. Qual seria a do banheiro? Lembrava vagamente de um banho, antes de... acordar com sede.

Na que estava de frente para a cama, o carpete do quarto continuava por baixo. Abri a outra, então. Fechei a porta atrás de mim, tateei até a pia e bebi água dali mesmo. Sentei no vaso e fiquei revirando a noite anterior na cabeça. Ao menos fora naquele banheiro que havia tomado banho - reconheci o toque do tapete áspero com os pés.

Ouvi passos abafados e a porta do banheiro se abriu. Reconheci a garota do porta retrato. Seu sorriso dizia muitas coisas. Ela se aproximou sem falar, com aquele sorriso que mal me deixava pensar no que eu devia estar achando de tudo aquilo. Sentou de pernas abertas sobre mim, ali, de qualquer jeito, já me beijando.

Alguma parte minha devia estar pensando que tinha algo muito errado ali, porque eu sou gay e travesti desde sempre. Mas a verdade é que correspondi com uma paixão que senti poucas vezes antes na vida, e ela parecia saber muito bem que eu faria isso. Beijei-a como se fosse hétero. Outra hora pensaria se deveria sair do armário.

segunda-feira, agosto 27, 2012

Repetições

O motorista
do caminhão de lixo
era branco
os que catavam os detritos
não.

domingo, agosto 26, 2012

Pesadelo

Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?

Aos poucos as imagens do sonho foram retornando. Primeiro apenas flashes. Depois, cada vez mais nítidas: pernas entrelaçadas embaixo do chuveiro, uma coxa grossa apertando meus quadris, que se remexiam na busca por mais prazer - meu, dela. Levantei, ainda imersa na tensão do banheiro onírico.

Apertei os olhos com os dedos. Queria que tudo aquilo sumisse. Queria que alguém me pegasse daquele jeito, me desejasse, queria desejar a pessoa de volta, na mesma intensidade. Queria gritar, implorar para que alguém me desse prazer, para que alguém quisesse me dar prazer. Ali, já. Algum aspecto louco e infantil começou a percorrer em minha mente possíveis conhecidas ou conhecidos a quem pudesse recorrer.

Como se chega para alguém e pede - Oi, bom dia, dormiu bem? Olha, não tenho muito como explicar agora, mas... quer transar? Não, tudo bem, eu te pego - onde você está? Não funciona. Não no meu mundo. Entrei debaixo do chuveiro de calcinha, água fria, mesmo. Se morasse sozinha, acenderia um cigarro. Se fosse a Rê Bordosa, daria pro primeiro garçom que encontrasse.

Suspiro de novo. Tremo, pulo para espantar o frio. Respiro fundo e entoo um mantra mental para que o desejo saia de meu corpo, junto com a água que escorre e me arrepia. Fecho os olhos, ensaio uma carícia enquanto tiro a calcinha. Não vai funcionar. Quero mais do que isso. 

Lavo o rosto, jogando bastante água e esfregando-o com força. Desligo o chuveiro. Toalha, roupas, café, bichos, dentes, rua, sol. Deixo o tesão na gaveta. Não tenho onde encaixá-lo, de novo, neste dia. Urrarei meu grito desesperado pra dentro. E que um dia eu me exploda em milhões de tesõesinhos.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Continuar correndo

Acordei buscando água, como se fosse uma bêbada. 05:23 da manhã. O que me fizera acordar àquela hora?

De tarde, já na rua, tive mais uma vez a mesma revelação que tenho tantas e tantas vezes, reiteradamente - a cidade é uma enorme favela. Queria parar e tirar uma foto: os morros tomados de casebres amontoados. Ao longe, à esquerda - em direção ao centro novo da cidade - edifícios altos e ricos.

Desci o viaduto ainda observando e refletindo sobre a paisagem. A respiração estava difícil: sentia-me ansiosa e culpada por estar atrasada para o trabalho. Queria correr, mas como? A chuva transformara a cidade em uma sucessão de engarrafamentos. As casinhas coloridas e amontoadas ainda me perseguiam: como podemos ficar sem ver tão facilmente? Como ficamos sem ver os barracos, as crianças na rua, os buracos, os alagamentos que se formam com qualquer chuva mais forte...?

Respirei fundo e forçadamente mais uma vez - ansiedade, aflição. Os carros todos se amontoam e atropelam: é preciso continuar correndo. Nos fazem parar para que precisemos voar tão logo haja tempo ou espaço livre. E se passamos correndo, não vemos. Passamos correndo pelas subconstruções que tomam conta do horizonte. Passamos correndo pelos buracos que habitam indiscriminadamente as ruas. Passamos correndo pelas pessoas tomando chuva enquanto esperam ônibus atrasados.

Passamos correndo na hora de entrar nesses mesmos ônibus e não olhamos para o sujeito que vai passar umas oito horas de seu dia ali, fazendo papel de máquina. Passamos correndo pela festa com os amigos que de repente é só um momento de torrar os miolos com música alta e bebida demais - e interações verdadeiras de menos. Passamos correndo pelas propagandas políticas coloridas, mentirosas e invasivas - que se tornam mais presentes na mesma medida em que crescem nossa frustração, indignação e descrença no governo. Em qualquer governo.

Andamos desgovernados, em carros desgovernados, crescimentos desgovernados, corpos desgovernados, vidas desgovernadas. Estamos a mil por hora e vamos bater num muro que não vemos porque estamos ocupados demais.

Mas precisarei continuar correndo. Estou atrasada, no meio do trânsito no meio da vida no meio da tarde, e o horário de trabalho já começou.

terça-feira, agosto 07, 2012

Salvapantallas

Tengo tu voz,
tengo tu tos,
oigo tu canto en el mío.

Rumbos paralelos,
dos anzuelos
en un mismo río.

Vamos al mar,
vamos a dar
cuerda a antiguas vitrolas.

Vamos pedaleando
contra el viento,
detrás de las olas.

Tengo una canción
para mostrarte,
talvez cuando vaya….
Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.

Años atrás
de pronto la casa
se llenó de canciones.

Músicas y versos
que brotaban
desde tantos rincones.

Vamos al mar,
vamos a dar
guerra con cuatro guitarras.

Vamos pedaleando
contra el tiempo,
soltando amarras.

Brindo por las veces
que perdimos
las mismas batallas.

Tengo tu sonrisa
en un rincón
de mi salvapantallas.


j.d.

domingo, julho 29, 2012

Crazy Car

Dearest, dearest here's a song
Beautiful, so bright and young
You got mojo, you got soul
Full of colours, pearls and poetry
Climbing over cemetery walls
Watering the sea
Fire is fire, that is all
Don't go in the crazy car
Stream of gold from your guitar
Good old, good old Lolita
You're a diva, you are strong
Baby, what the hell is wrong?
What is wrong with vanity?
Why not just embrace it?
A pop star is a pop star
Don't go in the crazy car
Please be aware of the crazy car
Please don't go to America
Here's your home, here are your friends
Waiting still, until this ends
Please, please think inside the box
Only for a moment
We have made it circle shaped
For you
Don't go in the crazy car...
o.a.

segunda-feira, julho 23, 2012

fragile

i thought it was a tough thing.
but it aint.. its fragile. and precious in it's own strange way.
it's small but it don't know it's own strength.
so fragile. only held together by the people who carry it.
Lord knows where it comes from

domingo, julho 15, 2012

15.07.2012

acho que vou passar uma semana sem ter qualquer interação social além do estritamente necessário...

sábado, julho 14, 2012

Não falo do tempo ou da saudade

"Não falo do tempo ou da saudade. Tudo muito imprevisível. Melhor falar da chuva, que nunca deixa de cair de cima para baixo."
autor desconhecido
"De que adianta?" dizia (ou desdizia, talvez: Pois sua voz estava tão embaraçada pelos anos e pelas recordações que não era mais um instrumento humano, não mais produzia som humano).
j.m.d.