terça-feira, março 27, 2012

Caça às bruxas

E se não houvesse culpados? Você não saberia o que fazer. Você cresceu sabendo que o mundo era simples, preto no branco, sem nuances.

Tudo pode ser explicado a partir de seu ponto de vista das coisas, e este nunca está errado.

Se lhe contassem que não havia culpados, ainda assim você os encontraria, um a um.

Você buscaria a garota que atende telefonemas e a culparia pela vida dupla que leva.

Iria atrás das garotas de cabelos molhados, também: irremediavelmente culpadas. Por se machucarem deliberadamente, por chegarem sem serem convidadas, por não terem plena consciência do que fazem.

A garota muda seria culpada por se apaixonar por um cowboy tresloucado - como pôde? E o cowboy, por permitir que isso acontecesse, e ainda dar corda com aquele papo barato de "parceira de aventuras". Ele só queria mais plateia para seus ridículos "feitos heróicos".

A garota na cozinha, com o leite condensado, seria culpada por ser alheia demais, e comer muito doce. Era óbvio que tais coisas não contribuíam para uma boa convivência.

Não escapariam a pintora e sua recém ex-paixão. Àquela, recairia a culpa de ser fria, de fazer apenas o que lhe fazia bem - e de usar as pessoas nisso. A segunda seria culpada por ser ingênua e cair na lábia da primeira, e também por não deixá-la em paz.

O Escritor seria perseguido por ter tentado crer que poderia prescindir do Músico, quando este sumiu. Este último, por sua vez, teria dificuldades em desfazer a decepção por ele causada, por ter abandonado o outro perseguido - logo quando tudo iria ficar tão difícil. Ele deveria saber.
 
A Fada não poderia escapar nem no outro mundo. Não após roubar a inocência de tantas crianças. E por se deixar abater de forma tão idiota.

E o rapaz do caderninho também não poderia ser menos culpado. Não após ter passado tanto tempo sem fazer nada.

Você perseguiria o casal da música. Especialmente ele, por ter sido machista. A ambos, acusaria de não terem se dedicado mais à própria história.

A escritora não poderia estar livre, após ter abandonado seus personagens por tanto tempo.

A mulher que se mudara para São Paulo: fraca - não assumira as responsabilidades por seus atos. Seu amigo? A acobertara.

A menina do hospital e sua avó: culpadas por todas as suas mentiras e perseguições, sem falar dos devaneios.

A avó espanhola nunca seria perdoada. Não após fugir desesperada enquanto seus pais eram mortos.

E assim aconteceria com muitos outros. Com todos os outros. À noite, em suas celas, eles inventariam outras histórias, contadas às estrelas, às paredes, ao papel higiênico economizado.

E você, também sozinha, em seu quarto, choraria baixinho, assombrada por pesadelos vazios de histórias e cheios de verdades absolutas.

Porque todos somos culpados de tudo.
E não sobraria ningúem incólume à caçada.

E, no escuro, cada lágrima, engolida ou escancarada, seria testemunha de um arrependimento que lhe tornaria culpada por não ser capaz de admiti-lo jamais.

segunda-feira, março 26, 2012

26/03/2012

É fácil compreender o desamor. O amor, não. O amor é um enigma.
e.b.

faz sentido...

05/11/2010

Durmo com um pedaço de céu estrelado sobre minha cabeça.
Negro e estrelado, em verdade, e mais aqui do que isto
- também fato.
Mas a luz pontual das estrelas cresce na intensidade da escuridão...
durmo.
Sob o céu estrelado, minha cabeça.

domingo, março 25, 2012

Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto

        Morre! Tudo é tão pouco!
        Nada se sabe, tudo se imagina.
        Circunda-te de rosas, ama, bebe
        E cala. O mais é nada.

r.r.

/* o poema anterior me fez lembrar deste */

Undertow?

What does this mean
- to die?
- to die another time?

Show me this person who hasn't died several times over the course of a single life.
Who hasn't cried his or her heart out, who hasn't lost his or her feet...

How many times do we die?
How many can we survive?

Isn't this what's life all about, after all? Being able to die - and survive?

Can we avoid change?
Can we avoid being hurt?
    Can we avoid feeling hurt by those we love?
Can we avoid blaming others for pains?
Can we avoid feeling lonely?
Can we avoid feeling guilty...?

Is it real life, when it doesn't hurt, when it's never painful, when you never cry?

Why are you alive?

Will any of these questions make anything easier...?
Should any of these questions make anything easier?

sábado, março 24, 2012

angustiada...

terça-feira, março 20, 2012

poemas na madrugada

(de antigos e distantes, ou de novos amigos)

Somos confusos como as florestas.

Tu, e eu (e todo!! nós),
temos enredos na voz,
armaduras e espessuras
que nos encobrem de nós.

Anda.
Percorre-me sem desvios,
inteira, plena, despida,
infância desprevenida
sem roupas nem atavios.

Anda.
Rasga esta verde espessura
com teus gestos afiados.
Insinua-te, procura,
derrama a tua brancura
nos trilhos enviesados.
Progride e canta.
Penetra neste matagal bravio,
desembrulhada e erecta
como a vela dum navio.
Singra, desliza suave
como gota que escorresses,
como luar que batesses,
penugem que esvoaçasses.

Entra e serve-te. Verás,
ou caídos ou suspensos,
frutos de aromas intensos
que em silêncio morderás.
Teus dentes lhes darão sumo,
teus lábios lhes darão gosto
e o veludo que presumo
macio como o teu rosto.

Tuas mãos os farão belos
e alegres como facetas,
verdes, azuis, amarelos,
vermelhos e violetas.

De um arrepio, na espessura,
toda a floresta estremece.
Eu dou-te a minha loucura.
Dá-me o canto que a adormece.
 
a.g

Raw With Love
 
little dark girl with
kind eyes
when it comes time to
use the knife
I won't flinch and
I won't blame
you,
as I drive along the shore alone
as the palms wave,
the ugly heavy palms,
as the living does not arrive
as the dead do not leave,
I won't blame you,
instead
I will remember the kisses
our lips raw with love
and how you gave me
everything you had
and how I
offered you what was left of
me,
and I will remember your small room
the feel of you
the light in the window
your records
your books
our morning coffee
our noons our nights
our bodies spilled together
sleeping
the tiny flowing currents
immediate and forever
your leg my leg
your arm my arm
your smile and the warmth
of you
who made me laugh
again.
little dark girl with kind eyes
you have no
knife. the knife is
mine and I won't use it
yet. 

c.b.

quinta-feira, março 15, 2012

Sinto a inquietação interna. As vontades são contraditórias. Não quero me "dedicar" para ir ao encontro de alguém que está com outra pessoa, enquanto estou me movendo para ir encontrá-la. Não quero deixar de fazer o que preciso fazer para ir para esse lugar.
Ao mesmo tempo, quero resolver tudo, quero sair dessa zona de desconforto, quero terminar tudo o mais rápido possível e ir agora, já, sair daqui, não ter de pensar em nada.
Quero sentir raiva. Quero de uma vez por todas não ligar pra nada disso - que sentido faz ligar, afinal? Quero sentir raiva e explodir e encontrar culpas e motivos para falar coisas ásperas, brigar. Quer fazer acusações, jogar contra a parede, falar em culpados. São coisas pensadas, endereçadas? Não, falo das vontades internamente misturadas, aqui presentes neste momento, antes dos filtros mais conscientes (que são os que poderia perceber). São coisas que fazem sentido? Provavelmente não, também.
Mas estão aqui. E agora o que quero é escrever isso e colocar pra fora um pouco dessa agonia, desse emaranhado que era aperto e inquietação e no momento é também uma dor fina, que se concentra em um ponto um levemente à direita, em minha barriga, um tanto acima do umbigo. A dor também desce ligeiramente.
Quero falar da confusão, do saber que não faz qualquer sentido sentir isso, e que tanta coisa já passou que já nem sabemos (ou sei) direito o que sentimos, mas ainda assim esse bando de coisa ruim persiste junto, persiste dentro. Em outra intensidade, é fato. Mas está aqui e incomoda e quer tomar o lugar das outras coisas, quer ser maior que as atividades que ainda quando acordei queria parar e fazer.
Quero falar da confusão de querer que tudo fique bem, de querer conseguir acolher todos os pontos dessa bagunça que fomos construindo ano após ano e que não paramos de construir, mesmo quando paramos, falamos destroçados que já não queríamos mais aquilo tudo.
Da confusão de querer bem e não saber onde colocar o querer. De não saber o que é o bendito e por vezes maldito querer. De querer que o querer bem se exploda. Do medo inconsciente que já não deixa o querer ser puro e livre, e que sempre o trava - antes, durante, depois.
Quero falar do maldito medo dos sons, duas notas? O som da mensagem chegando, que vem no meio da tarde, no meio da madrugada, que vem depois da trepada que não aconteceu.
Quero falar de tesão e carinho. Quero falar de um amor que às vezes vamos tingindo de tanta coisa que fica difícil reconhecê-lo, e olho para ele e me sinto só, só, tristemente e solitariamente só.
Quero falar disso tudo, e quero simplesmente ficar aqui escrevendo. Não sair, não ficar. Largar tudo de qualquer jeito e sair correndo por aí em busca de um fim que não está pronto, e não será dado, e tem de ser malditamente construído dia após dia, gesto após gesto, e por vezes eu não quero fazer parte disso e queria simplesmente que fosse um livro que posso ler à distância, sem ter de viver cada letra, palavra e vírgula, sem ter de ficar querendo entender as entrelinhas, sem encontrar a porra do parágrafo final que se viesse me faria chorar, se fosse agora.
Quero sentir, antes sentir que ficar dormente, que olhar e já não ter qualquer amor, que olhar pra trás e não ser nada. Mas por que sentir tanto? Por que não amar daquele jeito que olha e pensa - que bom que ele está feliz e fazendo o que quer - ? Por que esse amor que me faz querer gritar, e chorar de raiva de mim mesma por mais uma vez sentir tudo isso? Isso não deve ser amor. Deve ser alguma outra porcaria que aprendi a engolir como tal, mas que não tem nem terá a mesma dimensão ou o mesmo valor.
As coisas não irão mudar, não irão mudar enquanto você fica parada escrevendo, enquanto você fica parada vivendo as mesmas coisas, achando que tudo mudou, mas sem mudar algo de essencial que não sabe o que é.
CORRA!!!!!!!!!!! Caia debaixo de um banho de água fria, gelada. De um choque de realidade líquido. De algo que te tire dessa roda da fortuna, dessa cadeia espiralada de repetições.
NÃO. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo... Você já nem acredita mais, mas uma parte sua continua ficando triste quando descobre que tudo continua sendo como antes. Mas só a parte que você queria que fosse diferente. A outra? Essa não é mais como era há muito tempo. E isso deixa uma parte sua triste, também.
Você vai chorar? Vai gritar, quebrar algo? Vai se mexer? Vai deixar todo o seu tempo passar sem fazer absolutamente nada, incapaz de sair desse lugar em que entra quando tudo isso acontece de novo? Diferente, mas ainda assim dolorosamente igual, em alguns aspectos? Você quer fugir disso, quer sair disso, mas precisa mergulhar fundo e olhar para a torrente que vem, a torrente que ameaça lhe afogar, e contra a qual não sabe se quer resistir.
O que fazer, agora? Você sabe que tem um monte de coisa que precisa fazer. Um monte de coisas que quer fazer. Você esquecerá os gritos e esgares, se aprumará na cadeira, pedirá um café e trabalhará, usando a frieza como escudo e lâmina contra o que lhe desconjuntou as vísceras, ainda mais uma vez? Ou vai dar o braço a torcer, e sair feito uma menina para encontrar a pessoa que te deixou assim, como se ela fosse a única capaz te de trazer paz de novo?

Você queria que algo fosse diferente, que alguém falasse com você e você pudesse contar tudo, e então as dimensões das coisas seriam outras, talvez tudo se relativizasse.

Você quer chorar e sentir algum tipo de raiva, mas sente vergonha, mas sente que não deve ou não pode, ou ambos. Você se contrai, por dentro, por fora. Você novamente não quer passar por isso tudo nunca mais.
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E no fim das contas, você espera por uma mudança que nem sabe qual seria. Que nem sabe se iria querer.

Mas você gostaria que as coisas mudassem, pra ser algo diferente, pra variar.
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E talvez você sinta ainda mais raiva (e desespero) por causa da maldita, da ínfima parte sua que ainda quer morrer cada vez que isso acontece. E sente medo de tudo desabar por dentro, de novo, também...

sexta-feira, março 09, 2012

An idea is not a design,
but it is an invitation to a journey.


A design is not a prototype,
but it is a plan for moving forward.


A prototype is not a program,
but it is a test for your assumptions.


A program is not a product,
but it is a milestone towards progress.


A product is not a business,
but it is the first fruit of an idea.


A business is not profits,
but it is a team behind your back.


Profits is not an exit,
but it is validation of your work.


And an exit is not happiness,
but happiness is not a destination.


Happiness is a journey.
Tony Chu

segunda-feira, março 05, 2012

Já me senti assim...

... um bocado de vezes. >.<'


Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Desapego corretamente
Ou incorretamente
Um sentimento mesquinho
Que eu sinto por dentro
Tenso
Por isso não me ame
Não me ame tanto
Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre
Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso
Pego tudo
O meu e o seu amor
Faço um bolo de amor
E jogo fora
Ou como e gozo
Dentro
Karina Buhr
carente, sensível, nostálgica, levemente chorosa...

terça-feira, fevereiro 28, 2012

#fato

d.l., the lover's dictionary

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

There ain't much that's dumber - than pinning your hopes on a change in another

Ela podia ter depositado aquele cheque na hora certa. Podia ter ficado em casa, e marcado de fazerem alguma coisa outro dia, com calma, e que fosse realmente divertida. Ou podia não ter dito nada quando ele chegou. Não havia mais a pressa, afinal... A agência estava vazia, não havia muita gente na fila. Ela não precisava nem ter subido, podia muito bem ter esperado ele chegar - já que não podia resolver nada sem ele, mesmo.

Ou poderia, pelo menos, ter pedido desculpas quando ele explodiu, ao ver a reação dela, logo quando se encontraram. Podia ter sorrido, dito qualquer coisa, e feito tudo se dissolver mais rapidamente. Ou ao menos tentado. Podia não ter jogado fora a senha que tinha pego - uma atitude obviamente agressiva -, mas naquele momento já estava machucada e queria descontar n'algo. Ela podia ter sentado ao lado dele e comentado qualquer coisa sobre o caminho, ou o cheque, ou a senha dele, ou sobre os livros que trouxera para eles lerem enquanto esperavam. Qualquer coisa diferente de fechar a boca, a cara, os olhos, e fingir que estava em qualquer outro lugar...

Ela poderia ter aproveitado quando ele a chamou para acompanhá-lo no caixa para quebrar o clima. Falado finalmente algo sobre a situação, ou o motivo de o depósito não ter sido aceito. Poderia ter feito uma piada semi-maldosa acerca de sua mãe, que lhes colocara naquela enrascada e nem estava lá agora, quando ambos tinham desviado de seus planos daquele dia para resolver um problema que não era de nenhum deles. Qualquer coisa diferente de contiuar com aquela cara que denotava tão ostensivamente que tinha sido magoada e não queria esquecer aquilo.

Ela poderia ter tentado melhorar as coisas enquanto desciam as escadas e se dirigiam para o carro. Perguntado o que fariam agora, se ele gostaria de parar para comer o sanduíche de salsicha alemã, ou se tinha visto o acidente, quando se dirigia para o Banco.

E eles poderiam não ter tentado defender tão agressivamente seus pontos de vista, quando tentaram conversar sobre o assunto, ainda no estacionamento, longe do carro, antes de ir embora. Ela poderia ter abandonado seu apego à magoa e ao modo como se sentira quando ele falara, ter se aberto para a possibilidade de que algo do que dissera o tivesse magoado - não temos controle sobre isso, afinal -, ter pedido desculpas e ter oferecido uma carona...

Ela poderia ter feito qualquer coisa que evitasse sua ida de um ponto ao outro da cidade apenas para ter uma discussão feia que lhe partiu o coração, por uma coisa absolutamente boba, e voltar para casa com aquele aperto no peito e as lágrimas a escorrerem por seu rosto.

E, definitivamente, ela poderia ter evitado ficar escrevendo ao celular, enquanto cobria o percurso de volta, enfrentando o conturbado tráfego de fim de tarde da cidade. Poderia ter deixado o aparelho quieto, esperado chegar em casa - ou, ao menos, um sinal fechado.

Ela então poderia ter visto a moto a tempo. Teria reduzido, freado, desistido da conversão à esquerda. E não precisaria desfazer a manobra às pressas. Nem se chocaria com o caminhão dirigido a toda velocidade por um motorista desatento. O carro não teria a lateral destruída pela força da batida contra os imponentes pneus. O vidro da janela não teria estilhaçado em seu rosto molhado. A porta não teria se dobrado contra seu frágil corpo de menina. As rodas não teriam, por fim, batido violentamente contra o meio-fio, nem as malditas leis da Física, que nunca compreendera muito bem, teriam feito o carro capotar e soltar todo o peso sobre si, quando ele finalmente parou, rodas girando no ar.

Ela teria chegado em casa mais tarde, talvez sem tempo para fazer o que tinha decidido fazer quando aquele dia começara. Mas... ao menos, estaria lá, no fim do dia.

Agora, uma parte dela havia invariavelmente morrido, naquele acidente, enquanto voltava para casa. Pouco importava que continuasse viva, e pudesse chegar, deitar na cama, chorar a briga. Porque, no fim das contas, a garota que chorava distraída batera no caminhão imaginário, no meio de seu percurso, imersa em tristezas recentes e antigas. Não havia sobrevivido. Nunca mais choraria.

domingo, fevereiro 26, 2012

needing is one thing and getting... getting is another.

domingo, fevereiro 19, 2012

“What is the word for the precise moment when you forget how it felt to make love to someone you really liked a long time ago?”
Delirium

Não sei que palavra é. Mas só consigo imaginar que seja uma muito triste...
Acho que uma das coisas que mais me faz gostar de olhar pra trás é perceber que estou vivendo. E mudando...

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Muito acontece aqui dentro. Preciso de tempo para respirar, processar, sentir... Pensar... Talvez escrever.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Escreva o que vê

(ou uma ligeira variação disto)

Acordou cedo, com o despertador. Sentiu que tinha o direito de dormir mais um pouco, após ter tido seu sono interrompido durante a madrugada para ter notícias de amigos notívagos. Enroscou-se um pouco entre travesseiros e cobertas, sorriu, com a sensação de ter tido algum sonho bom. Fechou os olhos... mas logo o despertador tocou novamente. Ainda uma vez decidiu que dormiria um pouco mais - informou isso ao alarme do celular. Ensaiou outro mergulho na maciez da roupa de cama. Sorriu de leve, novamente. Mas em poucos minutos já tinha aberto os olhos, apreciado a claridade do dia, e realizado que não poderia continuar na cama. Aquele era seu último dia antes da viagem. Sua mala não estava pronta. Tinha um compromisso do outro lado da cidade em menos de três horas. E ainda tinha outros assuntos a resolver...

Abriu a cortina puxando-a com os dedos dos pés. A luz dourada do sol penetrou diretamente no quarto. Observou a luminosidade em sua pele, corando o corpo ligeiramente bronzeado - cena bonita, pensou. Também pensou que gostaria de ir à praia, sentir a areia, tomar um pouco mais de sol, antes de despedir-se rumo a um mundo muito mais cinza. Girou o corpo, ainda deitada. Dois gatos a observavam, misto de sono e expectativa. Ela havia os reacostumado a comer cedo, para ter, assim, um despertador natural todas as manhãs. Agora, se sentiam no direito de miar e miar, tão logo ela abria os olhos. Mexeu-se. Desligou o ventilador, saiu da cama, recuperou a xícara de chá da noite anterior e bebericou. Ainda estava bom, mas já tinha o gosto ligeiramente velho.

Dirigiu-se, ainda nua, para a sala. Enquanto aguardava o computador ligar, foi até a cozinha para ver se havia algum recado para si. "Que tal levar um pedaço de bolo para Márcio e Beatriz? De boas vindas?"  Gostou da ideia. Voltou ao computador - precisava checar e-mails, dar uma notícia para o irmão, inteirar-se das mensagens da noite. Fora dormir cedo, após passar algum tempo lendo, e então sabia que estaria desatualizada das últimas coisas que sua mãe, seus amigos e seus sócios e companheiros de viagem teriam dito no dia anterior.

Lembrou-se da mensagem que recebera de madrugada. Releu-a, para recuperar o endereço que deveria visitar. Cactos e rosas... Exercício. Leu-o. Gostou da ideia. Reconheceu a história narrada. Sorriu para a amiga distante. Sentiu fome. De volta à cozinha, preparando seu café da manhã, perguntou-se o que teria levado a outra a dedicar-lhe o exercício.

Abacate. Seria a afinidade com a escrita? Açúcar. As ruivas que apareciam? Limão. Talvez o seriado descrito? Amasse bem, misturando os ingredientes. Só não gostaria que fosse uma forma de, sutilmente, criticar seu comportamento, por aproximação a atitudes descritas no texto... Entristeceu-se um pouco, pensando nessa possibilidade.

Razões de dedicatória à parte, ainda precisava responder. Ainda mexendo o abacate, ponderava se escreveria um comentário, mandaria uma mensagem, ou... Sem muito esforço, distanciou-se de si mesma. Observou-se na cozinha, de manhã, nua, fazendo o café da manhã.

Quando voltou para o computador, já sabia o que fazer. Abriu seu próprio blog, e começou a (d)escrever.

(Dedicado ao post homônimo :-) )

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Tema para conto

Ela demorou muito tempo para perceber. Mas, enfim, se deu conta: gostava das pessoas e reagia a elas de acordo com o que viriam a sentir por ela, em um futuro próximo.

terça-feira, janeiro 31, 2012

I won't say how I wish you were here. I won't say anything. I'll just stand still, quite, and let time pass by. Time has been the best friend in such situations. And it still is...
 ...
Nunca me esquecer de que a vida, como os corpos no cosmos, dá muitas voltas. O que muda é a velocidade e o ritmo...