segunda-feira, março 12, 2007

menina espevitada e menina graciosa

A menina espevitada queria ser passarinho...

... e conheceu uma linda menina de lindas bochechas e movimentos graciosos. E frente à tanta gentileza e sorridência, a menina espevitada ficou um tanto sem jeito - como conseguir fazer graça para alguém já cheio de graça, de per si?

A menina espevitada pensou em pedir ajuda a seu amigo que era muito amigo, mas que era também muito fechado. Mas o amigo muito fechado achava, como a menina espevitada, que algumas coisas nós devemos ser capazes de resolver sozinhos. E a menina espevitada se encolheu e pensou que talvez fosse melhor deixar pra lá.

Um dia, conversando com o menino rabugento, a menina espevitada tomou um pouco de coragem, e pediu a opinião do menino mais sem jeito que rabugento, que pra algumas coisas não tinha nada de sem jeito - apesar de continuar sendo meio rabugento! E, para sorte dela, o menino rabugento pôde ajudá-la... Apenas um pouco, o suficiente para que a menina que não era sempre espevitada conseguisse uma porta para alcançar a menina simpatia.

Meio sem jeito, as duas conversaram, uma sem saber o que dizer, a outra sem saber o que esperar. O menino rabugento volta e meia tentava ajudar, mas a menina espevitada parava e acabava pensando que, afinal, ou ela faria as coisas do jeito dela ou não seria capaz de fazer nada...

Mais uma vez a menina espevitada catou um pouco de coragem e fez as coisas como acreditava que poderiam ser. Entre tímida, direta e atrapalhada, falou e falou. E, para sua sorte e surpresa, as bochechas formaram sorrisos, que abriram as portas para encontrar a menina graciosa.

As duas se encontraram meio sem jeito, meio assim - o que será que essa menina deseja realmente? E, como já havia sido decidido, as duas foram assistir a um filme. Um filme com ar de conto de fadas e de super herói, e com uma poesia no mínimo gostosa. E, depois que as duas meninas já haviam se encontrado, foi a vez das mãos das meninas se encontrarem, e eram macias e cúmplices, de início mais tímidas, aos poucos, decididas, respondendo às perguntas que suas donas haviam preferido não fazer... e o que as mãos diziam era que...

Sim, as bocas podiam e deviam se encontrar, e cada mão contou isso à boca da outra menina, com suaves beijos desses que a boca dá quando deseja encontrar outra boca. E em algum momento de menos poesia no filme e mais poesia entre elas, duas bocas macias se tocaram... não houve espanto, mas um encontro calmo e suave, de quem sabia o que estava fazendo, de quem sabia o que queria fazer...

As duas maciezas se riram e se experimentaram, mas naquele dia a menina espevitada teve de sair mais depressa do que gostaria, e então ela foi embora, levando o sorriso da criança que conquista um tesouro escondido, e a água na boca de quem gostaria de um pouco mais.

Meninas e passarinhos são seres que devem ser tratados com muita liberdade, se você deseja ter a chance de estar em sua leve presença novamente - a menina espevitada segurou seus arroubos, e para seu sorriso as bochechas cheias de graça, sua vez, chamaram-na para um encontro.

Dessa vez as duas já se conheciam um pouco mais, e entendiam um pouco o que a outra desejava e gostaria. Mas nesse lugar em que as meninas viviam, meninas muito passarinho e muito espevitadas e muito cheias de graça e que, ainda por cima, possuem bocas que gostam de se encontrar, chamam muita atenção, e então seus momentos foram novamente rápidos, semi-furtivos...

Foi um encontro mais de amigos e conversas, e também de azeite, queijos, tomates, sucos de laranja. Foi um bom encontro, e afinal, é difícil juntar tantas coisas boas e disto sair um resultado sem graça.

Mas passarinhos voam por muitos caminhos, e as duas meninas, hoje, encontram-se apenas de passagem, por rotas distintas - ainda sorrisos, outras paragens... Quem sabe?

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