Nem sempre o amigo que gosta de passear de bicicleta é o que mora mais perto.
Nem sempre o mais legal é também o que aprecia suas obras em paint.
Nem sempre o gato será preguiçosamente simpático.
Nem sempre o cachorro será afoitamente brincalhão.
Nem sempre a noite é magnífica.
Nem sempre o convidado de honra é bem recebido.
Nem sempre o melhor presente vai para a melhor pessoa.
Nem sempre os estados de espírito se mantém.
Nem sempre falar é melhor que calar.
Nem sempre é possível se livrar de sensações.
Nem sempre é possível entender o que se sente.
Nem sempre o acolhimento será como que se espera.
Às vezes a euforia é só fruto da imaginação.
Às vezes a gente entra e alimenta uma discussão sozinho.
Às vezes o que a gente gostaria não é o que a gente dá a entender. Ou o que a gente faz.
Às vezes a gente deve "ficar sussa" e ser compreensivo, mas não rola.
Às vezes não sai bem uma poesia.
Às vezes não se está pra prosa.
Às vezes só percebemos um pedaço das coisas.
Às vezes não nos deixamos sentir. Ou sentimos demais.
Ou nos perdemos em divagações interiores e nos afastamos do que poderia ter gerado a emoção, caracterizando, claramente, fuga do tema.
Nem sempre se deseja Feliz Natal sabendo o significado estabelecido disso.
Desejamos o que construímos. Ou o que achamos que deveria ser.
Nem sempre nos organizamos e fazemos e reconhecemos a todos que deveríamos.
Nem sempre dá pra passar como se nada estivesse acontecendo, e tratar como rotina a Pessoa que está, mais de meia-noite, pedindo restos de dinheiro no sinal.
Nem sempre faz sentido, mas a gente gasta nossa grana com um vinho ou um chiclete que talvez nem masquemos, ou com nossas drogas, ou com qualquer coisa que achemos importante, ou às vezes não nos damos ao trabalho de recuperar as moedinhas que caíram em algum lugar não imediatamente visível... Mas acha que não tem para / não deve dar alguma coisa pra criatura que está sob sol, sobre asfalto, subvida, sobretudo pedindo um valor que pra maioria de nós é em certa medida irrelevante.
E talvez pra muitos de nós nem doa, nada ou tudo isso.
Talvez não doa não se reconhecer nos amigos.
Talvez não doa não reconhecer os seres humanos.
Talvez não doa que alguém que também sente seja invisível e negado.
Talvez ver as coisas não faça doer. Não faça chorar. Não toque...
E para muitos seja algo passageiro, e se preocupar seja bobagem.
Mesmo que a realidade sejam apenas impressões, e fruto de nossas relações com o meio. Mesmo que não exista Uma Realidade. Ou talvez por isso mesmo...
Desejo traçar marcas de mudança. Caminhos profundos.
Nem sempre
Às vezes
Talvez
Mesmo que
Feliz Natal
Um comentário:
Nem sempre dá pra ler tudo muito claramente as 5:30 da matina após uma noite não durmida.
Nem sempre isso é verdade e talvez seja só uma desculpa.
Nem sempre
Às vezes
Talvez
Sim, você escreva bem.
Postar um comentário