a menina espevitada sente saudades, e se sente um tanto só
pega sua bolsa portuguesa, coloca coisas importantes nela -
a carteira de cigarros, uma cerveja -
e sai
a menina espevitada vai para a praça perto de sua casa, um semi-refúgio para onde vai quando quer se incensar e pensar um pouco
no meio do caminho, ela abre a cerveja com ajuda da bolsa.
dá dois "boa-noite!" durante o percurso, mas não presta atenção no caminho.
bebe; senta-se; acende o cigarro.
lembra-se.
e se sente só. bebe com o amigo menino português... só agora a menina espevitada percebe que resolveu trazer justo a bolsa portuguesa para lhe fazer companhia.
ela bebe com o amigo que está longe. lembra que aprendeu, finalmente, a beber vodka pura. lembra do amigo português. lembra da menina mimimi que está sumida.
(enquanto escreve, a menina espevitada conversa. e percebe que o álcool tem a capacidade de derreter lágrimas que endurecem o coração)
a menina espevitada sente falta de falar com alguém, talvez para não perceber que não pode partilhar aquele momento com quem gostaria. tenta a menina sumida - e ela não atende. o menino rabugento responde, eles conversam um pouco. às vezes, o menino rabugento é um doce.
mas é pouco, e a menina espevitada termina sua cerveja e seu segundo cigarro só, protegida da chuva pela interseção das copas de uma árvore qualquer e de algo que parece um coqueiro. a menina saudade pensa mais um pouco e volta...
na volta, ela percebe mais o caminho. de fato, ela olha para ele. não está tão firme quanto na ida - ela, não o caminho - mas... está lá.
a menina espevitada se despede do menino que está longe... eles se despedem com saudade e carinho... e com algum choro, mas um choro mais maduro.
a menina espevitada se despede, mas mais madura...
Nenhum comentário:
Postar um comentário