terça-feira, julho 07, 2009

No fim das contas, acho que acabei jogando tudo fora

Não sei bem como começou. Misto de cansaço e preguiça, necessidade de livrar-me do empoeirado, do atulhado, do sentir enfurnado. Aos poucos, já não queria saber se era novo ou velho, escrito seu ou diverso, ou se deveras gostara daqueles dizeres embolorados.

Fui amassando, rasgando, empilhando, encaixotando. Postais ou notas de posto. Velhos frascos de perfume, um ingresso mal-usado, a calça azul, a saia justa.

Esvaziei cabides. Gavetas. Corri com os gatos do quarto. Tirei móveis. As piadas e brincadeiras. A aranha e a lagarta - de estimação. Limei incensos e pelúcias. Brincos e maquiagens.

Desfiz a cama. Desfiz-me dos lençóis. Arejei ideias, ideais, cortinas.
Partiu o vaso eterno do canto da sala.

E em meio a tanto e tudo, nem me dei conta de quando foi que ela sumiu.

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