sexta-feira, abril 25, 2014

Ônibus

amontoado de corpos
de sonhos cansados
e trajetos tortos

old news

Quero falar de impermanência
e de mudanças

Quero falar de essência.
Do que nos faz ir embora,
do que nos leva a ficar...

terça-feira, abril 22, 2014

Utopifanias

O segredo, uma vez mais, parece ser, sempre, continuar caminhando...

segunda-feira, abril 21, 2014

Dependências...

(...) No fim das contas, tampouco em nosso tempo a existência dos centros ricos do capitalismo pode explicar-se sem a existência das periferias pobres e submetidas: umas e outras integram o mesmo sistema.
e.g. As veias abertas da América Latina

sábado, abril 19, 2014

Riquezas

Os metais arrebatados aos novos domínios coloniais estimularam o desenvolvimento europeu e pode-se até mesmo dizer que o tornaram possível. Nem sequer os efeitos da conquista dos tesouros persas, que Alexandre Magno despejou sobre o mundo helênico, poderiam se comparar com a magnitude dessa formidável contribuição da América para o progresso alheio.
e.g. As veias abertas da América Latina 
La vida no para, no espera, no avisa...
j.d.

quinta-feira, abril 17, 2014

Para não esquecer

O poema caótico e que me lembra fumaça e poluição e máquinas é do Pessoa, heterônimo Álvaro de Campos, e se chama Ode Triunfal:

http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/alvaro_de_campos/poetas_alvarodecampos_odetriunfal01.htm
http://campos-odetriun.blogspot.com.br/

passatempo

... Finalmente, a população das ilhas do Caribe deixou da pagar tributos porque desapareceu: os indígenas foram completamente exterminados nas lavagens de ouro, na terrível tarefa de revolver as areias auríferas com a metade do corpo mergulhado na água, ou lavrando os campos até a extenuação, com as costas dobradas sobre os pesados instrumentos de aragem trazidos da Espanha. Muitos indígenas da Ilha Dominicana se antecipavam ao destino imposto por seus novos opressores brancos: matavam seus filhos e se suicidavam em massa. O historiador Fernández de Oviedo interpretava assim, em meados do século XVI, o holocausto dos antilhanos: "Muitos deles, por passatempo, mataram-se com veneno para não trabalhar, e outros se enforcaram com as próprias mãos".
e.g. As veias abertas da América Latina

quarta-feira, abril 16, 2014

Newspeak

"Blame and English Speakers

In the same article, Boroditsky notes that in English, we’ll often say that someone broke a vase even if it was an accident, but Spanish and Japanese speakers tend to say that the vase broke itself. Boroditsky describes a study by her student Caitlin Fausey in which English speakers were much more likely to remember who accidentally popped balloons, broke eggs, or spilled drinks in a video than Spanish or Japanese speakers. (Guilt alert!) Not only that, but there’s a correlation between a focus on agents in English and our criminal-justice bent toward punishing transgressors rather than restituting victims, Boroditsky argues."

http://blog.ted.com/2013/02/19/5-examples-of-how-the-languages-we-speak-can-affect-the-way-we-think/

terça-feira, abril 15, 2014

lusco-fusco

Percorro as ruas da cidade
como se visitasse um país estrangeiro
Há algo de estranho
no cinza dessa noite
que corre apressada pra casa.

Há algo de surreal na rotina
as ruas cheias de carros
os ônibus apinhados de pessoas

Sinto-me uma estrangeira
tentando absorver uma realidade
que não faz sentido.

Há um cansaço cotidiano
resignado
nas mãos calejadas
os corpos amassados
os olhares fugidios.
Na empatia das horas impossíveis
nas risadas dos desconfortos incríveis.

Há greves
e paralizações.
E adidas
samsung
LG
Mochilas baratas
surradas
passando sobre cabeças caídas.

Não há grito sufocado.
Há um riso
uma sensação de deslocamento.

Há um desalento
um desencanto
dessa vida sobrevivida.

Arre...

segunda-feira, abril 07, 2014

islands

"No man, proclaimed Donne, is an Island, and he was wrong. If we were not islands, we would be lost, drowned in each other's tragedies. We are insulated (a word that means, literally, remember,  made into an island) from the tragedy of others, by our island nature, and by the repetitive shape and form of the stories. The shape does not change: there was a human being who was born, lived, and then, by some means or another, died. There. You may fill in the details from your own experience. As unoriginal as any other tale, as unique as any other life. Lives are snowflakes - forming patterns we have seen before, as like one another as peas in a pod (and have you ever looked at peas in a pod? I mean, really looked at them? There's not a chance you'd mistake one for another, after a minute's close inspection), but still unique."

"Without individuals, we see only numbers: a thousand dead, a hundred thousand dead, 'casualties may rise to a million.' With individual stories, the statistics become people - but even that is a lie, for the people continue to suffer in numbers that themselves are numbing and meaningless. Look, see the child's swollen, swollen belly, and the flies that crawl at the corners of his eyes, his skeletal limbs: will it make it easier for you to know his name, his age, his dreams, his fears? To see him from the inside? And if it does, are we not doing a disservice to his sister, who lies in the searing dust beside him, a distorted, distended caricature of a human child? And there, if we feel for them, are they now more important to us than a thousand other children touched by the same famine, a thousand other young lives who will soon be food for the flies' own myriad squirming children?

"We draw our lines around these moments of pain, and remain upon our silands, and they cannot furt us. They are covered with a smooth, safe, nacreous layer to let them slip, pearllike, from our souls without real pain.

"Fiction allows us to slide into these other heads, these other places, and look out through other eyes. And then in the tale we stop before we die, or we die vicariously and unharmed, and in the world beyond the tale we turn the page or close the book and we resume our lives.
n.g. American Gods

domingo, abril 06, 2014

ópios

Miséria e pobreza são excelentes negócios. Você esvazia a vida das pessoas, e depois enche com a merda que quiser...

sábado, abril 05, 2014

pontos de vista

There's never been a true war that wasn't fought between two sets of people who were certain they where in the right.
n.g., American Gods

segunda-feira, março 24, 2014

Mais poesia, por favor.

Luta

Levántate y mírate las manos
Para crecer, estréchala a tu hermano
Juntos iremos unidos en la sangre
Hoy es el tiempo que puede ser mañana
v.j.

sábado, março 22, 2014

na carreira

vontade de limpar, revirar, abrir mão, limpar, desafogar, prosseguir, partir...

--
arte de deixar algum lugar
quando não se tem pra onde ir...

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

qq coincidência com a realidade é mera semelhança

mundo distópico onde a indústria farmacêutica e a alimentícia estão alinhadas, e uma ampara a outra para minar o sistema imunológico das pessoas, para que fiquem mais sensíveis a doenças e, assim, consumam mais medicamentos que as tornam mais controláveis, sem desconfiarem de nada

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

as coisas precisam de tempo
pra amadurecer
para se fazer entender
pra germinar e brotar
pra criar raízes...

quinta-feira, janeiro 30, 2014

acho que sou pendular...

a depender do momento, ideias completamente opostas podem me parecer a melhor opção...

segunda-feira, janeiro 27, 2014

guerras

"O sinal de que começara a batalha foi a tosse. Viu lá embaixo uma nuvem de poeira amarela que avançava, e uma outra subiu do chão porque os cavalos cristãos também se haviam lançado para a frente a galope. Rambaldo começou a tossir; e todo o exército imperial tossia entalado em suas armaduras, e assim tossindo e pateando corria rumo à poeirada infiel e já ouvia cada vez mais perto a tosse sarracena. As duas nuvens de poeira se misturaram: tosses e golpes de lança ribombaram em toda a planície."

i.c. O cavaleiro inexistente.