sexta-feira, março 18, 2011

Já se disse que o silêncio é uma força; em sentido completamente diferente, é mesmo uma força, e terrível, à disposição dos que são amados. Ela aumenta a ansiedade de quem espera. Nada convida tanto a aproximar-se de uma criatura como aquilo que dela nos separa, e que barreira mais intransponível que o silêncio? Já se disse também que o silêncio é um suplício, e capaz de enlouquecer a quem é coagido a ele nas prisões. Mas que suplício - maior que guardar silêncio - o de suportar o silêncio de quem se ama!
(...)
Aliás, mais cruel que o das prisões, esse silêncio é já por si uma prisão. Uma parede imaterial, por certo, mas impenetrável, essa interposta camada de atmosfera vazia, mas que os raios visuais do abandonado não podem atravessar.
Marcel Proust, Em busca do tempo perdido - O caminho de Guermantes.

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