Eu saio. Conheço gentes.
Converso.
Flerto.
Eu tomo a iniciativa.
Cozinho.
Pedalo.
Saio com minhas famílias e agradeço por meus amigos existirem.
Ando na praia e agradeço a Yemanjá por cada banho de mar azul.
Cuido dos dentes,
do cabelo,
da cabeça.
Observo o que já fiz,
tento não fechar os olhos
para o que ocorre dentro
o que ocorre fora.
Tento não ser leviana.
Tento evitar o muito superficial que me esvazia.
Eu ergo a cabeça ao andar por aí.
Respiro fundo a cada pedalada.
Encolho-me no banco de ônibus. Durmo.
Eu leio.
Tomo anotações.
Escrevo, escrevo, escrevo, escrevo.
Choro.
Eu dirijo, viajo, busco outros horizontes.
Eu faço algo que nunca fiz.
Eu sorrio para estranhos.
E brigo com pessoas próximas.
Eu me revisito, de tempos em tempos
com linguagens e perspectivas diferentes.
Eu tento não ficar parada.
E às vezes, tento ficar em silêncio.
Eu ouço música e descubro novos gostos ou sensações.
Eu me descubro maior.
Me descubro mais imatura do que gostaria.
Mais corajosa, e mais estabanada.
Eu me descubro viva e feliz.
E viva, viva, vida.
A cada nova manhã.
Cinza ou azul.
Prefiro as azuis.
Nas cinzas, encolho-me mais.
Eu me emociono com meus amigos e amigas.
Eu me emociono.
Eu sigo vivendo
fazendo coisas que me fazem ter muita certeza de estar viva
e sentir muito gosto por isto.
E, às vezes, eu acordo e sinto falta daquela pessoaQue não sei onde encaixar, nesse momento,
em minha vida.
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