segunda-feira, abril 21, 2008

sem mãos dadas.

inconveniente

dorzinha no peito.

aperto ruim.

quarta-feira, março 12, 2008

O respeito que tinha por si próprio e pelo seu trabalho lhe advinha do superior respeito pelo ser humano. Por toda e qualquer pessoa que conhecia.

Thiago de Mello, a respeito do arquiteto Lucio Costa

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

frustração

...anseio uma liberdade que não sei perdoar...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Natureza morta

cotidiano

I see dead people...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Raiva abstrata

Enfia a cabeça dentro de um buraco e se enterra.
Enfia a cabeça dentro da privada e dá descarga.
Enche o buraco de água, até fazer muita lama.
Espalha a lama pelas coisas brancas. Faz porcaria.
Enfia a mão no monitor e faz o circo pegar fogo.
Enfia a cara na parede pra ver se achata.
Corta os dedos de barata.
Corre pela casa torta.
Torta torta torta.

Esquece que é pra escrever e risca. Esquece que é pra ser feliz e atiça. Esquece que é pra acariciar e belisca.
Esquece que é branco e puro
esquece que é firme e duro
esquece que pode ser maduro.
Esquece que é pra gostar e odeia
esquece que é pra ser gente e só se assemelha
esquece que é pra ser livre e corre pra cadeia
Esquece.

Pára de rimar à toa.
Vive pra lembrar e ser livre e deixar ser, ainda que doa.
Escreve
Que é pra o que acontece não ser a toa.
Escreve.
Ainda que doa.

Desabafo. Bafo. Cheiro. Aca. Coisa ruim.
Preenche tudo de asco e nojo e o papel de azul, sem fim.
Passa que é podre e ruim estragado esquecido desleixado.
Passa sabonete, perfume, remédio.
Passa daqui pra fora.
Risca. Risca. Risca. Risca.
Risca. O cérebro segue solto na vontade do papel que pede pra mão não deixar ele à míngüa.

A droga é etérea impalpável e não concreta, não existiu, nem se inalou, mas incomoda e espeta.
Desperta pra tudo que há ao redor. Esquece de si.

Deixa a força passar para o traço que vai no papel que a cabeça descansa e a raiva alcança e sai e desanda.
Deixa tudo aí. E depois olha pra ver o que deu.
Escreve com força pra sair todo peso peso peso peso peso que insisto que não vou rimar.
Mas acabo.

Não dorme e não chora
Apesar do sono.

Centimentos

(Me dou ao luxo de um título não necessariamente bom.)

A última postagem, do dia 6 de Janeiro, foi a centésima deste pseudo-diário...

domingo, janeiro 06, 2008

Da necessidade

O utensílio dignifica o homem.



(Pareceu-me um bom complemento à outra idéia... Ou, pelo menos, um bom caminho para continuar brincando. Mas talvez um título mais interessante fosse - Da evolução)


sexta-feira, janeiro 04, 2008

Capitalismo

O trabalho escraviza o homem.



(Pensei nesta frase hoje de manhã... busquei no google: três pessoas/ lugares a utilizaram. Me sinto no direito de publicá-la aqui por agregar a ela o título do post, que serve de apresentação, e torna seu sentido completo, para o meu entendimento/ponto de vista da mesma.)

terça-feira, dezembro 25, 2007

nem sempre é de se jogar fora
Nem sempre que se escreve muito sai algo de valor

Das impressões...

Nem sempre seu namorado vai gostar de poesia.
Nem sempre o amigo que gosta de passear de bicicleta é o que mora mais perto.
Nem sempre o mais legal é também o que aprecia suas obras em paint.
Nem sempre o gato será preguiçosamente simpático.
Nem sempre o cachorro será afoitamente brincalhão.
Nem sempre a noite é magnífica.
Nem sempre o convidado de honra é bem recebido.
Nem sempre o melhor presente vai para a melhor pessoa.

Nem sempre os estados de espírito se mantém.
Nem sempre falar é melhor que calar.
Nem sempre é possível se livrar de sensações.
Nem sempre é possível entender o que se sente.

Nem sempre o acolhimento será como que se espera.

Às vezes a euforia é só fruto da imaginação.
Às vezes a gente entra e alimenta uma discussão sozinho.
Às vezes o que a gente gostaria não é o que a gente dá a entender. Ou o que a gente faz.
Às vezes a gente deve "ficar sussa" e ser compreensivo, mas não rola.

Às vezes não sai bem uma poesia.
Às vezes não se está pra prosa.

Às vezes só percebemos um pedaço das coisas.
Às vezes não nos deixamos sentir. Ou sentimos demais.
Ou nos perdemos em divagações interiores e nos afastamos do que poderia ter gerado a emoção, caracterizando, claramente, fuga do tema.

Nem sempre se deseja Feliz Natal sabendo o significado estabelecido disso.
Desejamos o que construímos. Ou o que achamos que deveria ser.

Nem sempre nos organizamos e fazemos e reconhecemos a todos que deveríamos.

Nem sempre dá pra passar como se nada estivesse acontecendo, e tratar como rotina a Pessoa que está, mais de meia-noite, pedindo restos de dinheiro no sinal.

Nem sempre faz sentido, mas a gente gasta nossa grana com um vinho ou um chiclete que talvez nem masquemos, ou com nossas drogas, ou com qualquer coisa que achemos importante, ou às vezes não nos damos ao trabalho de recuperar as moedinhas que caíram em algum lugar não imediatamente visível... Mas acha que não tem para / não deve dar alguma coisa pra criatura que está sob sol, sobre asfalto, subvida, sobretudo pedindo um valor que pra maioria de nós é em certa medida irrelevante.

E talvez pra muitos de nós nem doa, nada ou tudo isso.

Talvez não doa não se reconhecer nos amigos.
Talvez não doa não reconhecer os seres humanos.
Talvez não doa que alguém que também sente seja invisível e negado.
Talvez ver as coisas não faça doer. Não faça chorar. Não toque...

E para muitos seja algo passageiro, e se preocupar seja bobagem.

Mesmo que a realidade sejam apenas impressões, e fruto de nossas relações com o meio. Mesmo que não exista Uma Realidade. Ou talvez por isso mesmo...

Desejo traçar marcas de mudança. Caminhos profundos.

Nem sempre
Às vezes
Talvez
Mesmo que
Feliz Natal

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Centro de Cultura

O nome é batido.

A idéia também.

Mas a inteção é pura, seu moço.

A gente podia estar roubando, podia estar matando, podia estar estudando pra próxima prova de Cálculo III, ou ouvindo dolorosamente o pagode do vizinho.

Mas a gente só quer se reunir com pessoas interessantes engraçadas cantêras desenhantes jogantes, brinqueiras, assim, um pouco, talvez um tanto excêntricas... e ter umas horinhas de vida diferentes.

A proposta: pessoas. Idéias. Partilhas. Alimentos para a parte mais sensível/ artística/ criativa do corpo e da alma e do cérebro.
Juntar-se para ler textos interessantes.
Ou jogar algo.
Ou cantar um pouco, mesmo que desafinado.
Ou visitar algum lugar pela cidade.
Ou desenhar.
Ou ganhar massagem.
Ou aprender e jogar xadrez.
Ou fazer-sessões-de-fotos-daquelas-que-você-junta-e-dão-um-filmezinho.
Ou assistir filmes.
Ou provar comidas, cheiros, texturas diferentes.
Ou provar músicas e estilos novos.
Ou viajar por aí.
(Que na realidade já é tudo isso.)

Amigos possibilitam à mente oxigênio...

A idéia do centro de cultura é reunir os amigos com propósitos oxigenantes.
Sem tanta burocracia quanto parece aqui, porque senão enjaula as idéias.
Sem muita "promiscuidade", no início, para não perder os ideais...

Com a idéia de se proporcionar coisas boas, de ser independente de haver ou não algo de bom por aí. Com a idéia de se arrepiar, de ficar com água na boca, de ter discussões inflamadas, ficar apenas calado ouvindo, chorar.

Bato à porta dos que sei que podem ouvir, e vivem chamando, mas não respondo.

Ainda tem algum amigo arteiro aí?

quarta-feira, setembro 19, 2007

Quão grande é o mundo?

Quantas pernas expostas pela orla ele é grande? Quantas crianças adormecidas ao colo de mães cansadas? Quantas senhoras religiosas a rezar o terço, estrada a fora, quantos choros contidos?

Quantos mundos o mundo é grande? Quantos pedaços de solidariedade gratuita, ou consciente, quantos com tão pouco a dividir com os que têm menos ainda? Quanto em cada troca de olhar? Quanto o mundo particular de cada um? A senhora que reza o terço, balançando a cabeça, como que em transe. A mulher que sabe de onde veio, que partilha as dores e cansaços da outra. As mulheres nas vitrines da janela do ônibus. O mundo, o mundo, o mundo.

O mundo do sorriso. O mundo-vida cada ser.

O que se faz por este(s) mundo(s)...?

Quantos mundos nossos ou dos outros vamos matando ou deixando por aí, pelo caminho? Quantos captamos de relance, sem compreender muito bem? Quantos não queremos compreender, ou não podemos?

“...é gente humilde, que vontade de chorar...”

Quão grandes somos?

Quão grandes podemos ser?

terça-feira, setembro 04, 2007

Trix a dois

Paparazzo
FatoFodaFoto

quinta-feira, agosto 30, 2007

De blogs e moscas.

De blogs e teias de aranha.
De blogs e poeira pelos cantos.
De blogs e correspondências se acumulando na caixa coletora do correio.
De blogs e recados esquecidos - sem ouvir - na secretária eletrônica.
De blogs e campainhas não atendidas.

Abandonaste?
Esqueceste?
Sumiste?
Morreste?

Não de todo.
Não isso, assim.
Só um pouco.
Não ainda!
Não pra sempre!

De como nem sempre conseguimos fazer todas as coisas que gostaríamos, ou as que mais nos dariam prazer, ou... do melhor jeito.

De como eventualmente deixamos coisas passarem, achando que só nós mesmos daremos importância, e que se não dermos atenção ninguém sentirá falta.

De como amigos precisam ser pacientes às vezes.

De como carinho e admiração e gosto duram mais do que se imagina, e nascem eventualemnte quando não se espera.

De como na vida as coisas - nós, mesmos, também - vêm e vão...

De como vou, de como volto. De mim.

segunda-feira, junho 25, 2007

Acordei no meio da noite...

Com a sensação de que algo passara em mim. Bendita seja a luzinha de cabeceira, acesa na mesma hora - olhei pro travesseiro; nada. Mas eu sabia. Passei a mão nas costas, de onde vinha a certeza. Olhei em redor.

Ali, na guarda da cama, estava parada a barata. Levantei da cama com uma ligeira sensação de mal-estar. Ligeira de pequena, não de curta, já que perdura até agora, em segundo plano. Saí do quarto. Fui ao banheiro. Liguei a luz do corredor. Olhei para dentro - passeava sobre a guarda... Sobre a parade... Passando por trás da outra cama... Próxima ao chão, na entrada de meu ex-guarda-roupas. A tudo isso, observamos, meu gato e eu. Eventualmente nos olhávamos e, (talvez para não desmoralizá-lo tanto) fiquei com essa impressão de que ele me consultava, sistematicamente, sobre o que deveria ser feito com a barata. Deve ter lá, com seus botões, checado o nível de adrenalina e demais hormônios de medo e estresse. O fato é que espreguiçou-se, lambeu-se, farejou um bocadinho, quando ela estava mais perto e, como eu, deixou-a ir.

Eu liguei o computador, para escrever e ver as horas... Isso, há uma hora atrás. Agora espreito sorrateiramente, pelo vão da porta, pelo espelho, pelas reações de meu gato. Acho que ela já foi.

Filosofo um pouco, agora, como antes, sobre como é que a passagem (espero que rápida) de um bicho me faz despertar assim. Os significados "ocultos" dessa sensibilidade, ou, pior - a alternativa nada convidativa de ter sido um processo longo e duradouro, esse de o insetozinho ter conseguido me acordar. Procuro a sensação em minhas costas - ainda está lá, aqui, pouco abaixo da linha dos cabelos. Será que o cheiro influi? Terá ela passado rapidamente, ciente de que andava sobre uma possível histérica inimiga, ou terá se delongado, como quem passeia por uma chão de banheiro, no meio da madrugada? Torço por meu sono leve.

Hoje, deixarei as hipocrisias quietas. Nada de correr para me lavar toda, ou trocar os lençóis. Sabe-se lá quantas vezes ela ou suas companheiras ja puderam fazer isso sem serem descobertas, para que eu venha a ter uma síncope desmedida agora! Vamos ao sono, que se ganha mais.

...Ok. Um banhozinho. Pra lavar a sensação ruim.