Enfia a cabeça dentro de um buraco e se enterra.
Enfia a cabeça dentro da privada e dá descarga.
Enche o buraco de água, até fazer muita lama.
Espalha a lama pelas coisas brancas. Faz porcaria.
Enfia a mão no monitor e faz o circo pegar fogo.
Enfia a cara na parede pra ver se achata.
Corta os dedos de barata.
Corre pela casa torta.
Torta torta torta.
Esquece que é pra escrever e risca. Esquece que é pra ser feliz e atiça. Esquece que é pra acariciar e belisca.
Esquece que é branco e puro
esquece que é firme e duro
esquece que pode ser maduro.
Esquece que é pra gostar e odeia
esquece que é pra ser gente e só se assemelha
esquece que é pra ser livre e corre pra cadeia
Esquece.
Pára de rimar à toa.
Vive pra lembrar e ser livre e deixar ser, ainda que doa.
Escreve
Que é pra o que acontece não ser a toa.
Escreve.
Ainda que doa.
Desabafo. Bafo. Cheiro. Aca. Coisa ruim.
Preenche tudo de asco e nojo e o papel de azul, sem fim.
Passa que é podre e ruim estragado esquecido desleixado.
Passa sabonete, perfume, remédio.
Passa daqui pra fora.
Risca. Risca. Risca. Risca.
Risca. O cérebro segue solto na vontade do papel que pede pra mão não deixar ele à míngüa.
A droga é etérea impalpável e não concreta, não existiu, nem se inalou, mas incomoda e espeta.
Desperta pra tudo que há ao redor. Esquece de si.
Deixa a força passar para o traço que vai no papel que a cabeça descansa e a raiva alcança e sai e desanda.
Deixa tudo aí. E depois olha pra ver o que deu.
Escreve com força pra sair todo peso peso peso peso peso que insisto que não vou rimar.
Mas acabo.
Não dorme e não chora
Apesar do sono.
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