Insuportável, a noite
O prédio fica na esquina do Malecón com a Campanario. A erosão do vento, o salitre, o tempo e a negligência o destruíram. Grandes brechas nas paredes de tijolos. Rachaduras no teto e nas paredes. Com uns dias de chuva e um vento norte ele desmoronava. Mas ali vivem muitas pessoas. Ninguém sabe quantas. Entram e saem. Umas poucas lâmpadas dão uma luz opaca e amarelada. Trevas e silêncio. Todos moram ali ilegalmente. E andam como baratas. Escondidos.
(...)
Senta-se no chão do corredor, de frente para uma falha enorme da parede. Por ali se vê o mar escuro. A noite silenciosa. Há pouco tráfego no Malecón. Ouvem-se as ondas se quebrando nos recifes e borrifando salitre sobre a cidade.
p.j.g.
Trilogia suja de Havana
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