sábado, janeiro 30, 2010

Eu quero não me importar. Uma parte minha se importa. Uma parte minha se acha esquisita, e racionaliza que está certo que as coisas sejam como são.

Mas a verdade é que me importo.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

(Pensei um pouco em como elaborar este post. Acho que vai sair como sair)

Sonhei com uma garota essa noite.

Foi forte. Intenso.

Nos atraímos, nos beijamos, nos tocamos. Transamos.

Ela já sabia que gostava de garotas antes de mim, e não houve vergonhas ou receios.

Ainda assim ela não sabia se queria, se era possível, se algum dia parariam de fingir que era só uma brincadeira que não precisava ser levada a sério, ou de lhe apresentar os mais variados caras do caminho.

Mas nos beijamos e rimos, antes e depois.

E eu acordei, mas fiquei com esse bendito sonho no corpo e na cabeça.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Preâmbulo às instruções para dar corda no relógio


Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra-pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você - eles não sabem, o terrível é que não sabem - dão a você um pedaço fŕagil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obessão de olhar a hora certa nas vitrines das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniverśário do relógio.

Julio Cortázar.

Ela dói diferente

Não posso dizer que aconteça sempre.

Corrijo-me: sim, houve um tempo em que o era. Intensamente.

Hoje são esporádicas.

Sempre que dói, entretanto, é presente. A sensação de chumbo do agora e de um passado, de momentos separados por uma corrente inexorável e ingênua. A ponto de dar cores surreais e andar de sonho a tudo que aconteceu.

Ela dói diferente. Dói de verdade.

E é um misto de vontade de pedir desculpas e de dizer que não fiz nada de errado, e de sensação de que nunca saberei o que dizer.

E no fim das contas as lágrimas viram as reticências da dor dessa história que vou levar comigo.

terça-feira, dezembro 29, 2009

um dia

Seus olhos se encontraram. Não seria possível falar em amor, mas um princípio era inegável. Princípio de quê? Amizade. Curiosidade. Identificação...

E muito se conversou, e eram muitos os esforços para algo crescer, para tudo deixar de ser apenas princípio. E poucos souberam, mas caminhou-se até o meio.

E por mais que nunca tenham conversado com tranquilidade sobre o assunto, ainda que os acontecimentos daquele dia estejam para sempre esfumaçados e envoltos em surrealidade sutil, tudo de fato ocorreu.

Dali se poderia dizer que tudo mudaria, que laços haviam sido criados e - mais importante que isso - a abertura e a reciprocidade, a despeito de receios e timidezes, estavam ali, palpitantes.

Dali se poderia dizer que tudo mudaria, mas talvez só uma pessoa pudesse dizer que aquele fora precisamente o início do desandar da carruagem. Talvez nem essa personagem o pudesse. Apesar do inegável retraimento, poder-se-ia dizer que ainda ali havia, no mínimo, uma equilibrada mistura entre curiosidade e receio.

Mas as doses e ritmos de cada um dificilmente acompanham um mesmo compasso. E somente uma pessoa poderia dizer que teria se jogado de cabeça, naquele momento, se alguém tivesse dito que iria com ela.

E em verdade mesmo, um mergulho chegou a ser ensaiado. Foram dias ensolarados, laranjas, de brisa e leveza e anseios. E despertares e aromas e jardins.

Em uníssono, poder-se-ia ouvir corações, estômagos e pulmões atrapalhados em parar, respirar, bater, contrair-se, ficarem nervosos, ocuparem-se em dispersar a adrenalina, em disfarçar, em ir adiante, em não parar.

Caminhos desconhecidos trilhados, descobertas, encontros, novos arranjos e hipóteses e possibilidades. E toda uma nova paleta de modos de olhar e sorrir e entender o modo de ser das coisas e os bom dias... Em um dia que não aconteceu.

O que a alguns faz voar, outros prende ao chão. No preciso dia em que mais portas se abriam, tantas outras se fecharam, quem sabe se não precisamente no mesmo movimento.

As portas abriram-se como que numa dança de desencontros, aqui abrindo, ali fechando, para dar passagem ao outro lado...

Então há sumiços e silêncios. E palavras não ditas, ou pela metade. E preferências.

E lembranças esquecidas, medos, um leve aroma de vinho envelhecido.

O mergulho foi em água fria e dura. E, infelizmente, lançou um quê de amargo ao sabor de tudo que lhe suscitara.

terça-feira, dezembro 22, 2009

o que não é de minha conta, fora de meu caminho está.

ou algo que o valha.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Como diz Sônia Hirsch

A saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém.

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(Dowbor concorda)

quarta-feira, dezembro 16, 2009

por que diabos uma coisa dessas resolve me afetar?

nem faz parte de minha vida.

eu achei que fosse isso... na verdade, sei lá, não gostaria que fosse.

e meu peito ficou apertado e me sinto....

estranha.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

For Delirium was once Delight. And although that was long ago now, even today her eyes are badly matched; one eye is a vivid emerald green, spattered with silver flecks that move; her other eye is vein blue. Who knows what Delirium sees, through her mismatched eyes?

N.G.

terça-feira, novembro 24, 2009

se alguém descobrir como não sentir ciúmes, por favor me avise...

segunda-feira, novembro 16, 2009

dois cultivam as sementes. zelam-nas, com afeto.
a fragrância dos lírios muitas plagas alcança.

mas apenas para o sol se voltam...

[este, poderia ser do Gato Malhado]
o que será que será...?

domingo, novembro 15, 2009

Lembrar de escrever

...sobre o prazer das cartas de papel...

segunda-feira, novembro 09, 2009

De minhas instabilidades. De meus medos e anseios.

Se me fosse dado escolher, preferiria viver em um mundo onde fôssemos mais ligados à natureza do que a tecnologias de ponta.

Se me fosse dado escolher.

Sentindo-me em algum ponto delicado de rompimento de equilíbrio. Mas é sempre difícil ir além do superficial para mim, nestes momentos.

Tento olhar pra dentro, mas... Sinto vontade de chorar, sinto que não "estou apta" a cumprir com algumas exigências externas e internas, que talvez não sejam reais mas que estão completamente mescladas em meu modo de me perceber em alguns espaços. E são espaços nos quais tenho passado a maior parte de minha vida.

Hoje estou cansada. E me sinto... incapaz de fazer algumas coisas. Optaria por desistir, se fosse fácil. Se fosse trivial. Não é. Não encaro como se fosse. Às vezs, contudo, encaro como se fosse contra minha natureza tentar me manter em algumas das atividades em que estou. Contra meus anseios, desejos, objetivos. Contra minha saúde psicológica. Quiçá contra minhas habilidades técnicas.

E discordo de algumas coisas mas é como se não tivesse o direito de falar nada a respeito, pois não estou cumprindo o meu papel. Sinto-me perdida e inferior. E desajustada em relação aos padrões. E isso tudo me deixa com vontade de chorar, sinto-me sozinha com estes sentimentos, e mais perdida.

Desistir me deixaria com que caminhos pela frente? Visualizo possibilidades vagas, etéreas, quase irreais. Medo de ficar para trás, caso opte por outros rumos. O engraçado é que há muito acho que estou ficando pra trás, exatamente onde estou agora. Medo de estar sendo fraca. Se todos conseguem, por que eu não consigo? Se funciona e agrada a todos.... por que não comigo? Não deveria ter alguma garra para então tentar mudar, ou para me tornar o que acho que devia ser? Tenho pessoas queridas, e a quem admiro, que fazem isso. Meus exemplos externos todos são de pessoas que, mesmo em situações que lhes eram desagradáveis, por vezes extremas, elas foram adiante, deram o melhor de si, se destacaram.

Eu fico chorando pelos caminhos. Perdendo tempo, foco, auto-estima, auto-confiança.

Mas o que emerge dessas percepções não é vontade de lutar dentro desse ambiente para que as coisas sejam diferentes. É vontade de chorar. É vontade de desistir. E descubro que não gosto de pensar em desistir pois em minha cabeça desistir é como fraquejar. Não está associado a perceber que se estava trilhando o caminho errado, ou a mudar de ideias e concepções, ou tomar coragem para ser diferente. É sempre algo negativo. Desistir é pra quem não tem garra de seguir adiante.

Minha vontade é de me encolher em uma cama, em um local escuro, e chorar. Não é uma tentativa de resolver nada. É uma ideia de desabafo físico, quase. Mas nunca saio com uma solução mais rica, duradoura, nunca saio com o propósito mais firme.

Continuo desfocada, com a capacidade de me centrar baixa, extraindo pouco de meus esforços.

Preciso mudar alguma coisa. Algumas coisas. Curar algumas, talvez. Mas é difícil, não consigo saber o quê mirar.

quarta-feira, novembro 04, 2009

do Gato Malhado

[...] Enganava-se a Rosa-Chá quando pensava que o Gato Malhado vivia solitário e não tinha nada no mundo. Bem ao contrário, ele tinha um mundo de recordações, de doces momentos vividos, de lembranças alegres. Não vou dizer que fosse feliz e não sofresse. Sofria, mas ainda não estava desesperado, ainda se alimentava do que ela lhe havia dado antes. Triste no entanto, porque a felicidade não pode se alimentar apenas das recordações do passado, necessita também dos sonhos do futuro.
[...] Apenas direi que era maviosa a orquestra dos pássaros e que o seu melodioso rumor chegava até o Gato Malhado, solitário no parque. Já não havia futuro com que alimentar seu sonho de amor impossível. Noite sem estrelas, a da festa do casamento da Anorinha Sinhá. Apenas uma pétala vermelha sobre o coração, uma gota de sangue.
J.A.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Meu coração tá batendo
como quem diz não tem jeito
zabumba-bumba esquisito
batendo dentro do peito...

sexta-feira, outubro 16, 2009

Como estar presa em um labirinto que não entendo.

O labirinto é minha cabeça.

bi-afetiva

desde pequenininha

ainda que tenha demorado um pouco para compreender isso

quinta-feira, outubro 08, 2009

O debate sobre o PIB: estamos fazendo a conta errrada

"'Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa' - Banner colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia. "
[...]
As limitações do PIB aparecem facilmente através de exemplos. Um paradoxo levantado por Viveret, por exemplo, é que quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska, foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas. O PIB mede o fluxo dos meios, não o atingimento dos fins. Na metodologia atual, a poluição aparece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar. As pessoas que jogam pneus e fogões velhos no rio Tieté, obrigando o Estado a contratar empresas para o desassoreamento da calha, contribuem para a produtividade do país. Isto é conta?
[...]
Por Ladislau Dowbor =)

quarta-feira, setembro 23, 2009

isso aqui anda muito cinza.