sábado, outubro 22, 2011

Tema pra conto

Quase não havia chovido em Salvador, naquele ano. Localizada em região de clima tropical atlântico, a cidade tinha como características duas estações: inferno e verão. Esta última cobria todos os meses do ano em que não se estava no verão oficial, incluindo o inverno.
Esse clima particular fazia com que (...)

corta.

/* melhor resumir logo e pegar depois: */

Mal tinha chovido em Salvador, naquele ano.
Um dia, já na primavera, uma insuspeitada onda de frio chegou à cidade. Nos primeiros dias, todos acharam que fosse uma frente fria fora de época, mas passageira.

Quando se completaram duas semanas de chuva sem tréguas, com os problemas transbordando mais do que as já inundadas ruas, as autoridades começaram a se preocupar.

Ao fim do segundo mês, as pessoas aos poucos começavam a se conformar com a situação e a procurar formas de lidar com o novo clima de sua cidade.

(...)

agora eu preciso lembrar de continuar.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Das mudanças

A gente se envolve e apega. Pelas mais curiosas coisas.

Quem diria que sentiria um aperto no peito com a possibilidade de mudar o modelo deste blog? De repente, é como se fazer isso, por si, já significasse deixar para trás alguns aspectos de mim, tudo que foi vivido até então, como se me afastasse de algo que gosto perto. Como se me tornasse mais independente, e isso pudesse quebrar coisas por dentro (e por fora).

Mas - como pode? É só um bendito esquema de cores, fontes, design e arrumação que por vezes posso passar semanas sem sequer lembrar da existência.

Seres curiosos somos nós. Há sempre muito que aprender, mesmo...

Caminhada noturna

Andando pela rua deserta pela chuva, vi gatos, cavalos, seres humanos, babacas e outros bichos.

E lixo e cheiro de mijo também...

terça-feira, outubro 18, 2011

De foco e ser antissocial

Mais do que "nunca" tenho experimentado a sensação de não querer participar de alguns eventos sociais. Encontros com muitas pessoas, sem muito foco, ou com muito foco em simplesmente estar junto e conversar aleatoriedades e beber e ficar nesse ciclo até acabar a conversa - ou a bebida - têm me soado quase desnecessários.
O que gosto: estar com amigos, para conversar sobre interesses comuns. Fazer as coisas que tenho de fazer. Ver algum filme. Ambientes mais familiares (não de família, mas de fazer sentido com quem sou, neste momento). O que me incomoda: desvios muito grandes de rota que não levam a locais tão interessantes assim para justificar a fuga de tema.
No meio disso, preciso encontrar a medida certa que me permite não magoar meus amigos, nem me afastar demais de quem sou.

terça-feira, outubro 04, 2011

Pra dizer um dia desses

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

c.d.a.

quarta-feira, setembro 28, 2011

5 anos em duas horas

Qual o caminho? Qual o encaixe? Qual o lugar? Onde fica, onde cabe, de que jeito...? Acho que 'inda tenho muito que desaguar tudo isso [mas ao menos estamos um passo mais perto de algum entendimento...]

sexta-feira, agosto 26, 2011

Perhaps love




Perhaps love is like a resting place, a shelter from the storm
It exists to give you comfort, it is there to keep you warm
And in those times of trouble when you are most alone
The memory of love will bring you home

Perhaps love is like a window, perhaps an open door
It invites you to come closer, it wants to show you more
And even if you lose yourself and don't know what to do
The memory of love will see you through

Oh love to some is like a cloud, to some as strong as steel
For some a way of living, for some a way to feel
And some say love is holding on and some say letting go
And some say love is everything, and some say they don't know

Perhaps love is like the ocean, full of conflict, full of pain
Like a fire when it's cold outside, thunder when it rains
If I should live forever, and all my dreams come true
My memories of love will be of you

Some say love is holding on and some say letting go
And some say love is everything and some say they don't know

Perhaps love is like the ocean, full of conflict, full of pain
Like a fire when it's cold outside, thunder when it rains
If i should live forever, and all my dreams come true
My memories of love will be of you

John Denver

terça-feira, agosto 23, 2011

Tarô de rua

Andando pela rua, vi uma carta de baralho. Um sete de ouros. Anotei mentalmente - olhar em casa depois.
Li à noite.

A nível divinatório, o Sete de Ouros indica o difícil momento da tomada de decisão. É necessária muita ponderação e cautela. A questão surge do impasse de continuarmos a desenvolver tudo aquilo que construímos até então, ou canalizar todos os esforços e energia num novo projeto.
Sharman-Burke, Juliet. Greene, Liz. O Tarô Mitológico: uma nova abordagem para a leitura do Tarô. 10ª ed. São Paulo: Siciliano, 1988. (pág. 207)
Esta é a terceira vez que me acontece algo do tipo. Nas outras duas, senti que a mensagem fez muito sentido no momento em que chegou.
Isso aconteceu na quarta passada, e também faz sentido. Mas ainda me pergunto qual a melhor escolha, e que novo projeto será este...

sexta-feira, agosto 12, 2011

Brincando de ser humano

Voltando para casa, vi uma pessoa dormindo em uma caixa de bonecas.
Na rua
no chão
a caixa - cama e cobertor
Não era nenhuma brincadeira.
Mas as gentes fingem de esconde esconde.
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

o.w.

sábado, agosto 06, 2011

Cantiga Quase de Roda

Na roda do mundo
lá vai o menino.
O mundo é tão grande
e os homens tão sós.
De pena, o menino
começa a cantar.
(cantigas afastam as coisas escuras.)
Mãos dadas os homens,
lá vai o menino,
na roda da vida
rodando e cantando.
A seu lado, há muitos
que cantam também:
cantigas de escárnio
e de maldizer.
Mas como ele sabe
que os homens, embora se façam de fortes,
se façam de grandes,
no fundo carecem de
aurora e de infância
– então ele canta
cantigas de roda
e às vezes inventa
algumas – mas sempre
de amor ou de amigo.
Cantigas que tornem
a vida mais doce
e mais brando o peso
das sombras que o tempo derrama, derrama
na fronte dos homens.
Na roda do mundo
lá vai o menino,
rodando e cantando
seu canto de infância.
Mas lá nas funduras
do peito, outro canto
lhe nasce e ressoa
- erguido de assombros
e de escuridões.
Vazio de infância,
varado de dores,
é o canto mais triste

que as noites já ouviram.
Portanto o menino
não deixa que o mundo
lhe escute esse canto
doloroso e inútil.
Pois sabe que os homens
embora se façam
de graves, de fortes,
no fundo carecem
de claras cantigas
- senão ficam ocos,
senão endoidecem.
E então ele segue
cantando de bosques
de rosas e de anjos,
de anéis e de cirandas,
de nuvens e pássaros,
de sanchas senhoras
cobertas de prata,
de barcas celestes
caídas no mar.
Na roda do mundo,
mãos dadas aos homens,
rodando e cantando
cantigas que façam
o mundo mais manso,
cantigas que façam
a vida mais doce
cantigas que façam
os homens mais crianças.

O canto desse menino
talvez tenha sido em vão.
Mas ele fez o que pôde.
Fez sobretudo o que sempre
lhe mandava o coração
t.m.

quarta-feira, agosto 03, 2011

O mito do bônus (the bonus myth)

"Na realidade, é mais complexo mas mais significativo assegurar qualidade de vida no trabalho, um clima colaborativo e de respeito, salários decentes, transparência nas informações, processos mais democráticos de decisão, redução da jornada de trabalho (as tecnologias já permitem, as ideias não surgem proporcionalmente às horas, e um fim de semana completo com a família todo mundo merce). E também, porque não, aplicar aquelas regras de ética empresarial penduradas na sala da presidência. As coisas que o empregado faz tem de fazer sentido para ele, para o meio ambiente e para a sociedade, não só para os sócios. Passamos muitas horas no trabalho: precisa nos dar certa satisfação todo dia, e todo mês, não no fim do ano."

terça-feira, julho 12, 2011

"O nosso amor, Ilsebill, tudo aquilo que nós nos sussurramos com voz abafada, escondemos em cartas ou trombeteamos do alto de torres ou pelo telefone, superando o barulho do mar num tom ainda mais baixo do que o imaginado, nosso amor, que cercamos com tanto carinho, que mantivemos secretamente dentro de uma caixa de chapéu no meio de quinquilharias e que era tão visível como um botão que falta, que estava escrito em cada tronco de árvore sob nomes diferentes, ele, o nosso amor, que ontem ainda era palpável, um objeto de uso, nosso cola-tudo, a palavra-chave, a inscrição do banheiro, o vibrante filme mudo, uma prece noturna dita em voz trêmula de camisola, a tecla para adoçar nossa canção de sucesso, ele, que corria descalço pelo capim tremulante, ele que como tijolo pouquíssimo gasto estava encaixado num muro de ruínas, ele, que se perdeu na faxina da casa e, quando procurávamos outra coisa, foi achado entre outras justificações usuais, fantasiado de apontador, ele, nosso amor, que nunca acabaria, não existe mais, Ilsebil. Ou ele só é possível, provável, sob certas condições. Ou ele existe ainda - mas em outra parte. Ou ele nunca existiu e por isso ainda seria imaginável."
Grass, Günter. O Linguado. 2a. edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983. pág. 430

/* Não é que me sinta assim nem nada. Mas esse cara escreve d'um jeito que gosto... */

quarta-feira, junho 01, 2011

respirar é preciso...

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como se tira um tijolo do peito?

terça-feira, maio 24, 2011

E este outono insiste em ficar entrando por minhas janelas...
Se eu resolver fumar até entender ou resolver minha vida,
o que se acabará antes
- os cigarros ou eu?
Eu podia ir embora, hoje...

quarta-feira, maio 18, 2011

Passado, presente, futuro

Como saber a que momento pertence cada coisa que está, de algum modo, viva dentro de nós?

Se para nosso inconsciente (ou algo que o valha), não há noção de tempo, ontem, amanhã, hoje, e o que aconteceu é como estar recém acontecido - quiçá, mesmo, acontecendo...

Como saber a que momento pertecem os sentimentos que vivem dentro de nós? E de que falam?

...

segunda-feira, maio 09, 2011

Devaneios sociopolíticos...

Ontem estava pensando nos impostos, não lembro exatamente por que, e vi como, em princípio, eles são bonitos - em alguma medida, eles são em verdade uma tentativa de materializar a famosa ideia "De cada um, segundo sua capacidade, para cada um, segundo sua necessidade..."

Uma sociedade na qual os impostos funcionem é bonita - todos ajudamos a filhinha de alguém a estudar, todos ajudam meus a amigos e eu a nos formarmos, todos contribuímos para ser seguro andar à noite na rua... Na medida de nossos ganhos e condições. E utilizamos os benefícios, na medida de nossas aspirações.

Distribuindo um pouco do que cada um tem, para que todos possam ter um pouco de tudo.
Desnorteada.

Música incidental - alguma coisa está fora da ordem.

Se ficar bem quieta, observando, escutando, entendo...?