terça-feira, março 24, 2020

Lilo

A princesa macia, de patas, de coelho e rabo de raposa, se foi.

Gremlin majestosa, achegada e antissocial, magrela e peluda. Companheira do Jack. E de todos os esconderijos da casa. E das caixas. Ela se foi.

Ela gostava de lugares altos e quietos. De dormir embaixo dos lençóis. De leite, e de comida dada na mão. Não do chão. Dondoca e aventureira, de sair por aí e não saber como voltar. Mas nos entendíamos, ela encontrava seus caminhos, seu lugar.

A Lilo para quem nenhuma porta deveria estar fechada - dia ou noite. A Lilo do leite. Sempre.

A Guizmo Guaxinim Pupuca, um ratinho branco, orelhudo, de pêlos ralos e raros, que pôs-se a miar uma noite (ou dia?), do outro lado da rua, e, quando desci para ir buscá-la, já havia atravessado para nosso quintal. Decidida e certeira.

A Liloca que dormia em meu colo, ou ao sol. Ou em cima do teclado. A Lilo comigo, conosco, sempre.
A meter-se entre as flores, entre os verdes, invisível, acolhida, princesa do mato.

A Lilo branquinha, a incrível cauda laranja empinada, de correr derrapando, de dormir derretendo-se...
Descansou. Em uma manhã de domingo. Com os passarinhos cantando. Como hoje. Como agora.

Se foi.
Não aqui.
Sentiremos sua falta...

Porto, 24 de março de 2020
Salvador, 22 de março de 2020


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