Não é algo que venha de fora.
Não é como se devesse vir de algum outro ponto que não eu mesma.
Ainda assim, me pego às vezes esperando algo. Espero uma epifania que me fará mover-me? Espero que caia do céu ou venha voando com os passarinhos que fazem ninho no lustre da sala a motivação ou a explicação para tudo que acho em mim perdido ou errado ou desencaixado?
Irritadiça, distante do que deveria ser minha realidade, pseudo-sufocada pelas responsabilidades. Estranha. Estranha em mim.
Em busca do que faça sentido. Em busca de um modo de viver que não seja sufocante, mas não me pareça irresponsável, não me deixe com a sensação de que o tempo e as coisas passam e continuo no mesmíssimo lugar.
Precisando de ar. Carecida de eu.
De minha força, de minha voz, de meus espaços, de minhas pernas a mover-se e de todos meus movimentos e de tudo que seja a energia que eu sei que existe e está amortizada, e nem sei dizer exatamente há quanto tempo, e desde quando essa dormência resolveu progredir.
É olhar pra dentro que resolve? É olhar ao redor?
Até onde sou capaz de ir sem sair do lugar?
Eu perco a paciência, o prumo, a segurança, a vivacidade, a sagacidade, a vontade de ficar aqui e de decidir pra onde ir.
Perco a paixão mais forte pela culinária, por fazer símbolos na tela executarem pequeninas maravilhas (para minha mente ingênua), perco um tanto o deslumbramento pelas coisas, e o viço no corpo.
Eu desacredito no conserto das coisas, eu deixo o tempo passar, eu não mando aquele postal, aquele SMS, eu não dou aquele telefonema. Eu não digo àquela pessoa que aquela noite foi maravilhosa e especial e está para sempre em mim. Eu não sei o que fazer para o que eu acho que faz sentido deixar de ser promessa e virar uma realidade boa e cativante.
Eu corro e giro e vôo e não construo algo sólido sobre o qual continuar a construir coisas, sobre o qual continuar a me construir.
Eu aprecio instantes e coisas e com sorte boas conversas com interessantes pessoas, eu tomo drinks e cervejas e cafés, e não tomo vergonha na cara - pra parar de gastar grana com gasolina e livros e futilidades.
Eu peço para esperar, eu não peço perdão, eu peço desculpas, eu peço espaço, peço ar. Eu peço outro café espresso e canto um trecho da nova música que povoa minha cabeça, e sem utilizar palavras de súplica peço pra mim que me encontre, que descubra no que sou boa e o que me ajudará a seguir, a ir em frente, a ser produtiva - não para os outros, mas para minha vida.
Eu busco essa faísca que se transforme em fogo, e busco também o combustível que tornará isso possível, e tudo parece distante, tudo parece confuso e complicado, estou esvaída de forças que algum conselheiro maldito me faz pensar, maliciosamente, que nunca tive.
Careço de sonhos, e mesmo alguns poucos anseios andam permeados de confusões e desnorteamentos.
Dosnerteada doída espremida pesada. Angustiada.
Eu peço férias.
(eu quero uma catarse que me forneça o substrato para progredir.)
Eu quero silêncio, e um pouco de tranqüilidade para ir fazendo o que preciso/ quero fazer sem ser interrompida, sem ter de parar para tecer comentários, dar palpites, dar explicações.
Eu careço de vida e força motriz e de algo que limpe essa lama que me anda a retesar os músculos e endurecer a paixão.
Eu peço tempo, eu peço um tempo para mim, eu peço respeito aos meus tempos e minhas individualidades e minhas necessidades de estar em mim, de não estar disponível - de vez em quando.
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