sexta-feira, julho 04, 2008

No ponto. No ônibus. Por aí.

A ansiedade encontrou o sufoco. Olhou um pouco, olhos afoitos, foi logo pedindo - faz-me um poema?
Afobado, tiou do bolso uns versos velhos que não tivera tempo de terminar.
"Eco
Oco:
eu"

"Versátil (volátil)
Volúvel
Retrátil."

Não se entenderam bem.
Ela, mil interpretações. Ele, sem tempo pra alguém. Foram-se: ansioso, sufocada.
- - -

Escrever/ pensar/ desaguar incessantemente.

Uns momentos internos. Ou pelo menos a mim dedicados.

Pensarei cá com meus botões. (nos reais zíperes que quero abrir)

Talvez deixe pistas, que afinal talvez tenha nascido, mesmo, para contar. Mas talvez não diga assim, diretamente.

Afinal aprender a falar ou a calar, dá no mesmo: se a idéia principal é refletir sobre o que há para ser dito.

Vou me internar em leituras e códigos e poemas?

Buscarei fazer mais? Descobrir minhas músicas. Meus ritmos. Minhas letras.

Não necessariamente ficar só. Escolher entretanto estar em mim, ao está-lo.

Buscar caderno sem pauta e escrevê-lo todo.

A história é uma cicatriz nas páginas. Ou um desenho.

Quero uma torrente de idéias pra lavar a cabeça.

Quero que a vida flua, e quero estar consciente na correnteza. Sendo eu quem a provoque ou não.

Diacho é que gosto de me mostrar. Acho que vou me descobrir uma voyeur das idéias.

Despir-me-ei com as janelas abertas. No escuro, contudo. Só desejarei que me espiem aqueles que tiverem decidido me procurar.

Encontro vontade de escrever muito. Eis o que gosto.

Onde me acho.

Tudo aquilo que trabalhe a vida das mãos.

Incertada certeza de minhas vontades, talvez, sem mágoas, recolha-me um pouco.

Dá-me sono.
- - -

Não sei se leio, como alimento, ou se me resguardo, para evitar ser claramente tentada por idéias que não são minhas.

Hoje eu levaria todos os dias o caderno para onde quer que fosse. Escreveria quando e como desse vontade.

Quero crescer. A escrita. Voltar a tocar, com ela.

Desafogar o peito de todas as palavras não ditas, malditas, desditas, benditas.

Centrar-me.

Centrar-nos-emos.

Tudo ao nosso tempo.

- - -

Peito ficou leve após tanta escrita. Não quero que isso passe, ainda que deseje escrever coisas intensas.

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