Há um desatino na ordem natural das coisas:
não é possível obrigar os outros a interagir com você.
Ninguém se condói dos corações afoitos e ansiosos do mundo:
ninguém precisa responder a uma tentativa de contato, se não quiser.
Vcoê agradece aos céus quando se trata da recíproca, e você não é obrigado a gostar de um dado fulano só porque ele embestou de ir com sua cara.
Mas é uma droga quando você é o bendito ansioso do outro lado do rio, contorcendo-se para enxergar algo do que ocorre na outra margem.
Você encontra outros assuntos de interesse. Esquece momentaneamente. Tropeça em um fragmento de lembrança e está novamente a se perguntar o que fazer para acontecer, o que será que será.
E se descobre pequenos pedaços de vida, consome-os na vã, muito vã, esperança de que os mesmos possam saciar o por vezes intenso desejo de mergulhar no mar vermelho de cheiros e texturas e pensamentos que não os seus.
Você constrói os diálogos e os momentos. Você elabora as negativas. Mal-educacadas. Secas. Gentis. Você deseja pedaços de conversa durante os expedientes estranhos, durante as horas solitárias da vida. Você pede pouco. Você só não quer a oca abstenção.
O que é insuportável à sua palpitante ansiedade é esse bendito livre arbítrio que permite que uma pessoa lhe ignore categoricamente. Não perceba a sua presença. Não se toque. Essa bendita possibilidade de você ser um zerinho à esquerda justamente para a pessoa que a pouco e pouco, se não se segurar, lhe tira do centro.
E mesmo quando pensa em desistir, quando quer acreditar que é sincera a renúncia a algo sem pé nem cabeça, sem início e portanto sem fim, a ansiedade, vontade espremida, saltita em seus pensamentos:
" Tá... Mas pelo menos avisa! Avisa!"
/* A internet permite muitas intrusividades... É estranho que se possa saber "tanto" sobre o "íntimo" de alguém para quem você não dá nem bom dia - */
Nenhum comentário:
Postar um comentário