quinta-feira, novembro 02, 2006

A propósito de

E se eu for, na maioria dos casos, uma amiga de momento, de ocasião?

Se for uma "amiga padrão" para uma pequena e limitada quantia de pessoas, com quem tenho uma afinidade realmente grande, ou por quem nutro um afeto também bastante considerável? Se para os outros for tão relápsa quanto uma querida amiga minha que admite sê-lo, mas o é com todos??

Isso se torna um problema, uma vez que tenho meus "eleitos"? Uma vez que sou carente?

Isso me torna falsa e sem personalidade. E preguiçosa, talvez.

Enquanto amiga, eu devo aceitar que as pessoas achem que eu não fiz a melhor das escolhas para namorado, ou que estou escolhendo minha profissão apenas para seguir os passos de outra pessoa, ou que não estou escolhendo qualquer outra coisa por mim mesma? Preciso aceitar que não posso mudar, virar outra coisa, e querer trilhar outros caminhos, menos compreendidos, ou talvez não tão apetitosos, sem correr o risco de ser tachada de... Sem que reclamem por isso?

Eu sei que sou relapsa. Acho até que, com algumas amizades mais recentes, cheguei a comentar que tenho esse costume, de ter uma ou duas pessoas que são "amigas para todas as horas", e das quais "exijo" mais, e ter outros amigos, com os quais posso passar até mesmo anos sem falar, sem maiores problemas, sendo capaz de, ao encontrar, conversar como se o tivesse visto pela última vez no dia anterior.

Sou assim com minha família!! Mais do que gostaria, em alguns casos, mas sou. E antes de eu ser capaz de lembrar se era, sei que foram comigo. E eventualmente eu reclamei, quando meu pai esqueceu alguma data importante, mas o fato é que, hoje, sou uma pessoa mais prática nas amizades.

Gosto de muitos, respeito-os e me prontifico a ajudar, a conversar, a dar um ombro amigo - eventualmente, até "ouço" seus conselhos. Mas convivo mais com os que estão por perto, e, se não há ninguém por perto, e houver tempo, talvez procure algum dos que estão um pouco distantes, mas com os quais tenho tido um pouco mais de contato. Ou, ainda, encontro mais alguém, que esteja próximo, e que tenha interesse em ter uma amiga "relâmpago".

Essa sou eu, basicamente. Não deve ser nada honroso escrever algo assim. Não devo estar ganhando pontos no IBOPE por adimitir que "não presto".

Contudo, esse é realmente meu modo de viver os amigos. Quando os modos de ser, viver e entender o mundo se afastam por demais, e nossas idéias se tornam não apenas diferentes, mas pouco compatíveis, é possível que eu me afaste, se achar que não faz muito sentido uma amizade de discordâncias e críticas. Quando não concordo com um jeito de ser, quando não me agrada, quando não quero pra mim, quando, se fosse uma pessoa desconhecida, eu estaria criticando severamente, e não escolheria me aproximar... Às vezes dou minha opinião, e sigo meu caminho. Às vezes, apenas sigo meu caminho.

A contra-partida positiva é que não cobro. Talvez cobre de um namorado, ou daquele AMIGO que vejo todo dia. Talvez só do namorado, e o resto eu apenas xingue, bem humorada, quando entrar em contato, e diga que vou abandonar e nunca mais vou falar.

Em muitos pontos, sou uma pessoa defeituosa, caprichosa e feia, como uma união das características negativas de Lancelot e Guenevere. Para balancear, sou amorosa e aberta, como Arthur, com os que vêem além disso, ou não acham que as coisas supra-citadas sejam defeitos mortais.

Está certo, dos caprichos não me salvo. Vou vendo o que posso fazer para me livrar deles, para me livrar aos poucos. Mas ninguém é perfeito...

Exijo, de fato, de poucas pessoas. E acho que só aceito ser exigida por essas. As outras, se quiserem fazê-lo, têm, na realidade, todo o direito do mundo. Cada um faz o que quer em sua vida. Não posso, porém, dizer que aceitarei isso de bom grado. É possível que fique tocada, a depender da situação. E também existe a chance de isso apenas afastar ainda mais, distanciar a amizade, caso não se consiga colocar um pouco de leveza em uma coisa tão séria como essa de achar que se pode dizer o que o outro deve fazer, e se ofender se as coisas não ocorrerem como achava que deviam.

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