sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Escreva o que vê

(ou uma ligeira variação disto)

Acordou cedo, com o despertador. Sentiu que tinha o direito de dormir mais um pouco, após ter tido seu sono interrompido durante a madrugada para ter notícias de amigos notívagos. Enroscou-se um pouco entre travesseiros e cobertas, sorriu, com a sensação de ter tido algum sonho bom. Fechou os olhos... mas logo o despertador tocou novamente. Ainda uma vez decidiu que dormiria um pouco mais - informou isso ao alarme do celular. Ensaiou outro mergulho na maciez da roupa de cama. Sorriu de leve, novamente. Mas em poucos minutos já tinha aberto os olhos, apreciado a claridade do dia, e realizado que não poderia continuar na cama. Aquele era seu último dia antes da viagem. Sua mala não estava pronta. Tinha um compromisso do outro lado da cidade em menos de três horas. E ainda tinha outros assuntos a resolver...

Abriu a cortina puxando-a com os dedos dos pés. A luz dourada do sol penetrou diretamente no quarto. Observou a luminosidade em sua pele, corando o corpo ligeiramente bronzeado - cena bonita, pensou. Também pensou que gostaria de ir à praia, sentir a areia, tomar um pouco mais de sol, antes de despedir-se rumo a um mundo muito mais cinza. Girou o corpo, ainda deitada. Dois gatos a observavam, misto de sono e expectativa. Ela havia os reacostumado a comer cedo, para ter, assim, um despertador natural todas as manhãs. Agora, se sentiam no direito de miar e miar, tão logo ela abria os olhos. Mexeu-se. Desligou o ventilador, saiu da cama, recuperou a xícara de chá da noite anterior e bebericou. Ainda estava bom, mas já tinha o gosto ligeiramente velho.

Dirigiu-se, ainda nua, para a sala. Enquanto aguardava o computador ligar, foi até a cozinha para ver se havia algum recado para si. "Que tal levar um pedaço de bolo para Márcio e Beatriz? De boas vindas?"  Gostou da ideia. Voltou ao computador - precisava checar e-mails, dar uma notícia para o irmão, inteirar-se das mensagens da noite. Fora dormir cedo, após passar algum tempo lendo, e então sabia que estaria desatualizada das últimas coisas que sua mãe, seus amigos e seus sócios e companheiros de viagem teriam dito no dia anterior.

Lembrou-se da mensagem que recebera de madrugada. Releu-a, para recuperar o endereço que deveria visitar. Cactos e rosas... Exercício. Leu-o. Gostou da ideia. Reconheceu a história narrada. Sorriu para a amiga distante. Sentiu fome. De volta à cozinha, preparando seu café da manhã, perguntou-se o que teria levado a outra a dedicar-lhe o exercício.

Abacate. Seria a afinidade com a escrita? Açúcar. As ruivas que apareciam? Limão. Talvez o seriado descrito? Amasse bem, misturando os ingredientes. Só não gostaria que fosse uma forma de, sutilmente, criticar seu comportamento, por aproximação a atitudes descritas no texto... Entristeceu-se um pouco, pensando nessa possibilidade.

Razões de dedicatória à parte, ainda precisava responder. Ainda mexendo o abacate, ponderava se escreveria um comentário, mandaria uma mensagem, ou... Sem muito esforço, distanciou-se de si mesma. Observou-se na cozinha, de manhã, nua, fazendo o café da manhã.

Quando voltou para o computador, já sabia o que fazer. Abriu seu próprio blog, e começou a (d)escrever.

(Dedicado ao post homônimo :-) )

Um comentário:

Anônimo disse...

O exercício, o seriado, a vontade de escrever, pensar em você durante a madrugada. Nenhuma pra te deixar triste (lembrando da diferença entre Lip Service e The L WOrd)

A cena em que eu deveria chegar era "Cris pensava na dançarina morena que lhe despertara desejos, há meses reprimidos pela depressão, sua e de sua companheira. Deitada no sofá do escritório de Joana deslizou as mãos pelos seios fartos, primeiro por sob a camisola verde de seda, depois por baixo.
Quando ensaiava tocar-se em seu ponto mais sensível ouvira-a. E isso a trouxe as lágrimas.
As risadas de Roberta preenchiam até seus desejos mais íntimos."